rasbran (Revista da Associação Brasileira de Nutrição)
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Fatores associados à alimentação entre crianças atendidas em creches públicas de Montes Claros
Objetivo: Avaliar os fatores associados à alimentação entre crianças matriculadas em creches públicas em Montes Claros, Minas Gerais.Métodos: Estudo transversal, realizado com 304 crianças. Os pais e responsáveis responderam questionários sobre as práticas alimentares das crianças, parâmetros sociodemográficos e econômicos. Os dados foram analisados por análise descritiva e a associação das variáveis e magnitude da mesma por análise bivariada e razão de chance (odds ratio, OR), respectivamente.Resultados: O aleitamento materno não foi alimento exclusivo até os seis meses de idade em 47,4% das crianças. Mais da metade delas fazia uso de mamadeira, realizava refeições em frente à TV e consumia grande quantidade de refrigerante e suco em pó. Filhos cujas mães trabalhavam fora de casa tinham chance 2,82 (p<0,01) e 1,91 (p=0,017) vezes maior de consumir açúcar e suco em pó antes dos seis meses de idade, respectivamente. A idade materna <25 anos associou-se ao hábito de comer assistindo televisão (OR = 1,90; p=0,024), ao consumo de refrigerante (OR= 1,89; p=0,022) e à ausência de verduras/legumes nas refeições (OR= 1,89; p=0,022).Conclusões: A alimentação das crianças não era adequada devido ao alto consumo de açúcares e deficiência em alimentos nutritivos. Esse problema foi associado ao fato da mãe trabalhar fora de casa e à idade materna inferior a 25 anos
Ações de promoção da alimentação saudável no primeiro ano de vida em Macaé
O estudo visa descrever as experiências de graduandos dos cursos de Nutrição e Enfermagem, participantes de um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Campus UFRJ-Macaé, Brasil, nas ações de promoção da alimentação saudável no primeiro ano de vida. Realizou-se um relato de experiências a partir da abordagem de educadores (cinco bolsistas e dois voluntários, graduandos de dois cursos da área da saúde) de um projeto extensionista, que organizaram e executaram três ações educativas: minicurso, oficina e sala de espera, entre 2016-2017; voltadas a comunidade em geral, acadêmicos de graduação, usuários e profissionais da saúde de unidades de saúde de Macaé (educandos). Foram realizadas duas reuniões, utilizando-se a roda de conversa como estratégia para a construção da prática dialógica, nas quais os educadores apresentaram suas experiências vivenciadas nas três ações. Ao analisar os relatos, observaram-se quatro palavras chaves, com suas respectivas ideias centrais: expectativas [quanto ao tipo de estratégia de educação alimentar e nutricional (minicurso, oficina, sala de espera) e receptividade dos participantes]; conhecimento (entendimento do tema e as principais dúvidas dos participantes); formação profissional (aquisição de experiências tanto no âmbito pessoal como profissional); avaliação das atividades (quanto aos objetivos alcançados). As experiências vivenciadas pelos educadores permitiram o diálogo, o aprendizado e a troca de conhecimentos e saberes acerca da alimentação no primeiro ano de vida com os educandos das ações educativas. A oficina foi a melhor estratégia de educação alimentar e nutricional para a promoção da alimentação no primeiro ano de vida
A contação de histórias como ferramenta para ações de Educação Alimentar e Nutricional no âmbito da Educação Infantil
O objetivo deste trabalho foi desenvolver e avaliar intervenções de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), que utilizaram a contação de histórias como estratégia de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS), junto a crianças e professores da Educação Infantil no município de Cuité, Paraíba, Brasil. Tratou-se de um estudo de Pesquisa-Ação, que contemplou três fases: planejamento, execução e avaliação das ações. O planejamento e execução seguiram o modelo da pedagogia de projetos. No caso dos alunos, as avaliações foram feitas com base em escala adaptada para fins educativos, e no caso dos professores foi elaborado um instrumento com questões fechadas. Foram realizadas nove intervenções. O projeto avaliou 114 crianças e sete professores. Dentre as crianças, 95% consideraram as intervenções satisfatórias. Na opinião dos professores, a qualidade das intervenções e a contribuição dessas para a PAAS obteve 100% de avaliações positivas. O trabalho com contação de histórias mostrou-se como uma ferramenta eficaz no desenvolvimento de ações de EAN. A multiplicação de estudos sobre contação de histórias como estratégia de PAAS pode auxiliar no fortalecimento da EAN na Educação Infantil
Notas sobre a Racionalidade Nutricional e a alimentação saudável
Objetivo: Conhecer as narrativas que envolvem a relação que o pesquisador do campo de Alimentação e Nutrição mantém com a concepção de alimentação saudável. Metodologia: Análise de conteúdo das narrativas transcritas, colhidas a partir de entrevista semiestruturada. O percurso teórico-metodológico adotado foi a análise de conteúdo e a crítica filosófico-existencialista. Resultados: Foram entrevistados 26 professores de três Programas de Pós Graduação em Alimentação e Nutrição situados nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Foram encontradas as seguintes categorias: 1) Comida como dieta; 2) Comida como história de vida; 3) Comida como expressão subjetiva. Discussão: As narrativas alimentares de docentes pesquisadores revelam suas crenças epistêmicas; a alimentação saudável pode aparecer como a aplicabilidade da racionalidade nutricional; acredita-se que prescrições moralizantes e normatizadas não priorizam o aspecto social da alimentação, seu papel cultural nas relações humanas e toda a representatividade do preparo e consumo das refeições. Analisada apenas sob o enfoque biológico, a comida não representa a história de vida de seus comensais. Conclusão: Os discursos dos professores mostram sentidos constituídos por suas expertises e por seus projetos existenciais. Ressalta-se a urgência em superar a predominância de um discurso cientificista e reducionista no campo da alimentação e nutrição
Adesão ao tratamento nutricional de portadores de diabetes mellitus tipo 2: Uma revisão bibliográfica
O diabetes mellitus tipo 2 vem se tornando um dos principais problemas de saúde pública, alcançando expressiva representação como causa de doença e de morte no mundo todo. A adesão ao tratamento para esta patologia tem sido um desafio aos profissionais de saúde, em especial aos nutricionistas responsáveis pelas orientações quanto à dieta a ser seguida pelos diabéticos. Assim, o objetivo deste estudo foi identificar quais os principais fatores que interferem na adesão ao tratamento dietético e desta forma contribuir com informações aos profissionais de saúde, em especial aos nutricionistas. Para isso realizou-se uma pesquisa bibliográfica, em bases de dados, de artigos publicados a partir do ano de 2005. Encontrou-se um total de 29 artigos, que seguindo critérios de inclusão e exclusão, foram reduzidos a 13 artigos. Os resultados mostraram que os hábitos alimentares prévios são os que mais interferem na adesão à dieta, sendo citados em 61,54% dos artigos, os aspectos emocionais e apoio familiar e/ou social apareceram em 46,15% dos estudos analisados. Os socioeconômicos e/ou classe social; restrição alimentar; ausência de diagnóstico/conhecimento sobre complicações do diabetes/escolaridade foram encontrados em 38,46%, das análises. Outros fatores citados em 23,08% dos estudos avaliados foram referentes à doença assintomática/negligência; ausência de motivação. Com percentual de 7,69% os artigos apresentaram fatores como, ausência de atendimento de uma equipe multiprofissional, crenças e abordagem inadequada da doença pelo profissional de saúde. Assim, pode-se concluir que há diversos fatores que influenciam no tratamento, especialmente os hábitos alimentares previamente adquiridos, e que estes devem ser considerados pelos profissionais, preservando a individualidade do paciente.
Doença de Crohn e probióticos: uma revisão
Objetivo: Apresentar uma revisão sobre o papel dos probióticos na terapia nutricional na Doença de Crohn. Métodos: Foi realizada uma revisão bibliográfica nas bases de dados eletrônicas: Scielo, Pubmed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico, abrangendo publicações entre 2011 e 2016, com idiomas em língua portuguesa e inglesa. Resultados: A Doença de Crohn envolve um processo inflamatório que afeta várias partes do trato gastrointestinal, nesse sentido, vários estudos têm demonstrado ações benéficas com o uso de probióticos, entre elas, produção de Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC), redução da intolerância à lactose, controle da diarreia aguda, melhora da atividade clínica da doença e prevenção de recidivas das doenças inflamatórias intestinais. Conclusão: Os probióticos oferecem benefícios aos pacientes com doença de Crohn, podendo reduzir sintomas como diarreia e melhorar a imunidade destes pacientes, contudo, ainda não há um consenso em relação à recomendação do uso destes em seres humanos. Portanto, faz-se necessário à formulação de pesquisas, que visem estudar a eficiência e a segurança da imunonutrição nesses pacientes
Aproveitamento de resíduos orgânicos para o desenvolvimento de "beijinho" a base de mandioca amarela e rosada
O reaproveitamento de resíduos orgânicos vem despertando o interesse tanto da indústria quanto da ciência, por gerar significativo volume de descartes e causar poluição no meio ambiente. Pesquisadores em todo o país estão investindo no desenvolvimento de novos produtos a partir destes resíduos, com intuito de minimizar estas perdas contribuindo para a produção de alimentos saudáveis, nutritivos e com menor impacto negativo para o meio ambiente. Diante deste contexto o presente estudo teve como objetivo elaborar um doce tipicamente brasileiro servido em festas de aniversário, conhecido como “beijinho”, a partir dos resíduos do processamento mínimo da mandioca. O doce de beijinho foi elaborado a partir do resíduo do processamento mínimo de mandiocas amarela e da cultivar “BRS-Rosada”. O estudo também avaliou a composição centesimal, preferência sensorial e aceitação pelos provadores. Foram elaboradas duas formulações de beijinho, uma somente a base de mandiocas amarelas e outra só com mandiocas rosadas. Os beijinhos elaborados podem ser considerados alimentos funcionais por serem ricos em fibras (8,67%/100g). Os dados da análise sensorial demonstraram que o doce desenvolvido obteve índice de aceitabilidade superior a 80% para todos os atributos avaliados. Com relação à intenção de compra, os julgadores manifestaram que ‘certamente comprariam’ as duas formulações. Sendo assim, os beijinhos desenvolvidos a base das duas variedades de mandiocas representam uma ótima alternativa de subproduto, colaborando para diminuição da matéria orgânica, desperdício, diminuição do impacto negativo ao meio ambiente, além de ser uma formulação com significativo valor nutricional
Educação alimentar e nutricional para crianças, adolescentes e familiares em uma escola pública de Salvador, Bahia
Objetivos: Estimular o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis em escolares e seus familiares, por meio de uma intervenção de educação alimentar e nutricional em uma escola pública da rede municipal de Salvador, Bahia. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e transversal, do tipo relato de experiência. Foi elaborada uma ação educativa com escolares na faixa etária de 4 a 13 anos e seus responsáveis. Foi realizada uma roda de conversa abordando principalmente a relevância de uma alimentação adequada no desenvolvimento e saúde das crianças e adolescentes, bem como a importância e a influência da família na construção de hábitos alimentares saudáveis. Houve ainda degustação de receitas saudáveis e foi aplicado o teste de aceitabilidade com base na escala hedônica facial mista. Resultados: Todos os familiares presentes avaliaram positivamente a ação, referiram compreender a necessidade de se oferecer lanches saudáveis e comentaram que preparariam em casa as receitas realizadas. E apenas duas das seis preparações culinárias ofertadas foram bem-aceitas. Conclusão: A intervenção proporcionou a ampliação dos conhecimentos dos participantes. Entretanto, a realização de ações em educação alimentar e nutricional que apresentem maior duração são necessárias para que se possa promover a alimentação saudável de maneira mais efetiva e contribuir com a construção dos hábitos de vida dos escolares e suas famílias