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Contribuições de Dois Documentários Latino-Americanos Para uma Percepção Ampliada das Mudanças Climáticas a Partir de uma Leitura Decolonial
A constituição de uma nova sensibilidade em relação à crise ambiental tem sido pauta, direta ou indiretamente, de diversos atores sociais e produtos midiáticos. Destes, destacam-se os filmes e vídeos que focam a temática ambiental, em função do papel relevante que a cultura audiovisual representa hoje. Com essas premissas, este artigo foca os documentários latino-americanos Hija de la Laguna (2015) e A Mãe de Todas as Lutas (2021), com o propósito de discutir suas possíveis contribuições para uma percepção ampliada das causas climáticas. A partir da análise fílmica centrada nas protagonistas e nas escolhas estéticas e estilísticas de cada obra, este texto investiga como as narrativas dos dois documentários entrelaçam informação e conhecimento subjetivo; indivíduo e coletivo; local e global; memória pessoal e arquivos públicos; entre outros marcadores argumentativos. Essas categorizações são cotejadas ao posicionamento decolonial, assumido no texto de forma ampla, isto é, em diálogo com autores que incorporam as lutas das populações indígenas e/ou marginalizadas à teoria decolonial. Dentre os resultados encontrados, ressaltamos que os documentários estabelecem contranarrativas que permitem identificar a emersão do protagonismo feminino nas lutas pela posse da terra e da água, o posicionamento crítico em relação ao extrativismo (e neoextrativismo) e a permanência dos preconceitos étnico-raciais. Ressalta-se, ainda, nos dois filmes, a constituição de uma linguagem documentária que valoriza o sujeito, sem deixar de articulá-lo ao contexto social.Creating a new awareness of the environmental crisis has been on the agendas, either directly or indirectly, of many social actors and media products. These include films and videos focusing on environmental issues, given the current important role of audiovisual culture. Against this backdrop, this paper focuses on the Latin American documentaries Hija de la Laguna (Daughter of the Lake; 2015) and A Mãe de Todas as Lutas (The Mother of all Fights; 2021), with the aim of discussing their possible contributions to a broader perception of climate action. Based on a film analysis centred on the protagonists, the aesthetic and stylistic choices of each work, we look into how the narratives of the two documentaries intertwine information and subjective knowledge, the individual and the collective, the local and the global, personal memory and public archives, among other argumentative markers. These categorisations are compared to the decolonial perspective, which is taken up in the text in a broad way, that is in the dialogue with authors who embody the struggles of indigenous and/or marginalised people into decolonial theory. Among the results found, we highlight that the documentaries establish counter-narratives that allow us to identify the emergence of female protagonism in the struggles for land and water ownership, the critical stance towards extractivism (and neo-extractivism) and lingering ethnic-racial prejudice. Also worth noting in both films, the documentary language values the subject, without failing to link them with the social context
Cultural Activism in Miniature: Exploring the Role of Dolls in the Kenyan Context
This article examines the role of dolls in the history of Kenya, from before colonization to the contemporary era. Dolls, female figures molded by what society dictates as being a woman, are powerful symbols handed down to girls, reflecting cultural and identity values. In pre-colonial societies, dolls were playmates that prepared the girl for societal care or fertility amulets, indicating to the adolescent her responsibility for the community's survival. With colonization came the uprooting and death of many traditions. The few dolls that survived became symbols of resistance against British cultural hegemony, and nowadays, they can be seen as forms of mnemonic activism. Additionally, the arrival of the white doll in the hands of local girls helped many grow trapped in an intricate paradox: they wanted to be seen as beautiful and valuable according to Eurocentric standards while also wishing to celebrate their unique cultural identities. In response to this situation, several Kenyan women entrepreneurs have created modern dolls representing the diversity of the country, but their challenge is to compete in a market where the white doll is always cheaper.
Este artigo analisa o papel das bonecas na história do Quénia, desde o período anterior à colonização até à época contemporânea. As bonecas, figuras femininas moldadas pelos padrões sociais que ditam o que é ser mulher, são símbolos fortes transmitidos às crianças, refletindo valores culturais e identitários. Nas sociedades pré-coloniais, as bonecas eram companheiras de brincadeiras que preparavam as crianças para os cuidados sociais ou serviam de amuletos de fertilidade, indicando, em particular, às adolescentes a sua responsabilidade pela sobrevivência da comunidade. A colonização provocou o desenraizamento e o fim de muitas tradições. As poucas bonecas que sobreviveram tornaram-se símbolos de resistência à hegemonia cultural britânica e, hoje, podem ser vistas como formas de ativismo mnemónico. Além disso, a chegada da boneca branca às mãos das crianças locais colocou muitas delas num intricado paradoxo: queriam ser vistas como bonitas e dignas de valor segundo os padrões eurocêntricos, mas também desejavam celebrar as suas identidades culturais únicas. Face a esta situação, várias empresárias quenianas criaram bonecas modernas que representam a diversidade do país, embora enfrentem um desafio ao competir num mercado onde a boneca branca é sempre mais barata.
Inventário do Patrimônio Geomorfológico: método de seleção, avaliação e classificação de geomorfossítios e sítios geomorfológicos
Scientific literature offers a variety of proposed and consolidated methods for the inventory of geomorphological heritage. However, we note a greater degree of methodological rigor in the quantitative evaluation stages compared to the preliminary stages of site selection for the inventory. In order to contribute to the discussion and proposal of methods that encompass all stages of a geological heritage inventory, this study aims to select, evaluate and classify geomorphological sites and features. The theoretical basis formed the foundation for the inventory method and geomorphological analysis. The selection of geomorphosites and sites is based on the method proposed by Reynard et al. (2016) and Sellier (2010). The core of this approach is the characterization and mapping of geomorphic features, including the classification of topographic relief. The objective is to analyze and interpret the geomorphology of a given spatial area in terms of morphogenetic and morphodynamical aspects, employing techniques in the cabinet, field, and laboratory stages. The evaluation stage focuses on applying adapted assessment forms for scientific, educational, and tourist values, as developed by Brilha (2016). Site classification considers risk assessment, which guides tailored management strategies. This is crucial for geoconserving sites and, subsequently, regional geological heritage.O patrimônio geomorfológico tem diversos métodos de inventariação propostos e consolidados na literatura científica. Contudo, percebe-se um maior rigor metodológico para as etapas de avaliação quantitativa em relação às etapas prévias de seleção dos sítios que comporão o inventário. Visando contribuir com a discussão e proposição de métodos que abranjam todas as etapas de um inventário do patrimônio geomorfológico, este trabalho apresenta uma proposta de seleção, avaliação e classificação de geomorfossítios e sítios geomorfológicos. Assim, foram utilizadas bases teóricas para a composição do método de inventariação e para a análise geomorfológica. A etapa de seleção de geomorfossítios e sítios geomorfológicos está baseada em Reynard et al. (2016) e Sellier (2010), tendo como cerne a caracterização e o mapeamento geomorfológicos, incluindo a classificação dos relevos, visando a análise e interpretação da geomorfologia de um dado recorte espacial em aspectos morfogenéticos e morfodinâmicos, com uso de técnicas em etapas de gabinete, campo e laboratório. A etapa de avaliação está centrada na aplicação de fichas adaptadas de avaliação quantitativa dos valores científico, educacional e turístico, elaboradas por Brilha (2016). A classificação dos sítios se dá com a avaliação dos riscos de degradação, um indicador para a proposição de formas de gestão particularizadas, importante para a geoconservação dos sítios e, por conseguinte, do patrimônio geomorfológico regional
Greenwashing — O Perigo de Alegações Falsas Generalizadas e Como os Média Portugueses Representam Essa Prática
As Nações Unidas lançaram a campanha “Race to Zero”, à qual empresas privadas aderiram voluntariamente na busca pela redução das emissões de carbono até 2030. Os resultados desta ação estão presentes no Monitor de Responsabilidade Climática Corporativa, desenvolvido pelo NewClimate Institute e pelo Carbon Market Watch. Ora, o presente estudo visa perceber como é que os maiores jornais portugueses — Expresso e Público — noticiaram os resultados da campanha “Race to Zero” e qual o foco dos média sobre greenwashing nos períodos anterior e posterior à divulgação do Monitor de Responsabilidade Climática Corporativa, em 2022 e 2023. Assim, procuram-se respostas para as perguntas: como é que os dois maiores jornais online de Portugal abordam o greenwashing? E qual a visibilidade dada ao relatório dos resultados da campanha “Race to Zero”? Metodologicamente, o estudo segue duas abordagens: em primeiro lugar, uma revisão de literatura não sistemática sobre o estado da arte do conceito de “greenwashing”; e, em segundo lugar, uma pesquisa empírica de análise de conteúdo qualitativa/quantitativa realizada a partir das publicações online dos dois maiores jornais de Portugal (Expresso e Público) no período de divulgação do Monitor de Responsabilidade Climática Corporativa.The United Nations launched the “Race to Zero” campaign, which private companies have voluntarily joined in the quest to reduce carbon emissions by 2030. The results of this action can be found in the Corporate Climate Responsibility Monitor, developed by the NewClimate Institute and Carbon Market Watch. This study aims to understand how the two largest Portuguese newspapers — Expresso and Público — report on the results of the “Race to Zero” campaign and how much the media focuses on greenwashing in the period before and after the release of the Corporate Climate Responsibility Monitor, in 2022 and 2023. In search of answers to the following questions: how do Portugal’s two largest online newspapers approach greenwashing? And how visible is the report on the results of the “Race to Zero” campaign? Methodologically, the study follows two approaches: firstly, a non-systematic review of the latest literature on the concept of “greenwashing”; and, secondly, an empirical survey of qualitative/quantitative content analysis based on the online publications of the two largest newspapers in Portugal (Expresso and Público) during the period of publication of the Corporate Climate Responsibility Monitor
Arte Ativista e Arte Ecológica: Uma Discussão Sobre a Relação Entre Cultura, Ambiente e Sociedade, Abordagens Artísticas e Contextos de Produção Cultural
Environmental activism, expressed through art, prompts an educational process, generating reflections and evoking a sense of vulnerability experienced by human bodies before the reality of the climate emergency (Rodriguez-Labajos, 2022). Because ecological art sparks subjective responses aimed at raising awareness and driving action on socio-environmental concerns, this theoretical, reflective, and interpretive article seeks to explore the concepts of “activist art”, “ecological art”, and analogous designations in order to analyse the interplay between culture, environment, and society and the conditions shaping cultural production practices. In pursuit of this objective, our inquiry delved into the framework of Félix Guattari’s concept of “eco-art” (1989/1990), the nature of ecological art approaches and the primary environmental causes they address, the contextual landscape in which environmental activist art practices unfolds and the dynamics of cultural production. Examples from Portuguese artists and projects were used to elucidate the nuances of creative practices and strategies linked to environmental sustainability, aspects relating to environmental education, ethical issues and cultural policies that align with ecological art. This article aims to contribute to the discussion on ecological art by exploring the political identity of art and emphasising the indispensable and inherent analysis between cultural practices and the environment.O ativismo ambiental, através da arte, estimula um processo de educação, ao mesmo tempo que gera reflexões e uma experiência de vulnerabilidade sentida pelos corpos humanos diante da realidade da emergência climática (Rodriguez-Labajos, 2022). Devido às subjetividades desencadeadas pela arte ecológica para a consciência e ação sobre as questões socioambientais, este artigo, de cunho teórico, reflexivo e interpretativo, tem o objetivo de abordar os conceitos de “arte ativismo”, “arte ecológica” e outras nomenclaturas análogas, de forma a analisar a relação entre cultura, ambiente e sociedade e as condições por meio das quais as práticas de produção cultural se desenvolvem. Para tanto, procurou-se compreender a perspetiva das três ecologias e da noção de “ecoarte” de Félix Guattari (1989/1990); a natureza das abordagens de arte ecológica e as principais causas ambientais associadas; o contexto em que ocorrem as práticas artísticas de ativismo ambiental e a atividade de produção cultural. Recorreu-se a exemplos de artistas e projetos portugueses para perceber: as particularidades das práticas e das estratégias criativas ligadas à sustentabilidade ambiental; os aspetos referentes à educação ambiental, às questões éticas e às políticas culturais que se adequam à arte ecológica. Com este artigo, pretende-se contribuir para a discussão sobre a arte ecológica sob a ótica da identidade política da arte e da análise necessária e intrínseca entre práticas culturais e ambiente
Beyond the human: George Stewart’s fiction
El historiador y novelista estadounidense George Stewart publicó, en 1949, una novela distópica titulada Earth Abides, que imagina un futuro apocalíptico. Se trata de una narrativa que se alinea con las reflexiones de Débora Danowski y Eduardo Viveiros de Castro en Há Mundo por Vir? Ensaios sobre os medos e os fins, especialmente en lo que respecta a la existencia de un mundo posthumano. Stewart construye una ficción en la que un estadounidense se encuentra repentinamente solo en su país, como sobreviviente de una epidemia provocada por un virus letal. El lector sigue el viaje de supervivencia de este personaje, con sus perplejidades y reflexiones sobre el impacto de la humanidad en el planeta, compartiendo las inquietudes de un protagonista con formación en Ciencias Naturales, lo que permite un análisis inmediato de los diálogos entre Literatura y Ciencia.
La obra de Stewart, que posee un fuerte componente ecológico, también es una profunda reflexión sobre las consecuencias nocivas de la interferencia humana en los ecosistemas terrestres. Así, esta comunicación tiene los siguientes objetivos centrales: 1. Identificar los elementos distópicos de la ficción Earth Abides; 2. Demostrar que la novela permite una lectura ecocrítica avant la lettre (ya que antecede a la institucionalización de esta área en los Estudios Literarios); 3. Explicar las advertencias del autor sobre un futuro oscuro que enfrenta la humanidad, en el que su actuación ha tenido un papel preponderante y en su mayoría negativo, especialmente en la explotación de recursos naturales, la deforestación y el cambio climático;4. Reflexionar sobre uno de los análisis literarios más vanguardistas del siglo XX acerca del fin de la humanidad.O historiador e romancista norte-americano George Stewart publicou em 1949 um romance distópico, Earth Abides (Só a Terra permanece, em tradução portuguesa), que imagina um futuro apocalítico. Trata-se de uma narrativa que se enquadra nas reflexões de Débora Danowski e Eduardo Viveiros de Castro em Há Mundo por Vir? Ensaios sobre os medos e os fins, sobre a existência de um mundo depois do humano. Stewart constrói uma ficção na qual um norte-americano se vê subitamente sozinho no seu país, enquanto sobrevivente de uma epidemia provocada por um vírus letal. É o percurso de sobrevivência dessa personagem, nas suas perplexidades e cogitações sobre o que o ser humano pode provocar no planeta, que o leitor acompanha, partilhando as inquietações de uma personagem com formação científica em Ciências Naturais, o que desde logo propicia uma análise dos diálogos entre Literatura e Ciência. A obra de Stewart, com uma intensa componente ecológica, é ainda uma profunda reflexão sobre as consequências nefastas da interferência do ser humano nos ecossistemas terrestres. A comunicação tem assim como propósitos centrais: 1. Identificar os elementos distópicos da ficção Só a Terra permanece; 2. Demonstrar que o romance permite uma leitura ecocrítica avant la lettre (porque anterior à institucionalização desta área dos Estudos Literários); 3. Explicitar os alertas do escritor norte-americano sobre um futuro sombrio que se apresenta à humanidade e no qual o papel desta tem tido um lugar preponderante e tendencialmente negativo, na exploração de recursos naturais, na desflorestação e nas alterações climáticas; 4. Refletir sobre uma das mais acutilantes análises literárias, no século XX, sobre o fim do humano.L'historien et romancier américain George Stewart a publié, en 1949, un roman dystopique intitulé Earth Abides, qui imagine un futur apocalyptique. Il s'agit d'une narration qui s'aligne avec les réflexions de Débora Danowski et Eduardo Viveiros de Castro dans Há Mundo por Vir? Ensaios sobre os medos e os fins, notamment en ce qui concerne l'existence d'un monde posthumain. Stewart crée une fiction dans laquelle un Américain se retrouve soudainement seul dans son pays, en tant que survivant d'une épidémie provoquée par un virus mortel. Le lecteur suit le parcours de survie de ce personnage, avec ses perplexités et ses réflexions sur l'impact de l'humanité sur la planète, partageant les inquiétudes d'un protagoniste formé en sciences naturelles, ce qui permet une analyse immédiate des dialogues entre Littérature et Science.
L'œuvre de Stewart, qui contient un fort élément écologique, est également une réflexion profonde sur les conséquences néfastes de l'interférence humaine dans les écosystèmes terrestres. Ainsi, cette présentation a pour objectifs principaux : Identifier les éléments dystopiques du roman Earth Abides ; Montrer que le roman permet une lecture écocritique avant la lettre (puisqu'il précède l'institutionnalisation de ce domaine dans les Études Littéraires) ; Expliquer les mises en garde de l'auteur sur un futur sombre auquel l'humanité est confrontée, où son rôle a été prépondérant et majoritairement négatif, notamment dans l'exploitation des ressources naturelles, la déforestation et le changement climatique ; Réfléchir à l'une des analyses littéraires les plus avant-gardistes du XXe siècle sur la fin de l'humanité.In 1949, the American historian and novelist George Stewart published a dystopian novel, Earth Abides (translated into Portuguese as Só a Terra Permanece), which envisions an apocalyptic future. The narrative aligns with the reflections of Déborah Danowski and Eduardo Viveiros de Castro in Há Mundo por Vir? Ensaios sobre os medos e os fins (2023), regarding the existence of a world after humanity. Stewart crafts a fiction in which an American man suddenly finds himself alone in his country, a survivor of an epidemic caused by a deadly virus. The reader follows this character’s survival journey, sharing in his perplexities and reflections on the impact humans can have on the planet. The character’s scientific background in Natural Sciences facilitates an exploration of the intersections between Literature and Science from the outset. Stewart’s work, with its strong ecological focus, is also a deep reflection on the harmful consequences of human interference in Earth’s ecosystems. The central aims of this essay are: 1. To identify the dystopian elements in Earth Abides; 2. To show that the novel allows for an avant la lettre ecocritical reading (as it predates the formal establishment of this field within Literary Studies); 3. To highlight the American writer's warnings about the grim future that humanity faces, in which humans have played a dominant and often detrimental role through the exploitation of natural resources, deforestation, and climate change; and 4. To reflect on one of the most incisive literary analyses of the 20th century concerning the end of humanity
O Holograma
Uma ficção especulativa.Une fiction spéculative.Una ficción especulativa.A speculative fiction
The human condition in the Anthropocene-four chakrabartian parallaxes
El Antropoceno significa una época crucial en la que la actividad humana se ha convertido en la fuerza dominante que moldea la geología y los ecosistemas de la Tierra. Este cambio requiere una profunda reevaluación de lo que significa ser humano. Este artículo investiga el concepto de la "condición humana" dentro del marco del Antropoceno, basándose en los conocimientos filosóficos de Dipesh Chakrabarty. El artículo está organizado en dos partes principales. La primera parte delimita el significado de "condición humana", situándolo dentro de un contexto filosófico e histórico más amplio. La segunda parte examina cómo el Antropoceno ha transformado nuestra comprensión de la condición humana, alterando las perspectivas tradicionales sobre la agencia humana, la temporalidad y el impacto planetario. A través de este análisis, se ofrecen nuevas perspectivas sobre las dimensiones existenciales y éticas de ser humano en una era marcada por una profunda transformación ecológica.L'Anthropocène marque une époque cruciale où l'activité humaine est devenue la force dominante qui façonne la géologie et les écosystèmes de la Terre. Ce changement nécessite une réévaluation profonde de ce que signifie être humain. Cet article examine le concept de la "condition humaine" dans le cadre de l'Anthropocène, en s'appuyant sur les perspectives philosophiques de Dipesh Chakrabarty. L'article est organisé en deux parties principales. La première partie définit le sens de la "condition humaine", en la situant dans un contexte philosophique et historique plus large. La deuxième partie explore comment l'Anthropocène a transformé notre compréhension de la condition humaine, modifiant les perspectives traditionnelles sur l'agency humaine, la temporalité et l'impact planétaire. À travers cette analyse, de nouvelles perspectives sont proposées sur les dimensions existentielles et éthiques de l'être humain à une époque marquée par une profonde transformation écologique.The Anthropocene signifies a pivotal epoch in which human activity has become the dominant force shaping the Earth's geology and ecosystems. This shift necessitates a profound reevaluation of what it means to be human. This paper investigates the concept of the “human condition” within the framework of the Anthropocene, drawing upon the philosophical insights of Dipesh Chakrabarty. The paper is organized into two main parts. The first part delineates the meaning of “human condition,” placing it within a broader philosophical and historical context. The second part examines how the Anthropocene has transformed our understanding of the human condition, altering traditional perspectives on human agency, temporality, and planetary impact. Through this analysis, fresh perspectives are provided on the existential and ethical dimensions of being human in an era marked by profound ecological transformation.O Antropoceno marca uma era crucial em que a atividade humana se tornou a força predominante que molda a geologia e os ecossistemas da Terra. Essa mudança exige uma reavaliação profunda do que significa ser humano. Este trabalho investiga o conceito de “condição humana” no contexto do Antropoceno, recorrendo às reflexões filosóficas de Dipesh Chakrabarty. O artigo está organizado em duas partes principais. A primeira parte delineia o significado de “condição humana”, situando-o num contexto filosófico e histórico mais amplo. A segunda parte analisa como o Antropoceno transformou a nossa compreensão da condição humana, alterando as perspetivas tradicionais sobre a agência humana, a temporalidade e o impacto planetário. Através desta análise, são apresentadas novas perspetivas sobre as dimensões existenciais e éticas de ser humano numa era marcada por uma profunda transformação ecológica
Liberating Minds: The Intellectual Legacy of Angela Davis and Its Images in Film
Propomos pensar o legado intelectual de Angela Davis a partir de uma perspectiva decolonial. Ressaltamos que, assim como a luta pelos direitos civis e o fim da segregação racial nos Estados Unidos ajudaram a consolidar o movimento negro no Brasil, a circulação de ideias anticoloniais durante as lutas pela descolonização dos países africanos, nas décadas de 1950 e 1960, foi crucial para a circulação de ideias abolicionistas e movimentos antirracistas nos Estados Unidos e no exterior. Analisaremos intercâmbios capazes de apontar "o reconhecimento de diferenças coloniais múltiplas e heterogêneas, bem como as reações múltiplas e heterogêneas de populações e sujeitos subordinados à colonialidade do poder" (Bernardino-Costa & Grosfoguel, 2016, p. 21). Nossa contribuição busca analisar Davis como uma intelectual militante por meio de suas imagens no cinema. Além de considerar a imagem de Angela Davis no cinema enquanto representação, também analisamos como suas atividades intelectuais e políticas estiveram envolvidas com o florescimento de um novo cinema negro nos Estados Unidos. Este artigo analisa filmes como Child of Resistance (Filho da Resistência; 1973), Free Angela and All Political Prisoners (Libertem Angela e Todos os Presos Políticos; 2015) e 13th (2016).We propose thinking of Angela Davis's intellectual legacy from a decolonial perspective. We point out that just as the fight for civil rights and the end of racial segregation in the United States helped to consolidate the Black movement in Brazil, the circulation of anti-colonial ideas during the struggles for the decolonization of African countries in the 1950s and 60s was crucial to the circulation of abolitionist ideas and anti-racist movements in the United States and abroad. We will analyze interchanges capable of pointing out "the recognition of multiple and heterogeneous colonial differences, as well as the multiple and heterogeneous reactions of populations and subjects subordinated to the coloniality of power" (Bernardino-Costa & Grosfoguel, 2016, p. 21). Our contribution seeks to analyze Davis as a public and militant intellectual through her images in film. Beyond considering Angela Davis's image in cinema as representation, we also analyze how her intellectual and political activities were involved with the flourishing of a new Black cinema in the United States. This paper analyzes films such as Child of Resistance (1973), Free Angela and All Political Prisoners (2015), and 13th (2016)
Armando de Almeida. A Lesson in Resistance in Portuguese Running Culture
In March 1913, Armando de Almeida won the "Semana Desportiva" (Sports Week) marathon organised by the newspaper O Mundo. In May of the same year, he repeated the feat by winning the marathon at the National Olympic Games, then the most important athletics competition in the country. For these victories, he was considered the national marathon champion for 1913 by the Federação Portuguesa de Atletismo (Portuguese Athletics Federation). It is worth noting that the Federação Portuguesa de Atletismo only formally existed in 1921. Against the backdrop of significant political and social upheaval and within an elitist and largely unstructured ecosystem, Armando de Almeida stood out among the core group of athletes participating in these new forms of leisure and mass cultural demonstrations — long-distance pedestrian races. His active involvement in the running culture of the metropolis coincided with the emergence and growth of the Black movement (1911–1933) — which pioneered political activism against racism in Portugal.
This text delves into the recovery of photographs and narratives from the early days of Portuguese athletics, aiming to biograph Armando de Almeida. Through an exercise of empathy and activism, it contributes to the debate, counteracting historical oversights and invisibilities. Additionally, it attempts to reconstruct the connections between the athlete's emancipatory endeavours and the organisation of political and social movements during the turbulent period of the First Republic. Set in the capital of a colonial empire with a notable presence of people of African descent, it explores this centuries-old historical phenomenon.Em março de 1913, Armando de Almeida venceu a maratona da “Semana Desportiva” do jornal O Mundo. Em maio do mesmo ano repetiu a proeza ao vencer a maratona dos Jogos Olímpicos Nacionais, na altura, a mais importante competição de atletismo no país. Por essas vitórias, é considerado o campeão nacional da maratona para o ano de 1913 pela Federação Portuguesa de Atletismo. Recordemos que a Federação Portuguesa de Atletismo só existe formalmente desde 1921. É, conjuntamente, num contexto de grande perturbação político-social e num ecossistema elitista, programaticamente desestruturado, que Armando de Almeida se destaca do grupo matricial de atletas que tomavam parte nestas novas formas de lazer e demonstrações de cultura de massas — as corridas pedestres de longa distância. A sua presença ativa na cultura de corrida da metrópole é contemporânea com a origem e constituição do movimento negro (1911–1933) — pioneiro no combate político antirracista em Portugal.
Neste texto, que tem como ponto de partida o resgate de fotografias e narrativas dos primórdios da história e da memória do atletismo português, procuramos biografar Armando de Almeida, num exercício simultâneo de empatia e militância como contributo para o debate, contrariando invisibilidades consequentes de negligências historiográficas. Tentamos, também, reconstituir a possibilidade de articulação entre os percursos emancipatórios do atleta com a organização de movimentos políticos e sociais no tumultuoso momento histórico da Primeira República, numa capital de império colonial, com expressiva presença de pessoas afrodescendentes, esse fenómeno histórico plurissecular