518 research outputs found
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Temas de Relações Internacionais nos discursos de posse de presidentes e de chanceleres brasileiros (1995-2017)
O artigo investiga as ênfases temáticas de presidentes e de chanceleres brasileiros durante os seus pronunciamentos de posse. O objetivo principal é saber se tais atores políticos tenderam a manter um padrão de continuidade no que tange à priorização de temas e categorias ou se os mesmos tendem a minimizar e maximizar citações de forma específica e particular. Para verificar isso, técnicas de análise de conteúdo e de mineração textual foram empregadas. Através delas, constatou-se a existência de uma continuidade, no sentido de que há categorias que são constantes na sua insignificância, independente do ator. Há também categorias que, via de regra, são mencionadas repetidamente em todos os pronunciamentos. Ademais, ao considerar medidas associativas e de distâncias de palavras, foi possível agrupar os atores em níveis de proximidade. Nesse aspecto, é visível um agrupamento muito coeso entre os chanceleres, ao passo que os presidentes tendem a se localizar de forma mais esparsa.
A parceria entre Minas Gerais e o Banco Mundial: uma análise do uso de condicionantes como instrumento de influência
Este trabalho se propõe a verificar a capacidade do Banco Mundial em influenciar a estratégia de desenvolvimento do governo de Minas Gerais, entre 2006 e 2012, por meio da imposição de condicionantes nos empréstimos realizados pelo primeiro ao segundo. Para cumprir tal objetivo, é apresentada a trajetória histórica do banco, visando compreender suas estratégias de atuação e seus instrumentos de influência. Posteriormente, foram abordados conceitos centrais para a atuação do Banco Mundial, como as condicionantes, a ownership e a seletividade. Por fim, realizou-se uma análise comparada dos documentos de empréstimos e dos planos estratégicos do Estado. A conclusão da pesquisa aponta no sentido de o Banco não exercer influência determinante na estratégia de desenvolvimento de Minas Gerais mediante o uso de condicionantes. O resultado está em linha com a nova forma de atuação declarada pelo BIRD, que mediante a verificação do nível de ownership como critério para o recebimento de empréstimos, não mais utiliza as condicionantes como instrumento de coerção. É plausível que o Banco Mundial exerça uma influência prévia na definição da estratégia de desenvolvimento estadual, uma vez que o Estado pode definir uma estratégia de desenvolvimento compatível à do BIRD para acessar suas linhas de financiamento.
Mudança Institucional em Regimes de Direitos Humanos: o Sistema Interamericano e os Estados “em cima do muro”
O objetivo do artigo consiste em analisar o desenvolvimento institucional do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH) sob o prisma da relação entre a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e os Estados não jurisdicionados. A seleção desse grupo de Estados – que se manteve “em cima do muro” ao longo do processo de transformação do sistema regional em um sistema protetivo – representa um ponto de partida pouco explorado. Como esses Estados encontram-se comprometidos em menor grau com as obrigações regionais de direitos humanos, é comum receberem a pecha de obstáculos à universalização do SIDH. As raras referências aos Estados não jurisdicionados nos estudos sobre o SIDH se restringem a qualificá-los como impedimentos à expansão e ao adensamento institucional do sistema regional. Os achados da pesquisa permitem rivalizar com essa ideia, sugerindo que, embora comprometidos em menor grau, a presença e a participação dos Estados não jurisdicionados no SIDH são parcelas explicativas não apenas do design institucional e funcionamento peculiar do SIDH, mas também da própria continuidade do sistema regional de direitos humanos, por representarem a construção de um fator de estabilidade institucional dentro de um panorama persistente de questionamentos da própria ideia de proteção interamericana dos direitos humanos na região.
Aspectos normativos, securitários e geopolíticos da grande estratégia da Rússia (2000–2016) e o lugar das Nações Unidas
O trabalho visa examinar a política externa e de segurança da Rússia durante os governos Putin (2000–2008 e 2012–2016) e Medvedev (2008–2012) para descobrir seus aspectos normativos, securitários e geopolíticos e o lugar da Organização das Nações Unidas (ONU) na grande estratégia russa. Divide-se a pesquisa em três seções. A primeira traça um breve histórico da grande estratégia da Rússia. Já a segunda trata de seus aspectos normativos: a sua concepção de legitimidade na ordem internacional, ativismo global, concepção de soberania e processos de integração regional. Na terceira parte, são analisados os aspectos securitários e geopolíticos, tais como guerras e intervenções militares, participação em operações de paz da ONU, doutrina militar e mecanismos regionais de segurança. Conclui-se que a ONU, na grande estratégia russa, seria central à ordem internacional ao solidificar as instituições que mantêm a estabilidade desta e ao assegurar o status russo de grande potência
A Escola Galesa de Estudos Críticos em Segurança Internacional – 25 anos depois
Tendo como fio condutor os trabalhos de Ken Booth e Richard Wyn Jones, o artigo analisa a produção acadêmica da Escola Galesa de Estudos Críticos em Segurança Internacional. O argumento a ser desenvolvido é que, a despeito da produção de conceitos que contribuíram para o campo crítico em Segurança Internacional, o desenvolvimento teórico da escola ainda padece de insuficiências, sobretudo a controversa relação entre segurança e emancipação. Por conseguinte, derivar conceitos que informam a ação política torna-se tarefa difícil. Logo, a análise aponta para a necessidade de a Escola Galesa engajar-se em um debate teórico com perspectivas distintas, especialmente o pós-estruturalismo e o pós-colonialismo, o que pode produzir implicações importantes para a teoria e prática dos Estudos Críticos em Segurança Internacional
Hegemonia compartilhada e organizações internacionais: a proposta trilateralista dos anos 1970
No início dos anos de 1970, a criação da Trilateral Commission, composta por intelectuais, empresários e políticos de Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental, trazia uma nova perspectiva estratégica em um mundo atribulado por disputas comerciais e políticas dentro do bloco capitalista. Inspirada e formulada por intelectuais como Zbigniew Brzezinski, ela teve como um de seus temas centrais a reformulação das instituições internacionais, vistas por eles como conturbadas por uma confrontação cada vez maior por parte de coalizões de países do então chamado Terceiro Mundo. A Trilateral Commission reunia algumas figuras-chave de instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e suas propostas para a reformulação dessas e de outras instituições vinham no sentido de ''despolitizá-las”, criando mecanismos permanentes de prevenção de conflitos internacionais. Para estrategistas como Brzezinski, essa era uma forma de recompor a hegemonia americana que, confrontada pela “síndrome do Vietnã” e com a crise do petróleo, parecia agora aceitar a ideia de uma ''hegemonia compartilhada''. O propósito do artigo é mostrar como as propostas trilateralistas para o funcionamento das organizações internacionais foram uma das principais alternativas estratégicas desenvolvidas naquele contexto histórico.
A política externa da União Europeia e a construção de capacidades estatais securitárias
No início da década de 1990, diversos desafios – como a dissolução da Iugoslávia – foram responsáveis pelo aprofundamento da integração europeia e pelo estabelecimento da Política Externa e de Segurança Comum (PESC). Essa, mais tarde, teria na Política Comum de Segurança e Defesa (PCSD) o seu braço mais visível de intervenção securitária regional. A partir daí, vários eventos tiveram repercussão na imagem da União como ator capaz de promover e manter a paz e a segurança, provocando a discussão sobre o seu papel na estabilidade do sistema internacional. Com a inserção na agenda da UE da necessidade de relações com a vizinhança que garantam a paz na Europa, a sua política externa passou a se voltar à interferência na elaboração de políticas securitárias domésticas nos Estados vizinhos mais frágeis. Por esse motivo, esta pesquisa oferece uma reflexão sobre a compreensão da atuação da UE em questões securitárias que envolvem países vizinhos não membros do bloco, objetivando, com isso, sugerir observações e questionamentos a respeito da atuação da UE no reforço dos domínios de segurança dos Estados que partilham a vizinhança na região
O Conceito de autonomia em Puig e Jaguaribe: uma análise comparativa intertextual
Este artigo pretende analisar e comparar o conceito de autonomia tal como se apresenta em dois textos diferentes: O nacionalismo na atualidade brasileira (1958) de Helio Jaguaribe e La política exterior argentina: incongruencia epidérmica y coherencia estructural (1982) de Juan Carlos Puig. Em primeiro lugar, será indispensável prover o leitor com seus respectivos contextos de publicação, bem como salientar os objetivos políticos e as fidelidades de grupo de cada autor. Na primeira seção, afirmamos como suas táticas textuais mantêm similitudes no que se refere ao modo como ambos os autores contrastam autonomia e dependência e almejam que o processo de autonomização de seus países emule a bem sucedida experiência histórica norte-americana. Na sequência, tentamos demonstrar que esses textos diferem em seus entendimentos do que a Terceira Posição deva ser, e ademais apoiam escopos opostos para a integração da América Latina. Finalmente, relacionamos as agendas políticas específicas de cada autor com suas interpretações enviesadas da história da política exterior de seus países
Globalização produtiva e desindustrialização
Este artigo descreve o fenômeno da desindustrialização, problema que é analisado tendo em conta as recentes transformações do capitalismo. Em geral, o fenômeno da desindustrialização é entendido como um processo de mudança (econômico e social) e estruturais (de longo prazo) caracterizada pela redução da actividade económica e industrial (especialmente de fabricação) em um país ou região. Esta representação do fenómeno através da participação relativa da indústria no produto e no emprego total da economia, não explica os fatores que causam a desindustrialização. Assim, este estudo revela que a desindustrialização pode ser explicada por movimentos de capital industrial, a partir da crise estrutural do capitalismo na década de 1970, o que levou à redefinição das estruturas industriais e a nova divisão internacional do trabalho. Desde os anos 1990, sob a hegemonia do neoliberalismo, o fenômeno progrediu consideravelmente na economia global, com a integração dos países periféricos ao padrão de acumulação dos países avançado
Estados frágeis e proliferação nuclear: uma agenda de segurança pós-Guerra Fria
Após o fim da Guerra Fria, a questão da proliferação nuclear ascendeu na agenda de segurança internacional. Central para este debate é a possibilidade de emergirem Estados nucleares frágeis, cuja potencial instabilidade política doméstica colocaria em risco o controle estatal sobre o arsenal nuclear e sobre materiais e tecnologias sensíveis. Desta forma, é possível que Estados frágeis, ao adquirirem armamentos nucleares, representem uma ameaça mais séria à segurança internacional do que Estados mais estáveis. Este artigo discute, então, a emergência dos Estados proliferadores frágeis como um tema fundamental da agenda nuclear. A primeira seção traz uma contextualização desse tema no contexto internacional pós-Guerra Fria. Em seguida, discutimos o significado de Estados frágeis e de suas políticas proliferadoras. Posteriormente, discutimos as consequências da proliferação nuclear, debate que não se restringe ao problema dos Estados frágeis. Após essas discussões teóricas, nos voltamos para a discussão de um exemplo de Estado proliferador fraco, com uma apreciação do programa nuclear do Paquistão, que pode ser considerado, entre os atuais Estados com capacidade nuclear, o caso emblemático de um Estado frágil. Finalmente, concluímos com uma reflexão sobre a importância das políticas internacionais de não-proliferação e de desarmamento