Portal de Periódicos Eletrônicos do CLAEC (Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura)
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Deslocamentos de fronteiras: percurso e produção musical de Gonzagão e Gonzaguinha
O presente trabalho pretende discutir de que forma os percursos, permeados por diversas fronteiras que hierarquizam saberes, poderes e enunciados, interferiram na produção artística de dois músicos brasileiros, oriundos de lugares historicamente marginalizados no Brasil, a saber: Luiz Gonzaga do Nascimento (conhecido como Gonzagão), vindo do sertão de Pernambuco para ganhar as paradas de sucesso no Rio de Janeiro nos anos 1940/50 e Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (o Gonzaguinha), nascido no Morro de São Carlos/Rio de Janeiro, que alcançou grande sucesso entre as décadas de 1970/80. Interessa investigar quais estratégias e táticas cada um desses artistas utilizou para driblar as fronteiras que separam o "centro" e a "periferia" e alcançar o cobiçado panteão da Música Popular Brasileira. Tal discussão é parte da pesquisa de doutorado em Estudos de Cultura (em curso) intitulada: Deslocamentos de fronteiras: percurso e produção musical de Gonzagão e Gonzaguinha na construção das brasilidades, realizada na Universidade de Lisboa. Para compreender a relação entre música, percurso e identidade, assim como para pensar a fronteira como construção simbólica serão tomados como aportes teóricos conceitos e reflexões oriundos do pensamento pós-colonial e decolonial
Memória Coletiva e Objetos Biográficos: estudo dos oratórios em Minas Gerais/Brasil do período colonial
O cotidiano da sociedade emerge das tradições de um povo e do seu convívio com o entorno. Alguns objetos recebem uma carga emotiva da vida humana e podem se transformar em objetos biográficos - que representam a cultura de uma sociedade. A memória coletiva é o conjunto de fatos escolhidos por um grupo social, com significados que constituem sua identidade, seus hábitos, sua cultura e tradições. Este trabalho apresenta o estudo dos oratórios, objetos biográficos oriundos da cultura portuguesa, identificados pela memória coletiva, de comunidades do Estado de Minas Gerais, desde o período colonial. A metodologia se realiza pela pesquisa bibliográfica de contextos temáticos e históricos. Em definição, oratório é um nicho ou armário, como uma capela doméstica. Essa pequena capela surgiu na Idade Média, como local para orações e reflexões, para o rei dedicado às práticas religiosas. Os oratórios são objetos que se estabeleceram na cultura mineira, sendo encontrados desde os grandes casarões até em senzalas, desde os tempos do Brasil Colônia. Há registros destes altares nas famílias devotas, que tem o desejo de guardar as relíquias e os objetos de piedade, em atitudes de intimidade com o mundo do sagrado. Os oratórios eram passados de mãe para filha, que guardavam os objetos de devoção em seus quartos e, quando se casavam, eles eram conduzidos para a nova família. Alguns oratórios são bem rebuscados, com entalhes, pinturas e diversos ornamentos. Outros oratórios são simples, como se fossem apenas pequenos armários. Os diversos materiais, tamanhos e estilos mostram hábitos e tradições. Além da influência da cultura portuguesa e seus artistas, são encontrados registros de entalhes de artistas espanhóis e franceses, que ajudaram a manter a herança da religiosidade nas famílias brasileiras. Contudo, esses objetos se constituem na diversidade da cultura mineira, oriundas da memória coletiva de seu povo
O Vocabulário do Escritor João Brasil
Esta produção apresenta uma pesquisa sobre o vocabulário da obra literária do autor memorialista João Brasil Monteiro, da cidade de Marabá, Estado do Pará. O autor, cujas obras são objeto dessa pesquisa, publicou 11 obras não ficcionais, de caráter memorialista que, em sua maioria, retratam a história da referida cidade, desde seus primórdios, abrangendo os mais diversos aspectos de sua existência. O referencial teórico e metodológico remete à análise léxico-semântica de lexias, organizadas em campos lexicais por Coseriu (1981) e aos estudos da Lexicologia, Lexicografia e Terminologia. A composição do corpus se faz com três de suas obras com o qual se elaborará um vocabulário. A organização deste vocabulário é feita por meio de ficha catalográfica, de forma semasiológica, os verbetes são apresentados em ordem alfabética, com as respectivas informações gramaticais, definições e remissivas, para tanto, os dados lexicais serão manipulados por meio do programa computacional Lexique Pro, que permite construir dicionários eletrônicos. Até o momento já foram identificados mais de 300 vocábulos e fraseologismos, representativos do vocabulário do autor e do falar regional
As concepções de aprendizagem de Paulo Freire aplicadas ao Ensino Superior em Direito
Faz-se necessário um maior enfoque nos ideários pedagógicos propostos por Paulo Freire, o qual sempre pregou uma educação baseada na liberdade, na reciprocidade de conhecimentos entre professores e alunos, além do aprendizado através de trocas de saberes e não apenas na transmissão de conhecimento. Assim, não apenas o Ensino Inicial deve sofrer da influência das ideias do famoso pedagogo, mas também o Ensino Superior, com enfoque no Curso de Direito. Intuiu-se dessa maneira, dispor dos argumentos de Freire sobre a educação e como seus ensinamentos advindos dos estudos do pensador podem vir a modificar positivamente o ensino de Direito no Brasil
Desconstruindo Gênero em “Todo Sobre Mi Madre”
Repleto de críticas sociais relacionadas à construção da identidade de gênero, ao papel do feminino, ao tradicionalismo da família e a seus padrões, o filme “Todo sobre mi madre”, de Pedro Almodóvar, aborda de forma profunda os reflexos da cultura androgênica no Ocidente. Dessa forma, o presente trabalho busca fazer uma reflexão sobre os papéis de gêneros contidos no imaginário social, amparados pelos estudos queer, em especial pela ótica de Butler (2016) e Bento (2011). A partir disso, percebemos que, nas civilizações onde a definição do gênero feminino é diretamente ligada à esfera familiar e à maternidade, o masculino torna-se referência de poder na construção coletiva, uma vez que tais posições relegadas às mulheres eram vistas como potencialmente “inferiores”, justificando assim a hipermasculinização vigente na sociedade. As “atividades masculinas” na esfera pública atrelam-se à concentração de poder e de valores materiais, o que faz, na grande maioria dos casos, do homem cisgênero, heterossexual o “provedor e protetor” da família, no âmbito da tradicionalidade familiar. Em contraposição, Almodóvar traz em seu drama um protagonismo quase que absolutamente feminino, a desconstrução da ideia de família tradicional, com a personagem Manuela, como mãe solteira e vista como ex-prostituta; bem como a personagem Lola, que desmistifica a figura do patriarca, pondo também em xeque a configuração unicamente opressora da masculinidade, visto que existe na personagem uma nítida relação fluída de identificação tanto da performatividades masculinas quanto femininas através da construção da transexualidade não tipificada
Educar para alteridade na formação de professores de química: experiências vividas com a educação de surdos
O presente artigo apresenta as experiências vividas na formação de professores de Química em uma escola bilíngue para estudantes surdos. A pesquisa foi realizada no âmbito da disciplina de Educação Química V no curso de Química Licenciatura da Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Busca-se compreender a experiência de formação docente na presente disciplina a partir dos pressupostos teóricos e metodológicos da pesquisa narrativa. Para isso, analisam-se as escritas narrativas dos professores formadores e dos licenciandos a respeito da experiência de visitar o contexto de uma escola bilíngue e a experiência de receber os estudantes surdos na universidade, especificamente, no laboratório de química. As narrativas apontam relevantes aprendizagens relacionadas ao reconhecimento do outro, ao educar para alteridade no ensino de Química e os desafios de promover a inclusão na Química. Retratam também a experiência de professores em formação em parceria com seus licenciandos ao vivenciar o contexto de uma escola bilíngue para educação de crianças, jovens e adultos surdos. São narrativas que fortalecem a intenção de problematizar a inclusão e o exercício de alteridade na sala de aula e na formação inicial de professores de Química. Entende-se que o exercício da alteridade inicia quando percebemos que a primeira língua do surdo não é o português, e assim o desafio de pensar uma prática pedagógica acolhedora e que produza significados na construção do conhecimento científico. Palavras-Chave: Educação Química; Escrita Narrativa; Experiência Docente; Formação de Professores; Surde
O Uso de Fotografias para (Re) Contar a História na Educação Infantil
Esta pesquisa desenvolvida junto aos alunos do Pré-Escolar tem como objetivo identificar as relações estabelecidas pelas crianças acerca de seu tempo e espaço escolar, a partir da análise de fotografias antigas e recentes, a fim de possibilitar uma compreensão sistemática e crítica da realidade. Nesta, será possível perceber a luta que a Educação Infantil vem travando para imprimir, junto aos pequenos, uma educação de qualidade, aliada ao cuidado. Mais do que isso, trata do ensino de História na Educação Infantil utilizando mídias imagéticas como fotografias que tencionaram levá-los à análise crítica da realidade, de diferentes espaços e tempos na (re)construção de seus conhecimentos. É através do uso de imagens fotográficas que tentamos conduzir as crianças do Pré-Escolar a estabelecer relações históricas de tempo e espaço entre seu grupo social e outros grupos que por ali passaram, procurando recontar, de forma clara e concreta, a história da Escola Municipal de Ensino Fundamental Marechal Castelo Branco. Pensamos, assim, ser possível, que as crianças pequenas formulem noções e percepções acerca da história através da análise e discussão de fotografias antigas
Desenvolvimento de etapas educativas: o cemitério como condutor de uma aprendizagem significativa para o ensino de História
Este trabalho visa apresentar as considerações teóricas metodológicas sobre a aula de história realizada no cemitério como experiência educativa. A experiência ocorreu em uma turma no primeiro ano do ensino médio, pretende demonstrar que as etapas foram desenvolvidas para despertar o interesse do aluno e contemplam pré e pós a aula-visita ao cemitério, momentos na sala de aula, tarefas realizadas no domicilio do estudante, assim como no próprio local da experiência. No transcorrer das ações educativas realizadas no espaço cemitério a partir de um conteúdo curricular desenvolvido em sala de aula na disciplina de História, a presente pesquisa procura refletir as peculiaridades do e para Ensino de História a partir do espaço inusitado e pouco explorado. Inverter a lógica de uma aula convencional parte do principio dialógico e da construção do conhecimento para uma aprendizagem significativa, propicia pensar a aula e suas especificidades, principalmente busca conectar os conteúdos com a vida do aluno através do lugar escolhido. O cemitério se apresenta como lugar de invisibilidade no urbano, local pouco explorado pelo ensino de história, no entanto, possui um potencial de provocar diversas reações. Esta proposta discute o método didático desenvolvido e apresenta o cemitério como agente aglutinador assim como a temática morte. A necessidade do aluno de se apropriar desses espaços como cultura, como patrimônio, como conhecimento e saberes cotidianos, se apresenta como resultado positivo da experiência educativa. Este recorte faz parte da tese de mestrado defendido em 2016 com o titulo: “Procedimento invertido: o ensino de história a partir das inquietações de jovens estudantes sobre morte na aula-visita ao cemitério”
O valor princípio da fraternidade como fundamento jurídico na solução de conflitos sobre identidade de gênero
Este trabalho trata da aplicação do Princípio da Fraternidade como fundamento legal na resolução de conflitos sobre identidade de gênero. Esse valor princípio pode ser utilizado como ferramenta de flexibilização para solucionar conflitos. Dito isso, a interpretação das normas não pode ser estritamente positiva, devendo sempre ser levado em conta o caso concreto e seu contexto, a fim de atender as necessidades dos envolvidos da melhor forma, principalmente às minorias e, nesse caso específico, os conflitos relacionados com identidade de gênero, que vêm tomando cada vez mais lugar no cenário social e jurídico. Para acompanhar essa mudança, torna-se essencial uma nova interpretação da lei posta adaptando-se aos novos conceitos da contemporaneidade.Palavras-Chave: Identidade de Gênero; Princípio da Fraternidade; Resolução de Conflitos
Falando sobre o “desconhecido”: reflexões acerca de comentários homofóbicos produzidos numa postagem do Facebook sobre os estudos de gênero na Geografia.
O estudo é resultado da análise de uma postagem e de seus comentários realizados no ciberespaço, na rede social Facebook, proferidos por uma figura pública de um partido político no município do Rio Grande - RS, acerca das discussões de gênero nas Ciências Humanas, em específico, na Geografia. Apresentamos uma reflexão sobre o “desconhecido”, aferindo que no campo disciplinar da ciência geográfica, os estudos de gênero e sexualidades são discutidos a mais de 40 anos. A partir da análise da publicação, apontamos que a postagem e seus comentários são marcados por discursos homofóbicos e atravessados por olhares conservadores e de desconhecimento sobre o que a ciência geográfica estuda. Entendemos que os estudos de gênero na Geografia são potentes para uma visão ampliada do espaço geográfico, sabendo que este é produzido por sujeitos e seus marcadores sociais. Com isso, compreendemos que abordar os estudos de gênero e sexualidades em áreas tradicionais é dar visibilidade a grupos, historicamente marginalizados e, com isso, reduzir as desigualdades sócioespaciais