Universidade Catolica de Pernambuco: Portal de Periódicos da UNICAP
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História, ambiente e povos indígenas no extremo Norte do Brasil: Impactos da construção da BR-156 em Oiapoque, Amapá (1976-1981)
O artigo apresenta um estudo sobre o conflito causado pela construção da rodovia BR-156 onde, atualmente, é a Terra Indígena Uaçá, habitada por indígenas Palikur, Karipuna e Galibi Marworno em Oiapoque, Estado do Amapá, Brasil. O objetivo foi analisar as mobilizações desses povos em torno da proteção de seus territórios e as discussões com os agentes do Estado no período da Ditadura Civil-Militar, entre os anos de 1976 e 1981. Foi utilizado o conceito de conflito socioambiental, definido pela Antropologia como disputas entre grupos sociais que se relacionam de diferentes maneiras com o meio natural, envolvendo três dimensões básicas: o mundo biofísico e seus múltiplos ciclos naturais, o mundo humano e suas estruturas sociais e o relacionamento dinâmico e interdependente entre esses dois mundos. No caso da BR-156, o conflito se dá pela intervenção do Estado na região do Uaçá para atender a interesses desenvolvimentistas, enquanto os povos indígenas da região lidaram com os impactos diretos da obra. As principais fontes analisadas foram artigos dos periódicos Boletim do CIMI e Mensageiro, que apresentam forte defesa em relação às demandas indígenas. Assim, a partir do estudo, foi possível perceber que, durante a Ditadura, o processo de construção da BR-156 foi marcado por pressões, imposições e ameaças por parte do governo, que teve como resposta a organização e a resistência dos habitantes da TI Uaçá em defesa de seus territórios
Estudos Sociais: uma abordagem no 1º ciclo de alfabetização: estudo de caso em Novo Hamburgo/RS
O objetivo deste trabalho visa analisar como os professores dos anos iniciais contribuem, através de suas práticas pedagógicas, para construir o conceito tempo/espaço pela criança, no campo dos Estudos Sociais, ou seja, História e Geografia. A pesquisa foi realizada em uma escola de periferia, no município de Novo Hamburgo/RS e constituindo-se como um estudo de caso. Para compor a análise, a pesquisa valeu-se da entrevista de três professoras, sendo uma do 1º, uma do 2º e uma do 3º ano do Ensino Fundamental, além da técnica da observação de uma aula de cada professora. Para enriquecer a pesquisa, foram consultados os Planos de Estudos e o Projeto Político Pedagógico da escola. A empiria foi analisada a partir da perspectiva teórica da pedagogia crítica e da história cultural. Destaca-se nos resultados que as professoras empregam o conceito de tempo/espaço em suas práticas pedagógicas, mas que, muitas vezes, por falta de uma formação específica na área, elas não identificam no seu planejamento, o modo como estão contribuindo para construção destas concepções
Pelo direito à cidade: Políticas públicas e hortas urbanas em Florianópolis
Com os problemas decorrentes de um crescimento sem planejamento, em que a cidade é vista sob a ótica do mercado, e onde os interesses do capital são priorizados em detrimento dos interesses social e coletivo, surgiu toda uma articulação política em defesa do direito de ocupar a cidade para além dos muros de concreto. O objetivo deste artigo é analisar os movimentos em torno de práticas e políticas públicas de agricultura urbana em Florianópolis enquanto formas de construção de usos diversificados e democráticos do solo urbano. As articulações políticas levaram à criação da Rede Semear de agricultura urbana e à eleição de Marcos José de Abreu (Marquito), pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – com sua plataforma em defesa da agroecologia, da agricultura urbana e do meio ambiente – como o segundo vereador mais votado no pleito de 2016. Levaram também à criação do Programa Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PMAPO) e do Programa Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis. No movimento de reivindicar os espaços da cidade para as práticas de agricultura urbana, merecem destaque a formação das hortas comunitárias e institucionais. Neste trabalho, foi dado um espaço especial para a articulação da Horta Comunitária e Pedagógica do Pacuca
Segurança jurídica no ultramar: Domingos Jorge Velho, Conselho Ultramarino e o contrato de guerra aos Palmares
A guerra aos Palmares consumiu energia, tempo e recursos do governo de Pernambuco na segunda metade do século XVII. Foi apenas após a entrada da tropa de Domingos Jorge Velho no conflito, a partir de 1687, firmando contrato de guerra com o então governador da capitania João da Cunha Sotto Mayor, que o conflito se encaminharia para o seu fim. O objetivo do artigo é analisar esse contrato de guerra e o papel que ele teve no momento posterior ao fim do embate, que ocorreu em 1694. Discutiremos a importância que o documento teve, assim como o Conselho Ultramarino, como instrumento de negociação para o sertanista no que tocava às promessas realizadas antes da sua entrada na guerra. Mesmo sem produzir a garantia de que seriam remunerados em seus pleitos, pretendemos demonstrar como aquele Conselho representava, no contexto mais geral da monarquia portuguesa da segunda metade do século XVII, importante espaço de garantia jurídica para os súditos portugueses do ultramar
A JANGADA DO SELF: USOS SOTERIOLÓGICOS DO EU E DO NÃO-EU NO BUDDHISMO ANTIGO
O objetivo deste artigo é sugerir que os ensinamentos Buddhistas sobreanattā(não-eu) não devem ser entendidos como uma negação categórica do eu, mas fazem parte de uma estratégia soteriológica comumente empregada pelo Buddha, de utilizar algo como ferramenta para o seu próprio fim. Tomando o kamma(ação) como o elemento central que estrutura todos os ensinamentos, podemos pensar na identificação do eu como um tipo de ação. Algumas instâncias desta ação serão hábeis e condutoras à libertação, e outras inábeis e condutoras ao sofrimento. Com isso em mente, este artigo irá analisar algumas ações inábeis do eu e do não-eu em suttasselecionados do Cânone Pali, mostrando como se encaixam na estratégia do Buddha de se utilizar de elementos como ferramentas para o abandono desses próprios elementos. Nessa perspectiva, o eu não é negado em absoluto desde o início do caminho, mas aprende-se a usa-lo de forma hábil como um meio de abandoná-lo.THE RAFT OF THE SELF: SOTERIOLOGICAL USES OF SELF AND NOT-SELF IN ANCIENT BUDDHISM ABSTRACTThe purpose of this article is to suggest that the Buddhist teachings on anattā (not-self) should not be understood as a categorical denial of the self, but constitute a soteriological strategy commonly employed by the Buddha, of using something as tool for its own demise.Taking kamma (action) as the main framework that structure all the other teachings, we can think of self-identification as a kind of action. Some instances of this action will be skillful and will lead to liberation, while others will be unskillful and will lead to suffering.With this in mind, the present article will analyze some skillful actions of self and not-self in selected suttas of the Pali canon, showing how they fit into the Buddha’s overall strategy of using elements as tools for their own demise. In this perspective, the self is not denied from the beginning of the path, but one learns how to use it skillfully in order to let go of it
DECOLONIALIDADE E PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS: NOVAS PERSPECTIVAS PARA A ÁREA DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO E TEOLOGIA
Recensão da obra Decolonialidade e práticas emancipatórias: novas perspectivas para a área de Ciências da Religião e Teologia, de Cesar KUZMA e Paulo Fernando Carneiro de ANDRADE (org.). São Paulo: Paulinas, 2019
TEOLOGIE DI DIALOGO: PAGINE SUL DIALOGO ECUMENICO E INTERRELIGIOSO NELLA STORIA DEL CRISTIANESIMO
Questo dossiê è stato proposto subito dopo la publicazione della Costituzione apostolica Veritatis gaudium, sulle università e sulle facoltà, che papa Francesco ha firmato il 29 gennaio 2018, per aprire uno spazio alla publicazione di articoli sull’argomento, dal momento che la pubblicazione della costituzione di ha aperto nuovi scenari, anche, e soprattutto, nel campo del dialogo ecumenico e interreligioso
La “Cuestión Indígena” y Los Derechos Humanos: Alcances y Potencialidades de Una Estrategia Política
Una cuestión fundamental a la hora de pensar los derechos de los pueblos originarios en el marco de los derechos humanos, es considerar la forma misma en que lo “indígena” es aprehendido y conceptualizado por la praxis político-jurídica que define los derechos humanos. Así, en un sentido fuerte, los derechos de los pueblos indígenas no se pueden separar del modo en que Occidente y la modernidad han incorporado lo “indígena” a la escena cultural contemporánea, es decir, a partir de una posición subordinada y excluida que, al mismo tiempo, incluye e instituye a los indígenas como tales en el lugar de los otros excluidos-incluidos, dominados y desvalorados. Pero, al mismo tiempo, dicha praxis permite, a partir de un uso contrario a esas operaciones y teniendo en cuenta la especificidad de la lucha de los pueblos indígenas y sus reivindica-ciones, conseguir una institución de esos colectivos como sujetos políticos y jurídicos en sentido pleno. Este artículo pretende entonces poner en evidencia la operación enunciada y analizar los mecanismos y dispositivos que los dere-chos humanos ofrecen a los pueblos indígenas en su lucha por constituirse como sujetos políticos y jurídicos plenos. En este sentido, el análisis toma una serie de herramientas provenientes del campo de la filosofía y la teoría política contem-poránea, así como destaca y profundiza la relación que lo “indígena” establece con los referentes básicos de la praxis político-jurídica de los derechos huma-nos: el Estado, la ciudadanía, la participa-ción socio-política, las formas democrá-ticas y la inserción en el horizonte socio-cultural (en particular, la clase y la etnia), en las sociedades latinoame-ricanas
Reflexões sobre a trajetória de Leopoldino Joaquim de Freitas (1818 -1889)
Neste artigo, investigam-se aspectos da trajetória de Leopoldino Joaquim de Freitas, homem ne- gro, descendente de ex-escravizados, que ocupou diversos cargos dentro do serviço público sul- rio-grandense, bem como no âmbito da Corte, durante o século XIX, com o intuito de refletir sobre sua mobilidade social, assim como sobre suas relações politicas. São expostos episódios nos quais é evidenciada a aproximação do personagem a figuras políticas regionais e, para tanto, são utilizadas como fontes diversos periódicos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Tam- bém se pontua sobre sua participação em espaços de sociabilidade como a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre, a partir das informações obtidas no Livro de Matrícula de Irmãos para os anos de 1845-1890. As informações aqui apresentadas consistem em um le- vantamento inicial sobre o referido personagem, e visam, especialmente na parte final do texto, a amparar questionamentos sobre a pertinência das categorias "elite" e "elite social negra" para a trajetória em questão
RELIGIÃO E MODERNIDADE: UM NOVO PARADIGMA
BERGER, Peter L. Os múltiplos altares da modernidade: rumo a um paradigma da religião numa época pluralista. [Tradução de Noéli Correia de Melo Sobrinho; revisão da tradução de Gentil Avelino Titton] Petrópolis: Vozes, 2017. 288 p. ISBN 978-85-326-5360-4. Preço R$ 47,90[Título original em inglês: BERGER, Peter L. The Many Altars of Modernity – Toward a Paradigm for Religion in a Pluralist Age. Walter de Gruyter GmbH, Boston/ Berlin, 2014. 161 p.