Portal de Periódicos Eletrônicos da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp
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O ENSAIO EM LUKÁCS: ESTILO TARDIO E A FORMA DA JUVENTUDE
No presente ensaio, procuro estabelecer afinidade de leitura entre a tradição cética e a dialética, por intermédio do conceito de crítica
O CONTRATO DE GLÁUCON
O Livro II da República de Platão se inicia com um desafio de Gláucon para Sócrates, onde este deve provar que o homem justo é, de toda maneira, melhor do que o injusto. Para isso, pedirá que Sócrates defenda a justiça por si mesma e censure a injustiça. O discurso de Gláucon pode ser dividido em três partes, sendo a primeira dedicada à origem e à natureza da justiça; a segunda irá indicar a justiça como algo necessário, mas não como um bem; e a terceira, na qual ele irá tentar provar que a vida do injusto é melhor do que a do justo. Neste trabalho, iremos nos centrar em seu primeiro argumento e de que maneira Gláucon defende a justiça através de um contrato
A superação intuitiva da metafísica: o kantismo de Bergson
O texto aqui apresentado analisa aspectos relevantes da complexa relação que Bergson estabelece com Kant. Defende-se a hipótese de que Bergson não pode ser considerado mero adversário do filósofo alemão, mas seu projeto filosófico tem como objetivo retomar a metafísica, levando em consideração os limites que a crítica kantiana lhe impôs
COMPREENSÕES DE RECONSTRUÇÃO: SOBRE A NOÇÃO DE CRÍTICA RECONSTRUTIVA EM HABERMAS E CELIKATES
O artigo pretende desenvolver a categoria de reconstrução, em dois momentos distintos da obra de Habermas: primeiro, em Conhecimento e interesse, e, depois, em Teoria da ação comunicativa. Para isso, recorre-se à tipologia das compreensões de reconstrução proposta por Robin Celikates. Pretende-se mostrar que a essa tipologia faltam elementos importantes que permitem primeiramente identificar pontos comuns entres aqueles projetos reconstrutivos, e, depois, sustentar que a segunda compreensão de reconstrução não implica, como quer Celikates, uma separação entre teoria e crítica
PODE O PENSAR NOS IMPEDIR DE FAZER O MAL? UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA
A presente incapacidade de o ser humano estar em casa no mundo encontrou expressão numa crise “ecológica” que possui elementos éticos, políticos e ontológicos. Partindo de uma breve elaboração do sentido dessa crise “ecológica” e da sua relação com a própria constituição do ser do humano, este artigo procura traçar um percurso, no quadro do pensamento arendtiano, da relação entre o sentido do ser do humano, a questão da banalidade do mal, a atividade de pensar e o surgimento da consciência moral. Para tanto, o texto faz uso de ferramentas de análise e de descrição fenomenológico-existenciais, para chegar a um tipo de normatividade que não brota de uma necessidade formal dada, mas da própria contingência da fatualidade existencial, isto é, da liberdade, a qual se estabelece como condição de toda a ação, descobrindo-lhe assim a sua própria medida
A pertença do sentido originário do amor ao horizonte central do pensamento de Martin Heidegger
Embora ainda sejam escassas as abordagens sobre o amor em Heidegger, tal reflexão pode ser liberada em múltiplos sentidos, sendo objetivo do presente artigo apontar para um deles, talvez o mais abrangente. Para tanto, após introduzirmos breves considerações acerca de trabalhos já existentes, buscamos privilegiar aqui, de início, a centralidade, não do amor como um conceito na obra de Heidegger, mas do sentido do amor em sua própria concepção de Filosofia, tal como ele parece assumir. Todavia, a restrição a esse aspecto da questão pode fazer com que caia em segundo plano algo mais essencial, a saber, que o amor não apenas traduz a essência da atitude pensante, mas compreende toda a discussão heideggeriana sobre nosso modo de ser, da qual emerge o problema da Filosofia e a Filosofia como problema. Em seguida, portanto, partimos para a correspondência entre essa consideração mais geral e a questão das relações de amor entre humanos
The fish in the creek is sentient, even if I can’t speak with it
In this paper I argue that Velmens’ reflexive model of perceptual consciousness is useful for understanding the first-person perspective and sentience in animals. I then offer a defense of the proposal that ray-finned bony fish have a first-person perspective and sentience. This defense has two prongs. The first prong is presence of a substantial body of evidence that the neuroanatomy of the fish brain exhibits basic organizational principles associated with consciousness in mammals. These principles include a relationship between a second-order sensory relay, the preglomerular complex, and the fish pallium which bears a resemblance to the relationship between the mammalian thalamus and the neocortex, the existence of feedback/feedforward and reentrant circuitry in the pallium, and structural and functional differences among divisions of the fish pallium. The second prong is the existence of behaviors in fish that exhibit significant flexibility in the presence of environmental change and require relational learning among stimuli distributed in space, over time, or both. I conclude that, although they are instantiated differently, a first-person perspective and sentience are present in fish
Two paradoxes of projection
Recently developed projective models of consciousness and its contents challenge received schemas in which all contents of consciousness are held to be well contained in the skull. Working our way into this from several angles, it becomes evident that there are inconsistencies in how we frame classes of mental contents which are arguably equivalent in being. Particular examples of imagery, of dancing and of words, are brought forward to highlight the clash in our apprehensive assumptions, focusing on possible cognitive as well as psychological costs of such inconsistency. A coherent way to blend the container and projector schemas is pointed out; yet such a blend does not support the standard claim for any kind of purely inner voice, contained but not projected. Conscious reflection may in all instances depend on projection, with reflection in imagery — visual, audible, even tactile and otherwise felt — placed just the far side of what can schematically be grasped as the sensory horizon where, in the space-time just beyond here and now, our imaginative expectations backstop recognition of here-now present things
A vontade santa
Credo in unum Deus, Pairem omnipotentem, factorem coeli et terrae. Subjacente à religiosidade explícita em "A Hora e Vez de Augusto Matraga", o sentido encadeado com firmeza ao longo de sua trama é a abjuração dessa fé. O que se desentranha do variado relato de situações é, simplesmente, a criação do homem, encontrando-se o próprio homem no centro desse mistério
O trágico: experiência e conceito
The concept of the tragic is somehow connected with violence. The present enquiry has the purpose of establishing the essential relationship existing between institutional violence and the tragic situation, the latter being at the same time consequence and denouncement of the former. Understood that way, the tragic is first expressed under a poetical form which is precisely called tragedy in dramatic arts: then under a conceptual form, in the analysis of the historical reality itself, by derivation. The analysis of current history may reveal all the potentiality of the tragic accumulated on the violence of power.O conceito do trágico está de algum modo liga do à violência. O presente estudo pretende estabelecer a relação essencial vigente entre violência institucional e situação trágica, a situação trágica sendo ao mesmo tempo conseqüência e denúncia da violência institucional. Assim entendido, o trágico é primeiramen te expresso sob forma poética, na arte dramática denominada precisamente tragédia; em seguida , por derivação, sob forma conceitual, na análise da própria realidade histórica. A análise da história atual poderá revelar todo o potencial trágico acumulado na violência do poder