Revista de Ciências da Educação (Centro Universitário Salesiano de São Paulo)
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Brinquedoteca psicopedagógica:: uma reflexão sobre as dificuldades escolares
O sistema educacional brasileiro, em todos os níveis de ensino, tem-se apresentado com graves problemas e conseqüências sociais, entre elas: crianças fora da escola, marginalização e violência, dificuldades de aprendizagem, evasão (GUZZO, 2001). Sem conseguir resolver muitos dos problemas básicos da Educação, entra no século XXI com uma grande quantidade de crianças ainda fora da escolarização. Muitos profissionais da Educação e outros a ela relacionados têm procurado diminuir a incidência desses problemas com intervenções de caráter remediativo, sem garantir as soluções necessárias para o enfrentamento que o futuro exige
Os desafios do ensino frente à tradição iluminista:: instrução e civilização em Condorcet
O presente texto correlaciona as idéias de civilização e de instrução no pensamento dos enciclopedistas, em especial na obra de Condorcet1 (1743-1794). Este autor propôs uma moral baseada numa suposta identidade geral do ser humano, sobretudo, na sensibilidade comum e na universalidade da razão. Ele foi um entusiasta do poder de emancipação inerente à dimensão pedagógica do processo civilizador. Sua proposta de instrução é apresentada como uma forma de ensino capaz de promover uma moral cosmopolita, baseada na razão, na justiça e na simpatia ou solidariedade
O conceito de realidade e sua relação com o problema da educação:: rudimentos filosóficos para não-filósofos
Freqüentemente nos perguntamos sobre o que “realmente” aconteceu num fato noticiado ou “se é mesmo real” a existência devida pós-morte, ou ainda sobre a “realidade” de uma determinada proposta, querendo dizer se é ou não viável. Tais questõespressupõem que temos uma perfeita e unívoca compreensão do significado do termo realidade. Contudo, quanto mais lidamos com expressões cotidianamente usadas, menos sabemos o que significam. Se, antes de nos perguntarmos sobre a realidade desta coisa ou daquele fato, nos questionarmos sobre o que é “real”, o que é “realidade”, a resposta possivelmente seria precedida de um enorme silêncio, e ainda seria uma resposta que não convenceria nem a nós mesmos. Normalmente consideramos que a palavra realidade significa “as coisas como elas são”, independente das nossas posições subjetivas. Isto porque é fácil aceitar a idéia de que a palavra real vem de res, “a coisa”, ou como concebe Duns Scoto, a individualidade, a coisa em particular. Nesse sentido, realidade refere-se somente ao “mundo externo”, independente da subjetividade humana, apenas como uma indicação da natureza das coisas, não das pesssoas. Antes de a Escolástica tardia cunhar a palavra realitas, o problema da realidade já era discutido desde a Grécia clássica, enquanto corporeidade (ousia), ou enquanto natureza das coisas (physis), ou mesmo como a verdade (alétheia) do ser (ontos). Desde Parmênides de Eléia (540-470 a.C.) se tornou comum no pensamento grego a distinção entre mundo sensível e mundo inteligível. Dessa distinção surgiu a pergunta pela “verdadeira realidade” ou o “verdadeiro ser das coisas”, uma vez que o mundo sensível é cheio de ilusões e de enganos. Tanto para Parmênides, quanto para Platão, a “realidade” está mais próxima do mundo ideal que do mundo sensível. De fato, esse termo merece um pouco mais de consideração, dado o fato óbvio, segundo o qual o mundo físico, o mundo das sensações, somente pode ser entendido a partir das idéias que fazemos dele. Quando tentamos buscar uma realidade independente dos nossos pensamentos, constatamos que aquilo que chamamos de “real” nada mais é que aquilo que “pensamos ser real”. Nosso propósito será aqui o de discutir noções básicas do conceito de realidade, uma vez que, numa prática educativa, a ordem é “partir da realidade do educando”, e depois transmitir a ele idéias e valores. A pergunta, portanto, fica formulada assim: o que é precisamente “realidade”, seja do ponto de vista da educação, do educador, seja do ponto de vista do educando? Qual é realmente o ponto de partida de uma proposta educacional? Que tipo de realidade a educação quer alcançar