Publicações BAD (Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas - E-Journals)
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Os hypomnemata e a memória material: as agendas pessoais de Joaquim Paço d’Arcos
Os arquivos pessoais constituem, hoje em dia, uma das fontes primordiais para o estudo da história. Segundo Georges Perec “existem poucos acontecimentos que não deixam ao menos um vestígio escrito. Quase tudo, em algum momento, passa por um pedaço de papel, uma folha de bloco, uma página de agenda, ou não importa que outro suporte ocasional sobre o qual vem se inscrever, numa velocidade variável e segundo técnicas diferentes, de acordo com o lugar, a hora, o humor, um dos diversos elementos que compõem a vida de todo o dia” (1974).A prática de arquivar o “eu” constitui, sem dúvida, uma intenção autobiográfica. Escrever um diário, agendar o dia-a-dia, guardar a correspondência e outros papéis particulares, são práticas que refletem, nas palavras de Foucault, a preocupação do “eu”. Arquivar a própria vida pressupõe certamente espelhar na sociedade as várias facetas do “eu”.Os arquivos pessoais, como tipologia, contribuem para a preservação da memória e para a compreensão das sociedades modernas. Assim, podemos referir que estes arquivos interessam:Como fontes primárias de investigação, pois reúnem uma série de documentos dotados de uma memória singular. A sua construção reflete um tempo, mais breve que a maioria dos outros arquivos. Por outro lado, as tipologias documentais são geralmente mais ricas e variadas: podem conter obras resultantes de criação artística, documentação gráfica, documentação científica, documentação musical, etc. (documentos textuais, iconográficos, sonoros, audiovisuais e digitais). A inter-relação promovida entre os vários tipos de documentos torna-os, sem dúvida, mais ricos. Os arquivos pessoais, como núcleos de conhecimento, podem possuir mais informação do que aquela que na realidade contêm. Exemplo disso é o manuscrito de uma edição censurada. O perfil documental dos arquivos pessoais complementa-se, cada vez mais, com a anexação de registos de outras tipologias, como são exemplo os registos sonoro e vídeo do seu titular. A soma de todas estas tipologias levará à verdadeira dimensão do arquivo pessoal. Há também a considerar que, se a escrita muitas vezes não é neutra, a organização de um arquivo pessoal terá de sê-lo, garantindo um tratamento adequado e isento com base nos princípios arquivísticos.Como soma da criação e da biografia. Por vezes, os arquivos pessoais substituem ou complementam memórias não escritas ou podem conter informações importantes sobre o conhecimento e a perceção que uma pessoa tem de si mesma. É indubitável a implicação existente entre os processos criativos e o desenvolvimento pessoal do titular do arquivo. Este pode evidenciar uma experiência pessoal, uma crise, uma transformação e interesses contraditórios.Como fonte de informação, pois estabelecem um vínculo entre a memória histórica e a sociedade do conhecimento. Esta fonte de informação materializa-se através dos produtos elaborados: instrumentos de descrição documental, sítio web, etc.A valorização económica dos arquivos pessoais, depende, na opinião de Dexeus (2001, p. 13-34), de três aspetos:Do seu conteúdo: o verdadeiro valor está no seu conjunto, na unidade de toda a documentação;Da sua integridade: a existência de uma sequência seriada de todos os documentos;Do seu volume: a reunião da totalidade de documentos produzidos pelo titular do arquivo num único fundo.No entanto, La Torre (2006, p. 175-176) acrescenta aos aspetos anteriores mais cinco elementos:A antiguidade: os documentos mais antigos têm um valor económico maior;A importância e o papel desenvolvido pelo produtor do arquivo na sociedade;A extensão da documentação: saber se os documentos existentes no arquivo pessoal englobam a totalidade da vida do seu produtor - pessoal e profissional;A existência de documentação duplicada noutros arquivos. Neste caso, o valor do documento isolado deve diminuir substancialmente, a não ser que se conclua que um deles é o original.O valor que o arquivo pessoal ou o documento avulso tem para documentar determinados acontecimentos históricos, culturais ou artísticos de relevo.Esta comunicação que tem por base o desenvolvimento de uma dissertação de mestrado em Ciências da Documentação e Informação, possui como objeto de estudo o processo de organização, tratamento e disponibilização do Espólio Joaquim Paço d’Arcos que visa, genericamente, dar visibilidade à vida e obra de Joaquim Belford Corrêa da Silva (Lisboa, 14 de Junho de 1908 - Lisboa, 10 de Junho de 1979), conhecido pelo pseudónimo Joaquim Paço d'Arcos.Figura proeminente do século XX, Joaquim Paço d’Arcos foi ficcionista, dramaturgo, poeta e crítico; desempenhou, ainda, o cargo de chefe dos serviços de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros; dirigiu a Trans-Zambezia Railway; e presidiu à Sociedade Portuguesa de Escritores. Galardoado com vários prémios literários, o escritor foi caracterizado na sua escrita pela objetividade, tendo sido um dos escritores portugueses do século XX mais traduzido no estrangeiro. O conjunto de obras intitulado Crónica da vida lisboeta foi considerado, por muitos críticos portugueses e brasileiros, como uma grande referência da literatura portuguesa.O Espólio possui grande parte dos textos autógrafos do escritor, manuscritos, fotografias, correspondência recebida, documentos biográficos e familiares, recortes de imprensa nacionais e estrangeiros sobre a sua produção literária, fotocópias e recortes sobre assuntos profissionais e documentos relativos às instituições a que pertenceu. Considerando que os documentos acumulados ao longo da vida de uma pessoa têm valor arquivístico, torna-se necessário submetê-los às regras e normas estabelecidas e enfrentar as dificuldades e os problemas que a tarefa impõe. Encontra-se, também, no Espólio parte da sua biblioteca pessoal onde se destacam obras sobre literatura, linguística, economia e história.Um espólio, após o seu depósito, adquire algumas garantias, tais como: a custódia por parte da instituição que recebe e que deverá mantê-lo salvaguardado; a prevenção contra as causas de fragmentação e dispersão; a conservação que permita aumentar a sua longevidade. Assim, a ação de depósito do Espólio Joaquim Paço d’Arcos, por parte da família, na Fundação Minerva (entidade instituidora e gestora das Universidades Lusíada) representa, de forma inequívoca, o controlo da documentação e o acesso a ela, atribuindo-lhe, assim, o estatuto de fonte histórica.O estudo deste Espólio originou uma reflexão teórica e crítica sobre os seguintes aspetos: metodologias a adotar na organização dos arquivos pessoais; análise da tipologia documental existente no Espólio e a adoção de recursos técnicos e metodológicos capazes de atingir meios de recuperação da informação. Pretende-se, assim, com a organização do Espólio Joaquim Paço d’Arcos contribuir para o estudo e investigação de uma das figuras mais relevantes da cultura portuguesa do século XX
A colaboração e disseminação de informação como alavanca de mudança em CI : o Observatório de Ciência da Informação da U. Porto
O Observatório de Ciência da Informação da Universidade do Porto (OCIUPorto) é um projeto desenvolvido por estudantes no âmbito da Unidade Curricular de Gestão de Serviços de Informação, do 3º ano da Licenciatura em Ciência da Informação (LCI), constituindo-se anualmente equipas responsáveis pela sua gestão e melhoria contínua.Criado no ano letivo de 2006/2007, tem como objetivo monitorizar o percurso profissional, investigativo e formativo de cada alumnus, de modo a possibilitar a recolha e disponibilização de informação relativa ao percurso dos estudantes, garantindo a continuidade da ligação dos alumni à Universidade e à Ciência da Informação (CI) na U.Porto.O OCIUPorto pretende promover a comunicação entre os alumni, estudantes, corpo docente e investigador, instituições e empresas empregadoras, bem como acolhedoras de estágios e proponentes de projetos de dissertação, com o objetivo de dar a conhecer a área, promover e disseminar a produção científica, a organização e participação em eventos científicos e o espírito empreendedor e empresarial de estudantes e alumni.Tecnologicamente suportado pelo sistema de gestão de conteúdos Joomla!, está também presente nas redes sociais, procurando-se, assim, fomentar a capacidade colaborativa e potenciar a partilha e a comunicação por meio de uma fonte de informação única sobre a CI na U.Porto
Ponto, espaço, traço, espaço: estratégias e desafios na gestão de referências bibliográficas
A rápida evolução dos sistemas de informação e as novas abordagens ao nível da aprendizagem em ambiente académico contribuem para que os processos de pesquisa, descoberta e uso da informação se revelem cada vez mais exigentes. É neste contexto que a gestão de referências bibliográficas se revela uma competência essencial para a comunidade académica e científica, tanto na aplicação correta de citações e bibliografia como no uso e reutilização da informação. As bibliotecas da Universidade de Aveiro têm, ao longo dos anos, adotado projetos e linhas de ação no sentido do desenvolvimento de competências de literacia de informação dos seus utilizadores, de forma a constituir uma comunidade de utilizadores autónomos e competentes no uso e gestão de fontes de informação e nas estratégias que permitam facilitar o processo de construção de conhecimento. Pretende-se apresentar as atividades desenvolvidas no núcleo de apoio ao utilizador ao nível dos processos de gestão de referências bibliográficas e os resultados obtidos pelas respostas aos questionários de participação em sessões formativas, acesso ao serviço de referência e apoio a pesquisas e estatísticas de uso de software
O contributo da infoliteracia para a integração e melhoria do desempenho académico dos estudantes do 1º ano da FEUP
As bibliotecas universitárias confrontam-se com exigências crescentes no sentido de desempenharem um papel ativo nos processos de ensino e aprendizagem. A resposta a estas exigências tem passado pela implementação de abordagens que incluem a integração do ensino de competências de Infoliteracia em unidades curriculares. Dada a diversidade de contextos onde elas se podem implementar, é muito importante partilhar experiências e lições aprendidas, evidenciando dados e análises objetivas. Por isso a presente comunicação relata a experiência da Biblioteca da FEUP sobre a integração das competências de Infoliteracia no programa de uma unidade curricular que é transversal aos alunos dos cursos de mestrado integrado. Quatro componentes a estruturam: parceria com a comunidade docente, a integração da Infoliteracia no programa de uma unidade curricular (UC), o desenvolvimento de práticas pedagógicas e a adoção de tecnologias educativas. É feita uma análise retrospetiva da evolução da integração incremental da Infoliteracia nesta UC (nos anos letivos 2008/2009 a 2014/2015) que resultou num modelo híbrido apoiado no desenvolvimento de novas práticas pedagógicas e em tecnologias de suporte a um ensino interativo e a uma aprendizagem mais ativa e autónoma. Conclui-se que a evolução desta experiência contribuiu para a integração dos estudantes e para a melhoria do seu desempenho académico através do desenvolvimentos das suas competências de Infoliteracia
Agir comunicativo, informação e aprendizagem: novos rumos para a prática do bibliotecário
O presente artigo explora as possibilidades de atuação do bibliotecário no processo de ensino-aprendizagem fundamentada na teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas. Descreve iniciativas realizadas na Biblioteca da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Extensão e Cultura do Colégio Pedro II, instituição de ensino tradicional do Brasil, voltadas para uma aprendizagem baseada na interação comunicativa entre professores, alunos, bibliotecários e público externo. A Biblioteca de Pós-Graduação do Colégio Pedro II promove atividades extracurriculares com fins de aumentar a participação da comunidade em temas pertinentes ao ensino e a qualidade da produção acadêmica e técnico-científica da Instituição. Conclui que a biblioteca caracteriza-se como uma esfera propícia à interação e comunicação entre os atores da comunidade de usuários e um espaço potencial de produção cultural e de conhecimento. Sendo assim, o bibliotecário deve atuar como um mediador do aprendizado dialógico e discursivo
Memórias de Penacova
Esta proposta apresenta o projeto “Memórias de Penacova”, uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Penacova em desenvolvimento desde 2012, com o objetivo de recolher, preservar e divulgar o património cultural, material e imaterial, deste concelho. O concelho de Penacova é rico em memórias e práticas, muitas delas estão a ser esquecidas. Se, após o seu desaparecimento, delas nada restar, será como se séculos de história nunca tivesse existido e todo um conjunto grande de saberes se apagasse, assim urge recolher e preservar os modos de vida e as memórias relacionadas com o património cultural, material e imaterial do concelho de Penacova e apostar na sua divulgação, porque serão fontes de informação únicas e também um forte instrumento de construção identitária individual e coletiva
El Compromiso de las Bibliotecas Públicas con la diversidad sexual: análises de las iniciativas y experiencias desarrolladas en España y Portugal
Se analizan las principales experiencias desarrolladas, por las bibliotecas públicas en España y Portugal orientadas a combatir la exclusión de las personas LGTB y la homofobia social, vinculadas casi siempre a la celebración del 28 de junio, Día del Orgullo Lésbico, Gay y Transexual, y orientadas a la incorporación de fondos de temática LGTB a las colecciones, elaboración de guías de lectura y colaboración con colectivos LGTB en la organización de actividades de distinta índole (conferencias, mesas redondas…). Se hace un balance de las iniciativas puestas en marcha hasta el momento y se sugieren nuevas líneas de trabajo para que las bibliotecas públicas españolas y portuguesas se conviertan en un instrumento que contribuya a la integración de la comunidad LGTB en la sociedad
A gestão integrada da informação no Arquivo Municipal de Lisboa
O projeto, pioneiro em Portugal, de digitalização dos processos de obra particulares do município de Lisboa, iniciado em 2005, no AML, assume-se como decisivo na prossecução da gestão integrada da informação por esta organização. Trata-se de um conjunto de processos relacionados com um edifício, documentando a vida de um imóvel desde a construção até ao final da sua existência, isto é, até à demolição total. A opção por esta série deveu-se a ser a mais consultada e com pedidos de reprodução pelos clientes do AML, apresentando características específicas no que respeita à sua organização, acondicionamento, formatos, tipologias de documentos ingressos, cores e tamanhos, sustentada na tentativa de implementação do modelo de gestão integrada da informação, com recurso às TIC. Deste modo, por um lado, o projeto de digitalização desta documentação teve como objetivo central dotar o município da capital, através de software e hardware, de uma estrutura totalmente digital. Por outro, o público do AML foi o motor deste projeto, no sentido em que se procurou conhecer as suas necessidades de informação, planeando políticas com vista a uma resposta mais célere e eficiente.
O Arquivo Fotográfico e Sonoro Digital do PSD
O livre acesso aos arquivos e aos documentos que os integram é um direito democrático fundamental dos cidadãos. É essencial que as organizações, e os respetivos arquivos, possuam os recursos necessários para permitir o acesso à informação e ao conhecimento.O Partido Social Democrata disponibiliza, desde 4 de dezembro de 2014, data do 34.º aniversário do falecimento de Francisco Sá Carneiro, parte do seu Arquivo Fotográfico Digital, a partir do sítio web do partido, em http://www.psd.pt/, sendo também possível aceder diretamente ao mesmo através do endereço eletrónico http://fotos.psd.pt/atom/. A comunicação do Arquivo Fotográfico Digital do PSD, que já conta com cerca de 5600 documentos, é um acontecimento relevante no contexto arquivístico, já que pela primeira vez um partido político disponibiliza a sua informação a partir de um software de gestão de arquivos, o AtoM, sem restrições de acesso, em ambiente web, através de um servidor HTTP, em conformidade com as normas do Conselho Internacional de Arquivos. No mesmo sentido, o PSD começou a disponibilizar, desde 6 de maio de 2015, o seu Arquivo Sonoro Digital, um espólio de grande riqueza, não apenas da sua atividade político partidária, como indissociável da história contemporânea de Portugal dos últimos 40 anos.
A b-on e a preservação digital de periódicos eletrónicos: o projeto Portico
ResumoO número de periódicos científicos em formato digital tem vindo a aumentar significativamente na última década. Existem cada vez mais conteúdos a transitar para o digital ou até mesmo a nascer em formato digital, não tendo, por isso, uma cópia “física”. No mundo do papel, a responsabilidade da preservação estava vinculada ao proprietário e era tradicionalmente uma função das bibliotecas e dos arquivos. Na era digital, o vínculo entre o proprietário, a preservação e o acesso foi alterado. A escala e a complexidade da infraestrutura tecnológica exigida, os conhecimentos especializados e os processos de controlo de qualidade necessários à preservação de recursos eletrónicos são extremamente exigentes e dispendiosos.Tendo a b-on recursos exclusivamente eletrónicos esta é uma questão fundamental, pelo que foram analisadas várias soluções tendo a escolha recaído sobre o Portico.IntroduçãoOs periódicos científicos têm desempenhado um papel fundamental no sistema de comunicação científica. Com a migração do impresso para o ambiente digital, a comunicação científica deixou de ser possível sem o acesso a informação do passado, pelo que a preservação dos periódicos científicos eletrónicos se tornou numa das principais preocupações dos bibliotecários.Muitos dos stakeholders da publicação científica perceberam a importância e urgência de tomarem medidas que garantissem a preservação e o acesso a este tipo de conteúdo de forma eficaz.Sendo a b-on e-only tem naturalmente como preocupação a manutenção do acesso aos conteúdos subscritos por parte de todas as suas instituições, mesmo quando as mesmas por questões diversas se vêm obrigadas a deixar o consórcio. “Com o aumento da produção de informação em formato digital, tem sido questionada cada vez mais a importância de se ter garantia a sua disponibilização e preservação por longos períodos de tempo [...]. Os objetos digitais não podem ser deixados em formatos obsoletos para serem transferidos depois de longos períodos de negligência para repositórios digitais.” (Márdeder Arellano, 2004, p.16).Apesar de haver um consenso entre editoras, bibliotecas e utilizadores sobre as vantagens dos periódicos em formato eletrónico, há questões que não devem ser esquecidas e que constituem verdadeiras preocupações, como: o crescente aumento das assinaturas eletrónicas, a falta de verbas das instituições para a manutenção e renovação das mesmas, a economia instável, entre outras, que podem contribuir para o cancelamento de diversas subscrições. Tendo a b-on recursos exclusivamente eletrónicos esta é, pois, uma questão fundamental, uma vez que existe a preocupação de garantir a preservação dos conteúdos subscritos por forma a: Proteger o investimento assegurando o acesso aos conteúdos em caso de perda por motivos de força maior;Assegurar o acesso de conteúdos subscritos aquando da saída de membros e a ex-membros; eAssegurar o acesso a títulos transferidos. Método Atualmente, e de modo a garantir o acesso aos conteúdos eletrónicos a longo prazo é a necessidade de uma solução de arquivo compatível com o formato digital. São já várias as soluções de preservação possíveis, tendo a b-on, analisado quatro: Armazenamento local;LOCKSS;CLOKSS; ePortico Na análise das várias soluções foram estabelecidos como essenciais os seguintes critérios: Termos e condições de acessoSuporte à tipologia consórcio e/ou instituiçãoConteúdos (editores, títulos e cobertura temporal)Custos (adesão e suporte e infraestrutura técnica) ResultadosDas quatro soluções avaliadas a escolha recaiu sobre o Portico (http://www.portico.org). O Portico é a resultado de uma iniciativa do JSTOR (acrónimo para Journal Storage) que em 2002 procurou encontrar e desenvolver um modelo de preservação para a literatura científica (periódicos e livros). Atualmente é um serviço autónomo que recebe apoios da Biblioteca do Congresso dos EUA, do JSTOR, do Ithaka e da Andrew W. Mellon Foundation. A estratégia consiste na centralização do processo de preservação no Portico, retirando às bibliotecas e aos editores a tarefa de se ocuparem autonomamente desse problema. Em contrapartida, é-lhes pedido apoio financeiro e, no caso dos editores, autorização para que o Portico possa preservar e dar acesso permanente aos recursos, mesmo nos casos em que o editor desaparece, descontinua um título ou em que a biblioteca deixa de subscrever o serviço ao editor. Tecnicamente, o processo resume-se à receção do material original e à respetiva conversão para o formato de preservação. Os formatos, esquema de metadados e modelo usados são: Journal Archiving and Interchange DTD, PREMIS, OAIS. A missão do Portico é preservar a literatura científica/académica publicada em formato eletrónico e assegurar que estas publicações permaneçam acessíveis no futuro. Tanto editores como bibliotecas cooperam com o Portico na preservação de publicações; a abordagem da comunidade base do Portico assenta na colaboração ativa entre estes intervenientes-chave.O Portico assegura o acesso aos conteúdos arquivados quando ocorrerem situações específicas (Trigger Event Access), ou quando os títulos já não estiverem disponíveis no editor ou noutra fonte designadamente: O editor desaparece ou cessa atividade,O título deixa de ser publicado,As edições anteriores deixam de estar disponíveis ouSe se verifica uma falha catastrófica e continuada da plataforma do editorA instituição cancela a subscrição e o editor delegou no Portico o Post Cancelation Access;Este último ponto é de extrema importância e como refere Fenton (2006, p.83)“In addition to these trigger events, both publishers and libraries have recognized that, in some cases, even after a library has terminated a license to an electronic resource, it may be necessary for that library to continue to have ongoing access. This is commonly known as “perpetual access” or post-cancellation access. A publisher may choose to extend perpetual access to a library and that access can be provided through the Portico archive if the publisher desires. In addition, select librarians at participating libraries are granted password-controlled access to the archive for verification purposes. This verification access, which is granted to the entire archive, is not intended to be used as a replacement for commercial document delivery services or to fulfill interlibrary loan requests. Finally, all publishers participating in the archive have full access to their own content and any content for which a trigger event prevails”. DiscussãoO arquivo de periódicos científicos eletrónicos é uma questão complexa e com consequências sociais, económicas, legais, organizacionais e técnicas “ Preservation of digital materials is a dynamic and evolving process: the methods are changing, as are the technical requirements” (Ross, 2012,p 47). Apesar de existirem atualmente diversas soluções, não existe nenhuma que garanta a preservação de todos os conteúdos devido à natureza e tipologia dos mesmos, pelo que ainda não há soluções ideias.O armazenamento local é uma solução muito dispendiosa e com necessidade de alocação de Recursos Humanos e infra-estrutura técnica; o CLOCKSS não se adequa, uma vez que não suporta o post-cancellation;o LOCKSS garante o acesso em tempo real quando o conteúdo não está disponível, no entanto, não integra os principais editores da b-on, pelo que o Portico é a solução mais viável, uma vez que apresenta a maior taxa de cobertura dos conteúdos subscritos e garante o post-cancellation.No caso concreto da b-on, muitos dos conteúdos subscritos incluem uma elevada taxa de títulos disponibilizados por um agregador (EBSCO) e que por isso não são passíveis de preservar, no entanto e das várias soluções analisadas o Portico parece ser a que melhor satisfaz os objetivos de preservação e que melhor se adequa aos requisitos do projeto de preservação. Cabe, então, à b-on continuar a acompanhar o desenvolvimento das iniciativas de preservação, estabelecer parcerias internacionais visando soluções de armazenamento local por forma a partilhar serviços e custos e continuar a pressionar os editores a participar nos projetos de preservação e facilitar o acesso aos conteúdos. ConclusõesA preservação digital é hoje um grande desafio, ao qual a b-on não está indiferente. É, pois, necessário prever e garantir a disponibilidade a longo prazo dos conteúdos científicos digitais, pelo que é fundamental encontrar uma solução de arquivo adequada. São várias as abordagens tendo cada modelo as suas próprias forças e fraquezas. Não existe, no momento, uma solução que garanta a preservação de tudo o que é subscrito. O importante é conhecer as várias soluções existentes, avalia-las e acompanhá-las de modo a tomar a decisão mais conveniente e que melhor respondas às necessidades e anseios da comunidade. Como a tecnologia da informação está em constante mudança e a um ritmo acelerado, muitas mais iniciativas podem ser desenvolvidas, havendo assim muito trabalho ainda a ser feito de modo a alcançar um serviço de arquivo ideal para os periódicos eletrónicos