Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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O espaço da criação e produção mediática no ensino secundário: análise dos currículos de Português, Filosofia e Inglês
A formação do indivíduo-cidadão do século XXI impõe novos desafios à instituição escolar. Por um lado, a escola depara-se com uma necessidade de adaptação aos contextos sociais contemporâneos; por outro, encara a obrigação de abrir portas às tecnologias de comunicação e informação digitais e de educar os jovens para desempenhar o papel de consumidores, produtores e reprodutores de conteúdo mediático, de forma responsável e consciente.
Um olhar sobre a legislação e documentação produzidas nos últimos 30 anos deixa clara a importância de integrar a literacia mediática (LM) na escola enquanto elemento transdisciplinar e transcurricular (Oliveira, 2019), sendo esta considerada uma competência essencial a ser desenvolvida em ambiente escolar, numa lógica de formação ao longo da vida. No entanto, e embora se registem experiências que procuram levar os media para a escola e promover o contacto e o desenvolvimento de produtos mediáticos pelas mãos dos jovens, em sala de aula, trabalhos desenvolvidos na última década têm vindo a alertar para um desfasamento entre a teoria e a prática – um afastamento dos currículos face aos objetivos de uma educação para os media (Opertti, 2009; Pessôa, 2017; Soares, 2011).
Partindo de uma análise do conteúdo dos programas curriculares do ano letivo vigente, de três disciplinas transversais aos cursos científico-humanísticos do ensino secundário nacional – Português, Filosofia e Inglês –, reflete-se sobre a forma como a LM, e em particular a sua dimensão criativa, é contemplada nestes documentos. Complementarmente, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com docentes de cada disciplina, por forma a aprofundar os resultados da análise de conteúdo. Apresenta-se uma apreciação crítica que, realizada com recurso a um conjunto de descritores de desempenho, toma em consideração a integração de aprendizagens de LM e as oportunidades existentes para o desenvolvimento de atividades de criação e produção mediática, no âmbito das disciplinas referidas
Narrativas híbridas e a construção de subjetividades no documentário Fogo no mar
Nos últimos 20 anos mais de 400 mil imigrantes da África e do Oriente Médio que rumavam para a Europa chegaram até à ilha de Lampedusa, na Itália – muitos destes sem vida ou com precárias condições de saúde. O documentário Fogo no mar (2016), de Gianfranco Rosi, acompanha um ano desta delicada realidade enquanto regista o cotidiano dos sicilianos locais na região que possui pouco mais de cinco mil habitantes em 20 quilômetros de extensão terrestre cercada pelo Mar Mediterrâneo. Na obra encontram-se elementos narrativos oriundos da ficção, ainda que a sua concepção e construção seja documental. No presente artigo, consideramos as perspectivas documentais e ficcionais no desenvolvimento desta narrativa, buscando compreender as percepções subjetivas e as suas correlações com a leitura individual potencializada aos espectadores. A abordagem do cineasta é observacional e pouco reflexiva, propondo aos espectadores múltiplas leituras, essencialmente subjetivas a seus próprios valores e pensamentos acerca dos temas abordados pela obra. Há um contraste declarado entre a desesperadora realidade dos refugiados e imigrantes com a pacífica existência dos moradores locais, levando-nos à reflexão sobre as múltiplas identidades que ora nos separam, ora nos unem. No enredo, tal dicotomia é explícita, sendo de fácil percepção as identidades excludentes, binárias e classificativas. Os refugiados permanecem assim na ambivalência: são estrangeiros? Imigrantes? Ilegais? Desta forma, tanto a obra cinematográfica quanto este artigo se posicionam de modo a proporcionar e ampliar o diálogo acerca do fluxo imigratório na Europa contemporânea, uma vez que em 2017 já houve mais de três mil mortes dentre refugiados no Mar Mediterrâneo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Para tal, o presente estudo busca compreender quais são as manifestações narrativas próprias ao documentário e quais são comuns à ficção empregadas neste filme, pontuando o supracitado hibridismo narrativo e a sua subjetividade através da análise textual e poética
Mediações e políticas culturais para as artes no Brasil e os exemplos do Canadá, França e Portugal
O objetivo desta pesquisa, em curso, é investigar se e de que modo a mediação cultural pode ser considerada como uma possibilidade de exercício dos direitos culturais em artes. Nesta perspectiva, entende-se “mediação cultural” como uma forma de acesso e democratização dos bens culturais (Caune, 1999). Ou seja, um conjunto de ações de formação, pesquisa e intervenção no campo da produção artístico cultural, considerada como uma modalidade de mediação de terceiros orientada para o reconhecimento do outro. No entanto, podem também ser dispositivos que facilitam, com respostas criativas no interior de sistemas culturais, a comunicação entre sujeitos e culturas, promovendo novas formas de convivências que facilitam e constroem compreensões sobre as pessoas, seus costumes, seus valores e suas culturas. Porém, como é o entendimento de mediações culturais na dimensão das políticas culturais? Quais implicações podem reverberar nas políticas setoriais para as artes advindas das relações interculturais que atravessam os campos da Arte, da Cultura e da Educação nos processos de mediação cultural?
Orientadas por estas questões, nesta análise investiga-se o conteúdo de alguns documentos norteadores de extensão internacional sobre direitos culturais como os elaborados pela ONU e a Unesco. Revisa-se a Constituição Brasileira de 1988 e as deliberações dos/nos sistemas nacional e estaduais da cultura. E de início, a pesquisa indicou que, por se configurar como uma discussão recente no Brasil, o quantitativo de produção teórica sobre o assunto é escasso, sendo este um dos motivos pelo qual destacamos iniciativas como as do Canadá (exemplo da cidade de Montreal), da França (com o Observatoire des Politiques Culturelles) e de Portugal (com iniciativas da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo – Arteemrede)
O papel do Polícia Municipal enquanto mediador de litígios: uma perspetiva iure condendo
Entende-se a polícia como um conjunto de autoridades e de corpos ou serviços administrativos, que exercem uma atividade policial e que se encontram sujeitos, em particular, a um ramo do direito público que é o direito de polícia. A atividade de polícia é uma atividade administrativa, pois tem como ultima ratio a prossecução do interesse público estando, assim, sujeita aos princípios que estruturam e vinculam a Administração Pública. A Polícia Municipal é uma polícia de âmbito local e um serviço integrado na administração autónoma que prossegue os interesses dos munícipes da Autarquia Local onde se insere. A lei que estabelece o regime e a forma de criação da Polícia Municipal é a Lei n.º 19/2004, de 20 de maio (Lei da Polícia Municipal). De acordo com esta lei, a Polícia Municipal é um serviço municipal especialmente vocacionado para o exercício de funções de polícia administrativa. Poderá afirmar-se que o Polícia Municipal é um verdadeiro Polícia de proximidade. Nesse sentido, são várias as Polícias Municipais que têm vindo a desenvolver uma espécie de mediação comunitária, promovendo ações de sensibilização focadas nos temas da prevenção, cidadania e segurança, as quais têm por objetivo a diminuição de comportamentos de risco e a promoção de valores de cidadania, de comportamentos de autoproteção e de participação na construção da segurança da comunidade. Importa, contudo, saber se o papel do Polícia Municipal deve ir além desta mediação comunitária, permitindo-se que este exerça a função de um verdadeiro mediador de litígios, nos termos definidos na Lei nº 29/2013, Artº 2.º (Lei da Mediação). Importa também discutir as potenciais vantagens e desvantagens da introdução no nosso ordenamento jurídico da figura do mediador policial. Concluindo-se pela pertinência da introdução da figura, deverá refletir-se sobre o objeto dessa mediação policial e o papel que os Polícias Municipais devem assumir enquanto mediadores
A arte como metodologia de intervenção social – uma breve análise do projeto “Refúgio e arte: dormem mil cores nos meus dedos”
Enquanto a ordem social e econômica promove a separação, as práticas artísticas são capazes de acelerar a inclusão social, por isso, acredita-se que a arte e a educação são indissociáveis e devem ocupar um papel importante no processo de inclusão e servir como ferramenta de sociabilização contributiva à afirmação do sujeito. Esta investigação pretende pensar a arte como um método, um meio, e não um produto final, acreditando que ela tem o poder encorajador de integração à cidadania. Pretender-se-á analisar a importância da arte enquanto prática de inclusão social, pois, assim como a educação, ela tem a capacidade de encorajar o desenvolvimento individual ao mesmo tempo em que restaura a unidade social. Pensando além do campo da formação do Homem, ela também tem o poder de reinserção, num processo de aproximação e integração. Analisar-se-á ainda o percurso metodológico e as práticas artísticas utilizadas no processo educativo do projeto “Refúgio e Arte: Dormem mil cores nos meus dedos”, do Conselho Português para os Refugiados (CPR), financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no programa PARTIS - Práticas Artísticas para a Inclusão Social. Através das artes plásticas, o projeto visa integrar cerca de 40 jovens refugiados e requerentes de asilo em Lisboa, entre os 14 e os 18 anos, que chegaram a Portugal desacompanhados de seus familiares
Sistema de indicadores de sustentabilidade para o desenvolvimento do turismo: análise da dimensão cultural do município de Areia (Paraíba)
Os indicadores de sustentabilidade para atividades turísticas são importantes ferramentas de gestão que podem ser utilizados nos processos de tomada de decisão. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo identificar e analisar o grau de desenvolvimento sustentável do turismo histórico-cultural do município de Areia-PB, tomando como referência a dimensão cultural da metodologia do Sistema de Indicadores de Sustentabilidade do Desenvolvimento do Turismo (SISDTur), proposto por Hanai (2009). A pesquisa realizada é do tipo exploratória, descritiva de abordagem quali-quantitativa, conduzida sob a forma de um estudo de caso. Para coleta de dados primários foram aplicados questionários junto aos atores envolvidos, visitas de campo e observação não participante. Os resultados da pesquisa evidenciaram que a dimensão cultural do turismo de Areia-PB encontra-se em sustentabilidade intermédia. Todavia, ressalta-se a necessidade do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, em comum acordo, elaborarem e implementarem políticas públicas e ações que promovam a conservação e a preservação dos bens de natureza material da cidade, conforme prerrogativas do desenvolvimento sustentável do turismo
O design das capas de discos brasileiras e portuguesas dos anos 1960: um estudo comparado
“O design das capas de discos brasileiras e portuguesas dos anos 1960: um estudo comparado” apresenta o resultado do intercâmbio internacional, do qual participei, via convênio de cooperação acadêmico-científica, estabelecido entre o curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade de Évora (Portugal) e o Mestrado em Desenho, Cultura e Interatividade da Universidade Estadual de Feira de Santana (Brasil). A proposta do mesmo é apresentar um estudo do design das capas de discos brasileiras e portuguesas dos anos 1960, demonstrando através das imagens destas, e do contexto da época, possíveis diferenças ou similaridades em termos de importância histórica frente à década aqui posta. Para isso, fiz uma pesquisa documental e bibliográfica nos dois países, colhendo informações sobre a temática supracitada, cruzando dados e analisando aspectos inerentes às mesmas que me dessem respaldo para a escrita deste artigo
A participação do público na construção da pauta dos podcasts
Este artigo analisa a participação dos leitores na construção da pauta e da linha editorial no jornalismo alternativo. Para isto, são analisados programas jornalísticos brasileiros em formato de podcasts (programas de áudio para internet) que utilizam o financiamento coletivo recorrente como fonte de financiamento, oferecendo como uma das recompensas, a participação dos apoiadores em grupos fechados em redes sociais para discussão dos assuntos abordados pelos programas. Os programas analisados são Braincast e Mamilos, podcasts semanais de repercussão no Brasil, não pertencentes aos grandes conglomerados de comunicação, que utilizam ferramentas de financiamento coletivo recorrente. Nos grupos do Facebook destinados aos apoiadores, são analisados o número de inscritos, a participação destes, a intervenção dos administradores da página. Depois, é feita uma comparação com o conteúdo dos podcasts para saber quais as influências do público na construção da pauta e linha editorial. O objetivo é aprofundar o debate sobre a relação do jornalismo com a comunidade, especificamente do jornalismo alternativo e a eficiência das técnicas de financiamento de projetos digitais através da participação do público
Cultura popular: uma revisitação conceptual
Do debate teórico sobre a cultura tem estado ausente a cultura popular ligada às manifestações tradicionais. Acossada pela modernização das sociedades e em atrofia nos combates simbólicos com a cultura erudita e a cultura de massas, a cultura popular tornou-se o outro da cultura na modernidade. Sobrevive, ainda assim, e é central na construção identitária das comunidades, provando resistir à expropriação e reificação a que foi submetida. Urgem, agora, análises conceptuais que incorporem as transformações recentes por que passa a cultura popular de matriz tradicional, uma vez que se evidenciam formas novas de as comunidades revigorarem e viverem estas manifestações culturais, a partir de visões reflexivas que incorporam tanto a valorização e reconhecimento inerentes à noção de herança ou património cultural, quanto os riscos da sua captura pela lógica mercantil