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O PAPEL DO TEATRO NA FORMAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS: EXPERIÊNCIAS NO CAMPO DOS DIREITOS HUMANOS
O artigo relata duas experiências de uso do teatro como ferramenta de educação para os direitos humanos em cursos de Relações Internacionais. Além de descrever os eventos, o texto apresenta os resultados de pesquisa empírica de avaliação discente. O texto demonstra que outras possíveis experiências de encenação além da “modelagem” e dos “clubes de simulações” podem contribuir para a formação do internacionalista. Conclui-se que as atividades promovidas geraram vivências e recursos capazes de aumentar o número e a qualidade dos registros expressivos e comunicativos dos envolvidos, oferecendo uma valiosa oportunidade de aprendizagem integralRecebido em: 20 abril 2015Aceito em: 23 junho 201
A FRANÇA NA ÁFRICA: AS INTERVENÇÕES MILITARES E SUAS MOTIVAÇÕES – O CASO DA COSTA DO MARFIM
A França é o país que mais intervém militarmente nos assuntos africanos. Desde o processo de descolonização até hoje, os franceses já promoveram diversas intervenções militares em países africanos, ajudando a depor ou sustentando governantes de acordo com os seus interesses. Trata-se de um país que pratica uma ativa política intervencionista, sobretudo nos Estados que outrora estiveram sob o julgo do colonialismo francês. Este artigo busca discutir as motivações que levam os franceses a essa política intervencionista em África, trazendo como exemplo de atuação no continente, o caso da Costa do Marfim e a violenta crise pós-eleitoral de 2010Recebido em: 06 junho 2015Aceito em: 04 outubro 201
Brasil e Índia na Reforma do Conselho de Segurança da ONU: o posicionamento dos Membros Permanentes e os apoios regionais
O presente artigo tem por objetivo analisar o debate internacional acerca da reforma do Conselho de Segurança da ONU, tendo como foco a inserção internacional de Brasil e Índia nesse contexto. Como dois grandes países em desenvolvimento, estes dois Estados vêm adquirindo uma posição de destaque no âmbito do sistema internacional. A partir disso, Brasil e Índia passaram a ter como uma de suas diretrizes de política externa a obtenção de uma vaga permanente em um CSNU reformado. No entanto existem forças opositoras: de um lado, os EUA colocam obstáculos a uma ampla reforma do CSNU, tendo apoiado a entrada da Índia, mas não a do Brasil; de outro lado, Brasil e Índia sofrem fortes oposições regionais, principalmente de Argentina e Paquistão respectivamente. O artigo está dividido em três partes: na primeira, expõe-se as principais propostas para reforma do CSNU; na segunda parte, explora-se a posição do P-5 a respeito das candidaturas de Brasil e Índia à vaga permanente; por fim, analisa-se se Brasil e Índia têm obtido adesão dos países de seu entorno regional às suas campanhas ao assento permanente. Busca-se, com isso, concluir o quão distantes ou próximos estão Brasil e Índia de entrar no CSNU como membros permanentes.Recebido em: 12 jun. 2014Aprovado em: 01 out. 201
Origens do Sistema de Inteligência dos Estados Unidos: 1775-1946
Este artigo descreve em linhas gerais a trajetória dos serviços de inteligência governamental dos Estados Unidos da América desde a Guerra de Independência até o final da Segunda Guerra Mundial. Marcada por descontinuidades organizacionais e tensões entre objetivos políticos distintos (e.g. maximizar segurança do Estado e garantir as liberdades individuais previstas pela Constituição), a evolução histórica rumo à consolidação de um Sistema Nacional de Inteligência foi menos linear do que as narrativas tradicionais assumem no caso dos Estados Unidos. Primeiro, porque trata-se de um processo secular de especialização institucional nos âmbitos da Segurança Institucional, Defesa Nacional, Diplomacia e Provimento de Ordem Pública, algo em si mesmo complexo. Em segundo lugar, porque tal processo foi o resultado de pressões estruturais externas, disputas políticas internas e difusão adaptativa de soluções organizacionais. O artigo está dividido em três seções delimitadas temporalmente (1775-1865; 1865-1939; 1939-1946).Recebido em: 20 jun. 2014Aprovado em: 01 out. 201
As relações econômicas entre China e África: uma perspectiva sistêmica
Este artigo pretende discutir as relações econômicas entre China e África a partir dos anos 2000, com base em informações e dados estatísticos que evidenciam a crescente importância da presença chinesa no continente africano. Também pretende, dentro da perspectiva sistêmica, apresentar uma contribuição ao assunto, para além do debate existente na literatura acerca dos riscos e oportunidades dessa relação para os países africanos.Recebido em: 30 maio 2014Aprovado em: 01 out. 201
Desdobramentos da crise financeira de 2007-08: reforma da arquitetura financeira tradicional e inovações no desenho institucional do regime financeiro internacional
O presente trabalho tem o objetivo geral de analisar os efeitos da crise financeira de 2007-08 sobre a atual arquitetura financeira internacional, buscando investigar possíveis mudanças no Regime Econômico Financeiro Internacional. Parte-se da hipótese de que, apesar de seus efeitos econômicos profundos, a crise não gerou uma resposta equivalente ao seu impacto por parte das instituições financeiras internacionais tradicionais. Como resposta, houve reformulação de estratégias de atores soberanos emergentes com maior capacidade de autonomia, embora estas não constituam um desafio direto às instituições do mainstream. Assim, tomando o FMI como uma amostra dessa institucionalidade, inicialmente analisaremos a evolução de seus discursos oficiais e ações no momento posterior à crise. Em seguida, abordaremos a inversão histórica entre membros credores e devedores da instituição e o papel renovado do G20 Financeiro. Por fim, buscaremos demonstrar as limitações das reformas anunciadas e suas consequências, dentre elas, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingencial de Reservas dos BRICS.Recebido em: 26 set. 2014Aprovado em: 17 nov. 201
Fome e Relações Internacionais: uma agenda oportuna para o Brasil
Argumenta-se que Fome e Segurança Alimentar são temas pertinentes para a análise sob o prisma das Relações Internacionais. A produção da comunidade nessa área é muito pequena, apesar de haver forte justificativa para estudo, tanto pelo ângulo do valor intrínseco do ser humano, quanto pelos ângulos teórico e político.Recebido em: 25 abr. 2014Aprovado em: 01 out. 2014
WHICH STATE FOR WHICH SOVEREIGNTY ?
This paper analyses the question of what sovereignty refers to in contemporary world. Starting from Robert Keohane’s article entitled “Ironies of Sovereignty: the European Union and the United States”, this paper investigates the evolutions and characteristics of sovereignty in the EU and the USA through the contribution of Norberto Bobio’s typology, and how sovereignty can be affected by the different conceptions on the State. This leads to evaluate the convergence between the European Union and the United States on the conception of sovereignty. Based on such comparison, this article raises the hypothesis of a “multilevel sovereignty” of States facing growing common pressures from the international systemRecebido em: 16 julho 2015Aceito em: 04 outubro 201
De Bush a Obama: a dotação orçamentária dos EUA para o Conselho de Direitos Humanos da ONU
Este trabalho pretende analisar a política externa dos Estados Unidos da América (EUA) para os direitos humanos a partir do processo de dotação orçamentária para o Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH). Nesse contexto, pergunta-se: é possível afirmar que a gestão Obama é mais afeita ao multilateralismo e inclinada à defesa internacional dos direitos humanos que a de seu antecessor? A hipótese defendida é que não existiria relação necessária entre a entrada de Obama e a defesa dos direitos humanos em âmbito internacional. Verifica-se a validade dessa hipótese analisando a dotação orçamentária dos EUA para o CDH. Em vista dessa análise e da permanência de outras inconsistências (como o não fechamento da prisão em Guantánamo e o não repasse de verbas para o Alto Comissariado dos Direitos Humanos), a hipótese de que a entrada de Obama não representou maior defesa dos direitos humanos em âmbito internacional parece válida
Cooperação Sul-Sul e Policy Transfer em Saúde Pública: análise das relações entre Brasil e Moçambique entre 2003 e 2012
Com base na literatura sobre policy transfer, o artigo analisa as estratégias de cooperação sul-sul do governo brasileiro no campo da saúde pública em Moçambique entre 2003 e 2012. Além da introdução, o artigo se divide em três partes: (i) o debate conceitual sobre policy transfer; (ii) a transferência de políticas públicas brasileiras no campo da saúde pública, mais particularmente os projetos brasileiros implementados ou em curso em Moçambique entre 2003 e 2012; (iii) o estudo de caso sobre a fábrica de medicamentos antirretrovirais HIV-AIDS, conhecida como Sociedade Moçambicana de Medicamentos. Ao final, conclui-se que os projetos estudados confirmam parcialmente algumas das hipóteses da literatura especializada sobre policy transfer e ratificam o fato de que a cooperação brasileira com Moçambique é fundamentalmente demand-driven, não impõe condicionalidades políticas relativas à governança doméstica do país (direitos humanos, reforma do Estado etc.) e tem seus objetivos alinhados com a política externa brasileira, particularmente no que tange ao fortalecimento da ação multilateral do Brasil e de seu soft power.Recebido em: 23 maio 2014Aprovado em: 30 out. 201