Universidade do Centro Oeste do Paraná (UNICENTRO): Revistas eletrônicas
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A INDÚSTRIA 4.0 E A FILOSOFIA: UM ENCONTRO TRANSDISCIPLINAR
Vivemos em um tempo de transformações e de remodelagem tecnológica chamado de Indústria 4.0. Tempo que implica na transformação de vários espaços consolidados, alterando significativamente a maneira como vivemos e nos relacionamos nos ambientes em que estamos circunscritos. O trabalho, a comunicação, os modelos de negócios, o sistema de moradia e as relações interpessoais são apenas alguns dos espaços que já sofrem e que ainda sofrerão a ingerência desta mudança. O artigo fará uma análise documental a partir dos últimos textos publicados no site do WEF (https://www.weforum.org/), para verificar a hipótese que existem nos dispositivos de enunciação da Indústria 4.0 um deslocamento instrumental em vistas de uma lógica comportamental nos sujeitos no capitalismo hodierno. Para desenvolver este argumento o trabalho está dividido em quatro partes. Na primeira parte serão estruturadas as bases epistemológicas dadas em Klaus Schwab – um dos principais interlocutores do tema na WEF – na divulgação da ideia da Indústria 4.0; na sequência uma tentativa de diálogo entre conceitos de filosofia e da geografia para construir possibilidades de análise; na última parte serão propostas as consequências desta correlação pensadas sob a égide da ética como uma discussão inerente a filosofia da tecnologia. O artigo usa de conceitos transdisciplinares para pensar transformações paradigmáticas dadas pela ideia de uma nova revolução tecnológica que se anuncia.
ESPELHO E REFLEXO DA VIRILIDADE: MODOS DE SUBJETIVAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER EM “ONDE NASCEM OS FORTES”
O dispositivo virilidade tem dado “visibilidade” e “enunciabilidade” (DELEUZE, 1990) a modos outros de subjetivação do homem e da mulher na mídia. Sob tal temática e adotando a perspectiva dos estudos discursivos foucaultianos, o objetivo deste estudo é compreender o modo como a “tecnologia do eu” é agenciada pela supersérie Onde nascem os fortes (2018), exibida pela TV Globo, na qual o sujeito homem confessa a si mesmo a partir do que aprendeu com o sujeito mulher, revelando “novos” modos de ser e de estar na cultura mediante a urgência histórica da igualdade de gênero. Os resultados revelam que a (sub)versão de papéis de gêneros organizados pelo dispositivo virilidade faz reconhecer a mulher como um sujeito de coragem e de justiça e, nesse processo, convoca a homem a tomá-la como espelho para formulação de sua própria virilidade
PENSAR A ANÁLISE DO DISCURSO “COM” MICHEL FOUCAULT: A ARQUEOLOGIA COMO POSSIBILIDADE
Este artigo tem por objetivo, primeiramente, mapear por quais caminhos teóricos o pensamento de Michel Foucault adentra o campo da Análise dos Discursos de orientação francesa (doravante AD), em especial pela via de uma nova concepção histórica que autores como Jean-Jacques Courtine, ainda num projeto pecheutiano dos anos 1970/1980, introduzem nos estudos discursivos realizados à época. Investigar como se deu a apropriação teórica daquele autor pela AD e compreender em que consiste o “pensar com Foucault”, tomando por referência a expressão cunhada por Courtine (2013), indica como o pensamento foucaultiano, em particular a arqueologia com sua ênfase na relação Discurso/História, pode-se configurar, metodologicamente, como uma analítica que tem por eixo condutor a trajetória sócio-histórica de formação das discursividades, ressaltando a dimensão crítica das análises
ESTRATÉGIAS BIOPOLÍTICAS EM DISCURSOS SOBRE O TRANSTORNO DE ANSIEDADE INFANTIL
O transtorno de ansiedade é uma das psicopatologias que mais acometem os sujeitos em todo o mundo, incluindo o público infantil. Partindo do exposto, este trabalho tem por objetivo analisar os dizeres que discursivizam o transtorno de ansiedade infantil e, assim, compreender quais as estratégias biopolíticas incidem no corpo infantil acometido com o transtorno. Assim, para a construção das análises, optou-se pelo viés metodológico descritivo-interpretativo, de cunho qualitativo, tendo como corpus 2 (duas) materialidades que discursivizam o transtorno de ansiedade infantil. Assim sendo, as materialidades denotam que as estratégias biopolíticas intervêm nos corpos infantis intencionando a medicalização dos sintomas e, também, a prevenção de novas crises. Para tanto, considerando que as crianças não estão maduras o suficiente para os cuidados de si, os pais, em parceria com as instituições escolares e médicas, são convocados a atuarem nesse processo.
ENTONAÇÕES VALORATIVAS NO DOCUMENTÁRIO DOMÉSTICA
Com base nos pressupostos do dialogismo (BAKHTIN, 1997 [1952]; VOLOCHINOV, 2017 [1929]; VOLOCHINOV, 2013 [1930]), com ênfase no conceito de entonação valorativa, este artigo analisa o documentário Doméstica, de Gabriel Mascaro (2012). Tem-se por objetivo mostrar: a) como a situação de interlocução – os interlocutores e seus papéis – estabelece os parâmetros do dizer; e b) como a condição dos sujeitos é valorada nos diálogos, por meio da entonação. Os resultados demonstram que as atitudes responsivas são desenvolvidas verbalmente de acordo com a demarcação de classe, adequando-se de maneira a evitar sanções por parte dos interlocutores; no entanto, a entonação resgata do extraverbal os traços que são relativizados, de forma a apontar a quem, de fato, os indivíduos respondem e qual é sua valoração da situação.
ENTRE O VIOLÃO E O CRUCIFIXO: A FAMA ENQUANTO VONTADE DE POTÊNCIA NIETZSCHIANA EM “A DECISÃO” DE LUIZ RUFFATO
Este artigo objetiva analisar a fama enquanto personificação da vontade de potência nietzschiana em “A decisão”, de Ruffato, tendo em vista a contribuição para os estudos sobre a construção de personagens e seus respectivos trânsitos, subordinados à representação do espaço. Para tanto, a construção de Vanim e Zazá está relacionada às categorias da rua e da casa, de DaMatta (1997), e aos conceitos de espaço liso e estriado, de Deleuze e Guattari (1997). O embate entre forças, simbolizadas pelo violão e o crucifixo, oportuniza a transição entre esses espaços e a potência de vida. Em seguida, há a discussão dos recursos retóricos malandros de Vanim para restituir o espaço da rua-lisa e efetivar o chamado da fama na “cidade dos artistas”, de acordo com Paiva e Sodré (2004). Vanim toma a decisão sugerida pelo título e escapa da rotina da casa-estriada, mas, ao final, ainda não chega onde almejava, encontrando-se no devir
UMA NARRATIVA METAFÓRICA PARA UMA TEORIZAÇÃO SOBRE A MEMÓRIA: AS PEQUENAS MEMÓRIAS, DE JOSÉ SARAMAGO
Este trabalho tem como objetivo propor a leitura da obra As pequenas memórias, de José Saramago, à luz de estudos teóricos a respeita da memória. Utilizam-se como principais referências para este trabalho, obras de Paul Ricoeur, como A memória, a história, o esquecimento e Tempo e narrativa, uma vez que se pensa no processo de teorização da memória como forma de produção de uma ontologia do ser. Além disso, busca-se apoio em obras de Henri Bergson e Beatriz Sarlo para compor os questionamentos – mais do que respostas – acerca da memória como um método e uma ética de escrita. Dessa forma, a obra de Saramago é visitada com um olhar que se volta ao passado, mas que também questiona a composição do tempo para o indivíduo narrador e o sujeito narrado.
ETHOS DISCURSIVO E MATERIALIDADE FÍLMICA: A REPRESENTAÇÃO SOCIOCULTURAL DA SURDEZ A PARTIR DA DISCURSIVIDADE CRÍTICA DE DUAS ESPECTADORAS DO FILME “UM LUGAR SILENCIOSO”
Este artigo explora o ethos discursivo e outros conceitos a ele relacionados, sob a perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa (MAINGUENEAU, 1996, 2002, 2011b, 2014, 2016; AMOSSY (2006). Analisa-se a repercussão do ethos discursivo do filme “um lugar silencioso”, a partir dos discursos de opinião de duas leitoras/receptoras dessa obra cinematográfica. Além disso, articula-se uma discussão sobre a representatividade cultural das pessoas surdas e a visibilidade da língua de sinais, uma vez que no elenco do filme há uma atriz surda e que a materialidade sinalizada foi adotada na composição do enredo. Conclui-se que o ethos da personagem surda é construído a partir dos estereótipos e ideologias que circulam na sociedade. Conclui-se que a avaliação do ethos, por parte das leitoras/receptoras, é determinada por seus juízos de valor, suas crenças e seus princípios, que são fatores local, social e historicamente determinados, influenciando a sua adesão ou não adesão à representação construída