Portal de Revistas Académicas de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad de la República
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    Poliamor: Afinal o Que a Comunicação Tem a Ver Com Isso? Afinal o que a comunicação tem a ver com isso?

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    Poliamor é uma forma contemporânea de relacionamento afetivo-sexual que se refere ao consenso e simultaneidade no envolvimento entre mais de duas pessoas. Para essa escrita nos interessou, especificamente, o estudo dos processos comunicativos na configuração subjetiva poliamorosa de uma relação afetivo-sexual entre três pessoas, conhecida como tríade ou trisal. A comunicação ocupou um lugar central em nosso estudo, enquanto um elo articulado para vincular a metodologia com base na Epistemologia Qualitativa de González Rey e a complexidade dos processos comunicativos na configuração poliamorosa de um relacionamento afetivo-sexual entre três pessoas, ao assumirmos a negociação como um de seus valores centrais. A referência à configuração subjetiva, por sua vez, responde à categoria de subjetividade, segundo a Teoria da subjetividade também desenvolvida por González Rey. Nesse sentido, o conceito de subjetividade corresponde a uma perspectiva histórico-cultural, sendo concebida como uma dimensão psíquica processual, construtiva e não linear que rompe com as dicotomias sociedade/indivíduo, objetivo/ subjetivo e simbólico/ emocional. Desenvolvemos no percurso investigativo uma proposta de comunicação, que buscou seguir principalmente a concepção dos processos comunicativos com base na Epistemologia Qualitativa; o valor da estranheza, do estranhamento como potência comunicativa; e a noção de sujeito falante de Paul Preciado, para a negociação nos processos comunicativos de uma configuração subjetiva poliamorosa em uma relação afetivo-sexual na forma de trisal.Poliamor é uma forma contemporânea de relacionamento afetivo-sexual que se refere ao consenso e simultaneidade no envolvimento entre mais de duas pessoas. Para essa escrita nos interessou, especificamente, o estudo dos processos comunicativos na configuração subjetiva poliamorosa de uma relação afetivo-sexual entre três pessoas, conhecida como tríade ou trisal. A comunicação ocupou um lugar central em nosso estudo, enquanto um elo articulado para vincular a metodologia com base na Epistemologia Qualitativa de González Rey e a complexidade dos processos comunicativos na configuração poliamorosa de um relacionamento afetivo-sexual entre três pessoas, ao assumirmos a negociação como um de seus valores centrais. A referência à configuração subjetiva, por sua vez, responde à categoria de subjetividade, segundo a Teoria da subjetividade também desenvolvida por González Rey. Nesse sentido, o conceito de subjetividade corresponde a uma perspectiva histórico-cultural, sendo concebida como uma dimensão psíquica processual, construtiva e não linear que rompe com as dicotomias sociedade/indivíduo, objetivo/ subjetivo e simbólico/ emocional. Desenvolvemos no percurso investigativo uma proposta de comunicação, que buscou seguir principalmente a concepção dos processos comunicativos com base na Epistemologia Qualitativa; o valor da estranheza, do estranhamento como potência comunicativa; e a noção de sujeito falante de Paul Preciado, para a negociação nos processos comunicativos de uma configuração subjetiva poliamorosa em uma relação afetivo-sexual na forma de trisal

    Água e ciência: controvérsias em torno do caso da irrigação agrícola no Uruguai

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    At the intersection between science, technique and art, the practice of agricultural irrigation articulates the spheres of scientific knowledge, power, "natural" forces and social organization.In Uruguay, although it has not been an area of ​​great development in general terms, irrigation has gained ground in successive social, political and productive transformations. Going from being a limited practice in the 19th and 20th centuries to being a national strategy in the 21st century —although still marginal— in the global scenario of climate change and water grabbing.Irrigation in Uruguay has been understood as an advanced agricultural practice that distinguishes the backward from the innovative and therefore has been developed linked to expert knowledge and its institutions.As part of a broader investigation on the Political Ecology of Water, an interdisciplinary perspective on the development of agricultural irrigation in Uruguay is proposed, with emphasis on its scientific-technical dimension. A historical approach is presented -based on documentary sources and the press- of the development of research on irrigation in Uruguay, its articulation with foreign institutions, its link with productive and political changes.Particularly, emphasis is placed on the debate around the modification of the Irrigation Law approved in 2017, where controversy arose between various scientific fields related to water; where the public discussion on irrigation staged challenges from natural and social sciences on knowledge built from the sciences traditionally involved in the development of irrigation.En la intersección entre ciencia, técnica y arte, la práctica de riego agropecuario articula las esferas del conocimiento científico, el poder, las fuerzas «naturales» y la organización social.En Uruguay, si bien no ha sido un área de gran desarrollo en términos generales, el riego ha ganado terreno en sucesivas transformaciones sociales, políticas y productivas. Ha pasado de ser una práctica limitada en el siglo XIX y XX a ser una estrategia nacional en el siglo XXI —aunque aún marginal— en el escenario global de cambio climático y acaparamiento de aguas.El riego en Uruguay ha sido entendido cómo una práctica agrícola avanzada que distingue lo atrasado de lo innovador y por tanto se ha desarrollado ligada al conocimiento experto y sus instituciones.Como parte de una investigación más amplia sobre Ecología Política del Agua se propone una mirada interdisciplinaria sobre el desarrollo del riego agrícola en Uruguay, con énfasis en su dimensión científico-técnica. Se presenta un abordaje histórico —con base en fuentes documentales y prensa— del desarrollo de la investigación sobre riego en Uruguay, su articulación con instituciones extranjeras, su vínculo con cambios productivos y políticos. Particularmente, se pone énfasis en el debate en torno a la modificación de la ley de riego aprobada en 2017, donde se produjo controversia entre diversos campos científicos relacionados con el agua; en donde la discusión pública sobre el riego puso en escena impugnaciones de ciencias naturales y sociales sobre saberes construidos desde las ciencias tradicionalmente involucradas en el desarrollo del riego. Imagen de portada: Santiago Guillermone. "Olimar", 2022.Na intersecção entre ciência, técnica e arte, a prática da irrigação agrícola articula as esferas do conhecimento científico, poder, forças "naturais" e organização social.No Uruguai, embora não tenha sido uma área de grande desenvolvimento em termos gerais, a irrigação ganhou espaço em sucessivas transformações sociais, políticas e produtivas. Deixar de ser uma prática limitada nos séculos XIX e XX para ser uma estratégia nacional no século XXI —embora ainda marginal— no cenário global de mudanças climáticas e captação de água.A irrigação no Uruguai foi entendida como uma prática agrícola avançada que distingue o atrasado do inovador e, portanto, foi desenvolvida vinculada ao conhecimento especializado e suas instituições.Como parte de uma investigação mais ampla sobre a Ecologia Política da Água, propõe-se uma perspectiva interdisciplinar sobre o desenvolvimento da irrigação agrícola no Uruguai, com ênfase em sua dimensão técnico-científica. Apresenta-se uma abordagem histórica -com base em fontes documentais e na imprensa- do desenvolvimento da pesquisa sobre irrigação no Uruguai, sua articulação com instituições estrangeiras, seu vínculo com as mudanças produtivas e políticas.Em particular, destaca-se o debate em torno da modificação da Lei de Irrigação aprovada em 2017, onde surgiram controvérsias entre vários campos científicos relacionados à água; onde a discussão pública sobre irrigação encenou desafios das ciências naturais e sociais sobre o conhecimento construído a partir das ciências tradicionalmente envolvidas no desenvolvimento da irrigação

    O duelo da masculinidade. Homens mexicanos ante o diagnóstico de infertilidade

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    Studies on masculinity in Mexico and in other Latin American countries such as Chile and Brazil show that fatherhood is the culmination of masculinity, its full state, its greater solidity both heterosexual and gay. What emerges from a diagnosis of male infertility? How is masculinity reconfigured in the absence of having genetically related offspring? This communication inquiries about the speeches, practices and representations of males who face the possibility of having offspring via sperm donation. Based on interviews and ethnographies compiled between 2015 and 2018 with heterosexual couples using medically assisted reproduction in public and private clinics in Mexico City, it is observed that the genetic inheritance is defining in the recognition of offspring.Our anthropological study among Mexican male gamete receptors reveals a nuanced landscape in which a diagnosis differentially affects the construction of masculinities and femininities. While male infertility is associated with lack of virility and sexual impotence, for women, infertility prevents them from fulfilling “their natural feminine vocation of being a mother”. The acceptance or not of the possibility of receiving sperm, the meaning acquired by the genetic inheritance as well as the transmission of phenotypic characteristics to the progeny they are not only constitutive elements of paternity but content of masculinities in Mexico City.Tal como lo revelan estudios sobre la masculinidad en México y en otros países latinoamericanos como Chile y Brasil, la paternidad es la culminación de la identidad masculina tanto heterosexual como gay, su estado pleno, su mayor solidez. ¿Qué surge ante un diagnóstico de infertilidad masculina? ¿Cómo se reconfigura la masculinidad ante la imposibilidad de tener descendencia genéticamente relacionada? Este artículo indaga sobre los discursos, las prácticas y las representaciones de los varones que, tras un diagnóstico médico o de laboratorio, se enfrentan a la posibilidad de tener descendencia vía la donación de semen. Con base en entrevistas y etnografías realizadas entre 2015 y 2018 a parejas heterosexuales usuarias de reproducción médicamente asistida en clínicas públicas y privadas de Ciudad de México, se observa que la herencia genética es definitoria en el reconocimiento de la descendencia.Nuestro estudio antropológico entre varones mexicanos receptores de gametos descubre un paisaje matizado en el que un diagnóstico afecta en forma diferencial la construcción de las masculinidades y las feminidades: la infertilidad masculina se asocia a la falta de virilidad y la impotencia sexual, mientras que para las mujeres la infertilidad les impide cumplir «su vocación femenina natural de ser madre». La aceptación o no de la posibilidad de recibir gametos, el significado que adquiere la herencia genética del hijo/a, así como la transmisión de características fenotípicas a la progenie no son únicamente elementos constitutivos de la paternidad, sino contenidos de las masculinidades en Ciudad de México. Imagen de portada: Sofía Papadópulos. "Sin título", 2021.  Como revelam estudos sobre masculinidade no México e em outros países latino-americanos, como Chile e Brasil a paternidade é o ponto culminante da identidade heterossexual e gay masculina, sua maior solidez. O que surge de um diagnóstico de infertilidade masculina? Como a masculinidade se reconfigura diante da impossibilidade de ter filhos geneticamente aparentados? Este artigo investiga os discursos, práticas e representações de homens que, após um diagnóstico médico ou laboratorial, enfrentam a possibilidade de ter filhos por meio da doação de esperma.Com base em entrevistas e etnografias coletadas entre 2015 e 2018 com casais heterossexuais usando reprodução medicamente assistida em clínicas públicas e privadas na Cidade do México, observa-se que a herança genética é determinante no reconhecimento da prole. Nosso estudo antropológico entre homens mexicanos receptores de gametas revela uma paisagem matizada em que um diagnóstico afeta diferencialmente a construção da masculinidade e da feminilidade: a infertilidade masculina está associada à falta de virilidade e impotência sexual, enquanto para as mulheres a infertilidade as impede de cumprir «sua vocação natural feminina de ser mãe». A aceitação ou não da possibilidade de receber sêmen, o significado que adquire a herança genética da criança, bem como a transmissão de características fenotípicas à progênie não são apenas elementos constitutivos da paternidade, mas conteúdo de masculinidades na Cidade do México.Como revelam estudos sobre masculinidade no México e em outros países latino-americanos, como Chile e Brasil a paternidade é o ponto culminante da identidade heterossexual e gay masculina, sua maior solidez. O que surge de um diagnóstico de infertilidade masculina? Como a masculinidade se reconfigura diante da impossibilidade de ter filhos geneticamente aparentados? Este artigo investiga os discursos, práticas e representações de homens que, após um diagnóstico médico ou laboratorial, enfrentam a possibilidade de ter filhos por meio da doação de esperma.Com base em entrevistas e etnografias coletadas entre 2015 e 2018 com casais heterossexuais usando reprodução medicamente assistida em clínicas públicas e privadas na Cidade do México, observa-se que a herança genética é determinante no reconhecimento da prole. Nosso estudo antropológico entre homens mexicanos receptores de gametas revela uma paisagem matizada em que um diagnóstico afeta diferencialmente a construção da masculinidade e da feminilidade: a infertilidade masculina está associada à falta de virilidade e impotência sexual, enquanto para as mulheres a infertilidade as impede de cumprir «sua vocação natural feminina de ser mãe». A aceitação ou não da possibilidade de receber sêmen, o significado que adquire a herança genética da criança, bem como a transmissão de características fenotípicas à progênie não são apenas elementos constitutivos da paternidade, mas conteúdo de masculinidades na Cidade do México

    Narrativas em torno do corpo e sexualidade de mulheres na Terra do Sol/Colombia

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    El municipio de Suacha, Cundinamarca, se encuentra sobre la cordillera Oriental, al suroriente de Bogotá —Capital de Colombia—. Limita al sur con Sibate y Pasca, al norte con los municipios de Bojacá y Mosquera, al este con Bogotá y al oeste con Granada y San Antonio del Tequendama. Cuenta con una extensión total de 184,45 km2, de los cuales 165,45 km2 corresponden al área rural y 19 km2 al área urbana. El clima presenta una temperatura promedio de 11,5º C (temperatura máxima 23º C y mínima de 8º C). Se resalta su amplio potencial a nivel ambiental, cultural y arqueológico. Los objetos, lugares y vestigios que se conservan en Suacha nos permiten tener un imaginario de lo que pudieron ser las formas de vida de los pueblos originarios Mhuysqas, su lengua, sistemas culturales, espiritualidades no antropocéntricas y costumbres cotidianas. Ahora bien, Suacha se debate entre el intento por conservar su patrimonio cultural y natural.A finales del siglo XX Suacha se convierte en un municipio albergue dado que su ubicación es estratégica en sentido de la cercanía que mantiene con la capital del país, el conflicto armado y el abandono estatal que ha mantenido Colombia a lo largo y ancho del tiempo, llevó a que muchas personas fuesen despojadas de sus tierras y llegaran así a habitar en el municipio, uno de los que más desplazadxs forzadxs ha recibido en el territorio nacional. Todo ello, configura un panorama difícil, sumado a los fenómenos de crecimiento demográfico y en paralelo el crecimiento de la ciudad, la ampliación de la frontera agrícola, la sobreposición de enclaves mineros e industriales en el municipio, que no se han acompañado de un proceso de justicia social y ecológica ni de un ordenamiento territorial que pueda coexistir con la naturaleza y otras formas de vida, a la vez que dignifique la condición humana.En este sentido, Suacha es un municipio atravesado por múltiples elementos que marcan realidades complejas en términos de luchas populares, procesos de defensa y conservación ambiental, generación de memoria colectiva y posibilidades de gozar de calidad de vida y bienestar. Esta contextualización primera, en definitiva, resulta importante para situar por lo menos desde el lenguaje el territorio donde habitamos, una apuesta colectiva que busca hacer memoria.   &nbsp

    Reseña de Pablo Scharagrodsky (compilador). Hombres en movimiento. Deporte, cultura física y masculinidades en la Argentina 1880-1970

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    Ana Frega: No somos los que manejamos los hilos de la memoria histórica

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    Reseña de: Raúl Jacob. Las inversiones norteamericanas: 1900-1945

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    Reseña de: Mary Méndez. Divinas piedras. Arquitectura y catolicismo en Uruguay, 1950-1965

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    Gestação para outros: trabalho reprodutivo em cadeias globais de fertilidade. «La gestación para otros en México. parentesco, tecnología y poder» de María Eugenia Olavarría, Ciudad de México: Gedisa-Universidad Autónoma Metropolitana, 2018, 360 pp.

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    Diferentemente de algumas técnicas de reprodução humana assistida, como fertilização in vitro ou doação de gametas, que recebem uma aceitação mais ampla, a gestação para outros (gestação substituta, gestación subrogada, surrogacy) tem estado no centro das principais polêmicas envolvendo desaprovação. Pode-se considerar que as representações negativas associadas com a prática estão vinculadas principalmente ao sentido de transgressão de um tabu e do princípio de estruturação fundamental do direito de familia e do sistema cultural de parentesco euroamericano, que es mater semper cert est.A ideia de que a maternidade pode ser múltipla é um fato histórico, pelo reconhecimento da maternidade por nascimento e também por adoção e com as tecnologias reprodutivas assistidas ganha novos contornos com a separação da maternidade biológica da genética, processos pautados na distinção entre parentesco social e biológico (Strathern, 1992). Esta multiplicidade de formas questiona a sacralidade da maternidade. No entanto, a possibilidade de que uma mulher possa ser paga para levar adiante uma gestação para outra mulher, tornando a reprodução uma prática monetizável tem encontrado resistências.O crescimento da prática de gestar para outras pelo mundo está associado ao desejo de ter filhos geneticamente aparentados (Parry, 2018) e foi incrementada pelo reconhecimento do direito à construção de um projeto filial por homossexuais em muitos países. Não se pode desconsiderar que essas práticas envolvem também um campo profissional em expansão, com a presença de agências de intermediação com profissionais de diferentes áreas (Rivas e Álvarez, 2020), observando-se o deslocamento da administração das atividades das clínicas reprodutivas para a web, com a realização de acordos entre agenciadores de material genético e de pessoas solicitantes e ofertantes da prática.Alguns dos argumentos contrários utilizados nos debates consideram a gestação para outros como uma prática excepcional, exploradora de mulheres vulneráveis e em situações de desigualdade, que fortalece a coisificação de seus corpos e rompe com a sacralização da maternidade. Muitas dessas criticas são realizadas por setores religiosos católicos ou mesmo grupos feministas, para os quais muitas das mulheres envolvidas nestas práticas seriam pessoas pobres carecendo de agência. As críticas mais contundentes têm sido construídas sobre as mulheres em países em desenvolvimento, repercutindo na imprensa e alcançando também o judiciário (Parry, 2018). Os processos de proibição da prática de gestação para outros, aos estrangeiros e limitada a pessoas consideradas inférteis ocorridos na India e México, é um bom exemplo disso.É interessante considerar que os regimes bioeconômicos emergentes ligados a crescente comercialização de tecidos e células reprodutivas não sofrem a mesma crítica (Cooper e Waldby, 2014). É a gestação para outros uma prática exploradora? A maternidade deve permanecer como uma atividade completamente afastada de um processo de monetização?O estudo de María Eugenia Olavarría baseado em uma etnografia realizada no período de 2015-2017, enfrenta a discussão ao analisar a inserção do México na cadeia mundial de trabalho reprodutivo por meio da gestação para outros. Em detalhes explora o conjunto das relações, discursos e o desempenho de diferentes atores do circuito médico e legal, os pais e mães de intenção, trabalhadoras gestantes e intermediários nos processos de gestação em três cidades do México: Villahermosa, Tijuana e Cidade do México.É importante destacar, que o estudo aborda o período de livre exercício da gestação para outros no país, quando não havia restrição de idade, nacionalidade, estado civil e orientação sexual para sua prática. De 1997 a 2016, a gestação para outros no México operou de forma informal sob o princípio de que o que não está proibido está permitido. A partir de abril de 2016, a regulação da reprodução assistida no México adota uma legislação restritiva para a prática, que passa a ser destinada a heterossexuais mexicanos com diagnóstico de infertilidade. Em 8 de junho de 2021, a Suprema Corte de Justiça da Nação estabeleceu como inconstitucional por discriminação essa legislação restritiva retornando as práticas às condições existentes anteriormente e se anuncia uma possível regulação em caráter nacional. Nesse sentido, o estudo de Olavarría permite acompanhar o “antes e o depois” envolvido na restrição da prática, iluminando os fatos que desencadearam as mudanças.O livro está dividido em dez capítulos percorrendo o marco conceitual de análise da reprodução assistida no México e da literatura socioantropológica relativa à gestação para outros; as condições legais e políticas que permitiram a realização da prática durante 18 anos no país; as experiências e motivações das pessoas e casais que buscam a gestação por substituição; a atuação dos intermediários no processo; os testemunhos das mulheres dispostas a doar seus óvulos ou gestar para outros e porque e como o fazem; as relações entre trabalho reprodutivo, autonomia reprodutiva e as retóricas do altruísmo nos argumentos de médicos e advogados; as retóricas e imaginários construídas relativas ao óvulo fertilizado e ao embrião, que figuram no centro dos debates religiosos e éticos em torno da gestação para outros.Viviana Zelizer (2005) realizou estudos pioneiros sobre a dimensão monetizável da intimidade e dos afetos relativos, por exemplo, ao cuidado de bebês ou idosos, a prostituição ou o casamento. Eles mostraram que relações de afeto/intimidade e compensação monetária não configuram mundos hostis (“hostile worlds”), mas conectam vidas (“connected lives”) de formas complexas e são práticas realizadas há muito tempo. Nesse sentido, dinheiro afeta intimidade, assim como intimidade afeta a vida econômica.Nesse contexto há dois pontos importantes. O primeiro deles é relativo a perspectiva da ausência de agência imputada a estas mulheres. Sabe-se que muitas das mulheres consultadas para realizar a gestação para outros declinam da atividade (Parry, 2018) e para as que a realizam a vivência adquire sentidos diversos rompendo com esteriótipos em torno da maternidade e do corpo feminino. O segundo ponto diz respeito a uma questão: porque a doação de óvulos, como uma prática que envolve vários riscos, pela necessidade da doadora ser medicada, ter seus ovócitos extraídos por meio de um procedimento cirúrgico, não é tratada com a mesma condenação social que a gestação para outros? Nas gestações para outros as gestantes acabam por receber mais cuidado durante o pré-natal, na forma de mais ultrassons, exames e acompanhamento especializado, do que a média das demais gestantes.O crescimento das cadeias globais de fertilidade (Vertommen, Pavone e Nahman, 2021) fortalece assimetrias e desigualdades de ordem global, ao incorporar processos preexistentes de exploração profundamente dependentes do trabalho reprodutivo remunerado e não remunerado das mulheres sob uma perspectiva de gênero e raça.Nesse sentido, o estudo de Olavarría partindo de um rico trabalho etnográfico revela a importância da perspectiva das protagonistas dos processos de gestação para outros na compreensão da dimensão social, política e cultural específica da inserção do México nas cadeias globais de fertilidade. Ele convida a pensar como a gestação para outros suscita efeitos disruptivos nas noções de maternidade e familia, abalando tradições estabelecidas no imaginário social. Nesse sentido, revela as rupturas provocadas pelas tecnologias reprodutivas nas concepções sobre maternidade, corpos femininos e conformação de famílias

    Poéticas vestimentarias de los 80

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    Este texto pone el foco en una serie de iniciativas que, utilizando el vestir como herramienta, encarnaron una indisciplina que desafió las acciones represivas del régimen militar durante los años ochenta en Buenos Aires. Para analizarlas propongo la noción de poética vestimentaria, que focaliza no tanto en la reproducción social que opera en y desde los cuerpos vestidos, sino en las posibilidades de transformación que el lenguaje de la indumentaria alberga. Mientras que la noción de práctica vestimentaria pone el acento en los condicionamientos que el contexto social ejerce sobre los cuerpos, la noción de poética destaca una dimensión creativa del vestir que se expresa en retóricas críticas y a menudo disonantes: estéticas novedosas que desoyen las modas cristalizadas y renuevan la política de las apariencias, dando forma a imágenes y experiencias expresivas donde la indumentaria cuestiona y recrea los modos de concebir y habitar el mundo

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