Universidade Federal da Bahia, Escola de Administração: Periódicos EAUFBA
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Contribuição da Nova Sociologia Econômica para repensar a Economia no Sentido do Desenvolvimento Sustentável
Resenha do texto:
LEVESQUE, B. Contribuição da Nova Sociologia Econômica para repensar a Economia no Sentido do Desenvolvimento Sustentável. Revista de Administração de Empresas. São Paulo: FGV, v.47, n,2, p. 49-60, 2007
CULTURA ORGANIZACIONAL E CULTURA BRASILEIRA: COMPREENDENDO AS FRAGILIDADES DO COOPERATIVISMO BRASILEIRO
Cultura organizacional é um tema muito pouco explorado nos campos prático e teórico em cooperativas, mas de grande relevância para a gestão deste tipo de organização. Procura-se compreender que elementos teóricos da cultura brasileira podem servir de referência para analisar a cultura nas organizações cooperativas. A metodologia está fundamentada no método comparativo de análise teórica, a partir da definição de categorias analíticas que servem de referência para caracterizar a cultura brasileira, e nos princípios universais do cooperativismo como categorias que servem para caracterizar a estrutura da organização cooperativista. Parte-se do pressuposto de que os princípios universais do cooperativismo não são suficientes para estabelecerem vínculos identitários entre seus membros, recorrendo-se aos valores da cultura brasileira para estabelecer laços de sociabilidade. Portanto, pode-se afirmar que os princípios cooperativistas terão êxito à medida que o contexto cultural esteja mais próximo da democracia, especialmente a democracia participativa ou deliberativa
Memória e patrimônio imaterial: formação de identidade a partir dos patrimônios culturais do Brasil
A formação de identidade dos grupos culturais depende da legitimação de seus elementos culturais, da sua memória e da sua representação perante seus detentores. Criado em 2000, o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) estabeleceu uma nova forma de atuação do Estado em relação aos patrimônios imateriais brasileiros. Executado pelo IPHAN, o programa inova ao ampliar seu objeto de patrimonialização, propondo o processo de registro de bens culturais imateriais e a elaboração de planos de salvaguarda para determinar as ações a serem realizadas. Este artigo tem como objetivo compreender os significados do titulo de Patrimônio Cultural do Brasil, para os detentores destes bens culturais de natureza imaterial, analisando, sobretudo como a memória é apropriada dentro do discurso oficial do Estado ao propor tal política. Para isso foram realizadas entrevistas em profundidade com agentes relevantes na política: duas técnicas do Iphan, uma consultora especializada da UNESCO, uma coordenadora de um ponto de cultura de um bem registrado e uma detentora de um bem registrado. Nesse sentido, o que se percebeu na pesquisa foi que os detentores dos bens culturais fazem uso do título de Patrimônio Cultural do Brasil para alcançar benefícios pontuais como acesso aos direitos sociais, possibilidade de geração de trabalho e renda, resgate da memória social, formação de parcerias, intermediação com outros agentes públicos
Tecnologia Apropriada: uma Modesta Apresentação de Pequenos Casos
Este artigo é uma narrativa sobre a trajetória do fenômeno das tecnologias apropriadas, a partir de sua origem na Índia até o Brasil do primeiro decênio do século XXI, por meio da qual se pretende responder duas questões:
Qual o caminho ou quais os descaminhos percorridos pela ideia de tecnologia apropriada desde os anos 50? Qual a pertinência em se resgatar o debate sobre tecnologia apropriada?
No Brasil, a narrativa é construída a partir de três experiências: município de Lages (SC); estado de São Paulo, no governo de Franco Montoro (SP); Distrito Federal, no governo de Cristovam Buarque.
A partir do ano 2000 muitas dessas práticas começaram a ser identificadas como tecnologia social. Neste longo percurso, ocorrem dois movimentos: a prática desconhecia o nome; e a prática é reconhecida como tecnologia social. Em ambos, a ideia de tecnologia apropriada não é explícita.
Os ensinamentos das experiências de Lages, São Paulo e Distrito Federal foram esquecidos. O esquecimento não é gratuito e se justifica pelas seguintes hipóteses: ausência de criatividade; disseminação de práticas onerosas; racionalidade política eleitoral dependente de vultosos recursos financeiros.
Muito desse “esquecimento” também foi resultado, entre outras coisas, de uma desarticulação dos atores que promoveram tais experiências, bem como de uma transformação do mindset dos gestores públicos. Para recuperarmos as possibilidades de uso das tecnologias apropriadas, faz-se necessária uma retomada na formação de gestores menos identificados com métodos orientados para soluções de mercado e mais orientados para as necessidades concretas das pessoas e dos territórios
Gestão social: um debate para a construção do campo
Este texto tem o objetivo de dar continuidade ao debate entre os profs. Airton Cardoso Cançado e Edgilson Tavares de Araújo, iniciada em ocasião do XII Colóquio Internacional sobre Poder Local, realizado pelo Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gestão Social da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ciags/EAUFBA) em dezembro de 2012. A discussão se centra nas teses destes dois professores, a primeira defendidas em 2011 no âmbito do Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras e segunda defendida em 2012 no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade de São Paulo. A resenha apresentam os resumos das teses e posteriormente os pontos para o debate que foi iniciado e que continua neste aqui neste espaço. São eles: o atual estado da arte da Gestão Social e a questão do paradigma; a Gestão Social como campo do conhecimento; a institucionalização da Gestão Social; e as relações de endogenia, autorreferencialidade e autocitações presentes na gestão social
Espaço público, arte urbana e inclusão social
Este artigo busca discutir as interfaces entre os campos disciplinares do urbanismo (espaço público), artes (arte pública) e políticas públicas (público); e tenta responder a pergunta em que medida é possível promover processos de inclusão socio-territorial a partir da arte no espaço público. A partir desta pergunta, este artigo problematiza as relações possíveis entre as representações da Arte Pública e os fruidores de tais representações.
Buscando descobrir caminhos ainda não percorridos pela literatura especializada, este trabalho problematiza a qualidade de público de tais obras, fugindo da clássica separação entre arte pública e arte urbana. Nesta nova perspectiva trazida pela aproximação teórica ao campo de estudo das políticas públicas, a obra de arte passa a ser pública não mais por que está localizada em espeço público, mas, sobretudo, porque o seu público a legitima como tal. Como resultado destas indagações, pretende-se discutir os processos desencadeadores de transformação do público passante em público de arte, assim como os processos transformadores da arte no espaço público em Arte Pública e da sua capacidade de criação e reforço de identidades sociais e territoriais, como de promoção de bens públicos.
Esta compreensão carrega consigo um forte potencial de ressignificação identitária dos territórios urbanos onde tais obras se inserem, abrindo espaço para a rediscussão dos limites do juízo de gosto e beleza como critérios únicos ou primordiais da apreciação das obras de arte a uma possível compreensão da estética mais próxima à poesis do que à mimesis. O lócus da Arte Urbana poderia então ser interpretado como uma arena pública, onde atores mediam seus juízos e valores estéticos, calcados em suas visões de mundo
“Gestão de Interfaces”: a evolução do controle para o apoio à execução
Atualmente, as referências mais utilizadas para gerenciamento de projetos são o PMBOK e o PRINCE2, inclusive no âmbito da Administração Pública. Nas versões mais recentes desses guias, têm se observado uma crescente preocupação com o impacto dos stakeholders nos resultados dos projetos. Dessa forma, com base no framework atualizado dessas duas metodologias – que possui uma visão para o exterior do empreendimento -, foi desenvolvido na Administração Pública mineira um método para gerenciamento das questões que, a priori, eram tidas como componentes que não faziam parte dos empreendimentos de maneira direta. Trata-se da administração daquelas ações desencadeadas principalmente por atores externos que geram impacto considerável nos resultados alcançados pelos projetos. Esse método foi desenvolvido a partir das experiências do Escritório de Projeto da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas do governo do estado de Minas Gerais. As etapas para implementação e operacionalização dessa metodologia são os seguintes: (i) o plano do gerenciamento por exceções; (ii) identificação e sistematização dos stakeholders; (iii) comunicação eficiente com todos os stakeholders; (iv) a organização das informações referentes às interfaces do projeto; (v) a gestão de riscos referentes às interfaces e (vi) sistema de avaliação e monitoramento. Cada uma dessas etapas está detalhada no texto a seguir
A Dádiva como recurso metodológico na Gestão Social
A discussão apresentada neste artigo visa esclarecer as possíveis contribuições da Dádiva para as ciências sociais, no aspecto geral, e para a Gestão Social em particular. O trabalho apoia-se em revisão bibliográfica, com destaque para as obras de Mauss, Godbout, Caillé, Martins, Freitas, Constantino e Reinhardt. Para esses autores o paradigma insere-se em uma tradição que afirma que as ciências sociais permite uma crítica radical ao utilitarismo generalizado. Contudo, para isso, deve apresentar dispositivos metodológicos capazes de fornecer novas chaves analíticas necessárias para uma descrição do funcionamento da democracia e da cidadania, a partir dos sistemas sociais concretos. O trabalho, ao apresentar uma discussão sobre teoria, método e paradigma da Dádiva, colabora para resgatar esse fenômeno e assim contribuir para uma melhor compreensão da Gestão Social
Programa Bolsa Família: efeitos e perspectivas futuras para o Brasil
A formatação do Programa Bolsa Família (PBF) representa um marco para as políticas sociais no Brasil e, consequentemente, tem sido alvo de vários estudos que proporcionam subsídios relevantes para o seu aprimoramento. O programa, que começou em 2003, está completando dez anos em 2013. Logo, o presente artigo busca apresentar de forma sucinta, através de revisão bibliográfica, o caminho percorrido pelas políticas sociais no país, com o enfoque no Programa Bolsa Família, bem como os seus principais resultados até o momento. Acredita-se que este trabalho contribui para o enriquecimento dos debates acerca da efetividade do programa em questão. Com base nas análises do processo de construção social do país, além dos dados disponíveis acerca dos impactos do PBF, podemos inferir que há efetividade tangível no campo social. Isto permite abrir discussões sobre possíveis ganhos futuros para as crianças de famílias beneficiárias. Porém, alguns de seus eixos não tem se desenvolvido qualitativamente, impondo desafios substanciais ao programa, tanto no campo teórico quanto prático