Portal de Periódicos UEPA (Universidade do Estado do Pará)
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A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA LEITURA: UM DE SEUS PERIGOS
Este artigo tem como objetivo apresentar, com argumentação sólida e fundamentada, a construção social da leitura como um de seus possíveis riscos, particularmente no que se refere à sua desapropriação enquanto valor em si mesma e à sua instrumentalização para a obtenção de saberes estritamente utilitários. Para desenvolver essa reflexão, recorre-se às contribuições teóricas de autores como Freire (2011), Soares (2010), Chartier (1999) e Marcuschi (1999), cujas perspectivas oferecem um panorama aprofundado sobre a leitura enquanto prática socialmente mediada. Parte-se da premissa de que os indicadores sociais da leitura têm apresentado um agravamento significativo, em grande parte devido à consolidação de uma leitura artificializada, cuja principal consequência tem sido a desvalorização da dimensão individual e introspectiva dessa prática. Para sustentar essa análise, o artigo se estrutura em duas seções principais: a primeira, intitulada A leitura como construção social, revisita as concepções dos teóricos mencionados acerca da leitura como uma experiência de partilha interativa, permitindo a compreensão mais ampla desse fenômeno; a segunda, Notícias recentes sobre a leitura, examina reportagens jornalísticas publicadas em 2024, que retratam o panorama atual da leitura no Brasil, evidenciando desafios e tendências. Como um dos principais desdobramentos desta investigação, levanta-se a hipótese de que um dos riscos enfrentados pela leitura na contemporaneidade seja sua crescente associação à necessidade de interconectividade, compartilhamento e validação externa. Esse movimento, paradoxalmente, pode fragilizar sua permanência enquanto experiência subjetiva e autônoma, esvaziando seu potencial como espaço de reflexão, elaboração crítica e formação do pensamento individual
FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA EM TEMPOS DE INCERTEZA
O presente artigo emerge de reflexões do primeiro autor em relação à disciplina formação de professores, no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ao se considerar o caráter teórico deste estudo, tem-se como objetivo tecer reflexões sobre a sociedade pós-pandemia e as constantes transformações sociais que vêm ocorrendo e como isto afeta a educação e os jovens de hoje, tendo em vista que causa um cenário de incertezas. Diante do entendimento a respeito da sociedade e das relações sociais, é possível e necessário que os professores de Matemática compreendam essa nova dinâmica social para, assim, (re)pensar seu modo de ensinar. A formação de professores torna-se essencial para formar não somente professores que ensinem o conhecimento técnico, mas também educadores que lecionem matemática para a vida, transmitam a solidariedade e orientem sobre como viver nessa sociedade de incertezas. A compreensão acerca dessa sociedade permite a formação de professores de Matemática que sejam mais críticos, mais reflexivos, que podem mudar a sociedade ao seu redor e, assim, ensinar os estudantes a viverem de maneira consciente e a não serem vítimas do Capitalismo de Plataforma perverso, o qual escraviza as pessoas por meio do consumo exagerado, da individualidade e da fragilidade das relações pessoais, causando um sentimento de incerteza e transformações constantes
A memória na Amazônia sob o olhar de Miguel dos Santos Prazeres, de Benedicto Monteiro
Esta pesquisa foi desenvolvida ao longo do Programa de Mestrado em educação da Universidade do Estado do Pará e comunga a junção entre saberes científicos sobre a educação amazônica e o encantamento pela literatura brasileira de expressão regional, mais especificamente da obra de Benedicto Monteiro. Tomando como principais fontes a chamada tetralogia monteriana, composta pelos romances que têm como elo o personagem Miguel dos Santos Prazeres, que é a caracterização literária do caboco amazônida. O que permitiu analisar, os processos educativos não formais, silenciados e postos à margem das discussões sobre educação, apesar da sua relevância histórica. O que é inovador para a academia, que tradicionalmente se propõe a produzir estudos e análises sobre e para o campo da educação formal
As Amazônias como territorialidades de enunciações na tetralogia amazônica
"É sobre esta visão totalmente distorcida e determinista de Amazônia que este texto intitulado “Territorialidades de Enunciações: as Amazônias na Tetralogia Amazônica, de Benedicto Monteiro” tenta, antes de qualquer coisa, problematizar [...] pensar a partir das territorialidades de enunciações não é elaborar reflexões que negam o que acontece, transversalmente, na noção de territorialidade enunciada, mas, antes de qualquer coisa, seja capaz de interrogar os diversos elementos que tentam esboçar uma única visão de Amazônia. Entre os quais as ações centradas na formação discursiva e textual de territorialidade enunciada e que conformam as relações de poder que no fim das contas resultaram em processos de espoliações no mundo amazônico".
(Continue a leitura acessando o texto completo na Revista Sentidos da Cultura
Metáfora e ousadia: com apresentações de poemas de Benedicto Monteiro
Ao ler este ato de ousadia vérbico-estético de Monteiro, vêm à tona os ensinamentos de Roland Barthes em Aula (2007) na qual o intelectual francês, da cadeira de Semiologia Literária do Colégio de França, caracteriza a literatura como “revolução permanente da linguagem”. No mesmo livro Barthes identifica três potenciais conceitos herdados dos gregos antigos: mathesis (todos os saberes se concentrariam na literatura, uma linguagem enciclopédica de conhecimento), mimesis (representação demonstrável ou impossível de ser demonstrada) e semiosis (a literatura relaciona as palavras e as coisas, pois tem a realidade como expressão do desejo de se ‘fazer ser’ na sociedade)
A voz indomável
"É inverno nesse meridiano. Estou ao pé da serra, à minha frente tenho o mar aberto, ao meu lado uma laguna. Estou bem longe de meu rio Amazonas. Estou em um outro rio que não é rio, mas guarda um nome de santo e chamam de São Sebastião do Rio de Janeiro. É uma madrugada fria e molhada. Vou dormir com a música da chuva. Eu adoro essa cantilena da chuva. Ela caindo no barro da telha, caindo sinuosa, batendo na minha janela.
Não consigo dormir, escuto a voz de Miguel dos Santos Prazeres falando de seu pai:"
(continue a leitura acessando o texto completo na Revista Sentidos da Cultura
Benedicto Monteiro: romance.poesia, resistência e identidades Amazônicas
Benedicto Wilfredo Monteiro (1924/2008), nascido em Alenquer, Pará, Amazônia, foi homem de variados ofícios, bacharel em Ciências Jurídicas pela antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, promotor de justiça, secretário de Estado, político, militante pela reforma agrária, Benedicto se destacou como escritor de poemas, contos e romances, entre outros gêneros textuais, pertenceu a várias entidades literárias, como a Academia Paraense de Letras e Instituto Histórico e Geográfico do Pará. Entre suas escrituras, salienta-se a tetralogia do romance amazônico, composta por VerdeVagomundo (1972), O Minossauro (1975), A Terceira Margem (1983) e Aquele Um (1985). Estudado no Brasil e no exterior, sua obra literária é reconhecida como um exemplar da ficção contextual amazônica e que faz jus a um exímio artista da palavra
A simbologia da fé amazônica em “O peixe” de Benedicto Monteiro
Em busca de compreender as representações simbólicas no imaginário amazônico e na literatura, o presente trabalho objetiva discutir a simbologia da fé no conto “O peixe”, presente no livro Carro dos milagres (1975), do paraense Benedicto Wilfred Monteiro (1924-2008). Para tanto, o estudo de caráter bibliográfico, possui um corpus analítico constituído pelo conto, observando como o autor traduz as contradições, as mazelas sociais e a religiosidade na narrativa literária, que revela identidades, conflitos e lutas da vida amazônica, nos modos de ver e (re)criar o mundo. Assim, sob um viés mais pragmático, o trabalho segue o itinerário de análises buscando entender os discursos e os modos de narrar de Benedicto Monteiro e como traduzem, simbolicamente, uma Amazônia marcada, não apenas por suas riquezas naturais, mas também por pobreza, abandono e, além disso, pela fé como força representativa da cultura local