Portal de Periódicos Unespar (Universidade Estadual do Paraná)
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Formação de Professores de Ciências Naturais e o aluno surdo: A disciplina de Libras nas instituições públicas de Educação Superior do Pará
Este artigo aborda a formação de professores de Ciências Naturais nas instituições públicas de Educação Superior do Pará e o ensino de Ciências para surdos. Discute-se a oferta da disciplina curricular de Libras proposta nos Projetos Pedagógicos de Cursos das licenciaturas em Ciências Naturais das instituições paraenses. Para tal, procedeu-se metodologicamente por uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter descritivo-exploratório que se constituiu em uma análise documental. Constatou-se que a proposta de disciplina de Libras nos cursos de Ciências Naturais das instituições públicas paraenses tem explicitado com maior recorrência conteúdos teóricos que focalizam debates sobre a Libras e sobre a educação de surdos, sem destacar aspectos específicos do ensino de Ciências. Além disso, as possibilidades de pesquisa e extensão sobre Libras e surdez presentes nos referidos Projetos Pedagógicos são escassas e constituem um potencial ainda pouco explorado. Conclui-se sobre a necessidade de se avançar em potencialização de conteúdos sobre pressupostos da educação de surdos, mediados pelo domínio da Libras considerando a singularidade da área de Ciências Naturais
MACUMBANÇA: ẸNI BÁ ṢE OUN TÍ ẸNÌKAN Ò ṢE RÍ Á RÍ OHUN TÍ ẸNÌKAN Ò RÍ RÍ, UM EBÓ EPISTÊMICO NA ENCRUZILHADA COM IGOR FAGUNDES
Esta escrita é resultado de um ebó despachado na encruzilhada para Exu. Provoco aqui que Exu, por seu caráter de mensageiro, de abrir e trilhar caminhos, também se conecta como um mediador cultural, proporcionando metáforas e conexões outras de forma potente para pensarmos possibilidade de articular o corpo, a (trans)culturalidade e a pesquisa.Esta encruzilhada se faz com o convidado Professor Doutor Igor Teixeira Silva Fagundes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio de um encontro virtual que posteriormente resultou em um convite especial para este momento. As questões foram encaminhadas por email, Junho/2021, onde ficou aberto para que o convidado pudesse intervir tanto nas questões, como na forma e maneira de responder, visto que estamos nos deslocando pela macumba, cuja ritualidade milenar é feita conforme as ações desejadas e solicitadas
A AUTONOMIA DA MULHER QUE DANÇA A DOIS PARA A ATUAÇÃO NAS RELAÇÕES SOCIAIS E DE ENSINO
O presente artigo tem por objetivo discutir a autonomia da mulher nas danças a dois etrazer reflexões e outros parâmetros para o ensino dessas danças que, ainda é pautado, em grandeparte, na desigualdade entre gêneros, principalmente no que diz respeito às tomadas de decisãodurante as danças a dois. As mulheres vêm exercendo um papel importante na sociedade como umtodo, desempenhando cada vez mais protagonismo em âmbito pessoal, profissional e nas instânciaspolíticas, o que acaba por estimular uma reflexão sobre o desenvolvimento da autonomia da mulhernas danças de salão. A partir de revisão de literatura que apresenta um breve histórico sobre odesenvolvimento destas danças, nas quais as relações entre mulher e homem são dimensionadaspelas funções de dama e cavalheiro, se levanta uma definição de autonomia fundamentada comoparâmetro sistêmico, que possibilita entender a necessidade de se gerar ambientes e práticas paradesenvolvimento da autonomia das mulheres que dançam a dois, ou a duas, em virtude de que,autonomia não é algo dado a priori e sim, construído e estruturado nas experiências da vida. Odiálogo com os autores e histórico se dá articulado com as experiências que advém da práticaprofissional da autora deste artigo. Como dança social, as danças de salão tendem a apresentare refletir em suas práticas, as mesmas estruturas e características sistêmicas da sociedade comomachismo, homofobia, racismo entre outros aspectos mantidos por uma tradição e conservadorismo,pouco discutido nestas danças. A dança social deve ser expressão de felicidade, de conhecimentode si, de potencialidades humanas e pesquisar autonomia nessa prática, é um estudo de amplapluralidade de conhecimento
O trânsito das companhias líricas entre as cidades de Desterro e Rio Grande de 1850 a 1880
The theatrical spaces of the second half of the nineteenth century housed shows by lyric companies that traveled along the coast of Brazil to perform in various cities, including the cities of Desterro and Rio Grande. In this paper, we aim to address questions to understand a portion of these trade routes developed by the musical companies. The theoretical framework focuses on questions about the civilizing process according to Norbert Elias (1994, 2001).Os espaços teatrais existentes na segunda metade do século XIX abrigavam espetáculos de companhias líricas que percorriam a costa marítima para apresentar-se em diversas cidades do Brasil, incluindo em sua rota as cidades de Desterro e Rio Grande. Neste texto são abordadas questões com o objetivo de compreender uma parcela dessas rotas desenvolvidas pelas formações musicais. O referencial teórico centra-se sobretudo no processo civilizatório a partir de Norbert Elias (1994, 2001)
A performance decolonial de Rachel Reis no álbum Meu Esquema e a cena musical afrolatina de Salvador
In this article we present the first results of an investigation that seeks to think about musical practices set in decolonial territorialities, from an intersectional perspective. Taking the visual album Meu Esquema by Rachel Reis as our research subject, we propose the articulation of the notion of musical scene based on a connection with concepts such as Performance, Afrocentricity, Decolonial Feminism and Ancestry, in order to understand urban cultural phenomena anchored in performances of gender, post-gender, race/ethnicity, sexualities, citizenship and class, which materialize in Latin American cities. To this end, we propose the concept of an Afro-Latin/diasporic music scene, which we feel is more appropriate for understanding cultural processes in places marked by colonial oppression and ethnic-racial violence.En este artículo presentamos los primeros resultados de una investigación que busca pensar las prácticas musicales enmarcadas en territorialidades decoloniales, desde una perspectiva interseccional. Tomando como objeto de investigación el álbum visual Meu Esquema de Rachel Reis, proponemos articular la noción de escena musical en conexión con conceptos como Performance, Afrocentricidad, Feminismo Decolonial y Ancestralidad, para comprender fenómenos culturales urbanos anclados en performances de género, post-género, raza/etnia, sexualidades, ciudadanía y clase, que se materializan en ciudades latinoamericanas. Para ello, proponemos el concepto de escena musical afrolatina/diaspórica, que nos parece el más adecuado para comprender los procesos culturales en lugares marcados por la opresión colonial y la violencia étnico-racial.Neste artigo trazemos os primeiros resultados de uma investigação que busca pensar as práticas musicais ambientadas em territorialidades decoloniais, a partir de uma perspectiva interseccional. Tendo como assunto de pesquisa o álbum visual Meu Esquema, de Rachel Reis, propomos a articulação da noção de cena musical a partir da conexão com conceitos como Performance, Amefricanidade, Feminismo Decolonial e Ancestralidade, para compreender fenômenos culturais urbanos ancorados em performances de gênero, pós-gênero, raça/etnia, sexualidades, cidadania, classe, que se materializam em cidades da América Latina. Com este objetivo, propomos o conceito de cena musical afrolatina/diaspórica, que nos parece mais adequado para dar conta de processos culturais ambientados em localidades marcadas pela opressão colonial e a violência étnica-racial
De Semillas a Jardines: Transcripción y Orquestación en Notations VII de Pierre Boulez
Este artigo analisa a transcrição realizada por Pierre Boulez do sétimo movimento das Douze Notations para piano, resultando na peça Notations VII para orquestra. Nosso objetivo é compreender as técnicas composicionais utilizadas, abordando aspectos estruturais, temporais, harmônicos e timbrísticos. Dividido em cinco partes, o texto inicia com uma introdução às Douze Notations e as transcrições feitas por Boulez, embasada em seus próprios escritos. Em seguida, apresentamos uma análise da miniatura para piano, seguida de uma contextualização do termo “proliferação” e de uma análise da versão orquestral. A reflexão final destaca os tipos de proliferação realizados por Boulez, as quais denominamos como proliferação temporal-estrutural, proliferação temporal-heterofônica e proliferação harmônico-tímbrica.This paper analyzes the transcription carried out by Pierre Boulez of the seventh movement of the Douze Notations for piano, resulting in the piece Notations VII for orchestra. Our goal is to comprehend the compositional techniques employed, addressing structural, temporal, harmonic, and timbral aspects. Divided into five parts, the text begins with an introduction to the Douze Notations and Boulez's transcriptions, grounded in his own writings. Subsequently, we provide an analysis of the piano miniature, followed by a contextualization of the term “proliferation” and an analysis of the orchestral version. The final reflection highlights the types of proliferation carried out by Boulez, which we label as temporal-structural proliferation, temporal-heterophonic proliferation, and harmonic-timbral proliferation.Este artículo analiza la transcripción realizada por Pierre Boulez del séptimo movimiento de las Douze Notations para piano, resultando en la obra Notation VII para orquesta. Nuestro objetivo es comprender las técnicas compositivas empleadas, abordando aspectos estructurales, temporales, armónicos y timbricos. Dividido en tres partes, el texto comienza con una introducción a las Douze Notations y las transcripciones de Boulez, fundamentadas en sus propias escrituras. Posteriormente, ofrecemos un análisis de la miniatura para piano y su versión orquestal. La reflexión final destaca los tipos de proliferación llevados a cabo por Boulez, que denominamos proliferación temporal-estructural, proliferación temporal-heterofónica y proliferación armónico-tímbrica
Futuro? reflexões sobre burlesco e vídeo-burlesco
Neste artigo, apresentam-se reflexões conceituais e metodológicas sobre a linguagem do cabaré e do burlesco contemporâneo, a partir da análise de uma das ações da pesquisa Brinquedos, duplos e outros corpos performáticos: estética, erótica, política, desenvolvida na UFRGS: o processo de criação e apresentação da vídeo-performance Futuro?, em 2021. Futuro? assumiu-se como interrogação e lançou um olhar repaginado sobre elementos utilizados em obras anteriores: brinquedos de corda, bichos de pelúcia, bonecos infláveis, máscaras de látex, próteses e outros truques, eletrodomésticos, glitter prata, alguma metalinguagem e muita ironia. Fragmentos de passado, acionados e friccionados no presente, tematizando e sendo assistidos no futuro. Dialogando com pesquisadores de burlesco, cabaré, teatro, dança e filosofia, o artigo levanta questões sobre implicações da pandemia de Covid-19 na criação performática, estabelecendo conexões e possibilidades para artistas, pesquisadores e espectadores.This article presents conceptual and methodological reflections on the language of cabaret and contemporary burlesque, based on the analysis of one of the actions of the research project Toys, doubles and other performative bodies: aesthetics, erotics, politics, developed at UFRGS: the process of creating and presenting the video-performance Future? in 2021. Future? assumed itself as an interrogation and took a fresh look at elements used in previous works: wind-up toys, plush animals, inflatable dolls, latex masks, prostheses and other tricks, household devices, silver glitter, some metalanguage and a lot of irony. Fragments of the past, activated and frictioned in the present, thematizing and being watched in the future. Dialoguing with researchers in burlesque, cabaret, theater, dance and philosophy, the article raises questions about the implications of the Covid-19 pandemic for performance creation, establishing connections and possibilities for artists, researchers and spectators
Ensaio sobre um processo de criação artística: a (des)ordem da imaginação e do acaso na poética audiovisual
Neste ensaio reflexivo nosso objetivo é apresentar um processo singular de criação nas artes do vídeo, dialogando com a ideia de que o exercício criativo que confere forma à videoarte – objeto empírico de nossa investigação –, é permeado pela transitoriedade do inacabamento do gesto sensível e consciente. O que nos (co)move neste raciocínio analítico é a ideia do acaso como possível caminho constitutivo para se pensar-fazer arte pelo viés da ampliação da imaginação, da intuição e da própria linguagem audiovisual. Nosso percurso investigativo apoia-se no tipo de pesquisa qualitativa e indutiva e, como abordagem metodológica, utilizamos a Crítica de Processos, visto que, o processo de construção artística da obra de arte e o reconhecimento dos métodos, materiais e anotações empregados pelos artistas são essenciais para o estudo da poética autoral. Pautamos nossas considerações ensaísticas em uma questão norteadora: de que forma a poética audiovisual reveste-se do conceito de paisagens pessoais e dos acasos em sua configuração formal? A ancoragem teórica do estudo se reporta à Fayga Ostrower (2009; 2013) para dar conta dos conceitos de acaso, percepção e formas de expressividade nas artes e à Cecília de Almeida Salles (2006; 2010; 2013), no que se refere à Crítica de Processos.In this reflective essay, our objective is to present a unique process of creation in the video arts, dialoguing with the idea that the creative exercise that gives form to video art – the empirical object of our investigation – is permeated by the transience of the incompleteness of the sensitive and conscious gesture. What (co)moves us in this analytical reasoning is the idea of chance as a possible constitutive path to thinking about and making art through the expansion of imagination, intuition and audiovisual language itself. Our investigative path is based on the type of qualitative and inductive research and, as a methodological approach, we use Process Criticism, since the process of artistic construction of the work of art and the recognition of the methods, materials and notes used by Artists are essential for the procedural study of poetics. We base our essay considerations on a guiding question: in what way does audiovisual poetics embrace the concept of personal landscapes and chance in its formal configuration? The theoretical anchoring of the study refers to Fayga Ostrower (2009; 2013) to account for the concepts of chance, perception and forms of expressiveness in the arts and Cecília de Almeida Salles (2006; 2010; 2013), with regard to Process Criticism
MONTAJE DE TIEMPOS HETEROGÉNEOS EN O FIO DA MEMÓRIA: NO CENTENÁRIO DA ABOLIÇÃO (1991), DE EDUARDO COUTINHO
Tendo como objeto o segundo longa-metragem documentário realizado por Eduardo Coutinho, O Fio da Memória: no centenário da abolição (1991), objetivamos neste ensaio observar as camadas narrativas, tempos heterogêneos e as estratégias empregadas para o discurso da memória e do esquecimento presentes no filme. Partimos do pressuposto que o filme traz em germe inicial exercícios de uma forma fílmica documental antes mesmo de apontar para um determinado estilo. A partir de debates gerados pela exclusão, racismo, entre outros, o trabalho traça de modo transversal a temática do documentário de modo a clarear algumas características que se pronunciam como embrionárias na obra do autor. Podem ser destacadas entre estas, escolhas como: a estratégia para a ideação do relato a partir de entrevistas, o uso de canções diegéticas escolhidas e performadas pelas personagens, a presença do sincretismo religioso e alguns indícios da fabricação do filme através da presença da equipe. Mesmo que esta obra tenha sido realizada por encomenda estes são elementos já presentes que identificam este autor de forma singular.Our goal in this essay is to observe the narrative layers, heterogeneous times and the strategies employed for the discourse of memory and oblivion present in the second feature-length documentary film made by Eduardo Coutinho, O Fio da Memória: no centenário da abolição (1991). We initially assume that the film contains exercises from the director of a documentary film form even before pointing to a certain style developed by him throughout his career. The documentary's theme is around exclusion, racism, among others, and the way such themes are presented, can be considered embryonic in the author's work. Among these, choices such as: the strategy for creating the story based on interviews, the use of diegetic songs chosen and performed by the characters, the presence of religious syncretism and some signs of the film's production through the presence of the team can be highlighted. Even though this work was made by order, these are elements already present that identify this author in a unique way.Tomando como objeto el segundo largometraje documental realizado por Eduardo Coutinho, O Fio da Memória: no centenário da abolição (1991), pretendemos en este ensayo observar las capas narrativas, los tiempos heterogéneos y las estrategias empleadas para el discurso de la memoria y el olvido presente en la película. Suponemos que la película inicialmente contiene ejercicios de la forma fílmica, antes incluso de señalar un estilo determinado. A partir de debates generados por la exclusión, el racismo, entre otros, la obra traspasa la temática del documental con el fin de esclarecer algunas características que se consideran embrionarias en la obra del autor. Entre ellas, se destacan opciones como: la estrategia de creación de la historia basada en entrevistas, el uso de canciones diegéticas elegidas e interpretadas por los personajes, la presencia de sincretismo religioso y algunas señales de la producción de la película a través de la presencia del equipo. Si bien esta obra fue realizada por encargo, estos son elementos ya presentes que identifican la forma única de este autor
A ressignificação do “fenômeno” de caça às bruxas: ecos no filme Rua do Medo: 1666 – Parte 3
The “phenomenon” of witch hunting in Western society, which occurred during the 16th to 17th centuries, was brought out of hiding from the second wave of the Feminist Movement in the mid-1970s, and has been debated nowadays under the understanding of an intentional persecution of a group of women who at that time had knowledge about reproduction (midwives), were healers and herbalists, or simply prostitutes and beggars. With this premise, this article aims to historically establish an understanding of why thousands of women were tried, tortured, hanged or burned alive for almost two centuries in Europe and correlate it with the Hollywood horror film Fear Street: 1666 – Part 3, director by Leigh Janiak, and released in 2021 on the Netflix streaming platform. The choice for such a cinematographic narrative is due to the reason of observing the possibility of a new reading of such an event from the point of view of the supposed witch and the beneficiary of such an accusation.O “fenômeno” de caça às bruxas na sociedade ocidental ocorrido durante os séculos XVI a XVII, foi tirado da clandestinidade a partir da segunda onda do Movimento Feminista em meados da década de 1970, e vem sendo debatido nos dias atuais sob o entendimento de uma perseguição intencional à um grupo de mulheres que naquele período detinham conhecimentos sobre a reprodução (parteiras), eram curandeiras e herboristas, ou simplesmente prostitutas e mendigas. Com essa premissa, o presente artigo tem como intuito trilhar historicamente uma compreensão do por que milhares de mulheres foram julgadas, torturadas, enforcadas ou queimadas vivas por quase dois séculos na Europa e correlacionar com o filme de horror hollywoodiano Rua do medo: 1666 – Parte 3, da diretora Leigh Janiak, lançado em 2021 na plataforma de streaming Netflix. A escolha por tal narrativa cinematográfica deve-se pelo motivo de observar na mesma a possibilidade de uma nova leitura sobre tal acontecimento sob o ponto de vista da suposta bruxa e o beneficiário de tal acusação.