Universidade Regional do Cariri (URCA): Portal de Periódicos
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CARANGUEJOS COM CÉREBRO: O MANIFESTO COMO GÊNERO DISCURSIVO
Este artigo visa explorar elementos constitutivos dos gêneros discursivos, buscando identificar no texto Caranguejos com cérebro, de autoria do pernambucano Fred Rodrigues Montenegro – também conhecido pelo nome artístico de Fred Zero Quatro — aspectos composicionais e discursivos de seu corpo textual. No texto, que ficou amplamente marcado como Manifesto Manguebit, pretendemos analisar seus atributos expressivos e sua identidade discursiva, elementos comuns que a ele atribuem estabilidade e o situam como caso problemático dentro da discussão sobre gêneros discursivos primários e secundários proposta pelo pensador russo Mikhail Bakhtin em seus estudos dialógicos. Para tanto, cruzaremos e compararemos estes elementos textuais e expressivos, buscando identificar sua construção composicional, seu estilo e seu conteúdo temático, relacionando-os com sua compreensão, seu reconhecimento e suas repercussões responsivas, conceitos estes também abordados nos estudos teóricos de Bakhtin, especialmente no ensaio “Os Gêneros do Discurso”.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i4.316
A ARTE IMITA A NÃO-VIDA: FERNANDO PESSOA
Na obra de Fernando Pessoa, percebe-se um indivíduo perdido numa espécie de exílio e em “busca de si” dentro da própria alma. Sua escrita colige alter egos que afluem em torno de um abismo axial, nas recorrências em que negam a vida e afirmam a morte. Sua expressão não literária demonstra a tristeza das perdas, além da oposição aos valores, à mentalidade e aos costumes portugueses. A par da ideia de Jorge de Sena (1974) quando afirma que Fernando Pessoa corteja a morte durante muitos anos, este estudo, que faz parte de um projeto em andamento, avança na investigação de possibilidades externas subjacentes à representação da morte na obra do poeta. O percurso de leitura e análise busca identificar elos entre a produção escrita e a vida do poeta, pressupondo que a estética da morte reflete sombras de um estado psíquico de tristeza e desterro. Tornam exemplo da associação entre vida e obra as mudanças desde a infância, as perdas, sua formação britânica, e a produção escrita em Portugal. Sua obra, neste trabalho, se reconstrói como uma ponte pênsil, arisca, bifurcada, que liga história e poesia; espaço e tempo.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i3.323
CINEMA, LEITURA E ENSINO: UMA TRILOGIA DE SUCESSO
Este trabalho relaciona cinema, leitura e ensino. O objetivo principal é apontar as contribuições da sétima arte para o ensino e aprendizagem em sala de aula, em especial para desenvolvimento de competências leitoras. Duas perguntas nortearam este estudo: qual a importância de se trabalhar com filmes na escola? E como podemos contribuir para aprimorar competências de leitura a partir do trabalho com filmes? Para responder a tais indagações, buscamos conceituar texto e leitura, procurando demonstrar que a leitura não pode ser associada apenas ao código verbal escrito, já que os textos podem ser verbais, não verbais ou sincréticos - como é o caso dos filmes. Também discorremos sobre a história do cinema e apontamos elementos não verbais que produzem sentidos na linguagem cinematográfica. Por fim, procuramos mostrar que os filmes são fontes de conhecimento sobre o mundo, leituras capazes de instigar reflexões e modificar ações, sendo peças fundamentais nas instituições de ensino. O percurso traçado pode auxiliar na abordagem desses textos em sala de aula, apurando o olhar de professores e alunos, o que justifica o interesse em compartilhar este estudo.Palavras-chave: Cinema. Leitura. Textos multissemióticos. Ensino e aprendizagem. DOI: https://doi.org/10.47295/mgren.v10i1.2805
FILHO SEM PAI, PAI SEM FILHO: A ESCRITA ÍNTIMA DO LUTO
Um filho perde o pai. Um pai perde uma filha. São esses os títulos e enredos das duas narrativas selecionadas para a análise a seguir. O primeiro volume da saga Minha Luta, de Karl Ove Knausgård, se intitula A morte do pai (2009). O romance de estreia do brasileiro Tiago Ferro, O pai da menina morta (2018). A década de diferença não altera o foco dos romances: a morte, o luto, a escrita. A partir de uma leitura comparativa entre as duas obras, objetivamos analisar a representação do luto (e do enlutado) na literatura autoficcional contemporânea. Para tanto, nos pautaremos em teóricos, tais como Lejeune (1975), Arfuch (2002), Freud (1917), entre outros.Palavras-chave: Luto. Literatura contemporânea. Autoficção. DOI: https://doi.org/10.47295/mgren.v10i1.294
O LEITOR NO CENTRO DA LITERATURA: ESTÉTICA DA RECEPÇÃO E LETRAMENTO LITERÁRIO
O presente artigo visa a esclarecer as contribuições da Estética da Recepção para o letramento literário, observando as possíveis aproximações entre ambas as noções. Para atingir esse objetivo, revisita-se a Estética da Recepção sob a ótica de Jauss e, na sequência, analisam-se os pressupostos relativos ao letramento literário, de Cosson, relacionando-os ao conceito de recepção. Por meio desta pesquisa de natureza bibliográfica, foi possível observar que, à luz dos pressupostos teóricos da Estética da Recepção, deve-se reservar espaço ao leitor no processo de letramento, que a literatura tem uma função social a ser explorada nas salas de aula e que se deve considerar e buscar ampliar o horizonte de expectativa do jovem leitor.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i8.384
EXPEDIENTE
Material com os dados técnicos da Revista Cidade Nuvens: ficha técnica, ficha catalográfica, Conselho Editorial e sumário
DIREITO PENAL DO INIMIGO NO FILME LARANJA MECÂNICA: REFLEXOS DA FICÇÃO NA REALIDADE
Para tentar dar respostas mais efetivas às novas modalidades de delinquência, os ordenamentos jurídicos ocidentais têm passado por mudanças. Apesar de serem necessárias adaptações, acredita-se que as medidas tomadas podem estar prescindindo de discussões técnicas adequadas e relativizando os pilares sobre os quais se estruturou o Direito Penal no Estado Democrático de Direito. Neste sentido, a Teoria do Direito Penal do Inimigo do jurista alemão Günther Jakobs tem influenciado diversos institutos e legislações. Desta feita, este estudo teve como objetivo compreender a referida teoria, a partir de uma abordagem lúdica por meio do filme Laranja Mecânica, do diretor Stanley Kubrick, buscando estabelecer uma comparação com a realidade. Quanto a metodologia, utilizou-se do método dialético de abordagem, orientando a pesquisa pelos aspectos sociais, políticos e culturais dos problemas que afetam a sociedade. A pesquisa, por sua vez, foi bibliográfica e qualitativa. Como síntese dos resultados, observou-se que há uma tendência de falha da aplicação social da Teoria do inimigo da mesma forma que seu na película. Palavras-chave: Direito Penal. Direito Penal do Inimigo. Compatibilidade. Estado Democrático de Direito. Laranja Mecânica
UMA DISCUSSÃO ACERCA DAS SENSIBILIDADES E EXTERIORIDADES DE UM INTELECTUAL FRONTEIRIÇO
O poeta subalterno não está morto, está mais vivo do que nunca, pois seus antepassados fazem parte do que ele é hoje, e seu pensamento está galgado às histórias da borda, à família da fronteira, e está facultado a buscar, a procurar o que ainda não conhecia, o presente. O professor sul mato-grossense Edgar Nolasco imprime em sua poesia suas vivências vividas naquela zona de fronteira sem igual, exteriorizando com singeleza que é na travessia que a família fronteiriça se reúne e se dispersa, como um redemoinho que emerge repentinamente no meio do campo descampado, não se importando com o pensamento hegemônico. Nolasco teoriza seu discurso a partir de seu lócus fronteiriço, fronteira-Sul Brasil/Paraguai/Bolívia, a fronteira de barrado sanguinolento e crepúsculo oscilante onde canta o urutau, pássaro de canto fúnebre e que é símbolo do cerrado brasileiro. Seus escritos poéticos são entranhados por suas memórias subalternas, e se encontram presentes na trilogia Pântano, Oráculo da fronteira e A ignorância da Revolta. É nesse caminho que este trabalho pretende caminhar, a partir do estudo da poética ficcional de Edgar Nolasco, nascido na fronteira e desobediente de nascença.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i7.368
AFUNILAMENTO SUBJETIVO NA POÉTICA DE GLAUCO MATTOSO
Críticos e acadêmicos tiveram sucesso em perceber a multiplicidade de possibilidades de entrada na obra de Glauco Mattoso. Atravessam sua produção a psicanálise, o erotismo, a política e muito além, mas sempre a partir de uma subjetividade marcada, pulsante e inquieta. O presente artigo pretende analisar de que forma é construída essa subjetividade e a partir de que mecanismos ela se apresenta. Recorremos a pensadores da poesia contemporânea para refletirmos sobre a construção do eu lírico mattosiano, que, acreditamos, oferece uma experiência poética de não identificação, a partir de uma construção subjetiva pautada na restrição e no distanciamento do universo do leitor.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i7.365
AQUISIÇÃO DE ONSETS COMPLEXOS EM CRIANÇAS COM DESENVOLVIMENTO FONOLÓGICO TÍPICO
Com base na descrição do processo fonológico de simplificação de encontro consonantal e suas estratégias implementacionais, descrevemos a aquisição de onsets complexos C + /ɾ/ e C + /l/ em sílabas CCV. Participaram da pesquisa 28 crianças de educação infantil de Fortaleza-CE, falantes do português como língua materna com desenvolvimento fonológico típico, na faixa etária de 2:0 a 5:6. A análise dos dados revelou que a) a elisão do segundo elemento do encontro consonantal é a estratégia mais empregada durante a aquisição dos onsets complexos, sobretudo na faixa etária de 3:0 a 3:6; b) não há diferença temporal no ritmo aquisicional de C + /ɾ/ em comparação a C + /l/ nas faixas etárias investigadas; c) as crianças descartam as estratégias implementacionais do processo de simplificação do encontro consonantal entre 4:0 e 4:6.DOI: https://doi.org/10.47295/mren.v10i5.337