Portal de Periódicos da Universidade Federal de São João del-Rei
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    Sobrecarga familiar e infantilização no cuidado de sujeitos com transtorno mental

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    O presente trabalho teve por objetivo investigar, a partir do referencial psicanalítico, as repercussões subjetivas de familiares de usuários de um Centro de Atenção Psicossocial, na cidade de Uberaba, Minas Gerais, após o diagnóstico de transtorno mental. De acordo com pesquisas, sofrimento e insegurança são constantes na família diante da situação de adoecimento mental. Para o processo de coleta de dados optou-se pela forma semiestruturada de entrevista e criou-se um roteiro contendo quinze questões, que foram aplicadas em cinco familiares. Obteve-se como resultados os sentimentos de sobrecarga, culpa, superproteção, infantilização e medo. Dentre eles, sobrecarga e superproteção foram os que mais apareceram nas entrevistas, o que está pareceu estar relacionado ao fato de os cuidadores terem pouca confiança na autonomia de seus familiares acometidos de sofrimento mental.&nbsp

    O UM: QUE ELE NÃO ACESSE O ZERO – ANÁLISE DE UMA NEUROSE EM A HORA DA ESTRELA DE CLARICE LISPECTOR

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    Neste trabalho temos como meta estudar aspectos do discurso e do universo psíquico de Rodrigo S. M., narrador-personagem em A Hora da Estrela – de Clarice Lispector. Evocamos a questão da ausência, da falta, do vazio, que encontra apoio nas palavras. Essa questão do vazio tem adquirido um papel central no entendimento de várias ciências como a física, a sociologia, a antropologia e a psicanálise. Nesta última a falta lança luz sobre a etiologia de vários estados psicológicos que se evidenciam no discurso e, que pelo discurso podem ser modificados. Nesse âmbito as representações pelas palavras criam uma vasta gama de quadros artísticos representativos maiores que se expressam na literatura, teatro e cinema. 

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    Pêcheux entre o sujeito da interpelação e o do inconsciente. Ou duas saídas para uma mesma questão

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    No presente artigo, buscaremos problematizar a articulação, realizada por Michel Pêcheux, entre as teorias de Louis Althusser e de Jacques Lacan, partindo de um tópico central, qual seja: a questão da identidade/identificação de um profissional enquanto parte de uma “classe” que compartilha certos elementos e ideias, mas que não forma uma categoria homogênea. Para tanto, em um primeiro momento, nos ocuparemos do processo de identificação para Análise de Discurso. Em seguida, apresentaremos duas saídas possíveis para nossa questão central. Por fim, buscaremos refletir sobre os motivos para haver duas saídas para essa questão, tendo em vista o impasse teórico enfrentado por Pêcheux ao teorizar sobre o sujeito, partindo da articulação entre duas abordagens distintas no que diz respeito a tal conceito

    Escrevendo o indizível

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    O artigo “Escrevendo o indizível” parte da pergunta fundamental de como pode haver um diálogo entre arte e psicanálise? Para tanto, as autoras buscaram referências teóricas como a de Freud, com a idéia de “estranho”, como Deleuze com a filosofia da diferença, e também algumas reflexões presentes em Merleau Ponty, Marilena Chaui, Ovídeo de Abreu e Lacan. Desta forma, as autoras discutem uma interface possível entre as duas áreas, colocando a arte de Bacon na esfera da hiância, do não sabido, do devir, do fazer com o Real. Pintor anglo-irlandês, produziu uma arte figurativa, entre as décadas de 40-80 pintando quadros com expressões do horror, da distorção, do despedaçamento. Este artigo é uma releitura de sua obra por meio da filosofia da diferença e do discurso psicanalítico lacaniano em suas concepções sobre a falta e repetição. Desta forma, a expressão única que são os quadros de Francis Bacon puderam ser palco de uma análise cuja perspectiva é da reinvenção da vida, lugar de possibilidade,  expressão que irrompe pelas fissuras do sempre mesmo e vem à luz.

    O LUGAR E A FUNÇÃO DA SUBLIMAÇÃO NA CLÍNICA DAS TOXICOMANIAS SUBLIMAÇÃO NA CLÍNICA DAS TOXICOMANIAS

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    O homem inserido na sociedade enfrenta um mal-estar, resultante dos antagonismos entre suas satisfações pulsionais e as exigências da civilização. Na tentativa de evitar esses sentimentos de desprazer, o homem não pode dispensar algumas medidas. Dentre elas, o uso de substâncias é uma das vias privilegiadas para tamponar esse mal-estar. Neste trabalho, destacaremos o (ab)uso de substâncias e sua consequente fusão sujeito/droga. Este trabalho pretende enriquecer a discussão sobre esse tema atual a partir das contribuições da psicanálise à clínica da toxicomania. Para avançarmos, retomaremos as contribuições freudianas acerca do uso de tóxicos (Freud, 1930) como uma via mortífera de escape ao mal-estar. A sublimação, como um dos destinos da pulsão, demonstra seu lugar e sua função nessa clínica. Ela incide na fusão sujeito/droga em prol da emergência do sujeito em uma via menos mortífera para satisfação da pulsão. Trata-se assim de uma clínica que oferta um lugar ao sujeito, antes apagado sob nomes universais, como “drogado”. Logo, os dados deste estudo nos indicam que a clínica psicanalítica pode oferecer um lugar ao sujeito toxicômano, a partir da construção de outros modos de satisfação, dentre eles, a via sublimatória

    A linguagem na estruturação do aparelho psíquico

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    A psicanálise tem como objeto o inconsciente, um saber falado que é estruturado como uma linguagem. A linguagem é fundamental à vida do espírito, ela antecede o sujeito e é estruturante. Apenas por meio dela podemos dotar de significação o mundo em que vivemos e os absurdos de nossa existência. Os fenômenos da linguagem estão intimamente relacionados à vida psíquica e sua importância pode ser percebida desde os primeiros trabalhos freudianos. Diante disso, este artigo tem como objetivo discutir o papel da linguagem na estruturação do psiquismo, partindo dos modelos de aparelho psíquico desenvolvidos por Freud, especialmente no princípio de sua obra, a fim de compreender o aforismo lacaniano segundo o qual o inconsciente é estruturado como uma linguagem. Entende-se, assim, que não somente o inconsciente segue as leis da linguagem, mas que não há discurso possível sem a condensação (metáfora) e o deslocamento (metonímia). Conclui-se, assim, que a linguagem estrutura o psiquismo e que, por isso, somos servos do significante

    O sujeito e a musicalidade da fala

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    RESUMO Procura-se abordar neste trabalho as questões relativas à musicalidade da fala. O sujeito se faz diante do limite imposto pelo interdito simbólico, mas,  no canto de sua fala, se coloca para além dos significados das palavras. A prosódia da fala, com sua musicalidade e entonação, destaca um valor não linguístico e transmite o desejo, deixa de fora a dimensão de sentido e transparece o que com palavras não pode ser dito. A musicalidade seria aquilo que escapa à censura e torna suportável a dívida simbólica. Aposta-se que a possibilidade do retorno ao sem sentido, à voz perdida no encontro com o simbólico, por meio da condição musical da fala, sobretudo no processo analítico, pode revelar algo sobre o funcionamento do sujeito. Enquanto cantarola em sua fala, ele se faz ouvir na sua posição subjetiva por esses vestígios musicados

    Contar histórias na Casa dos Cata-Ventos: um convite à escrita e à leitura

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    O presente escrito surge a partir da experiência da Casa dos Cata-Ventos. Trata-se de um projeto de pesquisa e extensão que oferece, desde 2011, uma proposta de intervenção com a infância e a adolescência apoiada na ética psicanalítica. Um lugar para brincar, conversar e contar histórias no município de Porto Alegre/RS, situado em um contexto marcado pelas desigualdades sociais e raciais. A pesquisa aborda os desdobramentos clínicos e políticos da oferta dos livros e das letras, disparada a partir da oficina de Contação de Histórias, dos empréstimos de livros e da construção de um ambiente letrado, nomeados pelas crianças como livração

    Marx, Freud, Lacan e a política: da Teoria Crítica à Escola Eslovena de Psicanálise

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    O presente trabalho propõe o resgate de alguns dos principais teóricos críticos ligados à Escola de Frankfurt e a sua relação com a psicanálise e o marxismo na primeira metade do Século XX. Esse “primeiro retorno à Freud”, no entendimento de Slavoj Zizek, antecede uma subsequente leitura lacaniana, sendo que ambas retomam a potência da psicanálise e a expandem para outros campos, tais como a filosofia, a arte e a política. É nesse sentido que iremos apresentar, na segunda metade desse artigo, a “Escola Eslovena de Psicanálise” e alguns de seus principais pensadores, a qual  entendemos como herdeira da diversidade intelectual frankfurtiana destacando as suas interfaces contemporâneas com o lacanismo. Nesse sentido, questões como ideologia, cultura pop e política irão ocupar um papel de destaque na análise da escola eslovena em sua retomada do conceito freudiano de mal-estar em acordo com um Zeitgeist do Século XXI

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