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O STATUS REPRESENTACIONAL DE SINTAGMAS NOMINAIS DO PB NO CONSTRUCTICON DE L2 DE CRIANÇAS SURDAS
Neste artigo, discutimos a representação variável do sintagma nominal (SN) do PB em produções escritas de crianças surdas de primeira geração. Para tanto, analisamos o fenômeno de apagamentos de itens lexicais e gramaticais (FREITAS et al, 2018; NASCIMENTO et al, 2019;
NASCIMENTO, 2020; SOARES & NASCIMENTO, inédito), quando ocorre em algum slot do padrão [ESPECIFICADOR + N + COMPLEMENTIZADOR]. Utilizamos os pressupostos teóricos da Gramática de Construções Baseada no Uso (GOLDBERG, 2006; BYBEE, 2016; HILPERT, 2014;
PEREK, 2015) e da teoria de aquisição de linguagem baseada no uso (TOMASELLO, 2003), a fim de construirmos uma análise cognitivo-funcional sobre a relação entre o uso da L2 e processos cognitivos
de domínio geral que operam no fortalecimento de relações intra e interconstrucionais no curso da aprendizagem. Os resultados demonstram que o padrão parece ainda não constituir um chunk saliente aos aprendizes em diferentes contextos morfossintáticos, dada a proeminência de apagamentos em SN com papéis participantes de sujeito, objeto direto e oblíquo. Evidencia-se, assim, a necessidade de
fortalecimentos do padrão em questão por meio de metodologias de ensino capazes de propiciar frequência de uso e contextos favoráveis ao direcionamento de processos cognitivos, a fim de que construções da L2 emerjam consistentemente e adquiram status representacional fortalecido
O REFÚGIO COMO TEMA HUMANITÁRIO OU ECONÔMICO: SENTIDOS EM INTERDELIMITAÇÃO NA MÍDIA
Este artigo propõe uma investigação sobre como são construídos os sentidos sobre o refúgio pela grande mídia. Para que isso seja feito, utilizaremos notícias publicadas em portal online como material de análise e o subsídio teórico da análise do discurso de base enunciativo-pragmática, mobilizando conceitos como o princípio do dialogismo (BAKHTIN, 2011[1979]) e do primado do interdiscurso (MAINGUENEAU, 2005[1983])
TEATRO E POLÍTICA NO RECIFE: ENTRELAÇAMENTOS DOS ANOS 1930
Em meio às tantas alterações do campo político e cultural brasileiro no início dos anos 1930, o Grupo Gente Nossa, com trajetória desenvolvida de 1931 a 1942 no Recife, destaca-se por ter sido viabilizado profissionalmente graças ao Golpe de Estado empreendido por Getúlio Vargas. Mas, ainda que tenha contado com certo apoio de manutenção, a equipe nunca usufruiu de incentivo financeiro, pelo menos até a morte do seu líder, Samuel Campelo, no ano de 1939, quando o mesmo foi substituído pelo teatrólogo Valdemar de Oliveira e a situação de parceria com o poder instituído mudou terminantemente. Partindo de registros na imprensa e os confrontando com publicações que se debruçaram sobre as ações e interesses políticos de período tão conturbado da nossa história, em que parte da cena teatral brasileira declarou admiração às ideias e projetos getulistas, mais à frente sofrendo pela ação repressora dos órgãos de segurança com vetos e cortes a textos e espetáculos e perseguições a artistas, a proposta desta pesquisa é lançar luz sobre os possíveis entrelaçamentos entre o teatro e a política no Recife da década de 1930, e entender como a sobrevivência de ambos, com seus impasses e contradições, foi possível naquele tempo
SAMUEL RAWET: UMA ESCRITA ITINERANTE
Este artigo apresenta uma análise comparativa entre a produção ficcional e a produção ensaística de Samuel Rawet (1929-1984), escritor polonês-brasileiro de origem judaica, do século XX. Para tanto, foram analisados alguns contos do livro Contos e novelas reunidos (2004), organizado por André Seffrin, em conjunto com alguns ensaios do livro Ensaios reunidos (2008), organizado por Rosana Kohl Bines e José Leonardo Tonus. Considerando a experiência migrante vivenciada pelo escritor, observamos que, em seu repertório textual, também é possível estabelecer os entrecruzamentos e trânsitos discursivos que relacionam vida e escrita, autobiografia, ensaística e ficção, consolidando o estatuto itinerante de sua escrita.
Palavras-chave: Samuel Rawet; trânsitos discursivos; ficção e ensaio
LITERATURA PARA ILUMINAR AS IDEIAS: UM ESTUDO SOBRE O REINO, DE GONÇALO M. TAVARES
O presente artigo tem por objetivo abordar os conceitos de estranhamento e familiaridade na tetralogia O Reino, do autor português Gonçalo M. Tavares. Em acordo com Igor Furão, em sua tese Entre “bios” e “política” (2013), entende-se que essas narrativas provocam uma sensação de desconforto em seus leitores, ao suscitar uma reflexão sobre a condição humana em uma sociedade pós-Holocausto, ao mesmo tempo em que geram uma sensação de familiaridade ao fazerem o leitor reconhecer em si suas próprias inclinações para o bem e para o mal, como explica o próprio Gonçalo M. Tavares (2010b) em uma das várias entrevistas em que fala sobre seu projeto literário. Dessa forma, pretende-se também investigar os motivos de Tavares se auto intitular um escritor pós-Auschwitz e a relevância desse posicionamento na contemporaneidade
APARIÇÃO E NÍTIDO NULO: O EXISTENCIALISMO NOS ROMANCES VERGILIANOS
Aparição (1959) e Nítido nulo (1971), do escritor português Vergílio Ferreira (1916-1996), surgiram num período conturbado em Portugal, ante um duro regime político e o advento de um inovador movimento literário. Em meio a isso, as narrativas abordam, de maneira muito particular, a condição humana, o mistério do ser, a busca pelo sentido da existência e os questionamentos sobre vida e morte, através de reflexões, conflitos e indagações, mergulhados num fluxo de consciência. Assim, este artigo propõe a análise do existencialismo, tal como defendido pelo filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), manifesto nesses romances vergilianos
Hidroginástica + Segura: teste de aquacidade para alunos iniciantes
Desde a sua criação na Alemanha a hidroginástica é considerada uma das atividades mais seguras para os praticantes e com poucos riscos de lesões para as articulações. Como o público que procura a hidroginástica é heterogêneo, nos últimos anos pesquisadores tentam criar estratégias para que a aula continue a ser segura mesmo com os inúmeros tipos de aulas existentes. Assim, o objetivo deste texto é alertar sobre a necessidade de ações preventivas fornecidas por professores de hidroginástica e gestores de locais que oferecem este tipo de aula. Sobretudo, a indicação de algumas medidas para que o exercício aquático, além de benéfico, seja mais seguro para o praticante de hidroginástica. Na busca de uma hidroginástica + segura foi desenvolvido um teste de aquacidade para alunos iniciantes na hidroginástica. O teste já existe na natação e recentemente foi adaptado para a hidro. Após o teste de aquacidade, o aluno pode vivenciar a sua primeira aula formal com o professor e o mesmo irá adaptar a aula para melhorar as suas habilidades aquáticas (nível de aquacidade). O professor acompanha e reavalia cada aluno após três meses ou quando achar necessário, identificando a progressão do aluno e fornecendo feedback sobre o que o aluno precisa trabalhar mais para melhorar a aquacidade. O teste de aquacidade pode ajudar a manter a hidroginástica como uma atividade aquática segura como idealizada na sua criação
NARRANDO A DIÁSPORA: OS ENTRELUGARES CULTURAIS E IDENTITÁRIOS EM I, TITUBA, BLACK WITCH OF SALEM, DE MARYSE CONDÉ
I, Tituba, Black Witch of Salem, de Maryse Condé, constitui-se como uma tentativa de resposta ao vazio encontrado nos registros históricos e documentais sobre Tituba, mulher negra e escravizada, que foi acusada de praticar bruxaria em Salém em 1692. O apagamento de Tituba evidencia a necessidade de ações que enfatizem o que foi omitido sobre ela. O romance de Condé promove a elaboração de novos espaços enunciativos, pois reelabora criticamente a história de uma personagem cuja existência é inquestionável. Revisões e releituras de acontecimentos históricos rompem com o silenciamento imposto por discursos hegemônicos e permitem o surgimento de novas histórias. Sendo assim, o presente trabalho tem por objetivo analisar a vivência da diáspora, do trânsito e dos deslocamentos no romance da escritora antilhana. Tituba, enquanto sujeito diaspórico, encontra-se na confluência entre culturas, nações e identidades. I, Tituba, Black Witch of Salem tematiza a importância de jornadas em direção a novos lugares, bem como o retorno às origens, visando reconfigurar uma identidade fragmentada em virtude de deslocamentos e transformações culturais. O romance de Maryse Condé mostra a forma como a diáspora e o colonialismo marcam a protagonista da narrativa e refletem a pluralidade das escritas migrantes e do cruzamento de fronteiras
CONTRIBUIÇÕES DO DIALOGISMO PARA PRÁTICAS LEITORAS: ESTUDOS LINGUÍSTICO-DISCURSIVOS
Este trabalho tem como objetivocentral analisar as contribuições do dialogismo (BAKHTIN, 2006 [1979]) parapotencializar a formação de leitores responsivo-ativos via Alteridade. Aoapresentar, inicialmente, reflexões e reenunciações advindas das teorias doLetramento, buscamos subsídios teórico-metodológicos em Bezerra (2007); Kleiman(1995, 2001, 2007); Oliveira et al.; (2014); Pimenta e Lima (2011)[1].Assim, para acentuar os dizeres destes cientistas da linguagem sobre práticasleitoras, recorremos aos postulados de Bakhtin (2006 [1979]), Volóchinov 2017[1929]) e Medviédev (2016 [1928]), membros do Círculo de Bakhtin, os quais têmenriquecido os olhares de estudiosos quanto à potencialidade viva da palavra edo discurso
A LÍNGUA COMO SISTEMA ADAPTATIVO COMPLEXO: BASES EPISTEMOLÓGICAS
Neste ensaio, tivemos como objetivo refletir acerca das bases epistemológicas que podem nos fazer pensar a língua como um sistema adaptativo complexo, com base na Teoria da Complexidade, de Moran (2007). Ao revisitar textos, conceitos clássicos e pontos de vista de autores que muito contribuíram para a evolução da Linguística enquanto ciência, como Saussure (2007), Du Bois (1985), Bakhtin/Volochinov (2006), entre outros, observamos que, apesar de seus posicionamentos epistemológicos diferentes, é possível inferir um direcionamento reflexivo que propõe a língua enquanto sistema adaptativo complexo. Apresentamos, ainda, alguns estudos que já se valem dessa orientação para empreender suas análises. Conclui-se, a partir dessa reflexão, que a Linguística, assim como outras disciplinas científicas, pode figurar entre o campo das ciências complexas, inclusive porque as bases desse pensamento começaram a se ensaiar por autores canônicos da área