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Set e “ação”: notas sobre processos criativos no cinema
Neste artigo levantamos algumas possibilidades de análise do processo criativo no cinema, utilizando registros autobiográficos, sobretudo de cineastas, e desenvolvendo hipóteses sobre a recorrência de alguns procedimentos ritualizados como deflagradores e constitutivos da criação artística. Para tanto, enfocamos o set de filmagens e a ação, situações sociais experimentadas como excepcionais por atores sociais envolvidos
Pirandello, autobiografia e teatro: um diálogo possível
Fruto do meu estágio de doutorado na Università di Torino, financiado pela CAPES, o artigo investiga a última dramaturgia de Pirandello e constata que esta é o produto de um violento intercâmbio entre estímulos biográficos e resultado artístico. Ao escrever para Marta Abba, o dramaturgo não poderia deixar de ter em mente a qualidade interpretativa da intérprete, a co-autora do novo perfil feminino desenvolvido por ele: a vamp virtuosa
O corpo-forma Xavante no cenário ritualístico contemporâneo
O corpo-forma Xavante, inseparável de seu contexto ritualístico é preparado com atributos cuidadosamente elaborados; apresentado para a platéia que o admira; apreciado pelos detentores da tradição que julgam e elaboram um discurso crítico. Esse entendimento, que na contemporaneidade caminha para um diálogo transcultural, abre espaço para a constituição de um perfil de artista indígena, aquele que busca no cenário atual um reconhecimento
Cabeça, tronco e membros: reflexões sobre um projeto de instalação
Esse texto, que aborda teorias da percepção, da fotografia e das artes visuais, é uma reflexão da autora sobre os procedimentos utilizados para a construção de um projeto de instalação. Cabeça, tronco e membros foi experimentado no galpão do programa de pós-graduação em artes visuais da EBA – UFRJ e, posteriormente, na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, através do projeto Rumos do Itaú Cultural
Sem margem, sem caderno
A desenvoltura é a expressão de uma denegação em face dos valores aos quais se recusa reconhecer a importância. É, então, uma noção essencial para pensar a arte contemporânea, pois reporta-se a um comportamento que questiona a autoridade. Nesta ótica, tento analisar aqui as conseqüências da atitude irônica de certos artistas modernos e pós-modernos sobre essas grandes figuras de autoridade que representavam, no passado, o artista, a obra de arte e o poder institucional. Tentarei apreender em que a desenvolta, verificada na arte de nossos dias, difere daquela apresentada por Castiglione e Nietzsche
Artista e receptor: fronteiras amolecidas no ato fotográfico
Constatando a franca diluição de fronteiras entre produção e recepção/ artista e amador promovida pela experiência da fotografia, este artigo traz uma reflexão acerca da pertinência do papel social do artista em nossos dias. Tomarei por embasamento teórico as reflexões de Walter Benjamin (A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica) e de John Dewey (Arte como experiência) que já assinalavam as inevitáveis mudanças que ocorreriam nas concepções tradicionais de artista, de receptor e de obra de arte
A máquina escriturística: de Duchamp a Certeau
Nosso trabalho visa compreender a leitura que o historiador e antropólogo Michel De Certeau faz do projeto artístico mais ambicioso de Marcel Duchamp – O Grande Vidro. Na realização da pesquisa, buscamos entender como o pensador localizou a obra dentro de suas discussões teóricas e, mais, qual a relação de O Grande Vidro com os conceitos de arte predominantes em seus escritos
Cinema de artista: cinema de atrações, cinema expandido, cinema de exposição
Ao longo de sua história, o cinema, como prática social, sofreu profundas transformações. No entanto, nenhuma delas foi tão profunda quanto a criação, por volta de 1908, da Forma cinema, isto é, do modelo narrativo-representativo-institucional (N.R.I.). Na verdade, a história do cinema se confunde com a própria história desse modelo hegemônico de espetáculo, que dura mais ou menos duas horas, que acontece em uma sala escura (sala que o cinema herdou do teatro italiano) onde assistimos à projeção de um filme (projeção resultante da invenção técnica do cinema), geralmente narrativo (narrativa cuja forma o cinema herdou do romance dos séculos XVIII/XIX)
O cinema expandido de Andy Warhol: repetição e circulação
Este artigo trata da expansão do formato da arte do filme efetuada por Warhol em seus primeiros filmes, chegando ao auge com os eventos Exploding Plastic Inevitable. Reproduzindo imagens e processos da cultura comunicacional, promovendo estratégias de repetição e circulação de matérias já instituídas e massificadas, o artista Pop logra sua neutralização por esvaziamento dos sentidos. Com a erotização sádica de seus filmes, re-injeta, no arquivo, pulsões transgressoras e as devolve à circulação