Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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A representação da política brasileira na websérie humorística Porta dos fundos
Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre humor e política com base na websérie brasileira do grupo Porta dos fundos, analisando como os seus conteúdos representam os eventos políticos e os seus personagens no período de mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O recorte para a pesquisa se inicia com as manifestações sociais de junho de 2013 e se encerra no desdobramento da crise política, com o início da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, em abril de 2016. Como metodologia foi definida a análise de conteúdo de Laurence Bardin (2011), aplicada nos seis episódios do grupo cuja temática central era o cenário político
Internacionalização da língua portuguesa como língua de ciência: do passado para o futuro
Este texto pretende dar um pequeno contributo para um objetivo maior: a relevância da língua portuguesa (LP) como língua de ciência e a sua afirmação no mundo. Para se cumprir este objetivo, apresentamos dois tópicos para o seu desenvolvimento: o primeiro é relativo ao primeiro momento em que o português se tornou a língua veicular para as primeiras traduções de várias línguas ameríndias, africanas e asiáticas, desconhecidas para os europeus, até à idade de expansão, nos séculos XVI e XVII, constituindo este feito a maior internacionalização de sempre da LP, até à chegada da internet; o segundo, é hodierno e refletirá sobre a questão que se coloca hoje sobre a língua portuguesa, política científica e comunicação de ciência em LP. Sobre este último tópico, falaremos da política, e/ou da sua ausência, da LP, de forma a concluirmos que as línguas, e em particular a LP, são formas de afirmação do poder face a outras línguas, como acontece nas rotas dos negócios, e são formas de afirmar e de divulgar a cultura científica, a inovação dos povos, porque uma língua não será também uma grande língua internacional, se não se afirmar a este nível
No tempo das fake news e da pósverdade – política, democracia e literacia midiática
Este artigo aborda a informação e as novas mídias na contemporaneidade na relação com a literacia midiática. Por um lado, diagnostica a sociedade considerando-se o existir-no-mundo conforme o arcabouço tecnológico digital que ajunta o ser humano e o mundo numa realidade marcada pela instrumentalidade técnica e pelo consumo técnico dos objetos e ainda numa compreensão de realidade também ela marcada por esse arcabouço. Nele as tecnologias da info-comunicação, as imagens técnicas, as novas mídias, acentuadamente, são entendidas como elementos fundamentais para a estruturação da sociedade contemporânea e para o ordenamento mundial. A cultura telemática global, que tem na internet sua face visível e celebrada, existe graças aos fluxos informacionais que como fibras constroem o tecido social ao promoverem inusitadas formas de sociabilidade, de interação comunicativa, de construção/desconstrução de realidade e de verdade. Por outro, a partir da visibilidade que as fake news adquiriram na história recente da política brasileira (eleições 2018), pretende-se problematizar a relação da literacia midiática com a democracia a partir do contexto do uso do WhatsApp. Essa ferramenta foi escolhida pela importância que teve naquele sufrágio. Os estados democráticos de direito contemporâneos e seus cidadãos estão enfeixados pelas infovias e pelos instantâneos fluxos informacionais. Isso faz com que cada indivíduo apareça como potencial emissor e receptor nas interações proporcionadas pelas diferentes redes sociais. Permite também a rápida disseminação de informações, em distintos formatos, construídas como narrativas a partir de elementos falsos ou distorcidos, ou seja, a partir da desinformação, a qual se mostrou capaz de mover a opinião pública no âmbito das escolhas políticas. Assim, as fake news, na conjuntura da pós-verdade, problematizam o uso ético das tecnologias, o sentido de democracia e da cidadania, e também apontam alguns problemas associados às técnicas utilizadas de persuasão digital e às ferramentas de amplificação digital (como bots e disparos massivos, por exemplo). Na dramaticidade dos acontecimentos recentes da política brasileira ficou evidente que tão relevante quanto a capacidade para aceder, ler, significar e produzir informações continua a ser o aprender a ler e significar o mundo, no caso, o mundo interligado da sociedade em redes
Tecnodistopia digital e contravigilância – Black Mirror e a estética da resistência
Numa era em que a vigilância digital é intrusiva ao ponto de constituir normalidade, a ficção especulativa que a representa e problematiza ganha novos contornos. Na transformação de uma sociedade de vigilância numa cultura da vigilância, nessa normalização da intrusão, está um novo contexto, gerador de novos questionamentos perante a (sobre)utilização das tecnologias no dia-a-dia. A expressão literária distópica, como ficção especulativa, assume esse papel desde os pré orwellianos até um atual Black Mirror.
Pretende, esta comunicação, adentrar os contributos da ficção distópica para a construção de um questionamento, no sentido ético e prático, da tecnologia vigilante que nos acompanha quotidianamente. Procura-se na atual expressão da estética da vigilância na tecnodistopia digital a postura da resistência, entendida como sugestão de postura efetiva, real e humana perante a assoberbante intrusão social e corporativa no escopo privado.
Este estudo enquadra-se na intersecção da ficção distópica com o conceito de cultura da vigilância, no cruzamento metodológico entre as áreas de estudos de vigilância e estudos literários, através de uma análise comparativa das expressões de contravigilância tecnologicamente mediada, de excertos significativos de cariz ficcional/literário que estimulem o pensamento crítico e a consideração de uma postura contravigilante. Pela atualidade e dimensão estética e popular da obra, proponho abordar alguns momentos cruciais de episódios já canónicos de Black Mirror, a série da Netflix assinada por Charlie Brooker
Cururu e siriri – mato-grossenses – uma reflexão sobre seu processo histórico e legitimação
Este artigo aponta alguns aspectos do percurso histórico de legitimação das danças de Cururu e Siriri, suas relações de trocas, negociações e inserção na cultura local, assumindo o lugar da tradição na contemporaneidade, agregando valores identitários ao contexto cultural local. Transitando entre o local e o internacional, essas danças trazem à tona as atualizações na sociabilidade festiva e nas dinâmicas dos grupos, quando suas exibições são dimensionadas para grandes espetáculos
Representações poéticas da morte nas narrativas midiáticas: A festa da menina morta
Este artigo tem como tema as representações poéticas da morte nas narrativas midiáticas e possui como corpus de análise o filme brasileiro A festa da menina morta (2008), dirigido por Matheus Nachtergaele. Partindo das relações entre a Comunicação e a Cultura, ampara-se teoricamente em autores como Flusser, Marcondes Filho, Baitello Júnior (para os conceitos de comunicação, incomunicabilidade e mídia); Morin, Dravet, Castro e Silva (para a comunicação poética); Benjamin e Silva (para as narrativas); Flusser e Morin (para a morte como fundamento da cultura). Com a análise dos aspectos poéticos encontrados na narrativa fílmica, discutimos a possibilidade de uma comunicação poética como forma de representação/construção complexa do fenômeno da morte. Conclui-se sobre o naturalismo da narrativa como produtor de uma poética do incômodo, que traz à tona a entropia da natureza e o fenômeno da morte, único elo de comunicabilidade entre os personagens, como transmutação do trágico em sagrado
Políticas culturais e comunidade local: contributos para a análise do caso de Santiago de Compostela como meta dos Caminhos de Santiago
A cidade de Santiago de Compostela enfrenta vários desafios – alguns partilhados com outras localidades, outros específicos das cidades património e outros particulares da própria urbe. Estes desafios relacionam-se, entre outras questões, com as modificações nos consumos culturais e turísticos, nas lógicas identitárias da própria cidade ou nos usos dos espaços urbanos.
Com base no projeto de investigação “Discursos, imagens e práticas culturais sobre Santiago de Compostela como meta dos Caminhos”, continuado pelo atual “Narrativas, usos e consumos de visitantes como aliados ou ameaças para o bem-estar da comunidade local: o caso de Santiago de Compostela” (Grupo Galabra-USC), pretende-se problematizar as linhas de força das políticas culturais públicas seguidas na cidade, nomeadamente no que diz respeito ao Caminho de Santiago, estabelecendo um diálogo com os resultados de um corpus construído a partir de entrevistas à comunidade local compostelana. Persegue-se, assim, contrastar as premissas e objetivos das políticas culturais implementadas com as ideias e imagens que o corpus elaborado denota relativamente à comunidade local