rasbran (Revista da Associação Brasileira de Nutrição)
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Equipamentos públicos para promoção da alimentação adequada e saudável: um estudo nos restaurantes populares do Rio Grande do Norte
Objetivo: Avaliar a refeição ofertada em unidades de alimentação e nutrição inseridas no Programa Restaurantes Populares do Estado do Rio Grande do Norte, frente às diretrizes para a promoção de uma alimentação saudável em equipamentos públicos de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal, em quatro restaurantes populares no ano de 2017. A investigação incluiu: 1. Análise documental (do termo de referência dos contratos e reconhecimento do padrão dos cardápios e das fichas técnicas de preparação); 2. Medição in loco (Identificação dos utensílios de servir, medidas caseiras e pesagem das porções); 3. Observação não participante de uma reunião de equipe gestora e de responsáveis técnicos pelas unidades. Resultados: Observou-se uma oferta frequente de alimentos ou preparações com ingredientes ultraprocessados (acima de três vezes por semana) e falta de padronização dos utensílios utilizados para o porcionamento dos alimentos. Não se observou a realização nas unidades, de atividades educativas de promoção da alimentação saudável, voltadas para os usuários. Conclusão: Foram evidenciadas inadequações na confecção e na operacionalização dos cardápios, que dificultam a promoção de uma alimentação saudável e adequada aos usuários, conforme preconizado pelo Guia Alimentar para a população brasileira. Nesse sentido, observou-se que os objetivos do Programa Restaurantes Populares, como um equipamento público de SAN, não estão sendo plenamente atingidos nas unidades avaliadas
A promoção da alimentação saudável sob a ótica de atores sociais que coordenam o Programa Nacional de Alimentação Escolar em municípios do Rio de Janeiro
O estudo teve por objetivo compreender as concepções de promoção da alimentação saudável (PAS) dos atores que estão diretamente envolvidos na gestão e execução do Programa de Alimentação Escolar (PAE) de municípios do Rio de Janeiro (RJ). Realizaram-se entrevistas semiestruturadas com 22 representantes do PAE de 11 cidades do RJ. Os resultados encontrados mostram que o discurso sobre PAS dos responsáveis técnicos incorpora a transmissão de informações técnico-científicas à comunidade escolar e se concentra nos aspectos operacionais da elaboração e execução dos cardápios escolares. Já os (as) gestores (as) incorporam a ideia de um estilo de vida saudável, consideram a importância do investimento de recursos para a promoção da saúde nas três esferas do governo; e a inserção de produtos oriundos da agricultura familiar. As ações de PAS que mais se destacaram, foram agrupadas em seis temas: a educação alimentar e nutricional; a semana de alimentação escolar; a intersetorialidade; a oferta de alimentação saudável; os desafios impostos pelo comércio de alimentos na escola, no seu entorno; e ações de monitoração. A pesquisa mostrou que as concepções de PAS dos atores que gerenciam o PAE e a apropriação/entendimento das orientações legais sobre alimentação saudável no campo das políticas públicas se refletem nas ações executadas por eles. Consideramos importante a ampliação da compreensão sobre direito humano à alimentação adequada, cultura alimentar, sustentabilidade e justiça social
Anais do XXV Congresso Brasileiro de Nutrição - CONBRAN 2018 - Docência e Ensino em Nutrição
Composição nutricional do cardápio de uma instituição de longa permanência de idosos maiores de 70 anos em Ponta Grossa / PR.
Em 2025, o Brasil ocupará o 6º lugar no ranking mundial com maior população idosa do mundo, sendo que o Estado e as Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs) ajudam as famílias a tomarem conta dos idosos. O objetivo do trabalho foi avaliar a composição nutricional do cardápio oferecido para os idosos institucionalizados, analisando as quantidades necessárias de macronutrientes e micronutrientes, segundo as Dietary Reference Intakes (DRIs) para esta faixa de idade. Tratou-se de uma pesquisa aplicada, descritiva, analítica e qualitativa de avaliação de quatro semanas do cardápio do mês de maio de uma ILPI de Ponta Grossa-PR. Foram analisados todos os alimentos ofertados diariamente em todas as refeições. A média do valor energético semanal ficou abaixo do recomendado pela DRIs. A distribuição de carboidratos, lipídios totais, proteínas e ômega 3 e 6 encontrou-se dentro do recomendado (exceto ômega 6 para mulheres), já os minerais ferro e zinco, ultrapassaram as recomendações das DRIs. Além disso, as fibras e o magnésio ficaram abaixo do recomendado para os homens e também o cálcio para ambos os sexos. A Vitamina A estava dentro do recomendado para mulheres e apenas em uma semana ficou abaixo para os homens. A oferta do cardápio que compõe a dieta geral estava suficiente para atingir quase todas as recomendações nutricionais para este grupo em estudo. Recomenda-se maior oferta especialmente de alimentos ricos em fibras, cálcio e magnésio
“Feito à mão tem mais sabor e valor”: a construção coletiva de um livro de receitas no contexto da promoção de alimentação saudável com idosos
Objetivo: O presente trabalho relata o processo de elaboração de um livro de receitas do curso “Alimentação, Nutrição e Terceira Idade”, atividade do projeto de extensão Alimentação, Nutrição e Envelhecimento – PROANE. Método: Realizou-se análise documental de 2004 a 2014 nos acervos do PROANE, obtendo-se 262 receitas usadas nas oficinas culinárias. Resultados: Foram selecionadas as receitas com melhor avaliação dos idosos, utilizadas com maior frequência nos diferentes anos e sugeridas pelos participantes, resultando em 42 preparações. A proposta preliminar do livro partiu da elaboração de fichas técnicas, análise centesimal das preparações e organização do livro. Foram desenvolvidos dois “painéis de especialistas” (nutricionistas, graduandos de nutrição e idosos ex-alunos do curso) para avaliação do livro. A versão final incorporou diferentes sugestões, destacando-se a reorganização dos capítulos, a inclusão de comparação entre preparações caseiras e similares industrializadas e nova diagramação. Conclusão: O livro materializa a articulação da extensão com o ensino e pesquisa, confere visibilidade às ações, dá voz aos atores das atividades, em especial os idosos, estimulando a incorporação da culinária no cotidiano, eixo central e estratégico no contexto da alimentação contemporânea.
Dialogando sobre alimentação e nutrição na saúde mental: Ações promotoras de saúde por meio de oficinas de horticultura
Introdução: O acesso à alimentação adequada e saudável é um direito humano inalienável e promover diálogos sobre alimentação nos serviços de saúde deve ser atribuição de todos os profissionais, em especial do nutricionista, entendendo a alimentação como parte do cuidado integral em saúde. A saúde mental abrange o cuidado aos indivíduos de forma ampliada, num modelo interdisciplinar e humanizado, logo, incluir o tema da alimentação e nutrição pode contribuir para a recuperação e reinserção do indivíduo na sociedade. Oficinas de horticultura são bons recursos de tratamento e aproximação da nutrição em espaços de saúde. Objetivo:Relatar a experiência de oficinas de horticultura como ferramenta de cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD). Método: Trata-se de um relato de experiência de nutricionistas da Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental, de São Leopoldo, RS, durante o período de 2016 a 2018. Resultados: Observou-se que as ações tiveram impacto positivo no espaço físico, melhora na interação, socialização, responsabilidade, protagonismo e autonomia dos usuários, além da produção de vínculo entre eles e deles com os profissionais. Além disso, as atividades permitiram diálogos sobre segurança alimentar e nutricional e acesso à alimentação adequada e saudável. As oficinas viabilizaram ainda atividades de educação alimentar e nutricional e educação ambiental, assim como ações de resgate da cidadania e da cultura alimentar. Conclusão: As oficinas de horticultura promoveram o cuidado aos usuários e possibilitaram o envolvimento dos profissionais com a temática da alimentação e nutrição no CAPS AD. A horticultura é uma ferramenta com potencial para ampliação do cuidado e pode ser um ponto de partida para diálogos sobre alimentação e nutrição em saúde mental
Avaliação qualitativa das preparações do cardápio de uma escola privada em um município do interior de Minas Gerais
Objetivo: Avaliar qualitativamente as preparações do cardápio mensal de uma escola privada em um município do interior de Minas Gerais. Métodos: O cardápio do almoço oferecido aos alunos no segundo semestre de 2015 em escola privada no interior de Minas Gerais foi avaliado pelo método de Avaliação Qualitativa das Preparações do Cardápio. Os aspectos positivos (folhosos e frutas) e negativos do cardápio (monotonia de cores, alimentos ricos em enxofre, carnes gordurosas, doces, frituras e frituras mais doces) foram classificados em “ótimo”, “bom”, “regular”, “ruim” ou “péssimo”, de acordo com a frequência de ocorrência. Resultados: O cardápio foi classificado “ótimo” para a oferta de folhosos (100%), frituras (10%), nenhum doce e frituras associadas aos doces. Apresenta “boa” oferta de carnes gordurosas (15%). Porém, houve monotonia de cores em 40% dos dias, considerado “regular”. Também não houve oferta de frutas em nenhum dia e têm 95% de alimentos sulfurados, itens classificados “péssimos”. Conclusão: O cardápio necessita de adequações garantindo uma refeição equilibrada e saudável aos escolares. Mais estudos devem ser realizados sobre a temática, utilizando outros métodos de avaliação, uma vez que os hábitos alimentares saudáveis são formados desde a infância e a escola representa um ambiente propício para tanto.
Consumo alimentar de usuários de uma Clínica-Escola de Nutrição do interior paulista
Os maus hábitos alimentares adotados pela população brasileira, proveniente de alimentos hipercalóricos e de baixo valor nutricional, têm refletido diretamente na saúde e estado nutricional, aumentando nos últimos anos, a prevalência de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Diante disso, o objetivo desse estudo foi determinar o perfil de usuários atendidos em uma Clínica Escola de Nutrição. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, observacional, descritivo e analítico. Desenvolvido a partir da análise de 96 Recordatórios de 24 horas que constavam nos prontuários dos pacientes, com idade entre 40 e 59 anos. Os nutrientes avaliados foram: carboidratos, proteínas, lipídios, cálcio, zinco, ferro, magnésio, sódio e fibras; sendo os valores encontrados comparados com o preconizado pelas Dietary Reference Intakes de 1997. Os principais resultados deste estudo indicaram maior procura da clínica escola por mulheres (80,2%); entre 40 e 50 anos (62,5%); com excesso de peso (94,8%) e com pelo menos uma doença crônica relatada (83,35%). Quanto ao consumo alimentar, as mulheres apresentaram um consumo significativamente menor de fibras e ferro (p=0,045 e p=0,012, respectivamente), quando comparada aos homens. Um consumo inadequado dos nutrientes avaliados conforme os valores de EAR foram encontrados para ferro (19,8%;n=19); magnésio (88,54%;n=85) e zinco (39,58%; n=38). Conclui-se que o perfil de usuários atendidos pela Clínica Escola de Nutrição foi constituído por mulheres, possuindo pelo menos uma morbidade associada ao excesso de peso. A alimentação caracterizou-se por baixa ingestão de micronutrientes e elevado consumo de carboidratos e lipídios
Metas alimentares versus dieta: qual oferece melhores resultados em pacientes com excesso de peso?
Objetivos: Comparar a efetividade do uso de metas alimentares e da dieta na perda de peso em pacientes com excesso de peso, no contexto ambulatorial. Método: Estudo retrospectivo, comparativo, descritivo e quantitativo, com base nos prontuários nutricionais dos pacientes atendidos na Clínica-Escola de uma Instituição de Ensino Superior do Vale do Rio do Sinos (RS) no ano de 2014. Foram avaliados dados sociodemográficos, clínicos, antropométricos, a redução de impacto no peso corporal, tempo e periodicidade de acompanhamento, divididos em dois grupos: Metas e Dieta. Foram considerados significativos os valores de perda ponderal de de ≥ 5% em relação ao peso inicial. O nível de significância adotado foi de 5% (p≤0,05) e as análises foram realizadas no programa SPSS versão 21.0. Resultados: Foram analisados 69 prontuários nutricionais de adultos e idosos, com média de idade de 46,9 ± 13,6. Observou-se predomínio do gênero feminino (88,4%). Não houve associação significativa entre o número de comorbidades, idade, sexo, nível de escolaridade, periodicidade e número de consultas com a perda de peso e Índice de Massa Corporal em ambos os grupos (p>0,10). Não foi encontrada associação significativa para a perda de peso e o tipo de intervenção nutricional: Meta ou Dieta [-1,90 kg ± 2,83 e 1,70 ± 3,20 kg, respectivamente (p= 0,744)]. Houve correlação positiva entre o tempo de acompanhamento nutricional no grupo Dieta e o reganho de peso (r=0,296; p=0,048). No grupo Metas esta associação não foi significativa (r=0,241; p=0,257). Conclusão: As duas intervenções resultaram em perda ponderal, embora não clinicamente significativa. Em relação à manutenção do peso corporal perdido, as metas alimentares apresentaram-se mais efetivas. Acredita-se que para a conservação da perda de peso são necessárias mudanças de comportamento que são a principal forma de adquirir hábitos saudáveis e melhorar a qualidade de vida
Monitoramento nutricional em unidades de atenção primária à saúde, DRS VI- Bauru, Brasil
O objetivo foi caracterizar o processo de monitoramento nutricional em unidades de atenção primária à saúde de quatro municípios pertencentes ao DRS VI de Bauru-SP, Brasil. Por escolha aleatória, participaram um município de médio porte (M) e três de pequeno porte (P). No município M, foram estudadas 10 unidades e nos municípios P, uma em cada. Os sujeitos foram os profissionais de saúde responsáveis pela aferição e registro da antropometria que responderam um questionário sobre a obtenção dos dados antropométricos, os equipamentos disponíveis, quais profissionais aferiam medidas e a respeito da execução do diagnóstico nutricional. Em todos os grupos populacionais e municípios as medidas antropométricas mais utilizadas foram peso e estatura/comprimento, aferidas predominantemente por técnicos de enfermagem. Todas as unidades dispunham de equipamentos de antropometria, exceto o estadiômetro para adulto. O diagnóstico nutricional em crianças era realizado por 80% das unidades município M e 100% nos municípios P. Em menor proporção, em gestantes (70%; 67%); em idosos (50%; 66,6%), adolescentes e adultos (50%; 33%), nos municípios M e P, respectivamente. Concluiu-se que o monitoramento nutricional é realizado com freqüência em crianças e por técnicos de enfermagem, mas são necessários ainda esforços para que a vigilância se estenda a todas as faixas etárias da população