Comunicação e Sociedade (E-Journal)
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    Quantas nações somos capazes de imaginar?

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    Quem canta hoje o Estado-nação na Guiné-Bissau? Vou procurar responder a esta e a outras perguntas que emergirão ao longo do presente artigo, colocando em diálogo dois filmes. O primeiro é En Nations Födelse (O Nascimento de uma Nação) e foi realizado por Lennart Malmer e Ingela Romare na Guiné-Bissau. O segundo é uma sequência de bobine, um fragmento de filme que regista a Marcha da Juventude na República Democrática Alemã, onde várias nações que ainda não existem no plano político procuram afirmar-se no plano simbólico. Este último foi filmado pelo realizador guineense Sana N’Hada em Berlim. Se o primeiro é uma criação de dois estrangeiros que se empenharam na luta de libertação na Guiné-Bissau, o segundo é de autoria de um realizador guineense que se encontrava a representar o seu país em vias de existir na Alemanha Oriental. Ambos os filmes procuram ativar mecanismos para a construção da Guiné-Bissau enquanto Estado-nação, partilhando repercussões ideológicas. Não os tomo como imagens sobre o passado, mas antes como um futuro projetado num passado idealizado. Uma espécie de futuro que se conjuga no pretérito imperfeito

    How many nations are we able to imagine?

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    Who sings the Nation-State in Guinea-Bissau? I will try to answer this and other questions by putting two films into dialogue. The first one is En Nations Födelse (The Birth of a Nation), a film shot by Lennart Malmer and Ingela Romare in Guinea-Bissau in 1973. The second one is a reel sequence, a film fragment that documents the 10th World Festival of Youth and Students which took place in East Berlin in 1973 and where several nations that still did not exist on a political level sought to assert themselves on a symbolical level. The sequence was filmed by Guinean director Sana N’Hada. If the first one was made by two foreigners who were engaged in the liberation struggle in Guinea-Bissau, the second one was shot by a Guinean director who was in East Germany in order to represent his country, then on its way to becoming an independent state. Both films seek to activate mechanisms for the construction of Guinea-Bissau as a nation-state, sharing ideological repercussions. I do not take them as images of the past, but rather as a projected future in an idealized past. A future conjugated in the imperfect, a future imperfective

    Images of Africa? Portuguese films and documentaries related to the former colonies in Africa (first half of the 20th century)

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    This paper analyses films and documentaries produced in Portugal based or inspired on the former African colonies. During the Estado Novo, the creation of a positive image of the “empire” and of the colonial policy led to the prohibition of films that depicted physical abuse of African-origin individuals, the struggle between “white” (colonisers) and “black” (colonised), movements that fought for the ascension of the Afro-American population in the U.S.A. or exalted pacifist or antimilitarist concepts. Many documentaries emphasise Africa’s potential (natural and human). Some deal with the creation of structures that would allow the education and evangelization of the African people, while others try to portray its “uses and customs”. Others show evidence of the African people’s work strength in the construction of a promising future. That work is always guided by the “white”, that is, the technical knowledge of the “white” is added to the strength of the African. Africans are represented as examples of a unified whole (they are all called “indígenas”), but there is an attempt to identify distinctive characteristics between them. Images that denote an idea of modernization, in cities such as Luanda or Lourenço Marques, overshadow the “colonised”. These films are often a tool of propaganda rather than a means of information, or an ethnographical document, and their objective is to convey a colonial conscience

    Martins, L. P. (2012). Um império de papel. Imagens do colonialismo português na imprensa periódica ilustrada (1875-1940). Lisboa: Edições 70

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    Leonor Pires Martins, an anthropologist, is the author of the book Um Império de Papel. Imagens do Colonialismo Português na Imprensa Periódica Ilustrada (1875-1940)..

    Piçarra, M. do C. (2015). Azuis Ultramarinos. Propaganda Colonial e Censura no Cinema do Estado Novo. Lisboa: Edições 70.

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    Publicado em abril de 2015, Azuis Ultramarinos. Propaganda Colonial e Censura no Cinema do Estado Novo é o resultado..

    Serviço público de média e comunicação pública: conceito, contextos e experiências

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    Distinto do setor comercial, entre outros aspetos, por não ter finalidade lucrativa, o setor público de comunicação define-se correntemente pelo princípio da universalidade e do igual acesso dos cidadãos aos produtos mediáticos. Não obstante este fundamento de base, mais ou menos comum aos sistemas de radiodifusão de iniciativa pública das mais variadas origens, a designação de serviço público de média – consistente com uma tradição europeia – não é um correlato inequívoco do conceito de comunicação pública – mais harmonizado com uma tradição americana, ou mesmo sul-americana. Focado nas experiências de Portugal e do Brasil, este artigo desenvolve uma abordagem comparativa que visa compreender o enquadramento político, social e cultural da atividade dos média públicos nestes dois países. Com base numa leitura dos documentos legais que sustentam o desenvolvimento desta atividade, procura-se também discutir o setor no contexto mais vasto das políticas de comunicação portuguesas e brasileiras. Não ignorando, por outro lado, os aspetos que têm feito do serviço público e da comunicação pública um campo de debate permanente, como as questões do financiamento e da independência, o presente artigo tem ainda como objetivo identificar e discutir os desafios enfrentados pelas empresas concessionárias

    Serviço público de comunicação e cultura: coproduções musicais e cinematográficas em Portugal e no Brasil

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    Este artigo pretende dar os primeiros passos numa investigação sobre coproduções entre Portugal e Brasil nas áreas da música e do cinema, observando-as como expressões tangíveis de um mapeamento multicultural entre os dois países. Partindo do argumento de que há uma maior preocupação estrutural em torno da cultura no serviço público de comunicação, olharemos para as indústrias culturais portuguesas e brasileiras e sua presença na rádio e televisão públicas. Consideraremos o facto de que o Brasil se demarca por apresentar uma indústria cultural vibrante, ampla e massificada, apresentando um poder de distribuição internacional muito mais profundo do que outros países lusófonos. O Brasil exporta muito da sua produção musical e cinematográfica para Portugal e também a rádio pública portuguesa tem apresentado uma capacidade considerável de absorção dos produtos musicais brasileiros. No cinema, Portugal tem sido o principal parceiro do Brasil em coproduções de filmes de longa-metragem e o único país lusófono com o qual o Brasil mantém uma relação consolidada no âmbito da política de fomento direto. Estará essa colaboração a propiciar uma intensificação do diálogo simbólico entre os dois países? E como se reflete este diálogo simbólico em mecanismos concretos de bilateralidade? Estas questões constituem pontos de partida para o decurso deste artigo

    Entre a memória e o seu apagamento: O Grande Kilapy de Zézé Gamboa e o legado do colonialismo português

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    O 40º aniversário da “queda do império português” tem suscitado novas abordagens críticas ao legado colonial em Portugal. No entanto, a reconfiguração das memórias do colonialismo na produção cultural contemporânea da África dita lusófona tem recebido muito menos atenção. Até hoje, os filmes do cineasta angolano Zézé Gamboa têm sido pouco discutidos de um ponto de vista académico, em particular o seu filme mais recente, O Grande Kilapy (2012), que constitui o tema deste artigo. O filme revela a urgência de redimir a memória numa sociedade pós-colonial, bem como a forma como o poder de silenciar tais memórias se encontra situado nas estruturas geopolíticas do chamado mundo lusófono. Este artigo demonstrará como Gamboa contribui para a descolonização do imaginário ao reclamar memórias e ao reenquadrar a história, mas também como esta redenção e transmissão da memória se encontra limitada pelos constrangimentos de produção e de distribuição enfrentados pelo próprio filme e determinados pelas configurações de poder características do espaço lusófono pós-colonial. Desta forma, e embora reconhecendo a importância do arquivo para a memória, tal como propôs Pierre Nora, este artigo proporá que as estratégias alternativas empregues pelo O Grande Kilapy, tais como a transmissão oral de histórias, são essenciais para superar estes limites

    Os jovens e o cinema português: a (des)colonização do imaginário?

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    As relações que se estabelecem entre a população autóctone portuguesa e os imigrantes e seus descendentes são profundamente influenciadas pelas narrativas construídas, e disseminadas ao longo de várias décadas, sobre o passado colonial. Os estereótipos veiculados estão enraizados na memória social dos portugueses, influenciando as relações interculturais. Tendo como objetivo a análise das perceções de jovens sobre as relações interculturais, desenvolvemos grupos focais com estudantes do ensino secundário, tendo procedido à visualização do filme Li ké Terra (2010) e à posterior discussão em grupo. Neste artigo articulamos os resultados dos grupos focais com a narrativa do filme. Os resultados demonstram a persistência de determinados estereótipos negativos sobre as populações descendentes de imigrantes africanos, indicando que a memória sobre o passado colonial influencia significativamente o imaginário e a identidade social dos jovens, contribuindo ainda para que estes percecionem os jovens negros nascidos em Portugal como imigrantes. Argumentamos que o cinema documental e a literacia fílmica podem ter um papel central na transformação reflexiva e crítica das auto e hetero-representações dos jovens, contribuindo para a descolonização do imaginário nacional

    Youth and portuguese cinema: the (de)colonisation of the imaginary?

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    The narratives constructed and disseminated over various decades about the colonial past have profoundly influenced the relations established between the Portuguese population and ‘immigrants’. The stereotypes conveyed are deeply embedded in the social memory of the Portuguese, influencing intercultural relations. In order to analyse the perceptions of young people about intercultural relations, we conducted focus groups with secondary school students involving the viewing of the film Li ké Terra (2010) and subsequent group discussion. In this article we present the results of the focus groups in articulation with the narrative of the film. The results demonstrate the persistence of certain negative stereotypes concerning the populations descendent from African immigrants, indicating that the memory of the colonial past significantly influences the imaginary and social identity of young people, also contributing to this youth perceiving young black people born in Portugal as immigrants. We argue that documentary and film literacy can play a central role in the reflexive and critical transformation of auto- and hetero-representations of young people, contributing to the decolonisation of the national imaginary

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