Portal de Periódicos da UCS (Univ. de Caxias do Sul)
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DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO REGIONAL E O DESEMPENHO DA ARRECADAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS NO PERÍODO DE 2012 A 2016: O CASO DOS MUNICÍPIOS DO DESTINO INDUTOR DAS HORTÊNSIAS (RS) | REGIONAL TOURISM DEVELOPMENT AND THE PERFORMANCE OF SERVICE TAX BETWEEN THE YEARS OF 2012 AND 2016: A CASE STUDY OF THE BRAZILIAN HORTENSIAS TOURIST REGION
O turismo tem apresentado crescimento nas últimas décadas, apontando relação direta com a prestação de serviços, na qual incide a tributação de ISSQN, um imposto municipal local. Através da arrecadação municipal são gerados bens e serviços à sociedade. Assim, a pesquisa teve como objetivo verificar o desempenho da arrecadação do ISSQN no período de2012 a2016, nos cinco municípios do destino indutor do desenvolvimento turístico regional das Hortênsias, no estado do Rio Grande do Sul. A metodologia utilizada foi o estudo de caso complementado por pesquisa bibliográfica, de cunho descritivo, com análise qualitativa e quantitativa. Os dados encontrados evidenciam a evolução da arrecadação de ISSQN em praticamente todos os municípios analisados. Ainda, através da arrecadação do ISSQN, identifica-se aumento na prestação dos serviços relacionados ao turismo e dessa forma a não interferência da crise econômica
PRÁTICA ESTRATÉGICA NAS ROTINAS DA FIRMA INOVADORA: CAPACIDADE DE ABSORVER CONHECIMENTO PARA MANTER A INOVAÇÃO | STRATEGIC PRACTICE IN THE ROUTINES OF THE INNOVATIVE FIRM: CAPACITY TO ABSORVE KNOWLEDGE TO MAINTAIN INNOVATION
Os recursos que conferem vantagem competitiva são construídos nas atividades diárias dos atores organizacionais ao longo do tempo. E, dado as mudanças constantes no ambiente, estes recursos precisam ser reconfigurados continuamente. Estudos recentes em estratégia, além de buscar entender quais são estes recursos, preocupam-se também sobre como são construídos e reconstruídos por meio das práticas dos atores/estrategistas. A abordagem das capacidades dinâmicas evoluiu no sentido de demonstrar como as organizações aprendem e assimilam o conhecimento a partir de fontes externas, por meio da perspectiva da capacidade absortiva (CA). Este processo é desencadeado em meio às rotinas da organização. Assim, este artigo tem o objetivo de oferecer contribuição aos estudos de gestão estratégica em firma inovadora, tecendo considerações sobre o desenvolvimento e manutenção das capacidades de inovação que são promovidas por meio das práticas realizadas pelos atores da organização. Como resultado é apresentado uma proposição de articulação teórica entre dois constructos principais: estratégia como prática e capacidade absortiva, sendo que a discussão tem como contexto a rotina da firma inovadora. A rotina é considerada padrão comum de uma organização, no entanto deve estar apta a mudança/inovação. Dessa forma, demonstrou-se teoricamente que a firma inovadora precisa desenvolver e ampliar a capacidade de absorver conhecimento externo e assim estar preparada para perceber as oportunidades no ambiente em que se insere e ser capaz de efetuar mudanças contínuas em suas rotinas. A inovação, como uma prática estratégica, concretiza-se por meio das ações diárias realizadas pelas pessoas que estão imersas nessas rotinas
Pressupostos epistemológicos nos processos de ensino e de aprendizagem a partir de uma perspectiva ética // DOI: 10.18226/21784612.v23.n3.6
No decorrer do artigo, são analisados diferentes pressupostos epistemológicos e suas possíveis implicações nos processos de ensino e aprendizagem no contexto educacional. Para tanto o texto parte de alguns esclarecimentos preliminares sobre a ideia de pressupostos e contextualiza aspectos do debate epistemológico em relação a algumas das matrizes educacionais mais expressivas. Ao propor uma análise da possibilidade de um conhecimento seguro e verdadeiro diante dos processos de ensino e aprendizagem, o artigo alcança seu ponto mais significativo de argumentação e coloca em debate concepções objetivistas e não objetivistas sobre o conhecimento. A fim de responder a tal debate, a argumentação seguirá de modo a justificar uma concepção epistemológica não objetivista e com estruturação de racionalidade nos moldes da filosofia prática e, por isso, numa perspectiva ética. Nesse percurso, a interdisciplinaridade é discutida e apresentada como decorrência da concepção epistemológica defendida pelos autores. Ao longo de todo o texto, são apontadas pistas de reflexão e de tomada de decisão que possibilitam compreender aspectos de diferentes matrizes do currículo na Educação Básica e Superior.Palavras-chave: Critérios de legitimação do conhecimento. Ensino e aprendizagem. Perspectiva ética do conhecimento
Democracia republicana e cidadania contestatória em Philip Pettit // DOI: 10.18226/21784612.v23.n2.8
A filosofia política de Philip Pettit realiza a leitura normativa da matriz republicana de pensamento político. Na sua construção historiográfica e normativa do significado do republicanismo é reafirmada a centralidade da liberdade como não-dominação. Pettit mantém o intuito de releitura da cidadania republicana como sendo inclusivista e que possui o cunho de realidade política (political realism) em sua notória preocupação com a condição social dos cidadãos. O republicanismo apregoa que a liberdade como não-dominação é o princípio necessário para avaliação de qualquer organização social e política. Esse princípio não se constitui como valor apriorístico da teoria política porque as relações não-dominadas serão compreendidas em suas diferentes formas e contextos. No âmbito social, ela exigirá que as relações entre indivíduos sejam justas e que não haja motivo para que se tenha medo ou deferência perante as diferenças econômicas ou sociais. A liberdade como não-dominação poderá oferecer os recursos sociais necessários para que não se tenha as relações assimétricas de capacidade de influência e escolha na sociedade política. No âmbito político, a liberdade republicana será representada pela capacidade dos cidadãos de influenciar e direcionar as decisões dos representantes políticos. Por isso, iremos abordar os elementos políticos necessários para a contenção da dominação pública (imperium). No âmbito político democrático, a oportunidade de participação política, a discussão das desvantagens sociais e políticas e as formas de contenção da dominação pública serão mecanismos para a diminuição da dominação pública. O exercício da contestação e o controle popular podem ser os mecanismos políticos para a saída da forma minimalista de compreender a ação política como realização das preferências individuais (Schumpeter) e significa a possibilidade de realização do ideal de bem comum pelo procedimento discursivo de formação da opinião e da vontade política. O debate e a contestação se constituem como o ambiente para o entendimento sobre as normas comuns que alicerçam a comunidade política. Nesse sentido, o modelo republicano de democracia prioriza o exercício dos direitos básicos políticos (liberdade de expressão, liberdade de voto, liberdade de associação, etc.) como sendo a ferramenta para a formação da vontade política. Além disso, ele salienta a atitude contestatória dos cidadãos perante as formas injustificadas de desigualdades de tratamento. A democracia republicana possibilita o compartilhamento dos direitos políticos entre os cidadãos e incentiva que eles exerçam o controle popular sobre as decisões governamentais.Palavras-chave: Republicanismo. Democracia. Contestação. PhilipPettit
A perspectiva da alteridade na educação // DOI: 10.18226/21784612.v23.n1.10
O estudo reflete sobre o conjunto de categorias que coloca a alteridade como princípio articulador e compreensivo do saber das diferenças em Emannuel Lévinas. Uma ética da alteridade é um desafio para uma sociedade que uniformiza os processos de ensino e desvaloriza o ser em uma relação de supremacia do eu frente ao alter. A esfera educacional é propícia ao desenvolvimento de uma ética da alteridade, pois tem por princípio o diálogo e o respeito ao outro, enquanto compromisso de abertura a uma comunidade de racionalidades plurais. Na ótica educativa, o ambiente escolar é um lugar de encontro com o outro para a construção de novas aprendizagens interativas, tendo a possibilidade de promover a ética da alteridade, num espaço de diálogo e escuta sensível. A formação educativa amplia a visão de mundo e humaniza as relações, cujo enfoque é pensar as inter-relações, as experiências, as singularidades, as imperfeições e inacabamentos, esclarecendo posições dogmáticas e compartilhando o respeito e o reconhecimento humano. Contribui ainda para uma formação integral do educando para deixar o outro ser outro, para uma cultura mais respeitosa e sem preconceitos, formando cidadãos que reconhecem e tornam compreensíveis seus atos. É um processo coletivo de (re)conhecimento para aprimorar o saber reflexivo, pois a aprendizagem acontece através de inter-relações entre os educandos, cada um com suas próprias diferenças. Concluímos que por meio de uma ética da alteridade de Lévinas, somos convidados a uma atualização formativa de abertura à pluralidade humana, tornando-se um desafio para o educador resistir aos modismos e visões centralizadoras, evitando que os sujeitos sejam vistos de maneira reduzida, homogeneizada e inexpressiva. Palavras-chave: Pluralidade humana. Ética da alteridade. Educação
Diversidade na Educação Escolar: limites e possibilidades // DOI: 10.18226/21784612.v23.n1.9
O presente estudo tem como objetivo investigar como a diversidade afrobrasileira e indígena está contemplada na educação escolar, compreendendo que a escola é um lugar estratégico de articulação, um espaço para propostas de mudanças em relação a uma educação que respeite as diferenças e singularidades. A problematização se pautou na reflexão do livro didático, nos desafios e nas práticas dos professores, com o objetivo de analisar e compreender as mudanças e permanências, as inclusões e exclusões, os estereótipos, os preconceitos, a visão etnocêntrica, as imagens, e os conteúdos que são veiculados na educação escolar. Quais representações e significados são veiculados nos livros didáticos e nas práticas dos professores, no sentido de perceber se estas questões levantadas contribuem para a ressignificação de uma educação escolar que estimule a formação de uma consciência histórica e cidadã. Utilizamos uma metodologia centrada em uma proposta investigativa crítica, com embasamento científico centrado em trabalhos de teóricos sobre a temática e, na compreensão de que o problema não se resolve com a criação de políticas de reparação das desigualdades, mas sim com ações incisivas para o tratamento e valorização da diversidade na escola. Das conclusões vimos que é relevante alterar valores, promover subsídios para que os profissionais da educação se insiram em um contexto de lutas mais amplo, em sintonia com o desejo por saberes diversificados, que vão além da disciplina escolar e do currículo, sabendo que não basta apenas denunciar e levantar dados. É fundamental a mobilização, o movimento, as ações coletivas, em um campo de luta em que a bandeira de combate ao preconceito e ao racismo seja permanente em todos os espaços, na escola, na sociedade e em toda a vida cotidiana. Palavras-chave: Educação escolar. Etnorracionalidade. Diversidade. Livro didático
Que dói: superlatividade causal nominal no português brasileiro
Este artigo analisa, de forma exploratória, a expressão que dói utilizada com função superlativa e intensificadora no Português Brasileiro, propondo sua matriz construcional sob a perspectiva da Gramática das Construções. Propõe-se que a expressão que dói [que VFinito] possui um elo de herança por subparte com a expressão de doer [de VInfinito], elencada por Carrara (2010) como Construção Superlativa Causal Nominal. O Corpus do Português, seção Web dialetos, foi escolhido para examinar o uso da expressão no Português Brasileiro
A voz-práxis das minorias entre literatura e política: algumas notas desde a recente produção da literatura indígena brasileira
Argumentamos que a literatura indígena brasileira contemporânea tem como dinâmica constitutiva fundamental a correlação de autoconstrução e autoafirmação com e como criticismo social e ativismo político, a partir da centralidade, nela, da voz-práxis xamânica, calcada na e dependente da constituição antropológico-ontológica, sociocultural e epistemológico-política do indígena por ele mesmo, para si mesmo, a partir de si mesmo e, depois, como contraponto à modernização. Intelectuais indígenas como Davi Kopenawa, Eliane Potiguara e Daniel Munduruku fundam e dinamizam seus textos literários exatamente nessa voz-práxis xamânica em que tradição, resistência e luta imbricam-se e sustentam-se mutuamente, constituindo um eu-nós lírico-político profundamente ativista, militante e engajado em torno ao Movimento Indígena, que tem na tradição ancestral a matéria para a formulação teórico-política e na condição de marginalização como minoria o núcleo normativo de sua voz-práxis público-política. Aqui, a promoção das culturas e dos saberes indígenas e a crítica social, a resistência cultural e a luta política imbricam-se de modo fundamental, definindo a superação do privatismo, a recusa do silenciamento e da invisibilização e a consolidação público-política dos povos indígenas, o que leva a uma profunda correlação de literatura e Movimento Indígena.
Os gêneros discursivos no campo de trabalho de engenheiros: as práticas situadas de linguagem
O presente artigo tem por objetivo discutir sobre os gêneros discursivos (escritos) que engenheiros apresentam como parte de seu dia a dia no campo de trabalho e lançar uma reflexão em torno do papel do ensino superior no que diz respeito à abordagem de tal questão. Para tanto, são apresentados parte de dados gerados a partir de entrevistas semiestruturadas gravadas em áudio com engenheiros formados e atuantes na sua área de formação. A análise é feita a partir de uma perspectiva que compreende o gênero como prática social que envolve a linguagem, com base enunciativa, ancorada no Círculo de Bakhtin, e nos Novos Estudos do Letramento. Os dados apresentados revelam o uso de diferentes gêneros discursivos no cotidiano profissional da engenharia e, imbricada a essa reflexão, está o ensino superior, cujo papel ainda se desenha diante desse aspecto específico
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Lima Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
O mercado editorial e as instâncias de produção de conhecimento acadêmico, a partir da década de 1950, podem ser considerados favoráveis em se tratando da publicação e realização de estudos biográficos sobre o escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922). O cronista do subúrbio de Todos os Santos figura entre as páginas de obras assinadas por críticos, historiadores e filólogos renomados enquanto um intérprete cujas opiniões críticas e polêmicas sobre a cultura e sociedade brasileiras são indispensáveis para se compreender o processo de modernização e inserção compulsória do Brasil na modernidade