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Ambientes saudáveis e bem-estar no setor público: entre o New Public Management e a ética do bem comum
No setor público, ambientes saudáveis exigem mais que ginástica laboral. Exigem coragem para transformar a organização do trabalho. Este artigo procura desmontar a ilusão das "ações de bem-estar" e revela o que a investigação comprova: o mal-estar nasce da burocracia sufocante, da injustiça silenciosa, da falta de reconhecimento. Contra a tirania dos indicadores e a erosão do sentido de servir, defende-se uma mudança radical: liderança ética, justiça real, autonomia responsável. Porque a pergunta decisiva não é "o que oferecemos aos trabalhadores?", mas "que organização somos, todos os dias?". Um manifesto urgente sobre dignidade, propósito e humanidade na Administração Pública
Função, valor público e bem-estar organizacional: uma perspetiva funcional da Administração Pública
Nas últimas décadas, o bem-estar ganhou centralidade no debate sobre a Administração Pública, superando a visão tradicional focada apenas na eficiência burocrática. A construção de ambientes saudáveis exige uma abordagem funcional, que alinhe propósito, estrutura e criação de valor público. Quando os trabalhadores compreendem a função pública do seu trabalho, reforçam-se motivação, compromisso e sentido de pertença. Pelo contrário, estruturas rígidas e centradas em categorias hierárquicas geram fragmentação e desmotivação. Uma gestão baseada em áreas funcionais promove colaboração, responsabilidade partilhada e alinhamento estratégico. Assim, recentrar o emprego público na função fortalece o bem-estar organizacional, a legitimidade institucional e a confiança social
A mentoria como dádiva ao serviço público
O artigo analisa a mentoria no serviço público como uma prática relacional que renova o compromisso com a missão de servir o bem comum. Partindo da evolução do sentido de dever na Administração Pública, discute-se o papel da mentoria num contexto marcado por constrangimentos institucionais e exigências crescentes. Com base na experiência do Programa de Mentoria para a Inovação e Liderança (PMIL), o texto interpreta a relação entre mentores e mentorados como uma dinâmica de dádiva mútua, promotora de aprendizagem, confiança e sentido partilhado, contribuindo para a humanização do trabalho e o reforço do compromisso coletivo no serviço público
Guias AP | 02
O presente Guia assume-se como um documento de apoio passível de adaptação aos contextos de trabalho, dirigido aos trabalhadores da Administração Pública – dirigentes, técnicos, formadores ou quaisquer outros agentes públicos – que pretendam desenvolver projetos de capacitação em Direitos Humanos.
A sua elaboração enquadra-se no âmbito da Cátedra UNESCO INA e apoia-se em experiências empíricas recolhidas no contexto dos projetos desenvolvidos pela Rede de Embaixadores para os Direitos Humanos na Administração Pública
Da ‘Denúncia ao Anúncio freireano’ - Uma perspectiva multinacional da formação do gestor público em Escolas de Governo: contributos da concepção crítico-humanista
A presente pesquisa busca identificar a concepção político-pedagógica que predomina nas Escolas de Governo pesquisadas e, a partir desta, investigar, nas formações de gestores, a existência de ações de desenvolvimento (disciplinas, cursos, seminários, oficinas) de caráter crítico-humanista que primam pela dimensão ético-política. O estudo foi norteado pela hipótese de que o predomínio de formações de natureza essencialmente tecnicista e utilitarista silenciam tônicas de natureza ético-política, caras ao corpo de servidores e à sociedade em geral. Nesse sentido, terminam por promover um modelo de liderança demasiado técnico-operacional, tornando o gestor pouco hábil na construção de relações socioprofissionais de qualidade e causando impactos deletérios à saúde dos trabalhadores. Ancoramos nossa análise nos pressupostos teórico-metodológicos de Paulo Freire (1980; 1987; 1996; 2019) como dialogicidade, participação e autonomia, com apoio das categorias gramscianas de conformismo, inventário e catarse (1982; 2001) e thompsoniana de experiência (2002), entendendo que uma formação crítico-humanista serve como caminho de tensionamento à pedagogia dominante e de emancipação humana, mesmo que limitada. Esta é uma pesquisa qualitativa, tendo o materialismo histórico-dialético como paradigma teórico-metodológico. No campo empírico elegemos as técnicas de análise documental, entrevistas e observação participante, tendo a análise de conteúdo como metodologia. Os resultados confirmam a Pedagogia das Competências como a concepção político-pedagógica que predomina, extensivamente, nas formações de liderança em todas as Escolas. Contudo, os dados evidenciam movimentos internos, agindo nas ‘margens’, que forçam o debate e a ação na direção contrária, com potencial de crescimento e conquista de espaço. Encerrando este estudo, reconhecemos a necessidade premente de uma análise aprofundada e de um debate mais substancial sobre o tema da formação de gestores no país e os contributos que uma perspectiva crítico-humanista traz ao Estado e à sociedade
Referenciais de formação: Competências específicas de cargos de dirigentes (Vol. 5)
A presente publicação constitui o volume 5 e apresenta as quatro competências específicas para os titulares de cargos dirigentes, sendo que estão organizadas em três áreas de enquadramento, a saber: Pessoas – Liderança; Desempenho – Representação Institucional; Desenvolvimento –
Gestão e Direção da Organização, Visão Estratégica
Atas do 13.º Congresso Nacional da Administração Pública
O 13.º Congresso Nacional da Administração Pública realizou-se nos dias 7 e 8 de novembro, na Culturgest, em Lisboa, subordinado ao tema “Democracia, Serviço Público e Conhecimento“, assinalando conjugadamente duas celebrações, os 45 anos do INA e os 50 anos do 25 de abril de 1974, integrando o Programa das respetivas comemorações.
O Congresso contou com o Alto Patrocínio de Sua Excelência, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que proferiu ainda a conferência inaugural.
Durante dois dias, o Congresso fomentou a reflexão e o debate sobre os desafios globais que se impõem ao quotidiano da Administração Pública com intervenções focadas nos “50 anos de Estado de Direito Democrático” e a dupla estratégia do INA: Mobilizar a Administração Pública para o Conhecimento e Mobilizar o Conhecimento para a Administração Pública.
Houve ainda espaço para o reconhecimento a ex-dirigentes máximos do INA, assim como para a entrega do Prémio INA 2024 para a Melhor Investigação sobre Administração Pública.
No encerramento, refletiu-se sobre os desafios e perspetivas para os próximos 50 anos da Administração Pública