Universidade do Centro Oeste do Paraná (UNICENTRO): Revistas eletrônicas
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POR UMA ARQUEOLOGIA DA MULHER NA POLÍTICA
Estudos sobre a história das mulheres na política - como os de Michelle Perrot (2007) - pontuam que, de todos os obstáculos que a mulher teve que enfrentar nos processos de emancipação, a política foi o mais difícil. Compreender esses processos, sob o mirante dos Estudos Discursivos Foucaultianos, é nosso objetivo neste estudo, considerando, fundamentalmente, a centralidade do conceito de enunciado na obra Arqueologia do Saber, de Michel Foucault, articulado com os jogos de verdade que ao longo da história conjugaram os saberes e os poderes que determina(ra)m, para os sujeitos, lugares, interditos, liberdades, trabalhos, limites e exclusões. Ao analisarmos as condições sócio-histórica de existência de enunciados materializados em textos verbo-visuais que ganharam grande visibilidade nas diferentes mídias, notadamente porque dizem respeito à ex-presidente Dilma Roussef, é possível evidenciar a atualidade e pertinência das formulações daquele filósofo para pensarmos, 50 anos após a publicação da Arqueologia do Saber, na produção de subjetividades e discursividades, em nossos tempos. Tempos em que estamos imersos em conexões digitais
ANÁLISE DISCURSIVA DOS SILENCIAMENTOS NAS PROPOSTAS DO GOVERNO BOLSONARO EM RELAÇÃO AOS DIREITOS TRABALHISTAS
Num contexto de crise do capital, surge o discurso de um candidato que, prometendo resolver de forma simplista os problemas do país, profere um discurso que viria a reestabelecer a ordem, a moral, os bons costumes e o caminho da prosperidade econômica. Com o escopo de identificar a ideologia subjacente, as condições de produção e silenciamentos reveladores de suas implicações, este estudo se debruçou sobre três sequências discursivas e, a partir dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso – AD de perspectiva materialista-histórica buscou as respostas. A análise concluiu que o enunciante evidenciou estar defendendo os interesses do grande capital financeiro, em detrimento da classe trabalhadora, demonstrando estar falando para os trabalhadores, em tom de recado e transmissão de medo, bem como para o capital financeiro internacional e empresários, como forma de angariar apoio
DISCURSO E MEMÓRIA NO ESPAÇO INSTITUCIONAL DO ASILO PARA IDOSOS
Buscou-se saber como, em uma instituição asilar, a memória social desse espaço se manifesta, convocando relações de saber-poder que instituem subjetivações. Analisaram-se aspectos de uma memória social discursivizada no asilo “São Vicente de Paulo”, em Jacarezinho, Paraná. O corpus compreende um recorte de documentos e de entrevistas coletadas no asilo. Trata-se de uma investigação discursiva, balizada por pressupostos teórico-metodológicos desenvolvidos a partir dos estudos de Michel Foucault (1988; 2012) e Courtine (2014), sobre a memória discursiva como ferramenta analítica. O discurso da instituição opera um deslocamento da memória do asilo, o qual se movimenta entre relações de poder-saber que configuram a instituição disciplinar para os efeitos de outro tipo de saber-poder que configura o espaço familiar. Esse deslocamento (res)significa o espaço asilar para os idosos internados
DISCURSO PUBLICITÁRIO SOBRE EAD: A MODALIDADE NO COMERCIAL DA INICIATIVA PRIVADA
O presente trabalho procurou identificar regularidades discursivas, com contribuições da Análise do Discurso (AD) francesa, no discurso publicitário sobreEaD. Para tanto, levou em consideração bases históricas e legais a respeito daformalização e da expansão da modalidade no Brasil e dos números relacionados à educação superior. A análise discursiva levou em consideração o primeirovídeo postado no canal oficial do Youtube da Unopar, instituição com maisalunos matriculados em 2019, em comparação às demais IES. Da análise, depreendeu-se que, por várias vezes, o discurso gerado a fim de conquistar novosalunos/clientes é infiel à seriedade de uma formação superior, o que é acentuado pela ausência de uma legislação específica de controle a tais produções
HANÓI: A REPRESENTAÇÃO DO SUJEITO EM CONDIÇÕES EXÍLICAS
O propósito deste artigo é analisar o romance contemporâneo Hanói (2013), de Adriana Lisboa, explorando o conceito de exílio para observar como o processo de pertencimento identitário se desenvolve na obra recortada para o estudo, a partir da representação dos protagonistas e seus familiares em espaços geográficos multiculturais em consequência do exílio. Considera-se que a prática exílica reformula as experiências e promove o assujeitamento das pessoas que passam por situação de deslocamentos, rupturas e renúncias, no ultrapasse de fronteiras. Constatou-se que os personagens principais e seus familiares buscam o sentimento de pertença em local exílio, sem atingi-lo por completo, visto que as identidades são (des)construídas constantemente e anacronicamente
REFLEXÕES SOBRE AUTENTICIDADE NO TEXTO SÓ MAIS UMA COISA, DE PAOLA CAROSELLA, POR UMA PERSPECTIVA DISCURSIVA
A partir de discussões acerca da sociedade midiatizada e dos mal-estares contemporâneos apontados pelo filósofo Charles Taylor (2011a, 2011b), este trabalho tem como objetivo a identificação de traços de autenticidade na obra Todas as sextas, de Paola Carosella. Por meio de uma análise discursiva ancorada em preceitos da Teoria Semiolinguística de Patrick Charaudeau (2016, 2010, 20005), procuramos compreender como as estratégias discursivas empregadas, notadamente as de credibilidade, captação e legitimidade, podem sinalizar marcas de autenticidade na narrativa da chef de cozinha
A REPRESENTAÇÃO DA INFÂNCIA NO ROMANCE VIDAS SECAS: AS CRIANÇAS QUE SENTEM E PENSAM
Esse trabalho, de caráter bibliográfico, fundamentado principalmente em Bazílo e Kramer (2008), Bujes (2000) e Kishimoto (1993), objetiva discutir questões vinculadas às representações da infância inscritas no romance Vidas Secas (1938) de Graciliano Ramos. Problematizar essa questão auxilia na compreensão de como as crianças são retratadas nas expressões culturais pelos adultos e como isso colabora para a constituição de saberes sobre as mesmas. Embora em muitas situações a infância seja oprimida e desvalorizada, as crianças percebem as situações a sua volta, as compreendem e interpretam, interagindo entre si e com os adultos
MARCAS DA ORALIDADE EM TEXTOS JORNALÍSTICOS DA GLOBO E DA RÁDIO CBN
Se comparado ao texto escrito, o texto falado apresenta características específicas, as quais decorrem, principalmente, do seu processo de construção. Fala e escrita, apesar de serem duas modalidades de uso da língua complementares, são distintas no modo de produção, recepção e em seus traços. O texto falado, foco deste estudo, tem como marcas básicas planejamento local, contexto comum partilhado e envolvimento entre os interlocutores da interação. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar as marcas da oralidade no texto do comentarista de economia da Rede Globo (Jornal da Globo) e da Rádio CBN, Carlos Alberto Sardenberg. Compõem o corpus deste trabalho dez textos, sendo cinco de cada veículo, escolhidos aleatoriamente em um espaço de três meses. A teoria que embasa o estudo está fundamentada na Análise da Conversação, especialmente nos textos do professor Luiz Antônio Marcuschi. A análise do referido material permite afirmar que o comentarista executa a sua fala simultaneamente ao planejamento, deixando marcas evidentes da língua falada no processo de construção do seu texto, diferentemente de outros comentaristas que optam por escrever o texto previamente para ser lido diante dos microfones. Entre essas marcas destacam-se hesitações, correções, falas simultâneas, truncamentos, monitoramento da fala, falsos começos, envolvimento e repetições
POLÍTICA LINGUÍSTICA, PLURINGUISMO E CONSENSO
Apesar das constantes levas de imigrantes que, desde o século XIX, chegam ao nosso território, além do número aproximado de duzentas línguas autóctones, somando-se, ainda, o acolhimento de refugiados, não há por parte do Estado nacional um reconhecimento jurídico desta situação, quando se reconhece apenas o Português como língua oficial. Assim cabe indagar, então, que direitos são, de fato, delegados a este contingente tão diferenciado de cidadãos brasileiros (caso dos imigrantes e indígenas), se tudo depende do domínio da língua portuguesa; como o Estado planifica ações que busquem lidar com uma situação de plurilinguismo, quando se insiste em termos legais no mito do monolinguismo? São essas as questões que buscamos explorar no decorrer deste trabalho, pautados pelo viés da Análise de Discurso e dentro do que Calvet, no campo da sociolinguística, definiu como política linguística in vivo
A SEQUÊNCIA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA: ESCRITA COMO PROCESSO E AS CAPACIDADES DOCENTES
Este trabalho visa a discutir o papel da sequência didática na formação inicial do professor de Língua Inglesa como instrumento gerador de capacidades docentes, a partir dos resultados de uma pesquisa de Iniciação Científica com foco na escrita enquanto processo (MENEGASSI; 2010; FUZA; MENEGASSI, 2007). Para tanto, pautamos nosso estudo nos aportes do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) (BRONCKART, 1997/2009), no ensino de línguas com base em gêneros (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004), nas capacidades de linguagem (CL) (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004; STUTZ, CRISTOVÃO, 2011; CRISTOVÃO, 2013) e seus critérios (CRISTOVÃO et al, 2010;), na sequência didática (DOLZ; SCHNEUWLY; NOVERRAZ, 2004;) e nos saberes a ensinar e para ensinar (HOFSTETTER; SCHNEUWLY, 2009). Para as análises, utilizamos uma sequência didática implementada, as CL e seus critérios. Os resultados apontam para a relevância de uma maior articulação entre os saberes necessários à formação docente.