Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
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    Da disciplina à necropolítica, o papel do trabalho e da seguridade em Foucault e na atualidade

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    The transition of the worker (European) from the Middle Ages to the Modern forced the bourgeois means of production to create ways of positivizing the culture of labour. Beyond the ideologies and misery, themselves, as promoters of the work culture, what we intend in this article is to highlight the role of social security as instruments of subjectivation and normalization, originally disciplinary; using a Foucauldian reading of the theme. We will start from how disciplinary techniques have adjusted workers' bodies to work and have fixed them with the help of pension funds, until we come to the current understanding of social security reforms and counter-reforms as a result of what has today been recognized as a necropolitics. Currently, no longer only of European workers (but global), seen as something that in the name of a biopolitics has become this ultra-defence of life. A defence that, on the edge, would justify even the death of a large part of the population. Therefore, we have the passage from biopolitics to necropolitics. And in the same order, we have the passage of a social security system which is no longer made for the aid or the fixation of the worker, but for the management of the use and disposal (death itself) of this same subject in the labour market.A transição do trabalhador (europeu) da Idade Média para a Moderna forçou os meios de produção burgueses a criarem modos de positivar a cultura do trabalho. Para além das ideologias e da própria miséria como impulsionadores da cultura do trabalho, o que pretendemos neste artigo é jogar luz sobre o papel das previdências como instrumentos de subjetivação e normalização, originalmente disciplinares; utilizando então uma leitura foucaultiana do tema. Partiremos do como as técnicas disciplinares ajustaram os corpos trabalhadores para o trabalho e fixaram-nos com o auxílio das caixas previdenciárias, até chegarmos à compreensão atual das reformas e contrarreformas previdenciárias como resultados disto que tem sido reconhecido hoje como uma necropolítica. A atualidade, não mais apenas dos trabalhadores europeus (mas globais), vista então como algo que em nome de uma biopolítica se converteu nesta ultradefesa da vida. Uma defesa que, no seu limite, justificaria até mesmo a morte de larga parcela da população. Temos então a passagem da biopolítica para a necropolítica. E na mesma ordem, temos a passagem de um sistema previdenciário que não é mais feito para o auxílio ou a fixação do trabalhador, mas para a gestão do uso e do descarte (propriamente a morte) deste mesmo sujeito frente ao mercado de trabalho

    Há realmente uma ciência normal no sentido kuhniano do termo?

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    In consideration of the postures of Kuhn and his critics, we will turn our attention to reflect on the possibility of a normal science (in the kuhnian sense). The motivating question for the central problem of this text will be: Is there really a normal science in the sense proposed by Kuhn? We aim to offer an answer that will partially agree with the Kuhnian ideal of normal science.  Em consideração às posturas de Kuhn e seus críticos, voltaremos nossa atenção para refletirmos sobre a possibilidade de uma ciência normal (no sentido kuhniano). A pergunta motivadora do problema central deste texto será: Há realmente uma ciência normal no sentido proposto por Kuhn? Pretendemos oferecer uma resposta que anuirá parcialmente com o ideal kuhniano de ciência normal. &nbsp

    O que é hermenêutica para Paul Ricoeur?

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    The concept that possibly better sums up the philosophical thought of Paul Ricoeur (1913-2005) is hermeneutics. However, differently to what happens with the most important name of the hermeneutic tradition, the German philosopher Hans-Georg Gadamer (1900-2002), the definition of the concept hermeneutics in Ricoeur does not show up in an univocal manner. Therefore, it is necessary to find a way in some of his works in order to understand the meanings of one of the most fundamental concepts to the French philosopher. We intend, thus, with the present paper, to analyse the triple definition of hermeneutics as interpretation, method and reflection, which are presented in A Crítica e a Convicção, with a methodology analogous to that of Ricoeur himself, which is present in A Memória, a História e o Esquecimento and in O Percurso do Reconhecimento. From that, we aim to understand these analysed meanings, in the way suggested by Escritos e conferências 2: hermenêutica, where we see as mapped the meanings that hermeneutics had along the work of Ricoeur, and to emphasize the original aspect of this notion, which is given through the hermeneutics considered under a reflexive philosophy.O conceito possivelmente que resume melhor o pensamento filosófico de Paul Ricoeur (1913-2005) é hermenêutica. No entanto, diferentemente do que acontece com o maior nome da tradição hermenêutica, o filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002),  a definição do termo hermenêutica em Ricoeur não se dá de maneira unívoca. Sendo assim, faz-se necessário trilhar um caminho em algumas de suas obras para compreender os sentidos de um dos conceitos mais fundamentais para tal filósofo francês. Pretende-se, assim, com o presente artigo analisar a definição tripla de hermenêutica, como interpretação, método e reflexão, que é apresentada em A Crítica e a Convicção, com uma metodologia análoga ao do próprio Ricoeur, que está presente em A Memória, a História e o Esquecimento e em O Percurso do Reconhecimento. A partir disso, busca-se compreender tais sentidos analisados, percorrendo o caminho sugerido em Escritos e conferências 2: hermenêutica, onde se vê mapeados os sentidos que hermenêutica possuiu ao longo da obra ricoeuriana, e destacar o aspecto original desta noção, que se dá através da hermenêutica pensada por meio de uma filosofia reflexiva

    As vozes de Wittgenstein: hegemonia, assombração e conflito

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    The purpose of this text is to exhibit and explore an image of Wittgenstein that remains in the margins of the academic production of commentaries on his writings: the image of a philosopher who does not occupy himself with philosophical theses and theories, but with a conflict against his philosophical inheritance and the world he inhabits. A conflict that does not end, that shows us ambiguities that are not abandoned after definitive solutions are given to what haunts the philosopher. The voices of Wittgenstein tell us about temptations and hegemonic forms of thinking philosophy that remain present, about questions that can still be raised in philosophical communities, and this leads us to think about the pertinence today of his demand for a therapeutic procedure. In this sense, some topics will be explored such as: philosophy as some sort of antiphilosophical therapy, the relationship between the “disease of a time” and the writings and biographical aspects of Wittgenstein, the desire for authenticity and the possibility of individual solutions for the issues relating to the “darkness of this time”.  O objetivo deste texto é apresentar e explorar uma imagem de Wittgenstein que ainda permanece nas margens da produção acadêmica de comentários sobre seus escritos: a imagem de um filósofo que não se ocupa de teses e teorias filosóficas, mas de um conflito com sua herança filosófica e com o mundo que habita. Um conflito que não termina, que nos exibe ambiguidades que não são abandonadas através de soluções definitivas para o que assombra o filósofo. As vozes de Wittgenstein nos falam tentações e formas hegemônicas de pensar a filosofia que ainda se fazem presentes, de questões que ainda podem ser colocadas para as comunidades filosóficas, e isso nos leva a pensar que pertinência ainda pode haver em sua demanda por um procedimento terapêutico. Nesse sentido, alguns assuntos serão tratados como: a filosofia como uma forma de terapia antifilosófica, a relação entre a “doença de uma época” e os escritos e aspectos biográficos de Wittgenstein, o desejo de autenticidade e a possibilidade de soluções individuais para os problemas relativos à “escuridão desta época”

    Sobre a compaixão na política: o ponto de vista de Arendt

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    When the subject in question is contemporary political thought, Arendt's studies are indispensable. She has become a reference in this subject since the publication of her work The Origins of Totalitarianism. In this article, however, the objective is not to discuss or analyze the concept of this author's policy or necessarily relate it to a particular theory or form of government, but to present in an introductory and elementary way, some aspects of her considerations and positions on the feeling of compassion in politics as understood by her, especially as they appear in her work On Revolution.Quando o tema em questão é o pensamento político contemporâneo, os estudos de Arendt são indispensáveis. Ela se tornou uma referência nesse assunto, desde a publicação da sua obra Origens do totalitarismo. Neste artigo, no entanto, o objetivo não é discutir ou analisar o conceito de política dessa autora e nem relacioná-lo necessariamente a uma determinada teoria ou forma de governo, mas sim apresentar de modo introdutório e elementar, alguns aspectos das suas considerações e dos seus posicionamentos sobre o sentimento de compaixão na política como entendida por ela, especialmente como aparecem em sua obra Da revolução

    Animalidade, loucura e biopolítica em Foucault

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    The purpose of this article is to analyze madness in its most shameful aspect of human animality, particularly harmful and useless freedom. So, can we find in the History of Madness some topics (or some sketches) of what in the future we will designate in Foucault's thought as reflections on biopolitics? The question does not seem strange if we interpret madness as a great public experiment around the control of freedom, human restraint and the category of positive animality, resulting from the very objectification of madness as a phenomenon that links the pathological state and the animal state.  O objetivo deste artigo é analisar a loucura em seu aspecto mais vergonhoso da animalidade humana, particularmente da liberdade nociva e inútil. Assim, podemos encontrar na História da loucura alguns tópicos (ou alguns esboços) do que futuramente iremos designar no pensamento de Foucault como reflexões sobre biopolítica? A indagação não parece estranha se interpretarmos a loucura como grande experimento público em torno do controle da liberdade, do comedimento humano e a categoria da animalidade positiva, resultante da própria objetivação da loucura enquanto fenômeno que vincula o estado patológico e o estado animalesco

    Subjetividade transcendental e Deus: fundamentos da fenomenologia de Husserl

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    The phenomenological science seeks to treat phenomena as pure possibilities. Everything that is donated to consciousness has the possibility of being described as it is shown by itself in an intuition. The transcendental subject is the receptive foundation for what’s given and it’s from him that intentional rays depart, from which phenomena gain a meaning of being of something. God for the meaning of “God” needs to be for a subject. But, how does God give himself? It isn’t like the objects that are immediately given to consciousness, but mediated by a teleology of reason itself. The present article proposes to think about the treatment that Husserl gives his phenomenology as metaphysics (first science), starting from the transcendental subjectivity and highlighting whether "God" does not exceed or would be another foundation alongside the pure ego. From there, we try to stand out how the “God phenomenon” appears in his phenomenological system, verifying how this happens in his unpublished writings presented by Jocelyn Benoist and the opening for a metaphysical phenomenology with Jean Luc-Marion.A ciência fenomenológica procura tratar os fenômenos como puras possibilidades. Tudo o que se doa para a consciência tem a possibilidade de ser descrito tal e qual se mostra por si mesmo numa intuição. O sujeito transcendental é o fundamento receptivo para o que é dado e, é dele, que partem os raios intencionais, dos quais os fenômenos ganham um sentido de ser de algo. Deus para ter sentido de “Deus” precisa ser para um sujeito. Mas, como Deus se doa? Ele não é tal como os objetos que são dados de imediato para a consciência, mas mediado por uma teleologia da própria razão. O presente artigo se propõe pensar no tratamento que Husserl dá a sua fenomenologia como metafisica (ciência primeira), partindo da subjetividade transcendental e destacando se “Deus” não excede ou seria outro fundamento ao lado do ego puro. A partir daí, procura-se ressaltar como o “fenômeno Deus” aparece no seu sistema fenomenológico, verificando como isso se dá em seus escritos inéditos apresentados por Jocelyn Benoist e a abertura para uma fenomenologia metafísica com Jean Luc-Marion

    O equívoco de Robert Nozick ao interpretar a questão da propriedade em Locke

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    In Anarchy, State and Utopia (1974), Robert Nozick defends a minimal State that should not redistributes property once distributed by the individuals themselves. Nozick relies on the John Locke’s state of nature idea from his work Second Treatise of Government (1689), using, also, Locke’s way to explain the private property. Locke’s explanation of the origins of the private property is based on the idea of labor because Locke needed to overcome a criticism that Robert Filmer directed to Hugo Grotius a few years before. Grotius said that there was, originally, a common right to the goods and defended that private property rises from a contract among all individuals. Filmer attacks the idea that a contract has split common property into smaller pieces because this contract could not be signed by all mankind in the same time. Just like Grotuis, Locke thought that private property came up from common property, but he needed overcome Filmer’s objection directed to Grotius. Thus, the idea of labor rises like foundation of private property, since labor legitimates it, instead of the contract. Despite a large analysis about Locke’s theory of acquisition, where Nozick even discusses the role of labor in the emergence of private property, Nozick affirms that Locke thought original property unowned when, in fact, for Locke it was a common property for all people. The purpose of present paper is list and evaluate some of possible consequences of this small misinterpretation.Em Anarquia, Estado e Utopia (1974), Robert Nozick defende um Estado mínimo ao qual não deve ser dado o direito de redistribuir a propriedade que já foi distribuída pelos individuos. Nozick se apoia na ideia de estado de natureza tal como Locke propôs no Segundo Tratado Sobre o Governo (1689), aproveitando, inclusive, a maneira de Locke fundamentar a propriedade privada. Locke explicou o direito natural à propriedade por meio do trabalho para superar uma crítica que Robert Filmer havia dirigido a Hugo Grotius anos antes. Grotuis considerava haver, originalmente, um direito comum à posse dos bens e defendia que a propriedade privada surgiu a partir de um contrato entre os indivíduos. Filmer colocou em dúvida que um contrato para dividir a propriedade pudesse ter sido firmado entre todos ao mesmo tempo. Locke também defendia a propriedade privada a partir da propriedade comum, mas precisava superar a objeção que Filmer havia dirigido a Grotius. Nesse sentido surge a ideia de trabalho como fundamentador da propriedade privada, pois é o trabalho que a legitima em vez do contrato. Nozick, apesar de uma longa análise sobre a teoria da aquisição de Locke, em que discorre, inclusive, sobre o papel do trabalho no surgimento da propriedade privada, afirma que Locke pensava os bens naturais originalmente sem dono, quando, na verdade, para Locke eles eram propriedade comum a todos. O propósito do presente texto é elencar e avaliar algumas possíveis consequências desse pequeno equívoco interpretativo

    Cairo, Ismailia e Alexandria: faces de um Egito efervescente em A Tarde (jan/1952 - julho/ 1952)

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    Entre notas, boletins e artigos das edições de A Tarde de janeiro a julho de 1952, o Egito recebeu importante destaque no interior de um noticiário africano relativamente escasso, se comparado a demais regiões do globo, reflexo de uma tendência de cobertura completamente alinhada com o contexto de Guerra Fria. À luz do conceito de Grande Imprensa, além de reconhecer as características ideológicas e estruturais desse jornal, buscar-se-á destacar a existência de uma leitura hegemônica sobre o assunto, pautada pela identificação da crise anglo-egípcia como resultado das manipulações das elites dirigentes nacionais, no esforço de desviar a atenção dos problemas econômicos e administrativos

    O retorno ao pensamento do ser na filosofia de Heidegger

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    This paper’s purpose is to presente how the german philosopher Martin Heidegger proposes a return to the thought of being. At first, he points out the importante of this fundamental question, which was forgotten by the metaphysical tradition. His argument unfolds that thought of being is the essence of thinking. In times of sciences and technology, Heidegger defends the need to rescue this thought as a primordial task of human existence and that enables us to ask questions about the meaning that beings, Being in general and ourselves holds.O objetivo deste artigo é apresentar como o filósofo alemão Martin Heidegger propõe um retorno ao pensamento do ser. Em primeiro lugar, ele indica a importância de uma questão fundamental, a qual ficou esquecida pela tradição metafísica. Seu argumento revela que o pensamento do ser consiste na essência do pensar. Diante das ciências e da técnica, Heidegger defende a necessidade de resgatar pensamento do ser como uma tarefa primordial da existência humana e que nos possibilita fazer as perguntas em torno do sentido que os entes, o Ser em geral e nós mesmos possuímos

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