Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
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LIGA ACADÊMICA DE ANÁLISE DE DADOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS - LAADCS:: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Este relato de experiência tem por objetivo descrever as etapas de criação e desenvolvimento da Liga Acadêmica de Análise de Dados em Ciências Sociais - LAADCS, vinculada ao Colegiado de Ciências Sociais do Departamento de Educação, Campus I, da UNEB, que surgiu com o intuito de proporcionar a ampliação do repertório acadêmico das/os discentes do curso de Ciências Sociais na formação em pesquisa com uso de softwares qualitativos e quantitativos. Apresenta-se a contextualização de estruturação da Liga, a metodologia de trabalho adotada e um breve relato das principais atividades realizadas ao longo do ano de 2021 que estiveram relacionadas aos seguintes eixos: (a) cursos de formação continuada para as/os ligantes; (b) cursos de formação para a comunidade acadêmica e; (c) produção e difusão de conhecimento para a comunidade em geral via redes sociais (Instagram, Facebook, site e Plataforma Microsoft Teams). Estima-se a importância desta atividade extensionista no processo formativo da profissão de cientista social, tendo cumprido seu papel formativo e ofertado à comunidade interna e externa conhecimentos úteis que possam subsidiar demandas por políticas públicas para uma melhor qualidade de vida para a população
Ciclo de Leitura : “LEIA para viver!” (2021)
O presente trabalho é um relato de experiência desenvolvido, conjuntamente, pela bolsista e a docente orientadora acerca do projeto de extensão Ciclo de Leitura “LEIA para viver!”, vinculado ao Grupo de Pesquisa e Extensão LEIA (Leitura, Escrita, Identidade e Artes). O Ciclo realizou, no ano de 2021, a homenagem a alguns marcos da literatura brasileira como os 120 anos de António de Alcântara Machado e Cecília Meireles, os 140 anos de Lima Barreto e os 190 anos de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. A fim de relatar a experiência do ciclo, o trabalho está dividido em três tópicos: discussão teórica, descrição da metodologia adotada e a participação do bolsista e os resultados alcançados. Para a fundamentação teórica foram utilizados, principalmente, os estudos de Antonio Candido (2011), Magda Soares (1995), Leyla Perrone-Moisés (2016), Roland Barthes (2013), Tzvetan Todorov (2009) e Vincent Jouve (2002), entre outros, além de trabalhos que tratam da produção dos escritores homenageados. Ao fim, descrevem-se os procedimentos adotados para a realização das atividades de leitura, bem como a recepção do público participante da proposta
Participação dos estudantes de saúde no combate à pandemia da COVID-19
Para compreender o atual cenário pandêmico causado pelo novo Coronavírus (COVID-19), faz-se necessário traçar uma pequena linha histórica. Sua primeira aparição aconteceu em dezembro de 2019, onde o novo vírus denominado SARS-CoV- 2 foi notificado pela primeira vez na China. A partir disso, devido ao alto poder de contágio, suas implicações sistêmicas ao paciente e, por conseguinte, a sobrecarga ao sistema de saúde, em janeiro de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta onde classificava o panorama atual como uma epidemia de importância Internacional onde medidas de contenção precisavam ser pensadas de forma emergencial. Já em março do mesmo ano, o COVID-19 tinha proporções tão significativas que se tornava o mais novo responsável por uma das mais difíceis pandemias encontradas na história (OPAS/OMS, 2020)
Finitude e singularidade: o jogo dos irredutíveis em Sartre
This article aims to analyze the notion of finitude in Sartre's work as a basis for the existential anthropology developed in it. Going from Being and Nothingness to the last interviews, we discuss this thesis based on the analyses, above all, by Bornheim, Moutinho and Mészáros. For this, at first it discusses the relationship between being, finitude and negation. In a second moment, we associate the notion of finitude with that of singularity and how the relationship between ontology, history and existential psychoanalysis is established through it. Finally, we assess the game of irreducibles as the dynamic that underlies existential anthropology.Este artigo tem por objetivo analisar a noção de finitude na obra de Sartre como base para a antropologia existencial desenvolvida nela. Perpassando desde O ser e o nada até as últimas entrevistas, discutimos tal tese a partir das análises, sobretudo, de Bornheim, Moutinho e Mészáros. Para isso, num primeiro momento discute a relação entre ser, finitude e negação. Num segundo momento, associamos a noção de finitude com a de singularidade e como por ela é estabelecida a relação entre ontologia, história e psicanálise existencial. Por fim, afere ao jogo dos irredutíveis como a dinâmica própria que subjaz à antropologia existencial
O enunciado como categoria de análise na produção do(s) discurso(s) em Foucault
The present work aims to discuss the idea that the enunciation may be a probable category of analysis, in an attempt to think the discourse(s), like its generation, in the theoretical framework proposed by Michel Foucault (1926-1984). The French Philosopher, developed the statement as category of analysis, in works like The Order of Things (1966) and The Archeology of Knowledge (1969), in a frame capable of allowing a certain autonomy to the formulation of a concept. In this way, the enunciation in the attempt to generate this same to a theory to be put up, would allow the gravitation in the mentioned discourses produced by the individual. The enunciation, in the Foucault’s thought, does not refer in stricto sensu to a grammatical or strictly linguistic framework, but allows the confluence in the formation of theoretical notions, or even in the frame of the discourse(s), making possible the consonance of ideas that base the discourses that prevail in the human sciences and wich outline de status quo. Being Foucault’s proposition of enunciation is a category not necessarily scientific, that is, without the magnitude of a composition of truth, as well as of a “true saying”. The enunciation, in the author’s proposal, contrasts with the discourse that deals with the nomenclature of truth and the mechanisms that institute the constant production of it, and wich they grant the epistemological conceptions (wich constitute epistemologies in force) in social, political, historical e and cultural spaces.
O presente trabalho tem por objetivo debater a ideia de que o enunciado pode vir a ser uma provável categoria de análise, na tentativa de pensar o(s) discurso(s), do mesmo modo que sua geração, na moldura teórica proposta por Michel Foucault (1926-1984). O filósofo francês desenvolveu o enunciado como uma categoria de análise, em obras como As Palavras e As Coisas (1966) e a A Arqueologia do Saber (1969), em um enquadramento capaz de permitir uma determinada autonomia à formulação de um conceito. Desta forma, o enunciado, na tentativa de engendrar essa mesma autonomia a uma teoria a ser erigida, permitiria a gravitação desta nos referidos discursos produzidos pelo indivíduo. O enunciado, foucaultianamente, não se refere em stricto sensu a um arcabouço gramatical, ou estritamente linguístico, mas permite a confluência na formação de noções teóricas, ou mesmo na moldura do(s) discurso(s), possibilitando a consonância de ideias que fundamentam os discursos vigentes nas ciências humanas e que delineiam o status quo. Sendo a proposição de enunciado em Foucault uma categoria não necessariamente científica, isto é, sem a envergadura de uma composição de verdade, assim como de um “dizer verdadeiro”. O enunciado, na proposta do autor, contrapõe-se ao discurso que versa sobre a nomenclatura da verdade e os mecanismos que instituem a constante produção desta e que outorgam as concepções epistemológicas (que constituem as epistemologias vigorantes) nos espaços: social, político, histórico e também cultural.
Bem-vindos à sociedade de controle! imagens filosóficas na quarentena
Antes de começar, me parece oportuno indagar acerca do trabalho remoto quemuitos de nós estamos fazendo desde casa. Há um termo em inglês para definir isso:home office. Logo nas primeiras semanas da quarentena, adaptamos nossa rotina detrabalho a essa modalidade, que se relaciona com outro conceito proferido subitamentecomo palavra de ordem: lockdown, e que poderíamos traduzir como confinamento, autofechamento ou simplesmente isolamento social. É isso que impede realizar as “viagensde verificação” que supostamente cabem ao cinema.1 Claro que eu estou pensando aquio cinema de forma mais ampla. Cada um com seu celular verificando, filmando o queestá acontecendo. O home office, já nos damos conta, tem aspectos positivos enegativos.No contexto da luta de classes, há um tratamento diferenciado para as classesmédias e as classes baixas; a “necropolítica” surge como um dos conceitos chave parapensar, junto com Mbembe (2018), esta questão do isolamento social. Trata-se de umaforma de poder que envolve decisões sobre a vida e a morte das pessoas. No cenário demigrantes afogados no mediterrâneo, por exemplo, a estratégia é simplesmente “deixarmorrer”. Do mesmo modo, a guerra contra o tráfico travada nas favelas é outra varianteda necropolítica, desta vez, dizimando a juventude negra
Reflexões acerca do cenário socioeconômico em tempos de pandemia de COVID-19 no Brasil
Ao romper do ano de 2020, ainda de forma tímida, o mundo começa a olhar parauma situação de comprometimento de saúde e contágio que surge numa cidade da Chinaoriental. Não demorou muito, e antes do final do primeiro trimestre, o mundo sedeparou com nações inteiras que se isolaram em seus espaços mais íntimos, em buscade proteção, e desta vez, não importava se era civil ou militar: todos estavam em perigo,frente ao inimigo viral, mas de tamanho poder, que faz com que suas vítimas sucumbampela falta do que há de graça para todos: o ar! Isso porque a infecção, quando avançada,compromete as vias respiratórias, levando a óbito o paciente. Assim, o vírusreconhecido como Covid-19 se apresenta como o principal sujeito que mudaria todocenário mundial em seus distintos setores, fossem eles políticos, econômicos ou sociais.Ao olharmos a situação atual por um viés geopolítico, o fechamento dasfronteiras para evitar o “contágio importado”, o que começa a partir do mês de Marçode 2020, não acontece desconexo de outros fatores. Isso por que não eram apenas“fronteiras fechadas”, mas “dutos de circulação de capitais” em suas diferentes esferas epropriedades. A liberdade de circulação foi podada sem aviso prévio, o que surpreendeuviajantes de todo mundo e em todos os lugares do mundo, os quais estavamdespreparados e desamparados frente a uma ameaça sanitári
COVID-19, quesito raça-cor e sofrimento do povo negro: não estamos todos no mesmo barco
Este texto tem uma marca temporal e de dor que não podemos deixar deanunciar – estamos escrevendo exatamente na semana em que vivemos os efeitosdrásticos do crescimento exponencial do número de casos de infecção pelo coronavírusno Brasil, em que choramos mais de dez mil vidas perdidas e em que o descaso dogoverno federal se torna mais e mais evidente.Entre dores, espantos e perguntas nos deparamos com o convite da ReginaMarques para este dossiê, que veio acompanhado da seguinte fala: Carissimxs, tão bompoder chamar a alguns assim. Somos tão poucos privilegiados no meio de tantosdesassistidos e afogados (...). Entendemos o chamado para a escrita como um chamadoà vida, à vida dos desassistidos e afogados. E não é para isso que a escrita deintelectuais negros deve servir? Enquanto escrevemos, somos bombardeados pela mídiacom informações importantíssimas sobre autocuidado diante do vírus e com a ideia deque a pandemia nos iguala a todos. É nessa encruzilhada entre o convite de Regina, asinformações sobre a pandemia e a certeza de que não estamos todos no mesmo barco,isto é, de que a pandemia não nos torna iguais, que nos perguntamos acerca dos dadossobre raça-cor nos números oficiais divulgados sobre a pandemia no país
E daí? f...-se a vida: globalização, população negra e COVID-19 no Brasil
Desastres ambientais, guerras e pandemias têm sido pesquisadas ao longo dahistória da ciência. Cientistas de um modo geral, e os cientistas sociais em particular,desenvolveram modelos interpretativos acerca destes eventos que permanecem seinscrevendo de modo denso e dramático na História das sociedades. Em algumasoportunidades, estes fenômenos têm a capacidade de modificar rumos e trajetórias deindivíduos, grupos e sociedades. Parece que nestes tempos presentes enfrentamos algodesta envergadura.O abalo sísmico ocorrido em Porto Príncipe, capital do Haiti, em 2010; ogenocídio ocorrido em Ruanda em 1994; e a gripe espanhola que se espalhou pelomundo na segunda metade da década de 1910 foram profundamente estudados porespecialistas de diferentes áreas do conhecimento humano, ao mesmo tempo em que ossaberes populares também produziam conhecimento acerca dos exemplos mencionados.Variáveis culturais, sociais, políticas e históricas nos possibilitam aproximar oterremoto no país caribenho, a guerra fratricida no coração da África e a enfermidadeque ceifou a vida de Francisco de Paula Rodrigues Alves, o quinto presidente do Brasil,à pandemia do coronavírus que rapidamente se globalizou
A filosofia e seus outros: entusiasmo e fanatismo nos séculos 17 e 18
The notions of enthusiasm and fanaticism, besides the fact that they were associated with the concrete phenomenon of religious zeal at the time of the Reformation, were also, throughout the 17th and 18th centuries, the object of a literature that built a specific image of the so-called enthusiasts, be they the English Puritans, the Huguenot prophets or the Jansenist convulsionaries. By constructing this image, literature – philosophical, medical or satirical – produced at the same time the specular image of itself, sometimes as pure alterity in relation to the fanatic, sometimes relativizing this opposition. Our journey starts from some of these formulations in England at the beginning of the 17th century, and then pays attention carefully to the elaborations of Swift and Diderot about fanaticism and enthusiasm, from the beginning to the middle of the 18th century, showing that philosophy itself, often understood as the opposite of fanaticism or madness, can also become its other when it gives in to enthusiasm.As noções de entusiasmo e fanatismo, por sobre estarem associadas ao fenômeno concreto do fervor religioso à época da Reforma, foram também, ao longo dos séculos 17 e 18, o objeto de uma literatura que construiu uma imagem específica dos assim chamados entusiastas, fossem eles os puritanos ingleses, os profetas huguenotes ou os convulsionários jansenistas. Ao construir essa imagem, a literatura – filosófica, médica ou satírica – produziu ao mesmo tempo a imagem especular de si mesma, ora como pura alteridade em relação ao fanático, ora relativizando essa oposição. Nosso percurso parte de algumas dessas formulações na Inglaterra do início do século 17 para, em seguida, se deter com mais demora nas elaborações de Swift e Diderot acerca do fanatismo e do entusiasmo, de início a meados do século XVIII, mostrando que a própria filosofia, frequentemente entendida como o avesso do fanatismo ou da loucura, pode também converter-se em seu outro quando cede ao entusiasmo