Universidade Catolica de Pernambuco: Portal de Periódicos da UNICAP
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Tempo, negatividade e subjetividade em Hegel: entre a Lógica e a Natureza
O presente artigo procura demonstrar a concepção filosófica de tempo desenvolvida por Hegel e argumentar que o tempo se relaciona diretamente com os conceitos de negatividade e subjetividade. Pretende-se, ao final, demonstrar como os conceitos de tempo, negatividade e subjetividade estão intimamente relacionados.
Filosofia cristã? O retorno de uma velha polêmica
O objetivo do presente estudo é refletir sobre o estado atual da filosofia cristã. Trata-se de uma velha polêmica, que remonta a Idade Média, e que volta a ser reinterpretada na sociedade contemporânea. Para atingir o objetivo o estudo foi dividido em três partes: 1. Conceito de filosofia cristã; 2. Síntese histórica do problema da existência da filosofia cristã; 3. A filosofia cristã na sociedade contemporânea. Por fim, a título de conclusão, afirma-se que, de forma mais ampla, discute-se a crise do secularismo e, com isso, o surgimento de um pós-secularismo, e, de forma mais específica, no campo filosófico existem intensos debates sobre um possível giro ético-ôntico-linguístico na filosofia contemporânea e, por conseguinte, o retorno, com novas bases metodológicas, dos problemas clássicos da filosofia. A filosofia cristã pode e deve contribuir com todo esse intenso movimento de ideias. Uma contribuição que vai desde a retomada dos problemas clássicos até culminar na reflexão sobre os dilemas éticos do homem contemporâneo.
SOMOS QUEM DESEJAMOS SER, MILAGRES QUE QUEREMOS TER: O MARKETING RELIGIOSO COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE DA IDENTIDADE RELIGIOSA CONTEMPORÂNEA
Esse artigo tem como objetivo estabelecer através do método exploratório bibliográfico uma análise dialógica entre identidade, religião e marketing. Diante de um complexo panorama de questionamentos, nossa hipótese consiste na afirmativa de que em um mundo moderno, onde a identidade humana se estabelece de forma fragmentada, fluida e inacabada, a religião tanto para ‘sobreviver’ quanto para continuar sendo sistema gerador de sentido e identidade deve se adaptar as táticas de mercado. Como resultado, a práxis do marketing no campo religioso pode ser observada como um dos elementos estruturantes da identidade religiosa contemporânea. Isso é o que pretendemos articular ao longo dessa introdutória discursão. Palavras-chave: Identidade. Religião. Mercado. Poder. Abstract This article aims to establish through the bibliographic exploratory method a dialogical analysis between identity, religion and marketing. Faced with a complex panorama of questions, our hypothesis is that in a modern world, where human identity is established in a fragmented, fluid and unfinished form, religion both 'survives' and continues to be a meaning-generating system. Identity must adapt to market tactics. As a result, religious marketing praxis can be observed as one of the structuring elements of contemporary religious identity. This is what we intend to articulate throughout this introductory discourse. Keywords: Identity. Religion. Market. Power
Corpo (sṓma) na Primeira Carta aos Coríntios
As cartas paulinas formam um conjunto de escritos do Novo Testamento que oferecem um riquíssimo campo para o estudo de certas palavras que se tornaram relevantes para a teologia em todos os tempos. Concentrando-se em uma delas, a palavra sṓma, corpo, este texto pretende abordar os diversos usos conferidos a essa palavra na Primeira Carta aos Coríntios, uma das mais importantes cartas do Apóstolo. Depois de apresentar informações gerais sobre a Carta e o significado da palavra sṓma, corpo, em alguns dicionários, o texto percorre cada uma de suas 46 atestações nessa Carta, com a finalidade de determinar a qual dos campos tradicionais da teologia cada conjunto dessas atestações pertence. O resultado mostra que Paulo se move no que hoje são chamados os campos da teologia moral, da cristologia, da eclesiologia e da escatologia, sempre em conexão uns com os outros e a partir da perspectiva pastoral própria das cartas paulinas
IL RAPPORTO TRA CRISTIANI ED EBREI NEI DOCUMENTI DEL CONSIGLIO ECUMENICO DELLE CHIESE
This article examines World Council of Churches (WCC) policy regarding the Jewish people throughout the analysis of produced documentation by WCC since 1948. There are different documents written from various WCC programme areas, as a consequence, to grasp the essence of a single WCC document, one has to establish which mode is prevailing in the policy logic of that document. The analysis of the different documentation reveals how much this relationship is changed during the years, evolving in something of completely different from the past to nowadays. At the beginning, the focus was antisemitism and Shoah, than the different theology and now the comprehension of the different identities between Christian and Jewish Communities. THE RELATIONSHIP BETWEEN CHRISTIANS AND JEWS IN WORLD COUNCIL OF CHURCHES’ DOCUMENTSAbstractThis article examines World Council of Churches (WCC) policy regarding the Jewish people throughout the analysis of produced documentation by WCC since 1948. There are different documents written from various WCC programme areas, as a consequence, to grasp the essence of a single WCC document, one has to establish which mode is prevailing in the policy logic of that document. The analysis of the different documentation reveals how much this relationship is changed during the years, evolving in something of completely different from the past to nowadays. At the beginning, the focus was antisemitism and Shoah, than the different theology and now the comprehension of the different identities between Christian and Jewish Communities
O TEMPO DEMARCADO: UM OLHAR SOBRE AS FESTAS RELIGIOSAS NOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO
O presente trabalho se ateve em conhecer princípios que serviram de referência para a organização de práticas religiosas determinadas por indivíduos que viveram no tempo bíblico do Antigo Testamento. Para sua construção, o livro sagrado dos cristãos católicos deixou de ser visto como parâmetro de uma doutrina a ser seguida, passando a ser observado como fonte de pesquisa, na medida que os preceitos religiosos não foram utilizados como objetos de questionamentos e tornaram-se secundários nas observações estabelecidas. As festas religiosas regeram o tempo físico dos homens elevando-o à condição de sagrado unindo num mesmo momento duas categorias distintas, terrena e sobrenatural. Porém, para sua vigência, elementos da natureza foram utilizados como balizadores, visto que a partir de sua presença instalava-se outra ordem no seio das comunidades. Por intermédio dessas festividades pode se perceber a trajetória de uma comunidade que partilhava as mesmas experiências que convergiam para a espiritualização do ser, constituindo-se em traços de uma cultura religiosa que ultrapassou fronteiras e o tempo.Palavras chaves: religiosidade, comemoração, festividades.Abstract: The present work was focused on knowing elements that served as reference for the organization of religious practices established by individuals who lived in the Biblical time of the Old Testament. For its construction, the sacred book of Catholic Christians was no longer seen as a reference of a doctrine to be followed, and began to be regarded as a source of research, since religious precepts were not used as objects of questioning and became observations. The religious festivals regulated the physical time of men, raising it to the status of sacred by uniting at once two distinct categories, earthly and supernatural. However, for its establishment, elements of nature were used as beacons, since from its presence another order was installed within the communities. Through it, one can perceive the trajectory of a community that shared the same experiences that converged for the spiritualization of being, constituting in traces of a religious culture that crossed borders and time.Key words: religiousness, celebration, festivities.Enviado: 19-05-2018 - Aprovado e publicado: 12-201
Medellín: memórias e perspectivas
Em Medellín, na Colômbia, de 24 de agosto a 06 de setembro de 1968, foi realizada a Segunda Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano. Esse evento deve ser compreendido dentro do contexto histórico do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, que suscitou um amplo processo de renovação na Igreja.Durante o Concílio e, sobretudo, com a promulgação de seus Documentos (Constituições, Decretos e Declarações), já se percebia a necessidade de que toda a vida da Igreja fosse impregnada e renovada pelo vigor e pelo espírito conciliar. Quem logo assumiu essa tarefa foram os bispos latino-americanos, tendo como um dos mais destacados, o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Pessoa Camara... Continue lendo na versão em PDF
Papa Francisco e Medellín
Este artigo é fruto de um Workshop ministrado no V Simpósio de Teologia e Pastoral, promovido pela Editora Paulus, em comemoração aos 50 anos de Caminhada da Igreja Latino-americana. Ele relaciona o Papa Francisco à II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (Medellín), realizada de 26 de agosto a 6 de setembro de 1968. Apresenta o método de abordagem e as razões que fizeram o autor descartar as duas primeiras tentativas de análise: primeira, a das citações do Documento de Medellín (DM) na Evangelii Gaudium e na Laudato Sì; e, segunda, a de citações do DM nas Conclusões da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, ocorrida em Aparecida (DAp). Descartadas as duas primeiras, a terceira tentativa, que trata da relação entre o papa Francisco e Medellín se mostra frutífera por meio da Teología del Pueblo (corrente da Teologia da Libertação aplicada na Argentina). Nela, se veem relacionadas as noções Povo de Deus – de inspiração conciliar e aplicada à realidade latino-americana –, a opção pelos Pobres, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a Colegialidade e a Piedade popular. Recuperadas em Aparecida, por meio de citações do Documento de Puebla e Santo Domingo, foram assumidas pelo Papa Francisco que as revifica em suas práticas e em seus escritos
Dimensão social da fé
Vivemos em uma sociedade que privilegia os direitos e as iniciativas individuais, praticamente deixando em segundo plano a dimensão coletiva da existência. Também se verifica a mesma coisa no âmbito das religiões. No entanto, a fé cristã comporta uma dimensão social que se dá em ao menos dois níveis. Trata-se de uma fé coletiva no sentido de que é a Igreja quem crê e a mesma fé é, então, partilhada por todos os seus membros. Por outro lado, é uma fé que afirma que Deus quis reunir para si um povo que estabeleça em seu interior relações de fraternidade e, dessa forma, testemunhe diante do mundo seu projeto de Reino. Visto desta maneira, o comportamento cristão não se compreende a partir de ritos ou práticas religiosas, mas a partir da conhecida opção preferencial pelos pobres. O presente artigo faz um trajeto bíblico-histórico para afirmar esta dimensão social da fé não como uma sua consequência, mas como uma sua dimensão constitutiva