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Um sopro de pintura
O problema que enfrentamos no texto que se segue é como a imagem-potência no nível mental retorna para o mundo na forma de pintura e, como essa pintura, preserva tais fluxos e energia de seu tema, no caso, a natureza como objeto. Ao considerar o acaso como via de acesso às imagens mentais, nossa investigação encontra no estado de transe um potente mecanismo de conexão entre os demais estágios da pintura. Esta forma de consciência é fundamental para orquestrar o processo construtivo da pintura em que elementos intrínsecos ao fazer artístico, como intuição, gesto, ritmo, afeto, imaginação, substância e ateliês são conjugados para criar uma forma de reconexão entre o artista, o observador e o mundo
After Art [Depois da Arte]
O ensaio “After Art” foi publicado originalmente no número 27 da New Observations (Nova York, 1985) e posteriormente no livro Peter Halley, Collected Essays 1981-1987, Zurique, Bruno Bischofberger Gallery, 1988, de onde esta tradução foi realizada
A exteriorização da memória pessoal em Nazareth Pacheco
Este artigo tem como finalidade discutir a relação entre a memória pessoal e a criação artística tendo como base a produção de Nazareth Pacheco. Nesse sentido, o presente artigo aborda o tema da autobiografia evidente em alguns dos objetos artísticos produzidos pela artista nos anos 1990. Analisamos algumas de suas obras de arte em que a memória pessoal é exteriorizada nos elementos visuais que as compõem. Para tanto, adotou-se um corpus teórico diversificado do campo da arte e da psicanálise.
Entre a matéria-prima e o objeto cerâmico: uma poética pessoal
Neste artigo abordo a minha experiência enquanto artista / professora e ceramista em relação à matéria-prima, ao utilitário doméstico e cerâmico. E discorro sobre minhas leituras a respeito dos materiais enquanto crus e cozidos em meu processo de criação
Corpos Striped: sujeição à insurgência simbiótica
Corpos Striped constitui-se em uma produção seriada de nove (9) desenhos realizados pelo pesquisador e artista Rafael Scheibe Coutinho, a qual reflexiona aspectos devastadores presentes na sociedade contemporânea, so-bretudo apregoando a figura da mulher como objeto de desejo e consumo de maneira abjeta. Para tanto, adiciona-se a esta figura uma relação insurgente com a criatura polvo, que se sobrepõe à mulher fazendo às vezes de uma vasta e repulsante cabeleira. O polvo assume metaforicamente o peso grotesco im-posto pela sociedade como uma força que sufoca e transgride a feminilidade, envolvendo-a por meio de uma relação simbiótica e camuflando-se de forma capilar, transformando-a na representatividade da medusa contemporânea.
As duas faces da moeda: arte e política no regime estético da contemporaneidade
O texto aborda os problemas e riscos da aproximação da arte ao campo da política, a partir da perspectiva da crise da representação mimética e da vigência do “regime estético”, conforme conceituado por Jacques Rancière, e aproximado à instauração do paradigma pós-histórico pelo advento das imagens técnicas, conforme proposto por Vilém Flusser. Nesta perspectiva, verifica-se que conceitos como “verdade”, “ficção” e “engajamento” tornam-se passíveis de reavaliação
Para que passaportes?
O cenário artístico contemporâneo, aliado às novas tecnologias, ao turismo e ao acesso à internet, abre inúmeras possibilidades para produções artísticas, sobretudo quanto à construção de imagens a partir de deslocamentos e experiências pessoais em junção com o vasto cenário imagético disponível que prescinde a prática artística. Diante disso, a partir do debate sobre o multiculturalismo aberto por Néstor Canclini, perpasando o pensamento de Lucy Lippard sobre o turismo e culminando na obra Bienvenidos, o artigo aborda como o passaporte, enquanto documento de origem do viajante e como metáfora de identidade, é o agente que tanto permite como impede a entrada em territórios estrangeiros, e como esse impedimento é superado por meio de deslocamentos virtuais nesse interstício específico entre fronteiras