Portal de Periódicos Eletrônicos da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp
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    Para além da abstração da posição original: uma proposição a partir de Nozick e Sandel

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    O presente artigo tem como objetivo propor uma hipótese para superação das críticas feitas por Robert Nozick e Michael Sandel à teoria da justiça de John Rawls, no que concerne à necessidade de se considerar aspectos históricos e práticos na formulação de princípios na posição original. Para tanto, é preciso analisar inicialmente as correntes filosóficas do liberalismo, do libertarianismo e do comunitarismo para fundar as bases necessárias ao desenvolvimento do estudo. Na sequência, será apresentada a teoria da justiça de John Raws, seguida das críticas formuladas pelo libertário Robert Nozick, no que se refere à necessidade de se considerar o princípio histórico. Nozick comprova, por meio do exemplo de Wilt Chamberlain como aspectos históricos podem alterar as estruturas pré-estabelecidas pelas teorias de estado final. Após, serão analisados os apontamentos feitos por Michael Sandel, especialmente no que se refere ao individualismo metodológico. Sandel também chama a atenção para o fato de que para garantir efetividade aos princípios, é preciso que os indivíduos se utilizem de sua experiência e das particularidades da comunidade e de seus integrantes. Ao final, será desenhada uma modesta proposta de superação das críticas, mediante a relativização da abstração da posição original

    A ÓPERA E O FINAL FELIZ: QUESTÕES DE POÉTICA

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    Desde os primórdios dos espetáculos teatrais inteiramente musicados, estabelece-se a convenção tácita do final feliz. Desse modo, até mesmo episódios oriundos de escritores antigos, com conhecidos finais funestos, acabaram sendo transformados, acomodando a trama aos usos dos locais onde óperas eram apresentadas. Apesar de parecer uma solução fácil ou episódica, há algumas questões poéticas envolvidas, o que transparece sobretudo em alguns escritos sobre ópera, no século XVIII. A proposta deste artigo é discutir, em primeiro lugar, através de exemplos, como o final feliz acontece em algumas óperas e qual a função que nelas desempenha; num segundo momento, a intenção é mostrar como a crítica italiana do final do século XVIII se mobiliza para dar conta da questão

    A MIMESIS MUSICAL

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    A música ocupa um lugar de destaque como um dos principais meios de imitação. A utilização da música como ferramenta para suscitar e representar afetos, preconizada desde os antigos, chega integralmente ao século XVIII, podendo ser observada claramente nas obras dos compositores alemães ligados à doutrina composicional da Musica Poetica3 e, sobretudo, na obra de Johann Sebastian Bach. Porém, diversas são as espécies de imitação musical, de forma que o intuito deste trabalho foi categorizar e definir a função das espécies imitativas, com base na concepção aristotélica de imitação e nas categorias de imitação propostas por Johann Mattheson, um dos principais teóricos da Musica Poetica, tentando demonstrar que, desde a concepção musical da antiguidade, música e poética são inseparáveis

    Análise objetiva e apreensão subjetiva na metafísica bergsoniana. A intuição da vida e o crivo dos fatos

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    Este artigo intenciona mostrar como o método filosófico desenvolvido e aplicado por Bergson, a intuição, articula distintos níveis de nossa experiência. Para isso, buscaremos extrair algumas lições de um momento especial da aplicação desse método, no qual o mergulho na interioridade psicológica se relaciona com a visão objetiva da exterioridade. Trata-se aqui de retomar o bloco central da obra A Evolução Criadora, núcleo metafísico da filosofia bergsoniana, no qual encontramos a reinterpretação dos dados da biologia que deriva na cosmologia

    Bergson y el acontecimiento. El caso de la guerra

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    Este artículo se propone realizar una lectura y un análisis del sentido de la noción de guerra en el contexto de un esquema teórico que permita dar una imagen política al pensamiento de Henri Bergson. Se sostendrá que esta suerte de noción de límite del término guerra habría de ser comprendida bajo una compleja articulación dada, en nuestra hipótesis, por los términos conceptuales de facticidad, constatación y acontecimiento

    FILOSOFAR ENQUANTO CUIDADO DE SI MESMO: UM EXERCÍCIO ESPIRITUAL ÉTICO-POLÍTICO

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    O texto que tecemos e aqui apresentamos constitui, em síntese, uma resposta à provocante pergunta de Platão o que é cuidar de si? As respostas que oferecemos consistem em traços da nossa proposta de compreensão de filosofia que se efetiva enquanto um exercício espiritual, que, por sua vez, sustenta a hipótese do filosofar enquanto um modo de viver. Para tanto, da filosofia grega, explicitaremos o exercício do cultivo de si corporificado em Sócrates e, por parte da filosofia oriental, analisaremos o personagem Musashi. Ambos personificam a opção por um estilo de vida filosófica e modo de ser — o primeiro, pelas veredas do diálogo, o segundo, pela vivência — e assinalam a necessidade da evolução espiritual da alma, mediante vida contemplativa. Consequentemente, além de explorar a enorme proximidade entre uma linha filosófica grega e a tradição oriental, fundamentaremos o solo comum do pensamento enquanto exercício ético

    ENTRE LA CERTEZA Y LA DUDA: A PROPÓSITO DE LOS ORÍGENES DEL COGITO EN LA OBRA DE DESCARTES

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    En la mayor parte de las interpretaciones de la obra de Descartes (1596-1650) se destaca la originalidad de su propuesta escéptica, la radicalidad de las dudas que pone en juego, así como la importancia central del primer principio, sobre el que basa su fundamentación de una filosofía y una ciencia nuevas, el cogito, resultado de la refutación de esas mismas dudas hiperbólicas. Nuestra interpretación pasa por destacar a un autor olvidado, Pierre Charron (1541-1603), cuya obra influyó en la formación del pensamiento cartesiano. Este predicador planteó una propuesta de sabiduría escéptica, de corte académico (y, por ello, relacionada con nociones estoicas) que afecto a la formulación de las ideas de Descartes. De este modo, la certidumbre del cogito se originaría en una disputa escéptica

    “Gestão de uma herança": a história genética dos objetos técnicos na filosofia de Gilbert Simondon

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    Pretende-se, com este artigo, analisar o conceito de história genética no pensamento do filósofo francês Gilbert Simondon. Para isso, faz-se necessário analisar a proposta de uma filosofia a qual pretende romper com as barreiras que separam técnica e cultura, a fim de, a partir daí, examinar o modo próprio de existência dos objetos técnicos. Nessa perspectiva, analisa-se a tecnicidade da técnica, utilizando-se do conceito de invenção, com vistas a formular uma história genética da técnica que recolhe, ao mesmo tempo, elementos subjetivos (psicológicos) e objetivos (tecnológicos), segundo o método transdutivo. Um projeto que, ao final, se apresenta como “gestão de uma herança”, segundo a expressão de Merleau-Ponty

    Misrepresentation and mental appearance

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    I begin by discussing an objection often lodged against higher-order theories of consciousness. The objection is that those theories do not preclude consciousness from misrepresenting the mental properties of our conscious states. I argue that there are several reasons why this objection cannot succeed. Sam Coleman (2019) agrees that the objection fails, but sees it as pointing to a related objection, which he argues poses difficulties the higher-order theorist cannot avoid. His solution is a variant theory of consciousness that invokes mental quotation in the content of a higher-order awareness. I’ll argue that mental quotation cannot be understood in any way that helps with the objection. I’ll argue also that the objection Coleman articulates is question begging, since it in effect simply channels a first-order approach to consciousness, and has no independent basis apart from that. &nbsp

    Quatro textos de Galileu

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    A última obra de Galileu foram os Discursos e demonstrações matemáticas acerca de duas novas ciências a respeito da mecânica e dos movimentos locais publicados em Leyde pelo editor Elzevir em 1638. É dividida em quatro jornadas nas quais dialogam Salviati (porta-voz de Galileu), Simplício (representante da ciência aristotélica) e Sagredo (leigo culto e mediador entre os dois interlocutores precedentes). O original foi escrito em italiano (os trechos dialogados) e latim (principalmente os teoremas). Damos a seguir a tradução dos trechos de abertura da primeira, da terceira e da quarta jornadas, bem como o trecho que introduz o estudo do movimento naturalmente acelerado na terceira. O primeiro destes trechos foi redigido em italiano; os três outros em latim. Servimo-nos para esta tradução do texto dos Discursos tal como aparece no oitavo volume das Opere di Galileo Galilei, Edizione Nazionale, Florença, G. Barbera, 1929-1939, 2.ª edição

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