Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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    1006 research outputs found

    Perceções de vinculação ao pai e à mãe e vergonha na fase inicial da adolescência

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    Abstract: Shame results from a set of complex ideas about the self and, when intense and prolonged, may interfere adolescents’ socioemotional adjustment. Research with young adults found that parent-child attachment was associated with shame. Due to the limited number of studies during adolescence, this study aimed to examine the role of the perceptions of safe haven and secure base in the relationship with the mother and the father in self-reported shame in a sample of adolescents aged 10 to 15 years. A total of 312 adolescents (45% boys) aged, on average, 12 years, recruited from a school of the Metropolitan Lisbon, participated in the study. Participants answered the Portuguese version of the Security Scale Questionnaire (SSQ) and the External and Internal Shame Scale for Adolescents (EVEI-A) to assess perceptions of safe haven and secure base in the relationships with parents and total, internal, and external shame. Higher scores of secure base and safe haven in the relationships with the father and with the mother were associated with self-reports of lower levels of overall, internal, and external shame. The strength of the associations between the scores of safe haven and internal shame tended to be higher for the relationship with the mother than for the relationship with the father. These findings are consistent with research conducted with young adults and highlight the importance of assessing the role of both fathers and mothers as a safe haven and secure baseResumo: A vergonha resulta de um conjunto de ideias complexas acerca do eu e, quando intensa e prolongada, pode interferir no ajustamento socioemocional dos adolescentes. A investigação com jovens adultos mostrou que a vinculação aos pais é um dos fatores que se associa com a vergonha. Face à escassez de estudos na adolescência, este estudo teve como objetivo examinar o papel das perceções de porto de abrigo e base segura na relação com o pai e a mãe nos relatos de vergonha numa amostra de adolescentes entre os 10 e 15 anos. Participaram no estudo 312 adolescentes (45% rapazes) que tinham, em média, 12 anos, recrutados numa escola da Região Metropolitana de Lisboa. Os adolescentes responderam à versão portuguesa do Security Scale Questionnaire (SSQ) e à Escala de Vergonha Externa e Interna para Adolescentes (EVEI-A) para avaliar as perceções de porto de abrigo e base segura na relação com os pais e a vergonha total, interna e externa, respetivamente. Valores mais elevados de base segura e de porto de abrigo na relação com ambos os pais associaram-se significativamente com autorrelatos de menores níveis de vergonha total, interna e externa. A força das associações entre os valores de porto de abrigo e a vergonha interna foi mais acentuada na relação com a mãe do que na relação com o pai. Estes resultados são consistentes com a investigação conduzida com jovens adultos e reforçam a importância de avaliar o papel do pai e da mãe enquanto base segura e porto de abrigo

    Mediadores da relação entre a inércia social percebida e o desempenho de equipa em equipas de estudantes universitários

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    Abstract: Perceived social loafing has been found to be negatively related to team performance. However, far too little attention has been paid to the underlying mechanism of this association. Thepurpose of the present study is to investigate not only the direct relationship between perceived social loafing and team performance but also the indirect relationship between these two variables viamediating roles of the sucker effect/social compensation and social loafer’s continuous social loafing. A questionnaire survey was conducted with 360 students of a public university in Vietnam in 2021. The current study confirmed the previous finding that perceived social loafing could negatively influence team performance. The most striking result to emerge from the data was that the sucker effect had no correlation with any other variables while social compensation and social loafer’s continuous social loafing were two serial mediators in the relationship between perceived social loafing and team performance. Specifically, when students perceived that their teammates engaged in social loafing,they exerted more effort to compensate for the social loafers, this way of reaction made the social loafers continue putting forth less effort and, in consequence, the overall team performance was low.Resumo: A inércia social percebida tem sido negativamente associada ao desempenho de equipas. No entanto, muito pouca atenção tem sido dada aos mecanismos subjacentes a esta associação. O objetivo do presente estudo é investigar não apenas a relação direta entre a inércia social percebida e o desempenho da equipa, mas também a relação indireta entre essas duas variáveis através do papel mediador do ‘efeito do idiota’ / compensação social e da inércia social continuada daqueles que são socialmente inertes. A pesquisa por questionários foi realizada com 360 estudantes de uma universidade pública do Vietname em 2021. Os resultados do presente estudo confirmam resultados anteriores em que a inércia social percebida influência negativamente o desempenho das equipas. O resultado mais surpreendente teve a ver com o ‘efeito do idiota’ que não apresentou correlações com nenhuma outravariável em estudo, enquanto que a compensação social e a inércia social continuada são mediadores na relação entre a inércia social percebida e o desempenho das equipas. Especificamente, quando osestudantes universitários percebiam inércia social nos seus colegas de equipa esforçavam-se mais para compensar essa inércia social e, dessa forma, os inertes sociais continuavam a esforçar-se menos,contribuindo para que o desempenho total da equipa fosse baixo

    Preditores desenvolvimentais do desempenho na Matemática no final do 1.º ano

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    Abstract: This study examined the predictive role of child cognitive, social, emotional, and behavioural dimensions assessed at the age of 4½, as well as of the traditional variables related to academic school readiness before the entry to primary school, on mathematics achievement at the end of Year 1. A sample of 58 Portuguese children and their parents participated in this longitudinal study. Initial correlations indicated significant associations between child intelligence quotient (IQ), inhibitory control, set-shifting, dysregulation profile, academic school readiness, and their subsequent performance in mathematics. A hierarchical regression analysis showed that inhibitory control at 4½ years significantly predicted mathematics achievement at the end of Year 1 over and above the effect of academic school readiness before entering primary school. These results add to the existing literature by highlighting the impact of child executive functioning assessed during the preschool years on subsequent mathematics performance in early school years.Resumo: O presente estudo analisou o papel preditor das dimensões cognitivas, sociais, emocionais e comportamentais de crianças avaliadas aos 4 anos e meio de idade, bem como das variáveis tradicionalmente associadas à prontidão escolar académica antes da entrada no ensino primário, no desempenho da Matemática no final do 1.º ano. Participaram neste estudo longitudinal um total de 58 crianças Portuguesas e respetivos pais. As correlações iniciais demonstraram associações significativas entre o quociente de inteligência (QI) da criança, controlo inibitório, flexibilidade cognitiva, perfil de desregulação, prontidão escolar académica e o seu desempenho subsequente na Matemática. Através de uma análise de regressão hierárquica verificou-se que o controlo inibitório aos 4 anos e meio previu significativamente o desempenho na Matemática no final do 1.º ano, superando o efeito da prontidão escolar académica antes da entrada no ensino primário. Estes resultados contribuem para a literatura existente, salientando o impacto do funcionamento executivo da criança, avaliado durante a idade pré-escolar, no desempenho posterior na Matemática nos primeiros anos do ensino formal

    Autoestima e satisfação de vida entre adolescentes brasileiros vitimizados e agressores de bullying

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    Abstract: Bullying is characterized by repeated physical or psychological intimidation, leading to harassment and abuse that can impact the well-being of both victims and perpetrators. This study investigated differences in self-esteem and life satisfaction among students who had been victims or bullies compared to those who had never experienced bullying, either as victims or aggressors. The study involved 194 adolescents, with an average age of 17.46 years (SD=1,26), from the Federal Institute of Science and Technology of Bahia, Brazil. Four scales were used: the Bullying Victimization Scale, Bullying Behavior Scale, Rosenberg Self-Esteem Scale, and Global Life Satisfaction Scale. Results indicate that victims of verbal and relational bullying had lower life satisfaction than non-victims. Victims of relational bullying also had lower self-esteem compared to those who had never been victimized. Victims of verbal bullying showed a trend towards lower self-esteem compared to non-victims. Finally, relational bullies had lower life satisfaction than non-bullies. We concluded that bullying adversely affects the subjective well-being of both victims and perpetrators, underscoring the importance of addressing bullying behaviors among adolescents.Resumo: O bullying é caracterizado por intimidação física ou psicológica repetida, levando ao assédio e abuso que podem impactar o bem-estar tanto das vítimas quanto dos agressores. Este estudo investigou as diferenças na autoestima e na satisfação com a vida entre estudantes que foram vítimas ou agressores de bullying, em comparação com aqueles que nunca vivenciaram bullying, seja como vítimas ou agressores. O estudo envolveu 194 adolescentes, com idade média de 17,46 anos (DP=1,26), do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Bahia, Brasil. Quatro escalas foram utilizadas: a Escala de Vitimização por Bullying, a Escala de Comportamento de Bullying, a Escala de Autoestima de Rosenberg e a Escala Global de Satisfação com a Vida. Os resultados indicam que vítimas de bullying verbal e relacional têm menor satisfação com a vida do que as não-vítimas. Vítimas de bullying relacional também apresentaram menor autoestima em comparação com aqueles que nunca foram vitimizados. Vítimas de bullying verbal mostraram uma tendência a ter menor autoestima em comparação com os não-vítimas. Finalmente, agressores relacionais apresentaram menor satisfação com a vida do que os não-agressores. Conclui-se que o bullying afeta negativamente o bem-estar subjetivo tanto das vítimas quanto dos agressores, destacando a importância de combater comportamentos de bullying entre os adolescentes

    As crenças acerca da COVID-19 são importantes: A (des)informação sobre a COVID-19 alterou as associações entre bem-estar e envolvimento com o desenvolvimento sustentável

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    Abstract: The understanding of how individuals’ beliefs, perceptions or (mis)information interact with other processes in shaping individuals’ engagement is of great important in contemporary societies. During the COVID-19 lockdown, adolescents were exposed to a huge amount of information through various channels. The formulated perceptions, beliefs and representations, including about the causes of the COVID-19, influence subjective experiences and functioning. This study aimed to examine the role that adolescents’ perceptions and beliefs about COVID-19 played in the associations among wellbeing, satisfaction of basic psychological needs, and engagement with sustainable development. In total, 1.649 adolescents (51.2% girls) participated in two waves of data collection (before COVID-19 and during COVID-19 lockdown). The results showed that (1) well-being was positively associated withadolescent engagement with sustainable development, (2) satisfaction of basic psychological needs was also positively associated with engagement with sustainable development, and (3) satisfaction of basic psychological needs mediated the association between well-being and engagement with sustainable development. However, and the most significant result from this study, adolescents’ perceptions of COVID-19 being a consequence of human-environment changed the direction of those associations.These results are consistent with research on misinformation and cognitive biases: in adolescents who had an understanding of COVID-19 as being a natural phenomenon, resulting from human-nature interaction, their engagement with sustainable development was less dependent on their subjective wellbeing and on their satisfaction of basic psychological needs. These results have important implications research, political and educational practices and for Health-related Communication and Messages.Resumo: A compreensão de como as crenças, perceções ou (des)informações dos indivíduos interagem com outros processos na moldagem do envolvimento dos indivíduos é de grande importância nas sociedades contemporâneas. Durante o confinamento da COVID-19, os adolescentes foram expostos a uma enorme quantidade de informação através de vários canais. As perceções, crenças e representações formuladas, inclusive sobre as causas da COVID-19, influenciam as experiências e o funcionamento subjetivos. O objetivo deste estudo foi examinar o papel que as perceções e crenças dos adolescentes sobre a COVID-19 desempenharam nas associações entre bem-estar, satisfação com as necessidades psicológicas básicas e envolvimento com o desenvolvimento sustentável. Um total de 1.649 adolescentes (51,2% sexo feminino) participaram em duas fases de recolha de dados (antes da COVID-19 e durante o confinamento da COVID-19).Os resultados mostraram que (1) o bem-estar esteve positivamente associado ao envolvimento dos adolescentes com o desenvolvimento sustentável, (2) a satisfação com as necessidades psicológicasbásicas também esteve positivamente associada ao envolvimento com o desenvolvimento sustentável, e (3) a satisfação com as necessidades psicológicas básicas mediou a associação entre o bem-estar e o envolvimento com o desenvolvimento sustentável. No entanto, e o resultado mais significativo deste estudo, a perceção dos adolescentes de que a COVID-19 é uma consequência da interação entre o Ser Humano – Natureza mudou a direção dessasassociações. Estes resultados são consistentes com a investigação sobre desinformação e enviesamentos cognitivos: em adolescentes que entendiam a COVID-19 como sendo um fenómeno natural, resultante da interação entre o Ser Humano – Natureza, o seu envolvimento com o desenvolvimento sustentável era menos dependente do seu bem-estar subjetivo e da satisfação com as necessidades psicológicas básicas. Estes resultados têm implicações importantes para a investigação, para as práticas e políticas educativas e para a Comunicação e Mensagens relacionadas com a Saúde

    Depressão e a suscetibilidade ao efeito de ancoragem

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    Abstract: Are depressive individuals more susceptible to anchoring effects? Does this susceptibility depend upon the affective nature of the event? Does individuals’ tendency to ruminative thinking have a role in these effects? We approach these questions by having participants (N=146) in a study perform an anchoring task (see Mussweiler & Strack, 2001) with neutral, negative, and depressive events, and subsequently indicate their level of depressive symptoms, via the Patient Health Questionnaire and levels of rumination via the Ruminative Response Scale. Results show anchoring effects to be stronger for neutral events than negative or depressive events. Both depression and rumination interfere positively with anchoring in such that the higher the levels of depression and rumination the higher the susceptibility to anchors. Both effects were shown to occur independently and not to be reliably moderated by the neutral, negative, or depressive nature of the events.Resumo: Indivíduos com depressão são mais suscetíveis aos efeitos de ancoragem? Essa susceptibilidade depende da natureza afetiva do evento? A tendência de pensamento ruminativo dos indivíduos desempenha um papel nesses efeitos? Abordamos estas questões ao ter participantes (N=146) num estudo a realizar uma tarefa de ancoragem (ver Mussweiler & Strack, 2001) com eventos neutros, negativos e depressivos e, posteriormente, a indicarem o seu nível de sintomatologia depressiva, através do Patient Health Questionnaire, e os seus níveis de ruminação, através da Ruminative Response Scale. Os resultados mostram que os efeitos de ancoragem são mais fortes para eventos neutros do que para eventos negativos ou depressivos. Tanto a depressão como a ruminação interferem positivamente com a ancoragem, de modo que quanto mais elevados os níveis de depressão e de ruminação, maior a susceptibilidade às âncoras. Ambos os efeitos mostraram ocorrer independentemente e não são confiavelmente moderados pela natureza neutra, negativa ou depressiva dos eventos

    Associações entre a empatia e os comportamentos sociais em crianças

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    Abstract: Concern for others’ welfare is part of normative development. However, some children respond to others’ distress with concern and helpful approaches, while others respond with suspicion, hostility, indifference. Although the literature around empathy has increased over the years, there isn’t a consensus over its associations with prosociality and internalizing or externalizing problems. A sample of 199 children (50.8% girls) between 10 and 15 years (M=12.05; SD=0.98), reported on their empathy and social behaviours using the QACE – Questionnaire to Assess Affective and Cognitive Empathy (Zoll & Enz, 2010) and the SDQ – Strengths and Difficulties Questionnaire (Goodman, 1997) respectively. Our results indicate that girls were more prosocial and empathic, but also presented higher levels of internalizing problems, compared to boys. Affective but not cognitive empathy was related with internalizing problems. Cognitive empathy was significantly related with prosocial behaviour. No significant relations between empathy and externalizing behaviours were found.Resumo: A preocupação com o bem-estar dos outros faz parte do desenvolvimento normativo. Contudo, enquanto algumas crianças respondem à angústia dos outros com preocupação e ajuda, outras respondem com suspeita, hostilidade e indiferença. Embora a literatura em torno da empatia tenha aumentado nos últimos anos, ainda não há consenso no que respeita as suas associações com a pró- socialidade, com problemas internalizantes ou externalizantes. Numa amostra de 199 crianças (50,8% meninas) entre os 10 e os 15 anos (M=12.05; DP=0.98), foram reportados a empatia e os comportamentos sociais através do QACE – Questionnaire to Assess Affective and Cognitive Empathy (Zoll & Enz, 2010). e o SDQ – Strengths and Difficulties Questionnaire (Goodman, 1997), respetiva- mente. Os resultados indicam as raparigas como mais pró-sociais e empáticas, mas também com níveis mais elevados de problemas internalizantes, em comparação com os rapazes. A empatia afetiva, mas não cognitiva, foi relacionada com problemas internalizantes. A empatia cognitiva foi significativa- mente relacionada com o comportamento pró-social. Não foram encontradas relações significativas entre empatia e comportamentos externalizantes

    Propriedades psicométricas da versão angolana do Questionário de Funcionamento Reflexivo – 8 (RFQ-8): Estudo Exploratório

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    Abstract: The Reflective Functioning Questionnaire (RFQ-8) is a brief self-report psychometric instrument designed to assess an individual’s reflective functioning abilities. This study aimed to examine the psychometric properties of the Angolan version of the RFQ-8, namely, to assess its factor structure and to examine its correlations with related constructs and clinical variables in a sample of the general population of Angola.A cross-sectional study was conducted with 132 participants (aged ≥18 years) with Angolan residency and nationality, recruited through non-probability, convenience and snowball sampling procedures. The online research protocol included a Portuguese translation of the RFQ-8 and a battery of self- report measures (Brief Symptom Inventory; Adult Attachment Scale – Revised; Beck Cognitive Insight Scale).Consistent with previous research, results supported a two-factor structure for the RFQ-8 (assessing certainty and uncertainty about mental states; RFQc and RFQu subscales) with satisfactory internal consistency. RFQ-8 scores also showed significant correlations to psychopathological symptoms, suggesting a close relation between uncertainty about mental states and clinical problems, consistent with the mentalization framework; statistically significant relationships with different attachment patterns that support mentalization’s developmental schema; significant correlations with cognitive insight, a construct closely related to reflective functioning. Even though the RFQ-8 was designed to assess two impairments in reflective functioning (hypermentalization and hypomentalization), it seems that only hypomentalization is adequately addressed by this instrument. Further research is thus needed to analyze the probable unidimensionality of the RFQ-8 and the viability of different scoring procedures.In conclusion, this study offers preliminary evidence on the reliability and validity of the Angolan version of this scale. Besides its usefulness in clinical assessment, it could also contribute to developing research on mentalization and the efficacy of psychotherapeutic interventions, including patients’ responses to mentalization-based treatments.Resumo: O Questionário de Funcionamento Reflexivo (RFQ-8) é um instrumento psicométrico de auto-relato breve, concebido para avaliar as capacidades de funcionamento reflexivo de um indivíduo. Este estudo teve como objetivo examinar as propriedades psicométricas da versão Angolana do RFQ-8, nomeadamente, avaliar a sua estrutura fatorial e examinar as suas correlações com constructos relacionados e variáveis clínicas numa amostra da população geral de Angola.Foi realizado um estudo transversal com 132 participantes (idade ≥18 anos) com residência e nacionalidade Angolana, recrutados através de procedimentos de amostragem não probabilística, por conveniência e bola de neve. O protocolo de investigação online incluiu uma tradução portuguesa do RFQ-8 e uma bateria de medidas de auto-relato (Inventário de Sintomas Psicopatológicos; Escala de Vinculação do Adulto; Escala de Insight Cognitivo de Beck).Em concordância com estudos prévios, os resultados suportaram uma estrutura bifactorial para o RFQ-8 (avaliando a certeza e a incerteza acerca de estados mentais; subescalas RFQc e RFQu) com consistência interna satisfatória. As pontuações do RFQ-8 também mostraram correlações significativas com sintomas psicopatológicos, sugerindo uma relação estreita entre a incerteza sobre estados mentais e perturbações clínicas, consistente com a teoria da mentalização; relações estatisticamente significativas com diferentes padrões de vinculação que reforçam o esquema desenvolvimental da mentalização; correlações significativas com o insight cognitivo, um constructo intimamente relacionado com o funcionamento reflexivo. Apesar de o RFQ-8 ter sido concebido para avaliar dois défices no funcionamento reflexivo (hipermentalização e hipomentalização), apenas a hipomentalização parece ser adequadamente analisada por este instrumento. Assim, é necessária investigação adicional para analisar a provável unidimensionalidade do RFQ-8 e a viabilidade de diferentes procedimentos de cotação.Em conclusão, este estudo oferece evidências preliminares sobre a fiabilidade e validade da versão Angolana desta escala. Para além da sua utilidade na avaliação clínica, poderá também contribuir para o desenvolvimento da investigação sobre mentalização e sobre a eficácia de intervenções psicoterapêuticas, incluindo a resposta a tratamentos baseados na mentalização

    Uma perspectiva biopsicossocial sobre o risco para a saúde mental em Itália durante a segunda fase de confinamento devido à COVID-19

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    Abstract: Introduction: Research into the first phase of the COVID-19 lockdown in Italy showed an association with an increased susceptibility to adverse mental health (MH) in the general population. We investigated in the same population the correlations between the various demographic, socioeconomic, biological/clinical history and psychological dimensions and MH in the second,“opening-up”, phase of the lockdown. Methods: An anonymous online survey collected data from 26 May to 4 July 2020 on demographic, socioeconomic, perceived risk, general health and quality of life appraisals, worry, interference in life, life satisfaction, perceived happiness and MH by using Mental Health Inventory-5 (MHI-5). Results: Of the 300 participants, only 195 responded to MH questions. Older age was positively associated with better MH (r=.15), as was education (r=.19). A negative correlation with MH, with medium-high effect size, was found with quality of life (r=.40) and health (r=.34) appraisals, and the factors “worry about sustenance” (r=.23) and “interference with life” (r=.32). A positive correlation, with strong effect size, was found between MH and life satisfaction (r=.53) and perception of happiness (r=.64). Discussion: During phase two of the lockdown, rather the real impact of COVID-19 restrictions on employment or economic resources, it was worry about finances that was associated with worse MH. Mental distress was associated with the loss of some positive psychological factors. From a homeostatic and biopsychosocial perspective of MH, life satisfaction and perceivedhappiness represent important mental resources for counteracting the effects of lockdown on MH.Resumo: Introdução: A investigação sobre a primeira fase do confinamento devido à COVID-19 em Itália mostrou que se observou um aumento da suscetibilidade a problemas de saúde mental (SM) na população. Na mesma amostra, investigámos as correlações entre as diversas dimensões demográficas, socioeconómicas, historial biológico/clínico e dimensão cognitivo-afetivas e a SM na segunda fase, de “abertura”, do confinamento. Métodos: Foi realizado um questionário online anónimo, com dados recolhidos entre 26 de maio e 4 de julho de 2020, sobre dados demográficos, socioeconómicos, risco percebido, saúde geral, qualidade de vida, preocupação, interferência na vida, satisfação com a vida, felicidade percebida e SM, usando o Inventário de Saúde Mental-5 (MIH-5). Resultados: Embora 300participantes tenham respondido à secção demográfica e socioeconómica do questionário, apenas 202 responderam à secção de SM neste estudo exploratório. Usando pontuações totais do MHI-5 >52 para baixo distress e >70 para baixa depressão como pontos de corte, mostrámos que a idade avançada estava positivamente associada a melhor SM. Além disso, avaliações positivas mais baixas para a saúde geral e uma maior interferência na vida e na satisfação com a vida foram consideradas preditores de pior SM. Discussão: Durante a segunda fase do confinamento, o impacto das restrições da COVID-19 na SM dependeram da idade do sujeito. Apesar de indivíduos mais velhos apresentarem maior dificuldade no controlo da dor durante o período pandémico, relataram menor preocupação com as despesas diárias e com o futuro e menor interferência das restrições pandémicas na sua atividade laboral e na vida em geral. Independentemente da idade, a saúde mental estava associada à saúde geral autorreportada e à interferência da pandemia na vida e na satisfação com a vida em adultos durante o confinamento devido à COVID-19. Os resultados deste estudo indicam que os indivíduos mais jovens são os mais vulneráveis perante eventos de vida negativos significativos, tais como, a pandemia, e que esta vulnerabilidade aumenta quando os indivíduos têm uma menor capacidade de lidar com a interferência na vida e menor satisfação com a vida devido ao isolamento criado pelo confinamento.Assim, um sistema de saúde pró-ativo que cuide da saúde mental, especialmente entre os jovens, e programas destinados a promover a saúde mental devem ser estabelecidos nas instituições públicas,especialmente nas escolas

    Testando efeitos indiretos de fatores de personalidade na relação entre tecnoestresse e sobrecarga no trabalho

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    Abstract: The widespread adoption of Information and Communication Technologies (ICT) resulted in a new form of work culture in which boundaries are not clearly established. Technostress – a phenomenon partially caused by excessive technology exposure and usage – is being associated with a myriad of negative effects. However, individual differences, such as personality traits, might influence one’s experience of stress when using ICT. Thus, this study aimed to investigate the indirect effects of personality traits on the relationship between work overload and technostress. A sample of 213 ICT Brazilian workers (Mage=35.53±9.41; 64.8% males) provided information on demographic and laborrelated data, as well as measurements of Technostress, Work Overload, and Personality Traits; moreover, based on a coefficient of determination (ñ2=.12), the power achieved was 99%. Adjusted for multiple comparisons, results pointed to moderate, significant links between Fatigue and Neuroticism (ñ=.32), Fatigue and Work Overload (ñ=.37), Anxiety and Work Overload (ñ=.33). Moreover, Conscientiousness exerted an indirect effect on the relationship between Work Overload and the Technostress dimension of Fatigue (95%CI: .001, .06). The study highlights the role of individual differences that might prevent workers’ experiences of technostress, particularly Fatigue.Resumo: A adoção generalizada das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) resultou numa nova forma de cultura de trabalho em que limites nao estão claramente estabelecidos. O estresse tecnológico ou tecnoestresse - fenómeno parcialmente causado pela exposição e utilização excessiva da tecnologia - está associado a diversos efeitos negativos. No entanto, diferenças individuais, como os traços de personalidade, podem influenciar a experiência de estresse de uma pessoa quando utiliza as TIC. Assim, este estudo teve como objetivo investigar os efeitos indiretos dos traços de personalidade na relação entre sobrecarga de trabalho e tecnoestresse. Uma amostra de 213 trabalhadores brasileiros que utilizam TIC (M=35,53}9,41; 64,8% homens) participou do estudo, que coletou dados sociodemográficos e ocupacionais, além de utilizar escalas de Tecnoestresse, Sobrecarga de Trabalho e Traços de Personalidade. Com base num coeficiente de determinação (p2=0,12), o poder do estudo foi de 99%. Após ajustamentos para comparações múltiplas, os resultados apontaram para associações moderadas e significativas entre Fadiga e Neuroticismo (p=0,32), Fadiga e Sobrecarga de Trabalho (p=0,37) e Ansiedade e Sobrecarga de Trabalho (p=0,33). Verificou-se que a Conscienciosidade exerceu um efeito indireto na relação entre a Sobrecarga de Trabalho e Fadiga (IC95%: 0,001, 0,06). O estudo destaca o papel das diferenças individuais, que podem amenizar as experiências de tecnoestresse dos trabalhadores, particularmente Fadiga

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