Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
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É a homossexualidade eterna? Uma genealogia a partir de Michel Foucault e David Halperin
pode-se pensar que certos aspectos na História estiveram sempre presentes em nossa sociedade, que são naturais e, até mesmo, imutáveis. Porém, há autores que visam entender como esses aspectos vistos como eternos são, em realidade, construídos. Acreditamos, nesse sentido, que a homossexualidade e a heterossexualidade nem sempre estiveram presentes. Dessa forma, nesse artigo, resultado de uma disciplina da pós-graduação ministrada pela Professora xxxxxxx, visamos analisar como Michel Foucault e David Halperin abordaram a genealogia da homossexualidade, e, com isso, desejamos entender se ela é natural, ou, pelo contrário, foi construída historicamente. Apresentamos questões por eles abordadas, como a sexualidade na antiguidade, no século XIX e modos de vida gay na época vivida pelo filósofo francês
A via negativa de Dionísio Areopagita em Tomás de Aquino
Immaterial substances are not composed of sensitive matter, they do not start from beings; they are directly intelligible. Knowledge thus needs another way to apprehend them. Tomás, still in article 7 of question 84, seems to see this path from the thinker Dionísio Areopagita, who, when considering names for God, in his treatise Divine Names, listed the possibilities of knowledge for the human intellect before the first substance. There are three: knowledge because of, through eminence, surpassing or through denial or removal. In Dionysus, to know God negatively means to say that all that can be said about his nature is what He is not. Tomas expands the principle to immaterial substances in general and there is the possibility of transposing the theological mode of the Areopagite into a gnosiological mode, in which immaterial substances, understanding them as all that are immune to any change and movement of matter, assume a possible apophatic character and yet they can be affirmed as notions of understanding.As substâncias imateriais não são compostas de matéria sensível, não partem dos entes; são diretamente inteligíveis. O conhecimento assim precisa de outra via para apreendê-las. Tomás, ainda no artigo 7 da questão 84, parece ver esta via a partir do pensador Dionísio Areopagita que, ao cogitar nomes para Deus, em seu tratado Nomes Divinos, enumerou quais as possibilidades de conhecimento para o intelecto humano ante a substância primeira. São três: o conhecimento por causa, por via de eminência, ultrapassamento ou por negação ou remoção. Em Dionísio, conhecer negativamente Deus significa dizer que tudo o que se pode afirmar a respeito de sua natureza é aquilo que Ele não é. Tomás amplia o princípio para as substâncias imateriais em geral e há a possibilidade de se transpor o modo teológico do Areopagita para um modo gnosiológico, em que as substâncias imateriais, entendendo-as como toda aquela imune a qualquer mudança e movimento da matéria, assumem um possível caráter apofático e ainda assim possam ser afirmadas enquanto noções do entendimento
A díade virtù-fortuna na fundação e manutenção da ordem em Niccolò Machiavelli
Eminent critical evaluations on Machiavelli's thought discuss the Fortuna-Virtù pair. Even though such terms share well-known origins and traditions throughout Latin literary historiography, especially ancient and medieval receptions during civic humanism, their elusive features persist in Machiavelli´s arguments, enabling numerous academic debates. While the idea of Virtù maintain its ambivalence and ambiguity throughout these relevant and varied textual evidences, continual pursuits for clarification are made throughout the Florentine secretary's corpus, associating the term with other important and central concepts, e.g., desiderio, stato, forza. Political instabilities, forces beyond human control, unpredictability of civil actions are recurring themes in Machiavelli's conceptions of Fortune. In open dialogue with civic humanists who emphasize a crescent political and social participation, blending rational reflections, moral consideration, as well as discussions about different forms of regimes, this author exposes a historiographical conception, reinvigorating ancient traditions, in the creation of a civil order. This demands Virtù, a personal and public commitment in the exaltation of human potentialities and limits. Reinserting the relevance of a parity between Fortuna and Virtù in Machiavelli is a relevant step for avoiding anachronistic readings. Thus, the most significant examples of civic founders and maintainers of civic order are investigated, e.g., Romulo, Numa, Moses, Cesare Borgia, Castruccio Castracani. By studying the images of Fortune, in face of Machiavelli´s political and anthropological conceptions, the argumentative development of some main ideas of this famous political thinker sustains the centrality of the Virtù-Fortuna dyad.O par Fortuna-Virtù é discutido nas diversas análises críticas do pensamento de Machiavelli e, embora tais termos possuam origens e tradições bem determinadas ao longo do pensamento latino, principalmente específicas considerações antigas e medievais em algumas recepções durante o humanismo cívico, suas características elusivas ao longo das argumentações de Machiavelli são mantidas, possibilitando inúmeros debates acadêmicos. Diante da ambivalência e da ambiguidade da ideia de Virtù perante relevantes e variadas tradições, contínuas buscas por clarificação são feitas ao longo do corpus do secretário florentino, associando o termo a outras importantes e centrais reflexões, e.g., desiderio, stato, forza. A instabilidade política, as forças além do controle humano, a imponderabilidade das ações civis são temas recorrentes nas concepções sobre a Fortuna em variadas argumentações desse autor. Em aberto diálogo com os humanistas cívicos que enfatizam maior participação política e social, mesclando embasamento racional, consideração moral e as discussões sobre as formas dos regimes políticos, esse escritor apresenta uma concepção historiográfica, a revigorar tradições do mundo antigo, na criação de uma ordem civil mediante a Virtù, a qual demanda comprometimento pessoal e público na exaltação das potencialidades e dos limites humanos. Reinserir a relevância da paridade entre Fortuna e Virtù em Machiavelli é um passo relevante no combate a leituras anacrônicas. Assim, analisar-se-ão os exemplos mais significativos dos fundadores e dos sustentadores da ordem civil destacados nos textos discursivos do florentino, e.g., Romulo, Numa, Moisés, Cesare Bórgia, Castruccio Castracani. Ao estudar as imagens da Fortuna, em face das concepções políticas e antropológicas do autor, discutir-se-á a centralidade da díade Virtù-Fortuna no desenvolvimento argumentativo de algumas ideias principais desse famoso pensador político
A arte como expressão da vida como vontade de poder em Friedrich Nietzsche
This article seeks to investigate art as an emblematic example of life as will to power, from the perspective of Friedrich Nietzsche. According to Nietzsche life is a constant creating and recreating without a pre-defined teleology. It is precisely this aspect that art expresses a more transparent way what life is therefore art is precisely the process of creation and recreation without a purpose beyond creation itself. The art from the perspective of the artist is always unfinished and so he continues to create, is as if the artist somehow would capture what life is, and reveal it in their art and in the creative process. The art besides being like everything else, moved by the will to power, to the extent that she herself is a constant drive by creating, reveals a very peculiar way the pathos that is life as will to power that always surpasses herself . Therefore, to realize the true artist against the current world how content and content as form, realizes the inverted world, and in this reversal look allows play with life, creating and transforming the current New. Furthermore, to the extent that the figures are contrasted by a necessary one photographer to support the existence, for the inversion of true reality is a reality in its many situations created. Criticized the values exemplified by the action of the artist's conception of truth inaugurated by Socratic and Platonism, which in a way is based on a kind of deification of the rational concept. Our Philosopher explicit reversal of Platonism asserts that the truth-conceptual-rational metaphysics has less value than the irrationality of artistic pathos.O presente artigo pretende investigar a arte como um emblemático exemplo da vida como vontade de poder, segundo a perspectiva de Friedrich Nietzsche. Segundo Nietzsche a vida é um constante criar e recriar sem uma teleologia pré-definida. É justamente por este aspecto que a arte expressa de forma mais transparente o que a vida é, pois, a arte é justamente o processo de criação e recriação sem uma finalidade para além da própria criação. A arte na perspectiva do artista está sempre inconclusa e por isso ele não cessa de criar, é como se o artista de alguma maneira captasse o que a vida é, e revelasse isso em sua arte e no processo de criação. A arte além de ser como tudo o mais, movida pela vontade de poder, na medida em que ela mesma é uma pulsão pelo constante criar, revela de forma muito peculiar o pathos que é a vida como vontade de poder que sempre supera a si mesma. Portanto, o verdadeiro artista ao perceber contra a corrente do mundo a forma como conteúdo e o conteúdo como forma, percebe o mundo invertido, e essa inversão no olhar o possibilita brincar com a vida, criando e transformando o atual em novo. Além disso, na medida em que os valores contrapostos pelo artista são uma mentira necessária para suportar a existência, em sua inversão da realidade encontra a verdadeira realidade em suas inúmeras realidades criadas. Os valores criticados exemplificados pela ação do artista é a concepção de verdade inaugurada pelo Socratismo e Platonismo, que de certa forma é fundamentada em uma espécie de divinização da racionalidade em detrimento do pathos. Nosso filósofo em explícita inversão do Platonismo afirma que a verdade racional-conceitual-metafísica tem menos valor que a irracionalidade do pathos artístico
Ressentimento e vingança: conservação e desagregação do espaço político em Arendt
The public space is the stage for the most varied conflicts, resulting, in certain cases, in violence. However, it is in this space that men experience freedom, expressing themselves in front of plurality of opinions. As it is a space for free expression, our actions and opinions are not always received without contradiction, arousing resentful feelings. Following Arendt's thinking, the public space is the arena in which everyone should manifest themselves spontaneously, showing themselves from their uniqueness before the plurality that characterizes the community. As it is a space for the expression of the individual, guided by freedom and plurality, the individual’s action is irreversible and unpredictable, enabling a cycle of misunderstandings and violence. Consequently, there is no way to prevent conflicting emotions from being fed by the damage originated from political action. According to Arendt, resentments are emotional states peculiar to human beings, facilitating common understanding and coexistence. Thus, resentment can lead to acts against injustice, with punishment and forgiveness, enabling a new beginning. However, there are acts that are not in keeping with forgiveness, such as the crimes perpetrated by Nazism, whose relationship established among men was not human. In the face of the absurdity of the situation, on which there is no way to judge, forgiveness has no place, closing the doors to a new beginning. Anyway, this text intends to explore the role of resentment as a factor that enables the survival of public space, but that can also lead to its destruction.
O espaço público é palco para os mais variados conflitos, resultando, em certos casos, em violência. Entretanto, é nesse espaço que os homens experimentam a liberdade, expressando-se frente à pluralidade de opiniões. Por ser um espaço para a livre expressão, nem sempre nossas ações e opiniões são recebidas sem contrariedade, despertando sentimentos rancorosos. Seguindo o pensamento de Arendt, o espaço público é a arena em que todos devem se manifestar espontaneamente, evidenciando-se a partir de sua singularidade diante da pluralidade que caracteriza a comunidade. Por ser um espaço de manifestação do indivíduo, pautado pela liberdade e pluralidade, a ação é irreversível e imprevisível, possibilitando um ciclo de mal-entendidos e violência. Por conseguinte, não há como impedir que emoções conflitantes sejam alimentadas do prejuízo originado da ação política. Segundo Arendt, ressentimentos são estados emocionais peculiares ao ser humano, facilitando o entendimento comum e a convivência. Assim, o ressentimento pode conduzir a atos contra a injustiça, com a punição e o perdão, possibilitando um novo começo. Contudo, há atos que não se coadunam com o perdão, como os crimes perpetrados pelo nazismo, cuja relação estabelecida entre os homens não era humana. Diante do absurdo da situação, sobre a qual não há como julgar, o perdão não tem lugar, fechando as portas para um novo começo. Enfim, este texto pretende explorar o papel do ressentimento enquanto fator que possibilita a sobrevivência do espaço público, mas que também pode conduzir à sua destruição.
 
Considerações sobre o método por exemplos de Ludwig Wittgenstein
In his second philosophy, Ludwig Wittgenstein offers a method by examples with intents of finally solving the philosophical problems. According to Wittgenstein, instead of searching for an essence that defines concepts, as Socrates demanded from his interlocutors, philosophers should show examples for concepts, thus responding to tradicional philosophical questions such as “What is knowledge?”, “What is friendship?”, “What is fair?”. This article argues that Wittgenstein’s method by examples could never solve for once philosophical problems, because people are different and, therefore, offer different examples for concepts, making it impossible to identify objectively the right and wrong examples. In addition, it analyses the fact that Wittgenstein disregarded such hindrance to the success of his method while formulating it. Furthermore, this work reiterates philosophers’ duty to search for the essence defining concepts.Em sua segunda filosofia, Ludwig Wittgenstein apresenta um método por exemplos com o intuito de resolver de vez os problemas filosóficos. De acordo com Wittgenstein, em vez de buscar a essência definidora dos conceitos, como Sócrates demandava de seus interlocutores, caberia aos filósofos dar exemplos dos conceitos a fim de responder às questões tradicionais da filosofia, como “O que é o conhecimento?”, “O que é a amizade?”, “O que é o justo?”. Neste artigo, não apenas se argumenta que o método por exemplos de Wittgenstein nunca poderia resolver de vez os problemas filosóficos porque diferentes pessoas dão diferentes exemplos de um conceito, sendo impossível decidir objetivamente quais são os exemplos certos e quais são os exemplos errados, como se analisa o fato de que Wittgenstein desconsiderou esse empecilho ao sucesso de seu método ao elaborá-lo. Além disso, reitera-se neste texto o dever dos filósofos de buscar a essência definidora dos conceitos
Acontecimento e resistência em a Peste de Albert Camus
The presence of events as a phenomenon, and its counterpoint, the habit, echo in a continuous interrelationship over the whole plot of the novel The Plague (1947) by Albert Camus. This article consists of investigating the concept of event and its relations with the mediating notion of language - in the same way as the idea of resistance - in the light of a reading of the reflections of Gilles Deleuze, Slavoj Zizek and John Caputo about this subject. Therefore, possible correlations between fictional construction and philosophy will be exposed in the analysis of this work, which is considered one of the most symbolic of the 20th century.A presença dos acontecimentos enquanto fenômeno, e seu contraponto, o hábito, ecoam numa inter-relação contínua ao longo de todo o enredo do romance A Peste (1947) de Albert Camus. O presente artigo consiste na investigação do conceito de acontecimento e suas relações com a noção mediadora de linguagem - do mesmo modo que a ideia de resistência - à luz de uma leitura das reflexões de Gilles Deleuze, Slavoj Zizek e John Caputo acerca desse tema. Para tanto, estarão expostas correlações possíveis entre construção ficcional e filosofia na análise desta obra que é considerada uma das mais simbólicas do século XX
Para além do legalismo: Hannah Arendt e a desobediência civil
In this article, some of Hannah Arendt's contributions to the reflection on the phenomenon of civil disobedience are discussed. Initially, is asked to what extent civil contestation can be identified with conscientious objection. Discussing this question allow to understand the development of Arendt’s argumentation that aims to highlight the political meaning of acts of civil disobedience, in opposition to the negative characterization of this phenomenon by lawyers in an attempt to include extralegal actions of contestation in the law. Indeed, this juridical view, which is based on idea that the contestation is reasoned on the morality of conscience, neglects certains aspects that are fundamental to the comprehension of civil disobedience according to Arendt, especially its public character, sharing of an active interest in the world and, finally, non-violence. In the second part of the article, explicit the influence of the philosophic tradition in the typical way of understanding civil disobedience, with Socrates and Henry Thoreau listed by Arendt as his interlocutors in this debate. With this argumentative path, intended to show some potentials of Hannah Arendt essay that contributes to update the discussion on the central political role of the act of diverging publicly.Neste artigo, discute-se algumas das contribuições de Hannah Arendt para a reflexão acerca do fenômeno da desobediência civil. Inicialmente, interroga-se em que medida a contestação civil pode ser identificada com a objeção de consciência. Discutir essa questão permite compreender o desenvolvimento da argumentação de Arendt que visa ressaltar o sentido político dos atos de desobediência civil em oposição à caracterização negativa deste fenômeno, defendida por juristas, na tentativa de incluir pelo direito ações extralegais de contestação. Com efeito, essa leitura jurídica, que se baseia na ideia de que a contestação tem por fundamento a moralidade de consciência, negligencia determinados aspectos que são fundamentais para a compreensão da desobediência civil segundo a perspectiva de Arendt, sobretudo seu caráter público, o compartilhamento de um interesse ativo no mundo e, por fim, a não-violência. Em um segundo momento, explicita-se a influência da tradição filosófica na maneira típica de se compreender a desobediência civil, sendo Sócrates e Henry Thoreau elencados por Arendt como seus interlocutores neste debate. Com esse percurso argumentativo, pretende-se mostrar alguns potencias do ensaio de Arendt que contribuem para reatualizar a discussão sobre o papel político central do ato de divergir publicamente
Nietzsche e um jeito diferente de fazer filosofia: da superação à genealogia do pensamento
For many, Nietzsche is not considered a philosopher, but a poet. Between diverse factors that contribute to deny the status philosophicus to german philosopher resides, on the one hand, in the aspect of its content and, on the other hand, in its formal aspect. As regards content is difficult perceive some purposeful aspect in his thought, a constructive thesis, on the contrary, it is a deconstructive thought, demolisher, hammering philosophize. As regards form, the style of nietzschean’s writing is characterized by aphorism instead of continuous speech, each aphorism harbor a group of metaphors that stand out as puzzles to be deciphered. Our proposal, in this article, is shown that in spite of content and form, through which, the nietzschean’s thought shown itself, there is a philosophy that happens by the overcoming of rational and moral conception for stablish a genealogy of a thought.Para muitos, Nietzsche não é considerado um filósofo, mas um poeta. Entre os diversos fatores que contribuem para negar o status philosophicus ao filósofo alemão reside, por um lado, no aspecto de seu conteúdo e, por outro, no seu aspecto formal. Quanto ao conteúdo é difícil perceber algum aspecto propositivo em seu pensamento, uma tese construtiva, ao contrário, trata-se de um pensamento desconstrutivo, demolidor, um filosofar a marteladas. Quanto a forma, o estilo da escrita nietzschiana se caracteriza pelo aforismo ao invés do discurso contínuo, cada aforismo abriga um conjunto de metáforas que se destacam como enigmas a serem decifrados. Nossa proposta, neste artigo, é mostrar que apesar do conteúdo e da forma, mediante os quais, o pensamento de Nietzsche se apresenta, há uma filosofia que se dá pela superação de uma concepção racional e moral para estabelecer a genealogia de um pensamento
Metáfora, metonímia e método na transição analógica da representação à vontade: o conhecimento da coisa em si na metafísica de Schopenhauer
The problem of thing-in-itself knowledge in Schopenhauer’s metaphysic has been traditionally faced for scholars of shopenhauerian philosophy, such as Julian Young, Paul Lauxtermann e David Cartwright. The objective of this paper is comment this one problem, but emphasizing two interpretative trends quite discussed mainly in last decade. Both trend deal with the problem of thing-in-itself from an interpretation of analogical transition Schopenhauer proposes of representation world to thing-in-itself realm. Both De Cian and Marco Segala, well as Jorge Prado, on the one hand, and Sandra Shapshay on the other, disputes about what type of knowledge, metaphoric or metonymic, this philosopher search regarding the thing-in-itself. When remaking this disputing is possible to point the distance they are of exegetic tradition that precede them; even more, to evaluate what extend they are precursory in the endeavor for specify a kind of “method”, alternative to transcendental method Kantian, from which Schopenhauer would perform his metaphysic investigation. In order to insert our interpretation between those scholars, we will focus on analysis of excerpts of Die Welt als Wille und Vorstellung and Krtik der kantischen Philosophie, in which Schopenhauer detail more emphatically how must be understood his metaphysical approach.Este artigo tem como objetivo geral comentar o estatuto do conhecimento da coisa em si na metafísica de Schopenhauer. De modo mais específico, visa analisar como se inserem neste debate, tradicionalmente enfrentado por estudiosos da filosofia schopenhaueriana como Julian Young, Paul Lauxtermann e David Cartwright, duas correntes interpretativas bastante discutidas neste ciclo, principalmente na última década; ambas lidam com o problema da coisa em si a partir de uma interpretação da transição analógica que Schopenhauer empreende do mundo da representação para o da Vontade. Ao disputarem que tipo de conhecimento, metafórico ou metonímico, esse autor pode almejar da coisa em si, é possível apontar como De Cian e Marco Segala, bem como Jorge Prado, por um lado, e Sandra Shapshay, de outro, se distanciam da tradição exegética que lhes antecede; e, mais ainda, em que medida eles são precursores no esforço de apontar uma espécie de “método” específico, alternativo ao método transcendental kantiano, a partir do qual Schopenhauer realizaria sua empreitada metafísica. A fim de situar nossa própria interpretação entre a desses comentadores, focaremos na análise de passagens de O mundo como vontade e como representação e da Crítica da filosofia kantiana, em que Schopenhauer especifica com mais ênfase como deve ser entendida sua abordagem metafísica