Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (E-Journal)
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    Psiquiatria Comunitária numa Favela do Brasil: Retrato de um Centro de Atenção Psicossocial na Rocinha, Rio de Janeiro

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    Terapia Cognitivo‐Comportamental no Tratamento dos Sintomas Neurológicos Funcionais/Dissociativos: Estado da Arte

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    Introduction: The functional/dissociative neurological symptoms (F/DNS) generate disability and decrease productivity and quality of life. The therapeutic approach is still unclear; cognitive-behavioural therapy (CBT) seems to yield positive results. This review aims to summarize evidence on the effectiveness of CBT on the treatment of F/DNS. Methods: Non-systematic review of the literature; search on the PubMed/Medline database, using PRISMA guidelines for scoping reviews, with terms related to F/DNS and CBT. Results: Several studies describe advantages of CBT in the treatment of functional tremor; postural-perceptive persistent dizziness; non-epileptic psychogenic seizures; several functional movement disorders; and F/DNS in general, with improvement in primary (reduction in physical symptoms) and secondary outcomes (functioning level, quality of life, mental state, anxiety/depression, service use). Some studies analysed psychological interventions globally, and not CBT specifically. One review about neuromodulation for the treatment of F/DNS states that its efficacy is unproven; they speculate that the combination with CBT might be promising. Discussion: Recent studies state that, globally, there is little high-quality evidence; they consider that some studies have a high risk of bias and lack an appropriate analysis of the quality of evidence. Some contradictions between studies have been found, for example regarding improvement of functioning level and reduction of the number of convulsions. However, most studies report some evidence on the efficacy of CBT in the treatment of different F/DNS, regarding primary and secondary outcomes, some in combination with physiotherapy and other psychotherapeutic modalities, reinforcing the importance of a multidisciplinary approach. Conclusion: The studies conducted to date exhibit significant methodological issues, including a low number of included patients and patient heterogeneity, making it challenging to compare studies and obtain high-quality methodological research. Although there is no consensus on the best therapeutic approach, and despite the low methodological quality existing thus far, CBT is the approach that has shown the best results (in primary and secondary outcomes) in the treatment of F/DNS. Additional studies with methodological rigor are needed to validate the positive results obtained thus far.Introdução: Os sintomas neurológicos funcionais/dissociativos (SNF/D) geram incapacidade, diminuição de produtividade e da qualidade de vida. A abordagem terapêutica é ainda pouco clara; a terapia cognitivo-comportamental (TCC) parece apresentar resultados positivos. Esta revisão pretende sumarizar evidência sobre eficácia da TCC no tratamento dos SNF/D. Métodos: Revisão não sistemática da literatura: pesquisa na base de dados PubMed/Medline, utilizando guidelines PRISMA para scoping reviews, com termos relacionados com SNF/D e TCC. Resultados: Vários estudos descrevem vantagens da TCC no tratamento de tremor funcional; tontura postural-perceptiva persistente; crises não-epilépticas psicogénicas; várias perturbações funcionais do movimento; e SNF/D no geral, com melhoria nos outcomes primários (redução de sintomas físicos) e secundários (nível de funcionamento, qualidade de vida, estado mental, ansiedade/depressão, utilização de serviços). Alguns estudos analisaram intervenções psicológicas no geral, e não TCC especificamente. Uma revisão sobre neuromodulação no tratamento dos SNF/D refere que a sua eficácia não está provada; especula que a combinação com TCC pode ser promissora. Discussão: Estudos recentes referem que no geral, existe pouca evidência de elevada qualidade; consideram que alguns estudos têm elevado risco de viés e não têm análise de qualidade de evidência apropriada. Foram encontradas algumas contradições entre estudos, por exemplo em relação à melhoria do nível de funcionamento e à redução do número de convulsões. No entanto, a maioria dos estudos reporta alguma evidência sobre a eficácia da TCC no tratamento de diferentes SNF/D, quer a nível de outcomes primários como secundários, alguns em conjunto com fisioterapia e outras modalidades psicoterapêuticas, reforçando a importância de abordagem multidisciplinar. Conclusão: Os estudos realizados até à data apresentam problemas metodológicos importantes, com baixo número de doentes incluídos, e heterogeneidade dos doentes, o que dificulta a comparação entre estudos e obtenção de estudos de elevada qualidade metodológica. Apesar de não existir um consenso sobre a melhor abordagem terapêutica, e da baixa qualidade metodológica existente até à data, a TCC é a que tem demonstrado melhores resultados (em outcomes primários e secundários) no tratamento dos SNF/D. São necessários mais estudos, com rigor metodológico, que permitam validar os resultados positivos obtidos até ao momento

    O Epistema Cibernético, o Neuropoder Autoritário e a Perda da Realidade

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    Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental: Agradecimento aos Revisores

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    Fatores Sociodemográficos e de Saúde Associados aos Sintomas Depressivos Durante a Pandemia de COVID‐19: Um Estudo Transversal

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    Introduction: Our objective was to analyze depressive symptoms during the COVID‐19 pandemic and their association with health and sociodemographic factors. Methods: A survey of 4203 adults from ten municipalities was conducted in Mato Grosso state, Amazon region of Brazil. Data collection was done at home, with the collection of sociodemographic characteristics, and aspects of both physical and mental health. The DSM‐5 level 1 cross‐sectional symptom scale was used to identify symptoms of depression, substance use disorders, sleep disturbances, and anxiety. Chemiluminescence was also used to detect IgG anti‐SARS‐CoV‐2 antibodies. Results: The estimated prevalence of anti‐SARS‐CoV‐2 antibodies was 12.5% and the prevalence of depressive symptoms was 23.2%. In the multivariate analysis, depression was associated with being male, having a low income, the level of physical activity before the pandemic, chronic illness, substance use disorder, sleep and anxiety disorders. Conclusion: Evidence on depression and its associated factors is critical to understanding the extent of the population situation from which recommendations can be made to guide public policy.Introdução: O nosso objetivo foi analisar a associação entre sintomas depressivos e fatores sociodemográficos e de saúde durante a pandemia de COVID‐19. Métodos: Foi realizado um estudo com 4203 adultos de dez municípios do estado de Mato Grosso, região amazônica do Brasil. A recolha de dados foi realizada na residência, com levantamento de informações sobre as características sociodemográficas, aspectos de saúde física e mental. A Escala de Sintomas Transversais de Nível 1 do DSM‐5 foi utilizada para identificar sintomas de depressão, transtorno por uso de substâncias, distúrbios do sono e ansiedade. A quimiluminescência foi utilizada para detectar anticorpos IgG anti‐SARS‐CoV‐2. Resultados: A prevalência estimada de anticorpos anti‐SARS‐CoV‐2 foi de 12,5% e a prevalência de sintomas depressivos foi de 23,2%. Na análise multivariada, a depressão esteve associada a ser do sexo masculino, ter baixa renda, nível de atividade física antes da pandemia, ter doença crónica, apresentar transtorno por uso de substâncias, transtornos do sono e de ansiedade. Conclusão: Os achados sobre a depressão e seus fatores associados são essenciais para a compreensão sobre a magnitude do quadro desses sintomas na população, a partir de onde podem ser feitas recomendações que norteiem as políticas públicas

    O papel da Terapia da Aceitação e Compromisso nos Serviços de Oncologia: Reflexões

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    Sexualidade e Bem‐Estar nas Pessoas com Deficiência Intelectual Moderada: Estudo Tranversal

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    Introduction: Intellectual disability (ID) has historically been ignored and has only recently begun to receive greater recognition through studies aimed at improving the quality of life of individuals with ID. One area of concern is sexual health, which has been widely neglected, with limited positive experiences and prevalent negative attitudes towards sexuality in this population. This became a prominent issue when the first cases of HIV were reported as a result of frequent sexual abuse. This led to the implementation of sexual education programs. Prior to this, sexuality was repressed by the caregivers and relatives of individuals with ID, and this can still be observed today. This study aims to identify the connections between indicators of sexual health and well‐being of individuals with ID, while also evaluating their levels of knowledge, experiences, needs, sexual attitudes, and their vulnerability to sexual abuse and their assertive responses in situations of sexual coercion. Material and Methods: We enrolled a total of 86 persons with moderate intellectual disability (49 men 37 women) all aged 18 or older and not institutionalized, from the northern region of Portugal. The instruments used were the Sexuality Knowledge, Experience and Needs Scale for People with Intellectual Disability (SexKen‐ID), which assesses issues related to sexual health, and the Personal Wellbeing Index – Intellectual Disability (PWI‐ID), that evaluates for personal wellbeing. Results: The results suggest that people with moderate ID have low levels of knowledge, experience, high needs and negative feelings towards sexuality. In terms of sexual abuse, they exhibit limited assertiveness in responding to such situations. There was no significant correlation found between sexuality and wellbeing among individuals with ID. Conclusion: The limited knowledge about sexuality makes individuals with intellectual disability vulnerable, highlighting the importance of implementing education and wellness programs to promote healthy sexual expression and enhance their ability to handle situations and emotions related to sexual abuse.Introdução: A deficiência intelectual (DI) tem sido negligenciada ao longo dos tempos, ganhando notoriedade nos últimos anos através de estudos que visam melhorar a qualidade de vida destas pessoas. A sexualidade é um dospontos que mereceu atenção, pela falta de conhecimentos existente, pelas poucas experiências positivas e sentimentos negativos em relação à sexualidade das pessoas com DI. A grande expansão deste tema ocorreu quando surgiram casos de VIH e frequentes abusos sexuais, nestas pessoas. Pretendemos com este estudo identificar as associações entre indicadores de sexualidade e bem‐estar das pessoas com DI, bem como avaliar os níveis de conhecimento, experiência, necessidades e atitudes relacionadas à sexualidade, e a vulnerabilidade ao abuso sexual em situações de coação sexual. Material e Métodos: O estudo envolveu 86 pessoas com DI moderada (49 homens e 37 mulheres), com idade igual ou superior a 18 anos, não institucionalizadas, da zona Norte de Portugal. Os instrumentos utilizados foram o Sexuality Knowledge, Experience and Needs Scale for People with Intellectual Disability (SexKen‐ID), que avalia questões relacionadas com a sexualidade, e o Personal Wellbeing Index – Intellectual Disability (PWI‐ID), que avalia o bem‐ ‐estar pessoal. Resultados: Os resultados sugerem que as pessoas com DI apresentam níveis baixos de conhecimento, de experiência, necessidades elevadas e sentimentos negativos face à sexualidade. No que diz respeito a situações de abuso sexual, indicaram uma baixa capacidade de responder de forma assertiva. Não foram encontradas correlações estatisticamente significativas entre a sexualidade e o bem‐estar das pessoas com DI. Conclusão: A falta de conhecimentos em sexualidade deixa as pessoas com DI mais vulneráveis, motivo pelo qual é crucial implementar programas de promoção do bem‐estar e educação sexual, a fim de normalizar a expressão da sexualidade e aprimorar a capacidade para gerir sentimentos e lidar com situações de abuso sexual

    Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental: Obrigado e Boa Sorte

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    A Criança Autista é um Adulto: E Agora? – Consulta de Perturbação do Espectro do Autismo na Idade de Transição

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    A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se caracteriza por um défice na comunicação e interação social, rigidez cognitiva, assim como pela presença de comportamentos repetitivos, restritos e estereotipados, características estas que podem ter um elevado impacto ao nível do funcionamento dos indivíduos ao longo da sua vida1. Em alguns casos, especialmente nos de alto funcionamento, o diagnóstico pode ser mais tardio, na adolescência ou na vida adulta, quando as exigências do meio, tanto a nível laboral como a nível social, se vão tornando progressivamente maiores2. Num estudo de prevalência realizado em Portugal nos anos 2000/2001 estimou-se uma prevalência de 1:1000 crianças1, no entanto, nos últimos anos, foi notória a incidência crescente das PEA. Estimativas recentes da CDC’s Autism and Developmental Disabilities Monitoring apontam para uma prevalência de 1:44 (2,3%) de PEA em crianças em idade escolar3. A transição para a idade adulta apresenta um conjunto de desafios para qualquer jovem, especialmente para aqueles com PEA. Aspetos como empregabilidade, relações sociais, autonomia e qualidade de vida têm piores resultados comparativamente com a população geral2,4. Múltiplos estudos mostraram ainda que não é incomum a existência de outras doenças mentais comórbidas, como depressão, ansiedade, perturbações da conduta ou perturbação de hiperatividade e défice de atenção.  Embora os serviços de saúde, educação e sociais para crianças com PEA estejam estabelecidos, os recursos para adultos são muito menos estruturados e possuem fragilidades3. Os serviços da infância cresceram devido ao reconhecimento da importância da intervenção precoce, que deriva das teorias do neurodesenvolvimento e da neuroplasticidade. Contudo, estudos recentes mostraram que os adultos possuem também capacidade de crescimento e desenvolvimento neural, pelo que a intervenção no adolescente e no adulto jovem é também de extrema importância e tem impacto positivo nos resultados. A manutenção dos cuidados na idade de transição, com o desenvolvimento de consultas especializadas de PEA na idade de transição, com colaboração dos serviços de Pedopsiquiatria e Psiquiatria, além de oferecer uma melhor qualidade de vida ao jovem com PEA, de melhorar o bem-estar emocional, sentimento de pertença, competência e integração, reveste-se de grande importância também a nível económico e social, uma vez que possibilita que estes tenham maior apoio, prossigam os estudos, tenham maior probabilidade de ser inseridos no mercado de trabalho, de serem parte ativa e integrante da sociedade e, assim, gerar maior receita e produzir menor despesa. Para além da consulta médica, a nível social, seria uma mais valia a criação e implementação de equipas de transição para a vida adulta na comunidade

    Associação entre a Depressão Materna e as Perturbações de Sono na Criança Pequena: A Propósito de um Caso Clínico

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    Poor sleep quality in childhood can lead to socio-emotional and academic problems. In early childhood, sleep is mostly influenced by environmental factors, such as the mother’s mental health. The aim of this case report is to expand the body of knowledge surrounding the association between sleep disturbances in toddlers and maternal depression. An 18-month-old child was referred to a Child Psychiatry consultation due to multiple nocturnal awakening almost every night since he was 3 months old. The mother reports depressive symptoms. It was concluded that the child met criteria for night awakening disorder. The treatment plan included sessions to promote parenting skills and the use of prolonged-release melatonin. The literature shows that maternal depressive symptoms are related to difficulties in initiating and maintaining sleep in young children, and it is important to diagnose and treat this symptomatology to mitigate its impact on these children’s sleep.Introdução: A baixa qualidade do sono na infância pode culminar em problemas socioemocionais e académicos. Na infância precoce, o sono é maioritariamente influenciado por fatores ambientais, nomeadamente pela saúde mental materna. O objetivo deste relato de caso consiste em aprofundar conhecimentos relativamente à associação entre as perturbações do sono nas crianças pequenas e a depressão materna. Descrição de caso: Uma criança de 18 meses foi encaminhada à consulta de Pedopsiquiatria por apresentar despertares noturnos desde os 3 meses. A mãe referia sintomatologia depressiva. Concluiu-se que a criança preenchia critérios para Perturbação de Despertares Noturnos. Assim, a proposta terapêutica incluiu sessões de promoção de competências parentais e o uso de melatonina de libertação prolongada. Discussão: A literatura mostra que a sintomatologia depressiva materna se relaciona com dificuldades em iniciar e manter o sono nas crianças pequenas, sendo importante diagnosticar e tratar esta sintomatologia para mitigar o impacto desta no seu sono

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