Portal de Periódicos Eletrônicos da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp
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    O Sonho de Ka

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    Na língua estão escondidas muitas verdades, diz V.V. Khlébnikov, um dos grandes poetas-filósofos de nosso século. Sua riquíssima obra é toda ela a busca dessas verdades. Os procedimentos são os mais variados - desde a procura das motivações dos signos através de etimologias, analogias, associações, coincidências, até uma verdadeira geometria das letras e dos sons do alfabeto, com o que, por meio do cálculo de certas periodicidades (fora estudante de matemática), chega a descobertas e profecias surpreendentes. Em português, a não ser alguns de seus poemas admiravelmente traduzidos por Augusto e Haroldo de Campos e Bóris Schnaiderman em Poesia Russa Moderna (Editora Civilização Brasileira S.A., Rio, 1968), pouco se conhece dele. Gostaríamos de tornar conhecida também uma amostra de sua prosa, pela tradução de um dos capítulos de seu extraordinário conto "Ka", do qual comentamos a descrição de um sonho, tentando mostrar como os processos da linguagem coincidem com aqueles de nossa realidade mais profunda

    Peirce's concept of sign, Douglas Greenlee

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    O estudioso da semiótica de Peirce é sempre um explorador. Atraído pela riqueza contida nos Collected Papers é desafiado pela complexidade frequentemente obscura das propostas peirceanas, suas aparentes (senão reais) contradições, seus pressupostos, sua mistura de redundâncias e informações. Um estudo sistemático e crítico que se pretenda próximo ao texto, constitue-se num lugar de polêmica e confronto. O livro de Douglas Greenlee, salvo seu caráter acadêmico, convida a este posicionamento da parte do leitor. O objeto da pesquisa é o levantamento dos predicados que caracterizam o conceito de signo na Teoria Geral dos Signos, teoria da qual Peirce foi um pioneiro e um dos poucos elaboradores. Numerosos sistemas existem sobre classes particulares de signos, e em especial dos signos linguísticos, mas uma fundamentação desenvolvida do signo enquanto tal tem na obra de Peirce um dos seus raros representantes

    Nota Explicativa

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    A revista Trans/Form/Ação, em seus dois primeiros volumes (n.º 1, de 1974 e n.º 2, de 1975)) era editada pelo Dept.º de Filosofia da extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, antigo Instituto Isolado que passou a integrar a Universidade Estadual Paulista (UNESP). Com a reforma por que passou a UNESP em 1976, Trans/Form/Ação passou a vincular-se diretamente aos órgãos centrais da Universidade, ficando sob a responsabilidade de uma Comissão Editorial sediada na Faculdade de Educação, Filosofia, Ciências Sociais e da Documentação da UNESP - Campus de Marília, para onde foi transferido o Dept.º de Filosofia. De 1976 a 1979 não foi editado nenhum volume

    Dialética da pratica e ação sem prática

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    The concept of practice would recover the concept of the system of action, if it were not for the existence of systems of action without practice. It remains that a practice is a system of action. As a consequence, supposing the reciprocality of the terms system and theory and a close inspection of the terms in the propositions, there is a semantic equivalence between "theoretical practice" and "Practical system of action". In both cases, the contradiction between the pairs of concepts are resolved dialectically. Thanks to the dialectics, they are melted into one unit of meaning - a synthesis of opposing tensions. Hence, the proposal for a dialectics of global practice, at the same time abstract and historic. Detotalized or along the border of this dialectics, the action without practice as exemplified in the drama may be highlighted. Dramatic is precisely an action which is not practical. The time and the place of the practice are the history and the world of man; the time and the place of drama are the cultural fiction and the symbolic substance. As the mimesis of practice, the drama reproduces not the features of the model but its production and thus it becomes a model of the model. Mimesis is not copying; it is an autonomous form of efficiency, paradoxically without practice, but of course "specular".O conceito de prática recobriria o de sistema de ação, não fosse a existência de sistemas de ação sem prática. Resta que uma prática é um sistema de ação. Como conseqüência, suposta a reciprocação de sistema com teoria e uma atenta inspeção nos termos da proposição, há equivalência semântica entre "prática teórica " e "sistema de ação prático". Num e noutro caso, a contradição interna aos pares de conceitos se resolve dialeticamente. Graças à dialética, são fundidos numa unidade de sentido, síntese de tensões opostas. Daí a proposta de uma dialética da prática global, conjuntamente abstrata e histórica. Destotalizada ou à margem dessa dialética, pode ser destacada a ação sem prática, exemplificada no drama. Dramática é precisamente uma ação que não é prática. O tempo e o lugar da prática são a história e o mundo do homem; o tempo e o lugar do drama são a ficção cultural e a substância simbólica. Mimese da prática, o drama, reproduz, não os traços do modelo, mas a sua produção, tornando-se por sua vez modelo do modelo. Mimese não é cópia, é forma autônoma de eficiência, paradoxalmente sem prática mas especular

    Marx, o cínico?

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    This article was written in August 83, initially as a lecture at Jornada de Filosofia da UNESP (Campus de Marília, September 83). We begin with an approximation between Hegel and Marx and then we discuss the idea of work's force reproduction understood as a part of the capital. The latter is viewed as a kind of social relationship. This approach is attempeted on the basis of certain passages of Marx's The Capital and The Grundrisse as well. Finally, we interpret some nowdays developments under the point of view of this "cynical anatomy".Este artigo foi escrito em agosto/83, para conferência-debate na Jornada de Filosofia da UNESP (Campus de Marília, setembro de 1983). Partindo de aproximações Marx/Hegel sobre o tema da "fatalidade histórica", passamos a discutir a reprodução da força de trabalho como parte do capital, entendido este último, por sua vez, como relação social. Este exame é feito na esteira de algumas passagens de O Capital e dos Grundrisse. A seguir, procedemos à leitura de alguns fatos contemporâneos à luz dessa "anatomia cínica"

    Inteligência artificial e teoria de resolução de problemas

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    This article is an attempt to outline the main characteristics of research on a new area of studies, the so-called Artificial Intelligence (AI). Items 1 and 2 sketch the historical background of AI and its basic pressuppositions. Item 3 focus on the problem-solving theory developed by A. Newell and H. Simon. Item 4 is an attempt to show the philosophical and epistemological relevance of Artificial Intelligence.Este artigo é uma tentativa de delinear as principais características da pesquisa numa nova área de estudos a chamada Inteligência Artificial (AI). Os itens 1 e 2 constituem um rápido histórico da AI e seus pressupostos básicos. O item 3 trata da teoria de resolução de problemas, desenvolvida por A. Newell e H. Simon. O item 4 procura mostrar a relevância da AI para a Filosofia, em especial para a filosofia da Mente e para a Teoria do Conhecimento

    MENDONÇA, W.J.P. Conhecimento e ação: uma leitura de Popper. Rio de Janeiro, Loyola, PUCRJ, 1981. 120p.

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    A crítica recente a Popper tem, em linhas gerais, incidido sobre o que se pode chamar não rigorosamente "o conflito entre Popper e o real". Como, pergunta-se, uma epistemologia assentada sobre base empírica convencionada pode pretender a absorção da realidade através de um esquema formal que seleciona teorias não apenas inverificáveis como (ponto freqüentemente descurado) infalsificáveis conclusivamente? Como sustentar uma epistemologia que, pela rigorosa distinção entre o "quid facti" e o "quid júris", não leva em conta a ampla contextuação cultural determinante de sua gênese, objetivos e, por que não, de seu desenvolvimento e estrutura? No estuário de questões como estas, distintas mas interrelacionadas, chega-se à conclusão de que o sistema de Popper é uma epistemologia idealizada - sob este aspecto, indiferenciável do neo-positivismo ortodoxo - incapaz, a nível metodológico, de retratar ou suplementar a prática científica real e, a nível filosófico e epistemológico, de dar conta dos problemas da teoria do conhecimento que se propõe, em particular da questão da apreensão do mundo real. É sobre esse pano de fundo e no que ele evoca que se desenrola boa parte dos ataques marxistas (e.g., M. Quintanilla in "Idealismo y Filosofia de la Ciencia") e a conhecida polêmica entre Popper e Habermas ("Der Positivismusstreit in der Deutschen Soziologie", 1969

    A armadilha contratual (Durkheim)

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    The present article develops a durkheimean interpretation of the division of social work as organic and contractual solidarity. This interpretation will be examined, on one hand, while it characterizes a kind of industrial society that exalts the solidarity of roles in the collective work but not in the modes of production; on the other hand, while it presupposes a State playing the role of catalyst of the corporations and does not let foresee a notion of contract.Neste artigo desenvolvemos a interpretação durkheimeana da divisão do trabalho social como solidariedade orgânica e contratual. Examinamos alguns aspectos que essa análise nos apresenta, de um lado, pela caracterização de um tipo de sociedade industrial que enaltece a solidariedade das funções no trabalho coletivo e não nos modos de produção; e, de outro, pela pressuposição de um Estado como elemento catalizador das corporações e que não deixa de antever uma noção de contrato

    VISÃO, AÇÃO E ENAÇÃO: O PONTO DE VISTA DE ALVA NOË ACERCA DA VISÃO E DO USO DE PRÓTESE TÁTIL-VISUAL

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    O presente artigo trata de uma investigação acerca da teoria do filósofo Alva Noë sobre a percepção visual e como ela responde à seguinte questão: “o cego realmente vê com o uso do sistema de substituição tátil-visual?”. Conhecido como TVSS em inglês, é uma prótese construída nos anos 70 pelo neurocientista Bach-y-Rita capaz de recuperar a capacidade visual de cegos ao transformar dados sensoriais táteis em visuais com o uso de uma câmera e eletrodos conectados à uma parte do corpo do usuário. As imagens de um objeto são convertidas em sinais elétricos e transmitidos para um eletrodo. O cérebro, por fim, identifica os sinais elétricos e, conforme o usuário habitua-se com os sinais táteis, o cérebro interpreta-os como sinais visuais. Esta reflexão remete ao problema de Molyneux, proposto à Locke, o qual questiona se um cego que tem sua visão restaurada é capaz de reconhecer objetos que antes reconhecia apenas pelo tato. O problema não possui uma resposta conclusiva e o aparelho de TVSS de Bach-y-Rita é considerado uma boa resposta para a questão. Sobre a teoria de Noë, para perceber visualmente é necessário que utilizemos de movimentos corporais para que a percepção seja utilizada em sua capacidade plena. Não há hierarquia perceptual na teoria de Noë: a visão não é mais importante do que o tato. Perceber, para o filósofo, é agir. Portanto, intenta-se, aqui, apresentar o ponto de vista do filósofo com a finalidade de expor uma visão alternativa acerca de problemáticas da filosofia da percepção

    "CRIAÇÃO UNIVERSALISMO E DEMOCRACIA: A FILOSOFIA POLÍTICA DE BERGSON EM AS DUAS FONTES DA MORAL E DA RELIGIÃO" DE NADIA YALA KISUKIDI

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    Apresentamos a tradução para o português do artigo de Kisukidi, o qual aborda de maneira inovadora a questão política encontrada no último grande livro do filósofo francês Henri Bergson. Este artigo aponta como a filosofia política que surge em As Duas fontes da moral e da religião é relevante ainda hoje

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