Revista de Ciências da Educação (Centro Universitário Salesiano de São Paulo)
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O AUTO DO BUMBA MEU BOI: CULTURA POPULAR COMO INSTRUMENTO DE ALFABETIZAÇÃO
A alfabetização é um dos grandes desafios do século XXI. Assim, professores, conscientes de seu papel no processo de alfabetizar, buscam realizar ações pedagógicas que enfoquem o desenvolvimento e a construção da linguagem a partir de atividades que possibilitem a leitura e a escrita em dimensões reais, naturais, significativas e vivenciadas. Na tentativa de atingir tal propósito e cientes de que é inegável o papel da cultura popular na vida de todo ser humano, elaborou-se o Projeto Auto do Bumba-Boi, cujas atividades realizadas com as histórias de Catirina e de Pai Francisco, personagens do auto, visavam alfabetizar alunos da III etapa do ensino fundamental de uma escola pública de São Luís, Maranhão, usando as manifestações culturais da região a que eles pertencem. Vale ressaltar que o bumba meu boi, dança escolhida como eixo da pesquisa, é uma das lendas mais conhecidas do folclore brasileiro. Com origem datada do século XVIII, ele está presente em diversos estados com diferentes nomes: boi-bumbá, boi de reis, reisado cearense e boi de mamão
A RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA NOS CURRÍCULOS DE ENGENHARIA
Este trabalho está integrado em uma colaboração internacional entre quatro universidades, pertencentes a países diferentes, e pretende contribuir para uma comparação das perspectivas existentes entre Espanha, Portugal e México, para a inovação curricular na área profissional de Engenharia. Neste artigo, iremos apresentar perspectivas comparadas dos alunos dos cursos de Engenharia de quatro universidades iberoamericanas: em Portugal, a Universidade do Minho; na Espanha, a Universidade da Coruña; e duas universidades pertencem ao México, a Autônoma de Aguascalientes e a de Guanajuato. Analisamos as percepções de alunos sobre o lugar da responsabilidade social no currículo dos cursos, assim como o que é vivenciado e experienciado pelos alunos naquilo que diz respeito à responsabilidade social, no senso amplo no ambiente das experiências na sociedade em geral e específico no ambiente universitário. Para a coleta dos dados, utilizamos o instrumento qualitativo denominado grupo focal. Este trabalho pretende contribuir para a inovação curricular e educacional na educação superior. As preocupações com a responsabilidade social foram, em junho de 2012, debatidas em escala global pelo Rio+20. Urge debater a problemática da Responsabilidade Social Universitária (RSU), pois as instituições de ensino superior são agentes privilegiados no que diz respeito à sedimentação da importância da temática junto aos alunos, à ação docente e à sua gestão. A área de Engenharia, aqui tratada mais especificamente, é fulcral para a criação de um futuro sustentável, pois é composta de atividades profissionais com grande impacto em termos da tríade da responsabilidade social, envolvendo, conjuntamente, seus aspectos ambientais, econômicos e sociais
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: As Vozes dos Oprimidos
O analfabetismo no Brasil ainda se encontra em patamares altíssimos, e, diante desse fato, não é possível deixar de discutir o tema. Além dos programas governamentais, de organizações não governamentais (ONGs) e de entidades do terceiro setor, que se preocupam com essa questão, vislumbramos universidades que, por meio da extensão, empenham-se nesse trabalho. Este texto tem por objetivo apresentar uma experiência de alfabetização de jovens e adultos desenvolvida pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Trata-se do projeto denominado Educação Interdisciplinar de Jovens e Adultos, que pertence ao Núcleo de Trabalho Comunitário (NTC) O trabalho fundamenta-se em autores que discutem as categorias cidadania (GOHN, 2003, 2009; MARSHALL, 1967) e reconhecimento social (HONNNETH, 2007, 2009). Utilizamos como procedimento metodológico entrevistas semiestruturadas com seis alfabetizados. Os dados apontam que as metodologias empregadas nas aulas ministradas pelos educadores sociais são primordiais para a alfabetização, uma vez que oferecem aos alfabetizandos a chance de entrar em contato com a leitura e a escrita, de forma diferenciada. Ressaltam que têm a oportunidade de se expressarem e que nada é forçado, isto é, são valorizados o ritmo e a experiência de vida de cada um, fato esse que os faz sentirem-se valorizados e reconhecidos como cidadãos
RESILIÊNCIA EN LA ESCUELA
Reconhecendo a importância da resiliência no construto educacional, esta resenha, baseada no livro “Resiliência na escola”, objetiva favorecer a reflexão e a prática para que as instituições educacionais sejam ambientes privilegiados para o desenvolvimento de competências resilientes em toda a comunidade por elas envolvidas
IMPORTÂNCIA DO PROCESSO ESCOLAR NO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO FEMININO NO ESTADO DO PARÁ
O Centro Socioeducativo Feminino (CSEF) está localizado no município de Ananindeua, no Estado do Pará. Essa é a única unidade no Estado que atende a adolescentes do sexo feminino (dos 13 aos 17 anos) que cumprem medida socioeducativa, em regime de internação provisória (45 dias), internação (que pode ir de 1 até 3 anos) e semiliberdade. Dentro desse espaço socioeducativo, ocorre o processo de escolarização, que atende a alunas da 1ª à 4ª etapas do ensino fundamental (1ª ao 9ª anos no ensino regular), além daquelas que estão cursando o ensino médio. São desenvolvidas atividades/projetos multidisciplinares como forma de garantir uma melhor aprendizagem dos conteúdos e temáticas trabalhadas. O objetivo da investigação foi avaliar, sob o ponto de vista dos direitos humanos, de que forma é desenvolvido o processo de escolarização na unidade socioeducativa feminina CSEF e como ele é aceito pelas adolescentes, além de suas contribuições no processo de socioeducação dessas jovens. Para avaliar o processo de escolarização, foram determinados percentuais/metas em dois critérios básicos avaliados: a metodologia utilizada no processo de escolarização e a relação entre professores e alunas. A coleta dos dados para comprovação das metas/percentuais foi feito por meio de instrumentos que garantiram a confiabilidade e precisão da observação dos dados, como entrevista com as alunas, coordenadora pedagógica da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), responsável pela organização da escolarização na unidade e a gerência da unidade CSEF, além de listas de comprovação, aplicadas por meio de observação participante dos avaliadores nas aulas desenvolvidas no período de agosto a novembro. Os resultados obtidos no processo de coleta e de análise de dados foram positivos e comprovaram que o processo de escolarização, desenvolvido no ambiente socioeducativo feminino, apresenta contribuições positivas para a vida dessas adolescentes que fazem parte desse processo de ensino-aprendizagem e buscam motivação para encontrar novas alternativas para sua mudança de vida
CONSCIENTIZAÇÃO EM UM CURRÍCULO DE INFORMÁTICA: Um Estudo de caso de um Modelo de Informática Comunitária em Bangalore, Índia.
Políticas públicas na Índia asseveram que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vêm promovendo benefícios educacionais e provendo modos inovadores de educar crianças indianas em idade escolar. Entretanto, muitas das crianças na Índia não têm acesso nem mesmo a um único computador em suas escolas ou onde habitam. Isso é especialmente comum nas áreas de favelas indianas, as quais, frequentemente, refletem o “efeito Matthew”, no qual os ricos se tornam mais ricos, e os pobres, mais pobres, baseados em seus níveis de acesso a recursos como tecnologia informática. O objetivo deste estudo é descrever e relatar a respeito de intervenções em tecnologia informática destinadas a jovens vivendo em favelas indianas. Especificamente, o artigo examina um estudo de caso de um esforço de base, chamado de modelo de informática comunitária,em Bangalore, Índia. Esse modelo é um centro tutorial frequentado por jovens fora do horário escolar, que provê um currículo holístico de educação em informática para ajudar os estudantes a aprender tanto sobre tecnologia informática como para usar o computador para transformar sua comunidade. Empregando o conceito de Paulo Freire de conscientização como estrutura teórica, o artigo analisa e discute as implicações que um modelo como este, de informática comunitária, poderia ter em auxiliar as crianças de favelas indianas a desenvolver uma consciência crítica sobre problemas sociais, assim como a usar a tecnologia computacional com propósitos emancipatórios
TERCEIRA IDADE, EDUCAÇÃO SOCIAL E INCLUSÃO DIGITAL:: Uma análise pautada no Projeto "Sempre é Tempo de Saber"
O artigo ora apresentado aborda a temática terceira idade, educação social e inclusão digital, evidenciando confluências analíticas pautadas em uma pesquisa desenvolvida junto ao projeto extensionista “Sempre é Tempo de Saber”. A justificativa deste trabalho é compreender a realidade dos idosos e a educação social voltada à terceira idade para respaldar as transformações do mundo atual. Assim, temos por objetivo discutir a ação da educação e/ou pedagogia social voltada à terceira idade, tendo por pauta compreender como se processa a aprendizagem nessa fase da vida, bem como demonstrar os benefícios da alfabetização digital, para melhora da qualidade de vida dos idosos, estímulo cognitivo e favorecimento da interação social. Como metodologia do estudo, desenvolvemos uma pesquisa qualitativa, a qual utilizou para a coleta de dados levantamento bibliográfico, análise documental de materiais coletados junto ao Projeto “Sempre é Tempo de Saber”, vinculado ao curso de Pedagogia, da Universidade Estadual do Paraná, campus Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória (UNESPAR/FAFIUV), aplicação de um questionário semiestruturado aos participantes do projeto e entrevista e captação de depoimentos junto as monitoras/voluntárias. Tomando por base os aportes teóricos de Freire (1996), podemos concluir que o conhecimento não é acabado; somos seres em constante desenvolvimento e construção, na busca de nossa liberdade e novas conquistas, portanto a terceira idade não é marca do fim da vida, mas uma nova fase, que pode representar um novo começo e a construção de outras aprendizagens, e é com essa atitude positiva e proativa que ensejamos a pesquisa apresentada
A Cibercultura:: uma introdução
Estamos imersos numa cultura cibernética. A interconexão global dos computadores é o nosso novo meio de comunicação. E a virada rumo ao espaço cibernético se deu na automação da produção industrial. No entanto, mais fundamental ainda foi a perda progressiva do caráter industrial da informática e sua fusão com as telecomunicações: a televisão, cinema etc., pois, daí por diante o aparecimento das tecnologias digitais (p. ex.: CD-ROM), a conexão à inter-rede e o desenvolvimento tecno-econômico começam a traçar a infra-estrutura do espaço cibernético
Paz e globalização entre Justiça e Perdão:: perspectivas educativas
Na busca da paz, os movimentos pacifistas, os organismos internacionais e os investigadores dos “Peace Studies”, sempreconcordaram em colocar em foco o “recurso” educativo. Mas é também verdade que a educação para a paz, desde quando foiproclamada e praticada como “disciplina educativa”, isto é, a partir da década de 20, recebeu vários nomes e, com o correr dos anos, manteve contatos diferenciados, com aquela realidade tão polissêmica que é a paz (ausência de guerra, harmonia dinâmica,não-violência, eqüidade, justiça, desenvolvimento, solidariedade, “interculturalidade”...). Hoje, depois do dia 11 de setembro de 2001, isto é, depois da derrubada “terrorística” das duas Torres Gêmeas de Nova Iorque e da ala do Pentágono, ela (a paz) parece dever lidar com o terrorismo. Antes, porém, ela pede para ser pensada dentro daquele fenômeno vasto e articulado que está sob o nome genérico de globalização. Muitas pessoas, na verdade, afirmam que, para superar o terrorismo, é necessário imprimir na globalização uma forte caracterização de justiça em nível mundial. A paz, portanto, está ligada e é vista como conseqüência e fruto da justiça sócio-econômica.Todavia, neste artigo, procuraremos provar que há também outro percurso, quase contrário, isto é, colocaremos todo o empenho para apresentar a paz como condição do desenvolvimento justo. Isso é possível graças ao perdão, pois o perdão “apazigua” e permite que todos juntem suas forças em favor da justiça, no sentido que uma “paz feita” estimula todos a tornarem real a justiça social, interna e internacional. Baseados nesses princípios, procuraremos indicar algumasperspectivas educativas, que sejam pontos de apoio para se obter uma paz justa e duradoura
Identidade Cidadã: compromisso social
Este artigo apresenta algumas reflexões resultantes de uma pesquisa de iniciação científica realizada por quatro alunas do cursode Psicologia, do Centro Unisal, da cidade de Lorena. A metodologia escolhida foi a da pesquisa participante que se mostrou adequada aos objetivos do trabalho: gerar reflexão, comprometimento e transformação em indivíduos carenciados pelosistema sócio-cultural. Essa carência freqüentemente gera um sentimento de incapacidade para resolver problemas pessoais e coletivos. A percepção da realidade é distorcida sendo subestimada ou supervalorizada isentando, muitas vezes, o indivíduo de suas reais possibilidades ou culpabilizando-o, indevidamente, por certas formas de ação mais arrojadas. Qual é o lugar desse indivíduo no seu grupo social? Considerando que o grupo é um espaço propício à transformação por gerar co-responsabilidade nos envolvidos, acreditamos que se pode proporcionar mais segurança para ações transformadoras seja de caráter individual ou coletivo. A aquisição da identidade cidadã aumenta a responsabilidade do indivíduo para com os acontecimentos de sua vida e de seu bairro, pois no grupo cada indivíduo é um ensinante e um aprendiz