Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
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Patrimônio cultural em território urbano contemporâneo: o caso do Circuito Cultural Praça da Liberdade – Belo Horizonte (MG)
Acredita-se que a leitura da contemporaneidade caracteriza-se pelo confronto de visões e ideias diferentes sobre os mesmos fenômenos. Diante dessa realidade contraditória, refletir, de maneira crítica, sobre a temática do patrimônio cultural nas cidades contemporâneas é o principal objetivo deste artigo. Para tanto, este trabalho foi estruturado da seguinte maneira: primeiramente tratou-se histórica e conceitualmente o patrimônio cultural com destaque para o conceito de identidade. Posteriormente, trabalhou-se o território urbano focando os processos de “gentrificação” e “teatralização”, característicos do mundo contemporâneo. O denominado Circuito Cultural Praça da Liberdade, localizado em Belo Horizonte (MG), foi o objeto de estudo com o propósito de analisar uma política pública urbana.
“Deus criou o mundo, mas os holandeses fizeram a Holanda”: a política urbana holandesa e os impactos recentes da globalização
Conhecida na literatura acadêmica internacional como o “paraíso dos planejadores”, a Holanda apresentava um dos sistemas de planejamento territorial e de política urbana mais avançados do mundo até recentemente. As transformações advindas da globalização econômica e da influência do ideário neoliberal têm colocado em xeque essa situação, causando as primeiras “rachaduras no espelho”. O presente trabalho procura analisar a evolução do planejamento territorial e da política urbana nesse país, com ênfase nos últimos cinquenta anos. Em primeiro lugar será analisado o contexto sociocultural que permitiu o processo de construção territorial do país. Posteriormente será analisada a evolução do sistema de planejamento territorial e da política urbana dentro desse contexto. Por fim, serão avaliadas as transformações desse paradigma em virtude da adoção do ideário neoliberal e os impactos resultantes da crise econômica de 2008.
O marketing urbano e a questão racial na era dos megaempreendimentos e eventos no Rio de Janeiro
Nosso objetivo neste artigo é investigar como se inscrevem espacialmente as práticas racistas por meio das políticas de city-marketing na cidade do Rio de Janeiro. Sugerimos duas possibilidades de análise: 1. o marketing urbano como instrumento político e ideológico na produção, apropriação e uso da cidade, de forma cordial e racialmente democrática para atrair turistas, grandes investimentos, empreendimentos e eventos; 2. a gestão racista do espaço urbano como um mecanismo de controle e instituidor de uma ordem socioespacial. Para isso, avaliaremos algumas das atuais políticas dos governos municipal, estadual e federal que têm criado intervenções urbanas na cidade do Rio de Janeiro.
Rebel Cities: from the Right to the City to the Urban Revolution
Rebel Cities: from the Right to the City to the Urban RevolutionDavid Harvey,New York: Verso, 2012
Da Providência à Cidade do Espelho: a arquitetura e urbanismo como máquina de desejo da cidade
Este artigo aborda a questão do desejo nas cidades. Através de um conto, será criado um contexto fictício em que a arquitetura será a âncora principal da captura de desejos nas cidades, colaborando com um grande sistema que se tornou o principal responsável pela distribuição de recursos. Portanto, é através do espetáculo que agora se define que empreendimentos e serviços serão postergados para que o “desejo maior” seja executado, mesmo que para isso se autoflagele a própria cidade. A Cidade do Espelho, mais que uma obra arquitetônica, será um modelo desse sistema que faz fluir o desejo nas cidades.
A metrópole e as perfídias do capital: uma análise da relação entre Estado, megaeventos esportivos e grandes projetos de desenvolvimento urbano na (re)produção do capital e da cidade contemporânea
Acredita-se que o capitalismo passa por mais uma de suas crises e que a forma que vem encontrando para sair de suas crises cíclicas inclui a produção do espaço. Assim, questiona-se, neste artigo, quais as possíveis consequências para o desenvolvimento de metrópoles como o Recife da relação entre Estado, megaeventos esportivos e capital financeiro no contexto da produção de Grandes Projetos de Desenvolvimento Urbano e Regional, e sua relação com a reprodução do capital. Conclui-se que a Copa de 2014 significa um extraordinário instrumento de legitimação de grandes projetos de transformação do tecido urbano, com vistas a intensificar retornos privados em termos de valorização imobiliária e financeira, haja vista a dimensão dos recursos públicos envolvidos e o regime jurídico excepcional de que são beneficiários, justificando-se os elevados custos aos cofres públicos e permitindo o encontro de interesses entre agentes locais e estrangeiros para reestruturar o espaço urbano de metrópoles em benefício da expansão e valorização dos capitais envolvidos.
Habitação em municípios paulistas: construir políticas ou “rodar” programas?
O artigo analisa os atores, arenas e processos efetivamente envolvidos em investimentos habitacionais nos municípios do estado de São Paulo, buscando compreender se esses investimentos convergiam ou não com os processos participativos instaurados na última década. Embora a hipótese inicial de que não haveria tal convergência tenha sido confirmada, constatou-se que isso não se devia à disponibilidade reduzida de recursos próprios municipais ou à sua baixa capacidade institucional como se imaginava até então. A falta de iniciativa em se estabelecer ações autônomas, aderentes às necessidades locais e pactuadas nos âmbitos de participação instituídos, e a plena adesão municipal ao modelo do Programa Minha Casa, Minha Vida resultam, na realidade, de uma postura pragmática dos governos municipais que, com um mínimo de esforço institucional, asseguram ganhos importantes aos principais players da política.
A produção da “Cidade Olímpica” e o contexto do empreendedorismo urbano no Rio de Janeiro
O tema deste trabalho se assenta no papel dos megaeventos esportivos internacionais no processo de produção do espaço urbano do Rio de Janeiro, marcado pela produção da “Cidade Olímpica”. Iniciada na ocasião dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e atualmente em curso para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, essa produção utiliza-se de padrões de urbanização importados e se aplica, assim, o “modelo Barcelona” de urbanismo, sob o paradigma do empreendedorismo urbano e do planejamento estratégico. Nesse sentido, os megaeventos são utilizados enquanto estratégias urbanas e mostram-se relevantes na (re)estruturação da cidade do Rio de Janeiro.
Grandes projetos, grandes eventos, turistificação do território: da produção cultural à mercantilização e espetacularização da cidade e da cultura urbana
Este artigo critica o planejamento urbano e a produção do território fundados no incentivo aos processos de espetacularização, patrimonialização, cenarização e museificação do território, que costumam destituir os Valores do patrimônio do circuito da vida pública ao valorizarem os bens patrimoniais e as atividades culturais por matizes e objetivos exclusivamente econômicos. Além disso, o city marketing elege e cristaliza os ícones territoriais, banalizando-os através de propagandas massivas. Esses fatores se verificam por meio de diversas consequências, como a redução das relações afetivas entre habitantes e seus entornos e o esvaziamento dos valores simbólicos e afetivos dos lugares. Trata-se de atacar os grandes projetos, os grandes eventos e o turismo predatório, atrelados à hegemonia do capital econômico, e de defender o potencial do ambiente no desempenho de papéis fundamentais à participação social efetiva na produção, na manutenção e no desfrute dos benefícios do patrimônio, do território e de suas territorialidades.