Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Rádios e televisões escolares: contributos de promoção da literacia para os media
Vivemos numa era marcadamente digital. Os novos suportes e recursos tecnológicos da informação e da comunicação podem contribuir para a renovação da escola, dando, assim, o seu contributo para o desenvolvimento de valores e de competências nos alunos, preparando-os para lidar com as incertezas de um mundo global em que aprendizagem e o conhecimento são os melhores instrumentos para a inserção na sociedade cada vez mais exigente.
Os projetos de rádios escolares (webrádios) e de televisões escolares existentes são, neste contexto, excelentes recursos que permitem criar comunidades de aprendizagem suportadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Mais, estes recursos podem, através da reflexão e da análise dos seus intervenientes, transformar uma comunidade de aprendizagem numa comunidade de conhecimento.
É, pois, neste quadro que se espera que a escola se torne um espaço de promoção da literacia para os media no sentido de permitir aos seus alunos a “capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicações em diversos contextos” (Recomendação 2009/625/CE).
Os projetos de rádios e televisões escolares são recursos que ajudam a promover a literacia para os media, e ajudam a incutir nos alunos um espírito crítico e dotá-los de capacidades de desconstrução do discurso dos media, promovendo uma cidadania mais ativa e uma socialização participativa.
Para melhor percebermos esta realidade, iremos abordar nesta seção uma experiência de um media escolar – Rádio Vale do Tamel, webrádio educativa – projeto do Agrupamento de Escolas Vale do Tamel (Barcelos). Ao completar neste ano de 2019 10 anos de existência, trata-se de um projeto que, desde o início, tem contribuído para a promoção da literacia para os media
"REviver na Rede": um projeto de inclusão digital
Este texto constitui uma reflexão sobre a participação nas redes sociais online, o que pode determinar o acesso ao conhecimento e à reconfiguração de processos relacionais. Tal participação traz grandes desafios, mas também oportunidades – de aprender e evoluir, para melhor respondermos às nossas necessidades pessoais ou profissionais. Assim, consideramos que é essencial considerar novos caminhos para as aprendizagens, diferentes e inovadores, que respondam às necessidades mais imediatas dos indivíduos, nomeadamente no que concerne a sua empregabilidade. Como caso prático apresentamos o projeto "REviver na Rede", cujo objetivo é apoiar na utilização do Facebook pessoas, em situação de desemprego, com vista à promoção da inclusão digital, da integração social e da empregabilidade, e reforçar novas formas de procura ativa de emprego. A sua missão é disponibilizar orientações para os desempregados utilizarem o Facebook de forma a construírem uma presença online vantajosa, melhorando a sua empregabilidade. Concluímos que o Facebook é uma ferramenta válida para a integração, socialização e procura ativa de emprego, ajudando a melhorar a empregabilidade. Constatámos ainda que são necessários novos conteúdos e metodologias educacionais, que promovam diferentes tipos de aprendizagens ao longo da vida, sobretudo, através das tecnologias e dos media, como são as redes sociais digitais
Níveis de literacia mediática em estudantes do 2º e 3º ciclos do ensino básico em Portugal
O presente estudo dá conta dos níveis de literacia mediática e informacional de estudantes dos 2º e 3º ciclos do ensino básico em Portugal, através da aplicação da Escala de Literacia Mediática e Informacional (ELMI) (Costa, Tyner, Rosa, Sousa & Henriques, 2018). Participaram no estudo 1151 estudantes dos 2º e 3º ciclos do ensino básico, com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos de idade (M= 12,47; DP= 1,65), 514 do sexo masculino (44,70%) e 637 do sexo feminino (55,30%), distribuídos proporcionalmente pelos diversos anos de escolaridade. A validade de construto, examinada via Análise Fatorial Exploratória (AFE), revelou uma estrutura trifatorial constituída por 22 variáveis que explicam 53,23% da variância total: "Criação de media", "Interação" e "Gestão de informação". A subescala "Criação de media" envolve competências de concetualização e desenvolvimento de media em formato digital. "Interação" diz respeito à comunicação online e "Gestão de informação" está relacionada com a capacidade de cada cidadão aceder, utilizar e analisar criticamente os media no ambiente digital, em segurança e privacidade. Como principais resultados, é na dimensão "Criação de media", que os estudantes dos 2º e 3º ciclos apresentam valores mais baixos (média de 1,69 e 1,89 respetivamente) numa escala de 1 a 5, em que 1 corresponde a baixo nível de conhecimento e 5 a alto nível de conhecimento. Para a subescala "Interação" a média é 2,81 para o 2º ciclo e 3,25 para o 3º ciclo. É na dimensão "Gestão de informação" que ambos os ciclos apresentam um desempenho médio mais elevado: 3,54 e 3,90, respetivamente. Foi verificada a existência de diferenças entre sexos e regiões do país. Os resultados obtidos para as três dimensões serão discutidos com base no contexto dor programas e intervenções existentes a nível nacional
Educação midiática e fake news: reflexões preliminares sobre um projeto do Observatório de Ética Jornalística (objETHOS)
Este artigo situa o projeto de educação para a crítica de mídia desenvolvido pelo Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFSC, no contexto da crise do jornalismo e da discussão sobre credibilidade e o ambiente de desordem informativa contemporâneo. Expõe essa experiência que completa dois anos junto a escolas do ensino médio da capital catarinense. Voltado para a formação cidadã dos estudantes, sensibilizando-os a desenvolver o seu próprio senso crítico frente ao universo de representação das informações jornalísticas, o trabalho se incorpora às atividades letivas e pedagógicas de cada escola, com quatro encontros semestrais de duas horas/aula, sempre na última semana de cada mês.
Não são propriamente aulas ou palestras, mas rodas de conversa, conduzidas com base no conceito de diálogo de Paulo Freire, nas quais os pesquisadores do objETHOS apresentam um tema adequado à conjuntura – por exemplo, questões de gênero, racismo, erro de informação –, abrem para a discussão pela turma e em seguida exibem exemplos de cobertura jornalística relativa a esse tema, para nova rodada de discussão. Nos últimos encontros os alunos respondem a um questionário sobre jornalismo e sobre a qualidade da experiência que tiveram. Embora ainda seja cedo para aferir os resultados, as respostas ao questionário sobre o que é jornalismo revelam uma percepção aguçada sobre essa atividade. Os pesquisadores entendem ser necessário acompanhar esses estudantes nos próximos anos, quando muitos deverão estar na universidade, para checar a eficácia dessa iniciativa