Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (E-Journal)
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    146 research outputs found

    O Momento da Psiquiatria de Ligação

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    Munchausen by Proxy: Quem e Como? Uma Revisão da Literatura

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    Munchausen by proxy syndrome is a relatively rare form of child abuse but with important short, medium and long‐ ‐term consequences for the child. In most cases, the abuser is the victim’s mother and deliberately and persistently acts by exaggerating, fabricating, simulating or inducing signs and symptoms in the child, leading Healthcare professionals to believe that the child has some real pathology, resulting in a fruitless diagnostic process. Little is known about the perpetrators’ characteristics, namely about their personal history, psychiatric background and demographic characteristics, with the vast majority of the literature focusing on the victim’s characteristics. It is a challenging diagnosis and probably with an underestimated prevalence, therefore, this literature review intends to focus on the profile of the aggressors, in order to increase Healthcare professionals’ awareness to this matter and help them to make an earlier diagnosis.A síndrome de Munchausen by proxy resulta numa forma de abuso infantil relativamente rara, que acarreta importantes consequências a curto, médio e longo prazo nas vítimas, geralmente crianças. O abusador, frequentemente a mãe da vítima, sem pretensão de ganhos secundários, exagera, fabrica, simula ou induz, de forma deliberada e persistente, sinais e sintomas na criança, levando os profissionais de saúde a acreditarem estar perante alguma patologia real, seguindo uma marcha diagnóstica infrutífera. Pouco se sabe sobre as características dos perpetradores, nomeadamente no que diz respeito à sua história pessoal, antecedentes psiquiátricos e características sociodemográficas, já que a grande maioria dos dados disponíveis na literatura incide apenas nas características das vítimas. Sendo um diagnóstico que levanta diferentes desafios, e provavelmente com prevalência subestimada, esta revisão da literatura debruça‐se sobre o perfil dos agressores, pretendendo consciencializar e auxiliar os profissionais de saúde na sua correta identificação, tão precoce quanto possível

    Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental: Agradecimento aos Revisores e Orientação Estratégica

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    Psicose e Urbanidade: Qual a Relação? Um Estudo Comparativo entre uma Área Urbana e uma Rural em Portugal

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    Introduction: Studies about urbanicity and psychosis show contradictory results. In northern European countries and China there is a positive relationship; in southern European and underdeveloped countries, a significant difference between rural and urban rates of psychosis has not been found. Methods: We carried out a 5‐year retrospective observational study, with patients admitted to two inpatient units for first‐episode psychosis (FEP), in a rural area (Évora) and an urban area (Lisbon). We excluded affective or organic psychosis. Socio‐demographic and clinical data were extracted and analyzed.Results: The prevalence of FEP was the same for both areas (42/100 000 inhabitants), with a predominance of unemployed (63%) and lonesome individuals (81% in Évora versus 72% in Lisbon). The mean age was similar (Évora 43.4 years old; Lisbon 41.4 years old). Lisbon had a greater diversity of nationalities (16.3% vs 4.6%) and a higher rate of psychotic disturbance due to substance use (26.5% vs 21.6%). The most prevalent diagnosis in the Lisbon was unspecified psychotic disorder (UPD) (34.7%), while in Évora it was delusional disorder (DD) (21.5%) and acute andtransient psychotic disorder (21.5%). DD was a prevalent diagnosis in both areas, affecting mainly women and those with a higher median age. Duration of untreated psychosis (DUP) of less than 1 month was higher in Lisbon (24.5% vs 4.5%), but there was a high prevalence of DUP of more than 2 years in both samples (20.4% vs 23.1%). Discussion: The mean age of FEP was higher than in other studies, which may translate a significant prevalence of DD or reflect a higher DUP. A reduced DUP of less than 1 month in the rural area can be explained by greater isolation of the population, lower health literacy or better integration of patients in the community. The prevalence of UPD was higher in the urban area, possibly due to different forms of registration or a lower DUP. Conclusion: Our results are in line with studies reported in southern European countries, where no association was found between psychosis and urbanicity, and further studies are needed to elucidate this issue.Introdução: Os estudos sobre urbanidade e psicose apresentam resultados contraditórios. Nos países do Norte da Europa e China existe uma relação positiva; nos países do sul da Europa e países subdesenvolvidos não se encontraram diferenças significativas entre as taxas rurais e urbanas de psicose.Métodos: Realizamos um estudo retrospetivo observacional, com os doentes admitidos em duas unidades de internamento por primeiro episódio psicótico (PEP) durante 5 anos, numa área rural (Évora) e numa área urbana (Lisboa). Excluímos psicoses afetivas ou orgânicas. Extraímos e analisamos estatisticamente dados sociodemográficos e clínicos.Resultados: A prevalência de PEP foi igual para ambas as áreas (42/100 000 habitantes), com predomínio de indivíduos desempregados (63%) e sem relacionamento afetivo (81% em Évora versus 72% em Lisboa). A média de idades foi semelhante (43,4 anos vs 41,4 anos). Lisboa apresentou maior diversidade de nacionalidade (16,3% vs 4,6%) e maior taxa de perturbação psicótica devido ao uso de substâncias (26,5% vs 21,6%). O diagnóstico mais prevalente em Lisboa foi perturbação psicótica não especificada (PPNE) (34,7%), enquanto em Évora foram perturbação delirante (PD) (21,5%) e perturbação psicótica aguda e transitória (21,5%). A PD foi um diagnóstico prevalente em ambas as áreas, afetando sobretudo mulheres e com idade média superior. A duração da psicose não tratada (DPNT) inferior a 1 mêsfoi maior em Lisboa (24,5% vs 4,5%), mas houve uma elevada prevalência de DPNT superior a 2 anos em ambas as amostras (20,4% vs 23,1%).Discussão: A idade média de PEP foi superior do que em outros estudos, o que pode traduzir uma prevalência significativa de PD ou refletir uma DPNT mais elevada. Uma reduzida DPNT inferior a 1 mês na área rural podeser explicada por maior isolamento da população, menor literacia em saúde ou maior integração dos doentes na comunidade. A prevalência de PPNE foi maior na área urbana, possivelmente por diferentes formas de registos ou uma menor DPNT.Conclusão: Os resultados estão em linha com estudos reportados em países do sul da Europa, onde não foi encontrada associação entre psicose e urbanidade, sendo necessários mais estudos para elucidar esta questão

    Avaliação de Burnout em Profissionais de Saúde da Unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve

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    Introduction: Healthcare professionals are a particularly susceptible group to the development of burnout. There are few published studies evaluating the levels of burnout among healthcare professionals at Faro Hospital Unit of the University Hospital Center of Algarve. This study aims at assessing the prevalence of this syndrome, in its various definitions and dimensions, in the studied population and its different professional classes, as well as identifying sociodemographic or labor-related factors associated to higher levels of burnout. Methods: We conducted an observational, cross-sectional and quantitative study on healthcare professionals at Faro Hospital Unit. The collected data included sociodemographic information and details related to professional performance. We utilized the validated Portuguese versions of the Maslach Burnout Inventory – Human Services Survey and the 23-QVS Stress Vulnerability Questionnaire. Results: The total of 200 responses comprises 88 nurses, 83 doctors, and 29 health technicians. The average age was 39 years, with a majority being female (75.5%). We identified a prevalence of burnout of 16.5% (nurses: 23.9%; doctors: 10.8%; health technicians: 10.3%). High levels of emotional exhaustion, depersonalization and reduced professional achievement were recognized in, respectively, 68.5%, 30% and 34.5% of professionals. The median response for 23-QVS was 39 points, with vulnerability to stress (>43 points) being found in 37% of the sample. Professionals with high levels of emotional exhaustion worked an average of 5 more hours a week. The increase in average working hours was associated with a higher risk of high emotional exhaustion and depersonalization. Vulnerability to stress was linked to an increased risk of high levels of burnout dimensions. Being a nurse was associated with a higher risk of burnout and high levels of its dimensions. Conclusion: This study showed high levels of burnout in a considerable proportion of professionals, particularly in nurses. Medians of burnout dimensions corresponded to high levels of emotional exhaustion and depersonalization and moderate levels of reduced professional achievement, although this population did not score, in median, for vulnerability to stress. These results reinforce the importance of creating a consultation on burnout among healthcare professionals at Faro Hospital Unit of the University Hospital Center of Algarve.Introdução: Os profissionais de saúde são um grupo particularmente suscetível ao desenvolvimento de burnout. São escassos os estudos publicados a avaliar esta problemática nos profissionais de saúde da unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve. Este estudo pretende avaliar a prevalência desta síndrome, nas suas várias definições e dimensões e diferentes classes profissionais desta população, bem como identificar fatores sociodemográficos ou laborais associados a níveis elevados de burnout. Métodos: É um estudo observacional, transversal e quantitativo em profissionais de saúde da unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, reunindo informações sociodemográficas e inerentes ao desempenho profissional e aplicando as versões validadas para a população portuguesa dos questionários Maslach Burnout Inventory – Human Services Survey e 23-QVS Questionário de Vulnerabilidade ao Stress. Resultados: O total de 200 respostas corresponde a 88 enfermeiros, 83 médicos e 29 técnicos superiores de saúde. A média de idades foi de 39 anos, com uma maioria do sexo feminino (75,5%). Identificamos uma prevalência de burnout de 16,5% (enfermeiros: 23,9%; médicos: 10,8%; TSDS: 10,3%). Apuramos níveis elevados de exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional em, respetivamente, 68,5%, 30% e 34,5% dos profissionais. A mediana global do questionário 23-QVS foi 39 pontos, com vulnerabilidade ao stress (>43 pontos) em 37% da amostra. Profissionais com elevada exaustão emocional trabalharam, em média, mais 5 horas semanais que os restantes. O aumento de média de horas de trabalho aumenta risco de elevada exaustão emocional e despersonalização. Vulnerabilidade ao stress aumenta risco de níveis elevados das dimensões de burnout. Ser enfermeiro está associado a maior risco de burnout e a níveis elevados das suas dimensões. Conclusão: Este estudo demonstrou níveis elevados de burnout numa proporção considerável dos profissionais, em particular nos enfermeiros. Constatou medianas das dimensões de burnout correspondentes a níveis elevados de exaustão emocional e despersonalização e moderados de redução da realização profissional, embora esta população não pontue, em mediana, para vulnerabilidade ao stress. Estes resultados reforçaram a importância da criação de uma consulta dirigida ao burnout nos profissionais de saúde da unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve

    Efeitos da Pandemia COVID-19 no Risco de Desenvolvimento de Psicopatologia das Crianças em Portugal: Um Estudo com Dados Seccionais

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    Introduction: This study is based on preliminary data from a 2021 survey of parents of children aged 3-13 years atthe time of SARS-CoV-2 infection. The aim is to understand the consequences of SARS-CoV-2 infection on children\u27s mental health. Methods: Using the Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) and survey data, we specified multiple linear regression models to explain the variation in the total SDQ and the variation in its five components ‐ emotional symptoms, conduct problems, hyperactivity, peer relationship problems, and prosocial behaviour. We used explanatory variables selected according to current literature and other empirical studies, such as age, gender, household changes, confinement, hospitalization time, previous mental health care and long‐COVID symptoms (headache, sleep problems, concentration problems, fatigue). Results: The results showed that age was not statistically significant in any of the estimated models. The gender variable proved to be significant in three models (total SDQ, conduct problems, hyperactivity) and the results show that girls have fewer problems when compared to boys.Conclusion: Results suggest that intensive care hospitalisation and long-COVID symptoms increase the risk of psychopathology.Introdução: Este estudo baseia-se nos dados preliminares de um inquérito feito no ano 2021 aos pais de crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 13 anos à data da infeção por SARS-CoV-2. O objetivo é compreender os efeitos da infeção por SARS-CoV-2 na saúde mental das crianças. Métodos: Utilizando o Questionário de Capacidades e Dificuldades e os dados do inquérito, especificámos modelosde regressão linear múltipla para explicar a variação do SDQ total e a variação das suas cinco componentes - sintomas emocionais, problemas de comportamento, hiperatividade, problemas de relacionamento, comportamento pró-social. Foram utilizadas variáveis explicativas consideradas relevantes pela teoria e por outros estudos empíricos, tais como: idade, género, alteração familiar, confinamento, tempo de internamento, seguimento de saúde mental prévio e sintomas long-COVID (cefaleias, problemas do sono, da concentração, fadiga). Resultados: Os resultados evidenciaram que a idade não se revelou estatisticamente significativa em nenhumdos modelos estimados. A variável género revelou‐se significativa em três modelos (SDQ total, problemas do comportamento, hiperatividade) e os resultados evidenciam que raparigas têm menos problemas quando comparadas com os rapazes. Conclusão: Os resultados sugerem que o internamento em cuidados intensivos e os sintomas long-COVID aumentam o risco de psicopatologi

    Unidade de Internamento Psiquiátrico para Jovens dos 15 aos 25 Anos: Um Estudo de Follow-up

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    Introduction: Adolescence and early adulthood are life stages characterized by significant physical, psychological, and social transformations. The transitional age, between 15 and 25 years old, is considered a high-risk period for the development of psychopathology, representing a critical period of opportunities and challenges for mental health intervention. Our objective was to do 4-year follow-up study was conducted on young individuals who were hospitalized during the year 2018 in the acute psychiatric inpatient unit Unidade Partilhada, dedicated to individuals aged 15 to 25 years old. The aim was to assess the sociodemographic and clinical characteristics of the sample, inpatient characteristics, rehospitalization rate, psychopathological status, quality of life, satisfaction with the provided care, and maintenance of follow-up appointments; establishing relationships between the mentioned variables. Methods: Standardized telephone interviews were conducted using the reduced version of the Mental Health Inventory (MHI) and the World Health Organization’s Abbreviated Instrument for Quality of Life Assessment. Clinical records were also consulted. Results: There was a higher percentage of female patients (52.1%). The discharge diagnosis of mood disorders (54.3%) was significantly higher in females, while psychotic disorders (23.4%) were significantly higher in males (Fisher = 40; p<0.001). The duration of hospitalization (average=16.1 days; SD=13.6 days) was significantly longer for psychotic disorders compared to mood disorders (p=0.009). A percentage of 41.5% of young individuals were readmitted, with 6.3% readmitted within 30 days and 35.2% readmitted within 365 days. At the time of the follow-up interview, 80.9% considered themselves “better,” and 62.7% reported being “satisfied” or “very satisfied” with their lives. A percentage of 74.5% continued to receive outpatient care, with significantly lower MHI scores observed among individuals without current follow‐up. A percentage of 37.2% reported being “very satisfied” or “extremely satisfied” with the care provided. Conclusion: Obtaining knowledge and data that allow for the characterization of psychiatric hospitalization during the transitional age is fundamental for the planning, organization, and optimization of care provided to this population. Valuing patient opinions and fostering closer relationships between healthcare professionals and young patients promotes treatment adherence.Introdução: A adolescência e início da idade adulta, são fases do ciclo de vida marcadas por grandes transformações físicas, psicológicas e sociais. A faixa etária de transição, entre os15 e 25 anos, é considerada uma idade de risco para o desenvolvimento de psicopatologia, representando um período crítico de oportunidades e desafios para a intervenção em saúde mental. O nosso objetivo foi realizar um estudo de follow-up a 4 anos dos jovens internados durante o ano de 2018 na unidade de internamento agudo psiquiátrico Unidade Partilhada, destinado a jovens dos 15 aos 25anos de idade; pretendeu‐se avaliar as características sociodemográficas e clínicas da amostra, as características do internamento, a taxa de reinternamento, o estado psicopatológico, qualidade de vida, grau de satisfação com os cuidados prestados e manutenção do seguimento em consulta; estabelecendo relações entre as variáveis mencionadasMétodos: Entrevista telefónica padronizada, com aplicação da versão reduzida do Mental Health Inventory (MHI) e o Instrumento Abreviado de Avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde; consulta de processo clínico.Resultados: Há uma maior percentagem de doentes do sexo feminino (52,1%). O diagnóstico de alta de perturbaçãodo humor (54,3%) foi significativamente superior no sexo feminino e o de perturbação psicótica (23,4%) foi significativamente superior no sexo masculino (Fisher= 40; p<0,001). A duração do internamento (média=16,1 dias; DP=13,6 dias) foi significativamente superior para as perturbações psicóticas em comparação com as perturbações do humor (p=0,009). Dos jovens, 41,5% foram readmitidos, 6,3% num período inferior a 30 dias e 35,2% num período inferior a 365 dias. À data da entrevista de follow-up, 80,9% consideram estar “melhor”; e 62,7% estar “satisfeitos”ou “muito satisfeitos” com a sua vida. Mantêm acompanhamento em consulta 74,5%, sendo a pontuação do MHI significativamente inferior nos jovens sem seguimento atual. Referem estar “muito satisfeitos” ou “mais que muito” com o atendimento prestado, 37,2%.Conclusão: O conhecimento e obtenção de dados que permitam a caracterização do internamento psiquiátrico em idade de transição é fundamental para a planificação, organização e otimização dos cuidados prestados a esta população. A valorização da opinião do doente e a aproximação entre profissionais de saúde e doentes jovens, favorece a adesão ao tratamento

    Comportamentos Autolesivos Não Suicidários na Adolescência e a Perspetiva das Terapias Cognitivo-Comportamentais

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    Self-harm, whether suicidal or non-suicidal, is currently an unavoidable public health problem, due to their high incidence and impact. Non-suicidal self-injury is more common in adolescence, including in young people with a normative development. Prevalence rates of non-suicidal self-injury are considerably higher in the clinical population, with 50% to 60% of adolescents with psychopathology reporting one or more episodes of non-suicidal self-injury. These behaviours may be associated with more than one cause and function, as a result of the interaction between multiple risk and maintenance factors, such as genetic, biological, psychiatric, psychological, social and cultural. The high prevalence of non-suicidal self-injury in the clinical population and the challenges associated with approaching these young people, whether in assessment or intervention, contribute to the relevance of this narrative review. Our aims are the characterization of non-suicidal self-injury and the summarization of the evidence about the assessment and intervention from the perspective of cognitive-behavioral therapies.Os comportamentos autolesivos, sejam eles suicidários ou não suicidários, constituem atualmente um incontornável problema de saúde pública, pela sua elevada incidência e impacto. Os comportamentos autolesivos não suicidáriossão mais comuns na fase da adolescência, mesmo em jovens com um desenvolvimento normativo. A sua prevalênciaé, contudo, consideravelmente superior na população clínica, com 50% a 60% dos adolescentes com psicopatologiaa apresentar episódios únicos ou repetidos de comportamentos autolesivos não suicidários. Estes comportamentos podem associar-se a mais do que uma causa e função, em resultado da interação entre múltiplos fatores de risco e de manutenção, como por exemplo, genéticos, biológicos, psiquiátricos, psicológicos, sociais e culturais. A prevalência significativa de comportamentos autolesivos não suicidários na população clínica e os desafios associados à abordagem destes jovens, seja numa componente de avaliação ou de intervenção, contribuem para a pertinência desta revisão narrativa cujos objetivos são a caracterização destes comportamentos e, por outro lado, a pesquisa de evidência sobre a vertente de avaliação e intervenção na perspetiva das terapias cognitivo-comportamentais

    Demência Frontotemporal e Mania: As Dificuldades do Diagnóstico Diferencial

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    The clinical presentation of frontotemporal dementia (FTD) can prompt an erroneous diagnosis of mania. With this in mind, and starting from a case report, the authors aim to describe the diagnostic difficulties between these two entities. A 54-year-old male was admitted with euphoric mood, hyperfamiliarity, sexual disinhibition, aggressive behaviours and persecutory delusions. A similar clinical presentation had motivated a previous admission in a psychiatric ward six months earlier. The mood was a manifestation of Moria of Jastrowitz, associated with frontal lobe lesions. Single- -photon emission tomography (SPECT) showed areas of hypoperfusion in both frontal lobes and in the left temporal lobe. In our patient, the presence of Moria was interpreted as euphoric mood leading to the diagnosis of a maniac episode. Further investigation revealed it was actually a FTD. Knowledge of the differences in presentation can provide precious clues to a correct diagnosis.A variante comportamental da demência frontotemporal partilha semelhanças na apresentação com a fase maníacada perturbação bipolar que podem levar a dificuldades no diagnóstico. De forma a exemplificar estas dificuldades, os autores apresentam um caso clínico exemplificativo das mesmas.Um homem de 54 anos, foi admitido por elação do humor, hiperfamiliaridade, heteroagressividade, desinibiçãodo comportamento e ideação delirante persecutória. Não tinha antecedentes psiquiátricos de relevo além de um internamento recente por quadro clínico semelhante. Posteriormente, verificou tratar‐se de humor moriático, sinal frequentemente associado a lesões do lobo frontal. A SPECT mostrou compromisso da perfusão nas regiões frontais e temporais.A interpretação de sinais como o humor moriático como elação do humor, levou ao diagnóstico inicial de episódio maníaco. Avaliações posteriores mostraram tratar-se de uma demência frontotemporal. O conhecimento aprofundado das diferenças de apresentação pode evitar o erro diagnóstico e o atraso do tratamento

    Psicose Secundária a Lesão Cerebral Traumática: Revisão Crítica da Literatura e Estudo de Caso Ilustrativo

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    Psychosis secondary to traumatic brain injury (PSTBI) is rare yet a serious sequela of traumatic brain injury (TBI).We provide a critical literature review on PSTBI, outlining clinical features and approach to the diagnosis and treatment. Finally, we illustrate a case description, to discuss its conceptual framework. Conceptualizing PSTBI as a neurobiological syndrome has clinical relevance, insofar as, it facilitates a rational scheme, by which specific diagnostic dilemmas should be tackled in the workup, to provide a tailored treatment. Additionally, it may shed light on the understanding of psychotic disorders by integrating data on primary and secondary psychosis. TBI can contribute to the emergence of psychotic symptoms in various manners. It may precipitate psychosis in susceptible individuals, occur in a direct relationship to post‐traumatic epilepsy, or develop directly due to brain injury. It is this last clinical entity that we focus on in this article. Its neurobiological underpinnings comprise the following mechanisms: damage to frontal and temporal lobes (primary injury); structural and/or functional dysconnectivity in sensory‐ and other information‐ ‐processing networks, such as the Default‐Mode network, which stem from diffuse axonal injury (DAI) (primary injury); neuroinflammation and neurodegeneration (secondary injury). The clinical presentation may take two forms: delusional disorder or schizophrenia‐like psychosis. Both subtypesare often preceded by a prodromal phase superimposed on other sequelae, namely affective instability, social and occupational functional decline. In comparison to primary schizophrenia, PSTBI has a lower genetic load, fewer negative symptoms, more neurocognitive symptoms, which may be intertwined with frontal‐subcortical system dysfunction/ frontal syndromes and are more likely to present findings on neuroimaging and electroencephalographic studies. PSTBI has a bimodal distribution of onset. Latencies of under a year (early‐onset) have been associated with DAI and delusional disorder subtype. Schizophrenia‐like psychosis subtype usually develops after a latency of 1‐5 years (late‐onset), and has been more associated with epilepsy, focal brain lesions and a chronic course. Antipsychotics should be used cautiously considering the increased sensitivity to the sedating, anticholinergic, and seizure threshold‐lowering side effects. Late‐onset PSTBI might benefit from anticonvulsants, by virtue of its anti‐ ‐kindling properties. Additionally, further pharmacological approaches may be used to address cognitive, emotional, and behavioural issues.A psicose secundária a lesão cerebral traumática (PSLCT), ainda que rara, constitui uma sequela neuropsiquiátrica grave de lesão cerebral traumática (LCT). Procede‐se a uma revisão crítica da literatura sobre PSLCT no que concerne a apresentação clínica, diagnóstico e tratamento, com recurso a um estudo de caso. A conceptualização da PSLCT como uma síndrome neurobiológica tem relevância clínica, na qual pertinentes dilemas diagnósticos devem ser considerados, de forma a se estabelecer um tratamento específico. Adicionalmente, permite uma melhor compreensão da fisiopatologia das perturbações psicóticas, através da integração de dados sobre psicose primária e secundária. A LCT pode precipitar psicose em indivíduos suscetíveis, desenvolver‐se secundariamente a epilepsia pós‐traumáticaou em relação direta com a lesão cerebral. Este artigo debruça‐se sobre a última entidade clínica. Os seus fundamentos neurobiológicos compreendem os seguintes mecanismos: lesão focal dos lobos frontal e temporal (lesão primária); desconectividade estrutural e/ou funcional de redes neuronais sensoriais e de processamento de informação, tais como a rede Default‐Mode, que decorre de lesão axonal difusa (LAD) (lesão primária); neuroinflamação e neurodegeneração (lesão secundária).As apresentações clínicas da PSLCT compreendem a perturbação delirante ou a psicose esquizofrenia‐like. Ambos os subtipos são frequentemente precedidos por uma fase prodrómica, cujas manifestações se sobrepõem a outras sequelas neuropsiquiátricas, nomeadamente instabilidade emocional e declínio do funcionamento social e ocupacional. Em comparação com a esquizofrenia primária, a PSLCT apresenta menor carga genética, menos sintomas negativos, mais sintomas neurocognitivos, que se podem sobrepor a sintomas de disfunção de circuitos fronto‐subcorticais/síndromes do lobo frontal, e maior prevalência de achados neuroimagiológicos e eletroencefalográficos. Destaca‐se ainda uma distribuição bimodal de início. Latências inferiores a um ano (início precoce) associam‐se a LAD, e subtipo de perturbação delirante. O subtipo psicose esquizofrenia‐like emerge habitualmente após uma latência de 1‐5 anos (início tardio), e está mais associado a epilepsia, lesões cerebrais focais e uma evolução crónica. Os antipsicóticos devem ser usados cautelosamente, considerando a sensibilidade aumentada aos efeitos colaterais sedativos, anticolinérgicos e de redução do limiar convulsivo. A PSLCT de início tardio pode beneficiar de tratamento com antiepiléticos, dado as suas propriedades anti‐kindling. Outras abordagens farmacológicas podem ser profícuas na abordagem de alterações cognitivas, emocionais e comportamentais

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