Conjuntura Austral: Journal of the Global South
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Itaipu na política externa brasileira dos governos Lula-Lugo: embates e desafios
Em 2023, a renegociação do Anexo C do Tratado de Itaipu (1973) colocou as relações entre Brasil e o Paraguai em relevo na agenda política regional. Esse tema sensível apresenta os limites, os desafios e as possibilidades da integração energética regional. Diante desse cenário, a presente resenha visa analisar criticamente o livro “Itaipu na política externa brasileira dos governos Lula-Lugo: embates e desafios”, de Sara B. Toledo, que aborda o papel de Itaipu na política externa brasileira, em especial nas renegociações do Tratado de Itaipu (2008-9). O objetivo é examinar os pontos positivos e eventuais fragilidades desse trabalho sobre uma temática que, apesar de sua relevância, não é conhecida pelo grande público. Para tanto, fez-se uma comparação com as obras publicadas no Brasil sobre o tema. Apresentou-se os aspectos originais do livro, tais como os debates do processo de ratificação do Acordo Lula-Lugo (2009) e a atuação dos diversos atores brasileiros
A diplomacia brasileira entre o direito à autodeterminação dos povos e o conflito do Saara Ocidental: uma revisão descritiva de atos oficiais
This paper analyzes the involvement of Brazil in the Western Sahara conflict based on relations with the parties directly involved. From a bibliographic review, since 1960 the country has demonstrated support for the self-determination of various peoples on multiple continents, including Western Sahara. However, Brazil maintains secular relations with Morocco, intensified by agricultural and food demands of the Brazilian market. The facts demonstrate a position of privilege for strategic commercial interests without giving any sign of real support for Morocco in the conflict and with a clear defense of the inalienable right of self-determination of the Saharawi people through the internationally recognized interlocutor for the issue: The Polisario Front.Este trabalho objetiva analisar descritivamente as manifestações institucionais diplomáticas do Brasil em relação ao conflito do Saara Ocidental, a partir das relações com as partes diretamente envolvidas. Utilizando-se do método dedutivo, a partir de uma revisão bibliográfica e documental de natureza exploratória, fica evidente que desde 1960 o país tem exteriorizado apoio à autodeterminação de vários povos em múltiplos continentes, incluindo o povo saaraui, do Saara Ocidental. Isso fica demonstrado através de uma série de posicionamentos, atos, notas e discursos diplomáticos ao longo das últimas décadas. No entanto, embora seu posicionamento político em relação à Autodeterminação saaraui nunca tenha alterado, as seculares relações com o reino marroquino – potência ocupante do Saara Ocidental -, têm se intensificado na última década. Os indicadores têm demonstrado uma postura de privilégio aos interesses comerciais estratégicos na relação Brasil-Marrocos, sem representar, contudo, sinais de apoio real àquele reino em relação ao conflito. Estes fatos atestam o apoio e a defesa por parte do Brasil, do inalienável Direito de Autodeterminação do povo saaraui, corroborada pela manutenção de relações com seu interlocutor internacionalmente reconhecido: a Frente Polisario
O Sul global no mundo desigual: a história do g7+
O livro “’Fragile States’ in an Unequal World: the role of the g7+ in International Diplomacy and Development Cooperation” de Isabel Rocha de Siqueira da PUC-RJ é uma contribuição para o campo de estudos das Relações Internacionais. O livro traz boas contribuições para pensar o Sul global na atual política internacional. A narrativa inova ao enfocar o lado humano da ‘política’ (big politics), a partir de um trabalho de pesquisa realizado junto à organização intergovernamental g7+. Um traço distintivo da obra é sua abordagem metodológica ao trazer para o debate temas e agendas por meio das ‘histórias de vida’ (storytelling), fruto das reflexões e propostas realizadas pelo Laboratório de Metodologia (LabMET) coordenado pela pesquisadora. Também, uma reflexão conceitual sobre os Estados frágeis, abarca questões teóricas, metodológicas e de posicionamentos pessoais e subjetividades que estão presentes nos bastidores da política internacional. O g7+ é um tema de grande relevância para este cenário em que o Sul Global se projeta sobretudo na Agenda 2030 que pretende “não deixar ninguém para trás”
O que fazer com "O livro do clima"?
Nesta resenha sobre “O livro do clima”, criado e coescrito pela ativista sueca Greta Thunberg, fundadora do movimento Fridays for Future, faz-se uma reflexão sobre a relevância da obra para a comunicação climática nos anos recentes. Trata-se de um livro com capítulos escritos por dezenas de autores de diversas nacionalidades, cada um deles falando sobre suas vivências em relação à crise climática ou suas contribuições para o avanço de seu debate. A obra pode ser entendida como um retrato da governança ambiental global contemporânea, por reunir os dados mais atualizados até o momento sobre a mudança do clima, e discute paradigmas em ascensão como transição energética, justiça ambiental e a legalidade por trás da questão dos refugiados ambientais. O que fazer com “O livro do clima” é uma provocação para a sensibilização e a empatia das sociedades contemporâneas, tendo em vista a importância de ações individuais para a produção de bens coletivos
A construção da Paz na África : a União Africana e processo de resolução de conflito na República Democrática do Congo
This paper aims at analyzing the actions of the African Union (AU) in the conflict resolution process in the Democratic Republic of the Congo (DRC). Since its reconfiguration in 2002, one of the AU's goals has been to promote peace, security, and stability on the continent due to the series of civil wars that have plagued the continent since the 1990s. Since then, the armed conflicts in the DRC, officially ended in 2002, have challenged the efforts of international and regional actors in the search for a peaceful solution to this day. Through a qualitative approach supported by the critical literature on peace studies and international conflict resolution, we reflect on the AU's peace operations on the continent and, in particular, its role in conflict resolution and peace stabilization in the DRC. We argue that the AU's efforts in resolving conflicts in the country have proven insufficient, highlighting the failure of the institution's commitment due to the lack of coordination among countries, especially those with aspirations to assume a regional leadership role.O objetivo deste trabalho é analisar as ações da União Africana (UA) no processo de resolução de conflito na República Democrática do Congo (RDC). Desde a sua reconfiguração, em 2002, uma das metas da UA é promover a paz, a segurança e a estabilidade no continente devido à série de guerras civis que assolaram o continente desde a década de 1990. Desde então, os conflitos armados na RDC, oficialmente finalizado em 2002, têm desafiado as empreitadas dos atores internacionais e regionais na busca de uma solução pacífica para a estabilização do país. Mediante uma abordagem qualitativa amparada no estudo de caso sobre o conflito na DRC, refletimos sobre as operações de paz da UA. Argumentamos que os esforços da UA na resolução dos conflitos no país se mostraram insuficientes, assinalando o fracasso do compromisso da instituição em razão da falta de coordenação entre os países, sobretudo os países com pretensões de assumir um papel de liderança regional
Uruguay en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas frente al conflicto cipriota: variables sistémicas en el país de la política exterior de partidos
Uruguayan participation in the United Nations Security Council (UNSC) remains little explored. Having participated in only two biennia, observing the action in the main international organization serves as empirical material to contribute to the literature on Uruguayan foreign policy and small countries. We analyze its action in the face of the Cypriot crisis during the biennium (1965–1966). In addition to a brief analysis of sessions and voting, we developed a case study based on the speeches of the Uruguayan representatives in the sessions in which the Cypriot crisis was discussed. We discovered that Uruguay follows the expected behavior for a small country on a topic that is far from its scope and interest. As a result, limited by international factors, Uruguay adheres to its traditional foreign policy with little influence from other domestic factors. However, by drawing parallels with its history, it adopts a relatively critical stance on the actions of the powers and the efficiency of the international organization. The results reinforce the need for other empirical analyses of Uruguay's actions during their membership in the UNSC.
La participación de Uruguay en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas (CSNU) ha sido poco explorada. Con solo dos bienios de participación en este importante organismo internacional, observar su actuación proporciona un valioso material empírico que contribuye a la literatura sobre la política exterior uruguaya y los desafíos que enfrentan los países pequeños. En este artículo analizamos la actuación de Uruguay frente a la crisis cipriota durante el bienio 1965-1966. Además, llevamos a cabo un breve análisis de las sesiones y las votaciones, y desarrollamos un estudio de caso basado en los discursos de los representantes uruguayos durante las sesiones en las que se discutió la crisis chipriota. Como resultado de nuestro análisis, hemos descubierto que Uruguay sigue un comportamiento típico de un país pequeño en un tema que está fuera de su ámbito principal de interés. En este sentido, su actuación está limitada por factores internacionales, lo que refleja una continuidad con los enfoques tradicionales de su política exterior y una influencia relativamente menor de factores domésticos. No obstante, al contextualizar estos hallazgos en su historia, Uruguay adopta una postura crítica hacia las acciones de las potencias y la eficacia del organismo internacional
O SNI, a CIA e as relações Brasil-Iraque na década de 1980: arms exports, technical cooperation, and their relevance to the international system
Brazil and Iraq relations in the 1970s and 1980s became a significant component of Brazilian foreign policy, characterized by responsible pragmatism and universalism in the effort to diversify international partnerships. Under the Geisel and Figueiredo administrations, Brazil sought to consolidate its autonomy through an active foreign policy, which included expanding its arms exports and technological and nuclear cooperation with countries in the Global South. This article, drawing from primary sources, examines how arms exports to Iraq involved a complex network of diplomacy, private enterprises, and the military sector. The analysis delves into how these activities attracted attention and were monitored by American intelligence, reflecting the geopolitical importance of these relations. Consequently, the article offers a perspective on the dynamics of these interactions, their implications for Brazilian foreign policy, and their significance within the international system.As relações entre Brasil e Iraque durante as décadas de 1970 e 1980 foram um componente importante da política externa brasileira. Durante os governos Geisel e Figueiredo, o Brasil buscou consolidar sua autonomia por meio de uma política externa ativa, que incluía a ampliação de suas exportações de armamentos e a cooperação tecnológica e nuclear com países do Sul Global. Este estudo objetiva aprofundar o conhecimento sobre a operacionalização dessas relações e sua relevância internacional. Para isso, é realizada análise documental de fontes primárias da CIA e do SNI que evidenciam como as exportações de armas e a cooperação com o Iraque eram percebidas pelo Brasil e pelos Estados Unidos. Os documentos revelam que a política de exportação envolveu uma complexa rede de diplomacia, empresas privadas e setor militar. A análise histórica e documental apresenta uma perspectiva da dinâmica das interações Brasil-Iraque, suas implicações para a política externa brasileira e sua dimensão internacional – medida pela forma como foi acompanhada pela inteligência estadunidense
Resenha do livro “Brazil's International Activism: Roles of an Emerging Middle Power”
This review focuses on the analysis of the book Brazil's International Activism: Roles of an Emerging Middle Power, focusing on the theoretical and methodological contributions of this work to the field of International Relations. The author Monika Sawicka explains Brazilian foreign policy using Role Theory as the theoretical framework of her constructivist analysis model, which relates the concepts of identity, status and roles. The time frame includes the first two terms of President Lula da Silva and the first term of President Dilma Rousseff. The aforementioned Brazilianist argues that Brazil's behavior from 2003 to 2014 was marked by the performance of roles aimed at increasing the country's status on the international scene, which were also influenced by Brazil's identity as an emerging middle power. The inductive method applied involves the analysis of various data, such as speeches, interviews and practices of decision-makers. This is a work with the potential to become an obligatory reference in the understanding of Brazilian foreign policy.Esta reseña se centra en el análisis del libro Brazil´s International Activism: Roles of an Emerging Middle Power, con énfasis en las contribuciones teóricas y metodológicas de esta obra al campo de las Relaciones Internacionales. La autora Monika Sawicka explica la política exterior brasileña utilizando la Teoría de los Roles como marco teórico de su modelo de análisis constructivista, que relaciona los conceptos de identidad, estatus y roles. El marco temporal incluye los dos primeros mandatos del presidente Lula da Silva y el primer mandato de la presidenta Dilma Rousseff. La mencionada brasilerista sostiene que el comportamiento de Brasil entre 2003 y 2014 estuvo marcado por el desempeño de roles destinados a aumentar el estatus del país en el escenario internacional, que también fueron influenciados por la identidad de Brasil como potencia intermedia emergente. El método inductivo aplicado implica el análisis de diversos datos, como discursos, entrevistas y prácticas de tomadores de decisiones. Se trata de una obra con potencial para convertirse en una referencia obligatoria en la comprensión de la política exterior brasileña.A presente resenha volta-se à análise do livro Brazil 's International Activism: Roles of an Emerging Middle Power, com foco nas contribuições teóricas e metodológicas da referida obra para o campo das Relações Internacionais. A autora Monika Sawicka explica a política externa brasileira utilizando a Role Theory como marco teórico de seu modelo de análise construtivista, que relaciona os conceitos de identidade, status e papéis. O recorte temporal inclui os dois primeiros mandatos do Presidente Lula da Silva e o primeiro mandato da Presidenta Dilma Rousseff. A referida brasilianista argumenta que o comportamento do Brasil de 2003 a 2014 foi marcado pelo desempenho de papéis voltados ao aumento de status do país no cenário internacional, os quais também foram influenciados pela identidade brasileira de potência média emergente. O método indutivo aplicado envolve a análise de diversos dados, como discursos, entrevistas e práticas dos tomadores de decisão. Trata-se de uma obra com potencial para se tornar referência obrigatória na compreensão da política externa brasileira
Cooperação Sul-Sul como fonte não-ocidental de Relações Internacionais: agência, diferença e resistência
This article analyses South-South Cooperation (SSC) as a source of non-Western IR within the framework of Global IR, based on three elements: its role of agency, difference and resistance. I argue that the history of SSC challenges IR thinking due to its own ontology, and SSC is interpreted as a source of non-Western perspectives based on its role of agency, difference and resistance. The reflection is interpretative and analytical and methodologically qualitative, exploratory, based on bibliographic analysis. The questions that guide the article are: how does SSC challenge conventional IR thinking? In what ways can CSS be interpreted as a non-Western source of IR? In this sense, unlike an abstract notion of universalism, SSC inscribes a situated ethics for IR. Another way of challenging IR is that the practice of SSC allows us to depart from the avenue structured by the Western-centered international order to imagine another international order in favor of developing countries.O objetivo do artigo é analisar cooperação Sul-Sul (CSS) como fonte de perspectivas não ocidentais de RI no marco da Global IR, a partir de três eixos: seu papel de agência, diferença e resistência. Argumenta-se que a história da CSS desafia o pensamento de RI pela sua ontologia própria, e se interpreta a CSS como fonte de perspectivas não-ocidentais a partir do seu papel de agenciamento, diferença e resistência. Vale referir que há uma lacuna nos estudos de CSS e Global IR sobre este tipo de análise, ou seja, da forma que está sendo abordada nesse artigo, essa articulação ainda não foi estudada. A reflexão proposta é de ordem interpretativo-analítica e metodologicamente qualitativa, de caráter exploratório, baseada em análise bibliográfica. As perguntas que orientam o artigo são: como a CSS desafia o pensamento convencional de RI? De que formas a CSS pode ser interpretada como fonte não-ocidental de RI? Ao contrário de uma noção abstrata de universalismo, a CSS inscreve uma ética situada para as RI. Outra forma de desafiar as RI é que a prática da CSS permite partir da avenida estruturada pela ordem internacional centrada no Ocidente para imaginar outra ordem internacional a favor dos países em desenvolvimento
A Diplomacia Militar do Exército Brasileiro na Cooperação Internacional em Defesa e Segurança na Fronteira Brasil-França
A porção setentrional do território brasileiro apresenta particularidades bastante significativas, por se tratar de uma fronteira, na região amazônica, com a França, importante player do cenário internacional. A partir do final do século XX, os dois países passaram a estreitar suas relações bilaterais, após firmarem o Acordo-Quadro de Cooperação, em 1996. Desta forma, a partir de uma abordagem qualitativa, empregando as técnicas da pesquisa bibliográfica e observação participante, o presente artigo tem por objetivo geral analisar a contribuição da diplomacia militar brasileira para o incremento da cooperação, na área de defesa e segurança, na fronteira entre Brasil e França. Para isso, discute-se o conceito de diplomacia militar, bem como a natureza das ameaças existentes na fronteira entre os dois países. Ainda, a partir das atividades desenvolvidas pelo Exército Brasileiro naquela região, argumenta-se que a diplomacia militar brasileira é bastante ativa e significativa, contribuindo para a cooperação na área de defesa e segurança