Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
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Das instalações de balanços nos espaços públicos: o que elas podem revelar sobre a produção das cidades contemporâneas? | On the swing set installations in public spaces: what can they tell us about the development of contemporary cities?
Este artigo se interroga sobre o número crescente de instalações de balanços em cidades ao redor do mundo a partir dos anos 2000, especialmente na Europa e na América. Esses balanços são instalações efêmeras, experimentais, que visam à apropriação de espaços públicos de forma lúdica e inovadora. Tais instalações são propostas por diferentes agentes, como artistas, arquitetos, designers e publicitários. Elas partem tanto de iniciativas espontâneas, individuais, como do Poder Público ou, ainda, de grandes empresas privadas. Desse modo, o dispositivo lúdico “balanço” sai dos parques infantis, sendo ressignificado, de maneira plural, por práticas de arte, marketing urbano ou por campanhas de comunicação. Ele se torna um elemento urbano apropriado para responder a certos valores, desejos e necessidades do mundo atual. Cada instalação apresenta diferentes formas de pensar e agir nos espaços públicos que fogem da lógica convencional de produção das cidades contemporâneas
Entre gafanhotos e vaga-lumes: a potência narrativa na criação de outros imaginários políticos na Praia da Estação | Between locusts and fireflies: narrative power in the creation of political imaginary in the Praia da Estação
Buscamos, neste artigo, realizar uma montagem de narrativas de situações vivenciadas na experiência insurgente Praia da Estação a partir de 2010, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Partimos do questionamento de Ana Clara Ribeiro Torres (2011) sobre a novidade, com o uso da Internet, das mobilizações de resistência política urbana e a capacidade delas de superar a contenção do imaginário politico. Por meio de três narrativas imagéticas de eventos – o primeiro Eventão; o aniversário de um ano da experiência, com a chegada do mar na praça; e a lavagem das escadarias do edifício da prefeitura, durante o bloco de carnaval da Praia da Estação –, pretendemos tensionar os processos de produção de sentidos, tentando desvelar detalhes e conexões de fabulação de imaginários diferentes daqueles que circulam na contemporaneidade do planejamento urbano
Planificación urbana capitalista: apuntes para una reflexión crítica a la producción social del espacio | Capitalist urban planning: notes for a critical reflection on the social production of space
Por mucho tiempo la planificación urbana ha sido considerada pieza fundamental para el desarrollo organizado de las ciudades en el mundo. Su importancia expresada en términos de orden ha permitido legitimar su acción en la actividad urbana a tal punto que sin ella difícilmente una ciudad podría concebirse en su naturaleza. No obstante, la lógica de planificar la ciudad, construida bajo la égida de la acumulación y producción de excedentes para mantener una producción capitalista del espacio a través de una falsa conciencia de la realidad (ideología), ha permitido legitimar socialmente una constante reproducción de capital a partir de la urbanización sin considerar los estragos colaterales que este proceso ocasiona con su actividad. Por tal motivo, la planificación urbana se presenta como mecanismo necesario y estratégico para la constitución de un modo de reproducción capitalista que deriva en un plan constante de intervención espacial en la ciudad (ordenamiento)
Abandonados por uns, ocupados por outros: edifícios de apartamentos no centro paulistano | Abandoned by some, occupied by others: apartment buildings in downtown São Paulo
O principal objetivo deste artigo é compreender as demandas e as ações de movimentos populares por moradia no centro de São Paulo e situá-las nas recomendações da legislação vigente, que estabelece a noção de função social da propriedade urbana e indica os mecanismos para coibir a especulação imobiliária. É nesse contexto que esses movimentos ganham vulto e presença no embate político. A ação mais transgressora e, ao mesmo tempo, controversa são as ocupações de edifícios ociosos. São essas questões que conduzirão as argumentações deste texto, embasado em uma revisão bibliográfica, em reportagens exibidas em jornais e em documentários publicados em websites. Uma das conclusões mais evidentes é que as reivindicações desses movimentos populares e a maneira como os moradores das ocupações autogerem o espaço coletivo do edifício e compartilham seu cotidiano doméstico conflitam com as políticas públicas habitacionais tradicionalmente adotadas, conflitam, inclusive, com interesses econômicos de promotores imobiliários normalmente beneficiados por essas políticas.
Mulheres na periferia do urbanismo: informalidade subordinada, autonomia desarticulada e resistência em Mumbai, São Paulo e Durban | Women on the periphery of urbanism: subordinate informality, disarticulated autonomy and resistance in São Paulo, Mumbai and Durban
A informalidade subordinada e a autonomia desarticulada são duas faces da mesma moeda: não há neutralidade na posição que a informalidade ocupa na periferia do capitalismo. Parece impossível, portanto, a transição automática do informal para o formal, uma vez que a informalidade funciona como reserva de braços e de terras por subacumulação e superacumulação. Subacumulação, porque só resta o trabalho compulsório por sobrevivência. Superacumulação, porque são extraídos, além dos direitos trabalhistas, todo o aparato para a reprodução social da força de trabalho, incluindo o território que os trabalhadores informais ocupam. Há uma clara assimetria decisória e de riqueza como reflexo de relações desiguais de poder e subordinação, como as discriminações de gênero, raça, casta e classe em São Paulo, Durban e Mumbai. As experiências de resistência de mulheres trabalhadoras informais domiciliares e ambulantes nessas metrópoles revelam contradições e inovações nos arranjos de organização e de articulação com movimentos sociais urbanos, assim como são exemplos de conquistas parciais e pontuais.
Sistema de Indicadores de Qualidade Ambiental Urbana para Metrópoles Costeiras (SIMeC): uma proposta de instrumento de análise territorial | An Urban Environmental Quality Indicator System for Coastal Metropolis (SIMeC): a proposal for territorial analysis
O presente artigo apresenta um Sistema de Indicadores de Qualidade Ambiental Urbana para Metrópoles Costeiras (SIMeC) como proposta de instrumento de análise territorial no processo de gestão costeira integrada. Para tanto, na pesquisa, foram elencados e analisados 1.133 indicadores, provenientes de 22 sistemas nacionais e internacionais. Desse grupo, foram selecionados indicadores avaliados por especialistas residentes nos Estados costeiros brasileiros. Ao final, o estudo obteve 69 identificadores conexos às dimensões da prosperidade urbana: infraestrutura, inclusão e equidade social, qualidade de vida, produtividade e sustentabilidade ambiental, que foram aliados à estrutura DPSIR, isto é, Drivers–Pressures–State–Impacts–Responses. Como resultado, o sistema de indicadores mostrou-se consistente, sendo uma contribuição passível de replicação nas metrópoles costeiras brasileiras. Assim, o uso desses indicadores pode ser um instrumento de tomada de decisão na gestão integrada da zona costeira, constituindo um relatório de qualidade ambiental que possibilitará, além da análise territorial local específica, a comparabilidade com outras regiões costeiras
Editorial: "Amanhã há de ser um outro dia!" | "Tomorrow is another day!"
Editorial - Volume 18 | Número 3 (set./dez. 2016)
Entre manezinhos e haules: velhos e novos conflitos na identidade socioespacial florianopolitana | Between manezinhos and haules: new and old conflicts in the socio-spatial identity of Florianópolis
Pensar a cidade contemporânea significa reconhecer que a questão cultural é um fator decisivo na produção do espaço, ainda mais em um contexto de globalização econômica e de competição interurbana que se apropria de traços culturais locais. Este artigo relaciona a produção do espaço urbano de Florianópolis com a formação de identidades socioespaciais que estabelecem relações complexas entre si e com a própria cidade. Resultantes da importação de modelos urbanos externos e da imigração de contingentes populacionais diversos, esses grupos formam relações que se alternam entre conflito e cooperação, tendo como resultado uma visão multifacetada e mutante acerca do desenvolvimento urbano da cidade. Dessa forma, o artigo colabora para a formação de uma visão pluralista da cidade, concluindo que a sua refundação e planejamento a partir das múltiplas narrativas de seus habitantes pode se transformar em um ato de cidadania e de modificação da sua própria cultura política.
Lutas por terra e território, desterritorialização e território como forma social | Land and territory struggles, deterritorialization and territory as a social form
A proliferação e a consolidação das chamadas “lutas por território” levadas adiante por povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais têm se destacado recentemente como um dos fenômenos mais debatidos e examinados no mundo rural brasileiro. Considerando isso, buscamos aqui analisar alguns dos modos por meio dos quais a noção de “território” e categorias correlatas vêm sendo utilizadas nos debates atuais. Inicialmente, apresentamos a forma como alguns autores têm pensado recentemente a distinção entre as demandas por “terra” (geralmente associadas a grupos caracterizados como “camponeses”) e as demandas por “território”. Em seguida, discutimos criticamente o modo como o conceito de “desterritorialização” faz-se presente nos debates em que o “território” está associado a estratégias de defesa de certos grupos diante do avanço de fronteiras econômicas. Por fim, destacamos a relevância analítica de se considerar a noção de “território” como referida a uma forma institucional e a determinados projetos políticos
Ambivalências de práticas espaciais auto-organizadas em disputas pela democratização da produção do espaço | Ambivalences of self-organized spatial practices with in disputes for democratizing the production of space
Este artigo tem por objetivo discutir as ambivalências de práticas espaciais auto-organizadas em situações de disputa pela democratização da produção do espaço urbano. Tendo em vista o papel dessas práticas na construção de uma democracia urbana radical, o texto analisa o processo de decisão sobre o espaço do antigo aeroporto Tempelhof (Berlim). São postos em relevo, para esse caso, alguns aspectos do conflito entre práticas auto-organizadas e planejamento institucional no contexto neoliberal. Conclui-se que, apesar dos entraves, essas práticas contribuem para ampliar as condições de discussão, decisão e ação coletiva de moradores urbanos. A análise desse tipo de conflito pode informar a crítica do planejamento urbano, assim como a imaginação de processos e instrumentos que facilitem a expansão do campo de ação dos moradores urbanos