Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Cyberbullying entre jovens: um desafio conceitual
As tecnologias digitais modificaram o modo como as pessoas interagem na atualidade, através de ecrãs que possibilitam a comunicação online onde a transmissão da informação ocorre por voz, vídeos, imagens e textos. Neste cenário, as novas gerações estão ativamente engajadas num mundo em que blogs, redes sociais, vídeos e mensagens instantâneas são parte típica do cotidiano. Embora as evoluções tecnológicas tenham trazido benefícios para o dia-a-dia, foi através da sua utilização que novos formatos de violência emergiram, entrando num novo contexto de bullying no âmbito digital. O bullying eletrônico tornou-se uma preocupação global, evidente pelo grande número de casos denunciados e publicações científicas na área. Uma vez que é crescente o número de pesquisas sobre este fenômeno, estabelecer uma definição teórica e métodos de avaliação sólidos torna-se essencial. Assim, este estudo tem o objetivo de expor e discutir a categoria científica de bullying eletrônico. Nos estudos de Dan Olweus, os critérios fundamentais que determinam o bullying tradicional são apresentados como conceitos-chave, também, no cyberbullying (Olweus, 1978). Os elementos específicos de repetição e desequilíbrio de poder são os mais considerados. Todavia, os elementos repetição e desequilíbrio de poder assumem novos contornos, devido à natureza comunicacional inerente ao ambiente online. Conclui-se que existe uma clara necessidade de mais análises conceituais, metodológicas e empíricas para construir um corpo útil e coerente de conhecimento sobre o fenómeno. Acrescenta-se que, para Olweus e Limber (2018) é essencial que as pesquisas sobre estes fenómenos de violência readaptem e mensurem o cyberbullying em um “contexto de bullying”, onde o perpetrador e a vítima pertençam à mesma sala de aula, escola ou outra unidade social, uma vez que no ciberespaço nem sempre os jovens expostos sabem quem é o agressor. Assim, evitar-se-á que o cyberbullying seja confundido com ciberassédio ou outras formas de ciberagressão
Autenticidade ou comercialismo? Como a cultura do consumo é celebrada por uma jovem YouTuber e suas audiências
Este estudo tem o objetivo de perceber como a cultura do consumo é celebrada pela jovem YouTuber portuguesa Sofia Barbosa e suas audiências, bem como compreender como os vídeos integram comercialismo e autenticidade. Por meio da netnografia e da análise de conteúdo, a pesquisa se desenvolveu em duas etapas: a primeira com um corpus inicial de 50 vídeos do canal da jovem, publicados entre janeiro e outubro de 2018, e a segunda com 10 vídeos pertencentes ao corpus inicial. As publicações analisadas mostraram como o self-branding é utilizado por Sofia para conciliar autenticidade e comercialismo. Por meio de temas que envolvem a vida quotidiana da YouTuber e são apresentados conforme uma retórica íntima, uma performance autêntica e um trabalho afetivo, Sofia conquista popularidade, favorece uma cultura do consumo e capitaliza suas audiências e as relações estrategicamente íntimas com os seus seguidores
Competência ética e de direito de autor: uma proposta
O artigo explora os conceitos de ética e de direito de autor sob a perspectiva dos usos e reusos que os utilizadores fazem dos objetos digitais disponibilizados na web, no contexto das competências infocomunicacionais. Embora essa geração de utilizadores tenha nascido imersa nesse meio tecnológico, como os ambientes digitais, ainda existem desafios a serem transpostos, particularmente ao lidarem com este arsenal de conteúdos disponíveis e protegidos pelo direito de autor, creative commons e uso livre. Entretanto, é esse espaço digital e de cultura participativa que tem impulsionado a interação, colaboração e partilha dos objetos digitais de diversas formas, como edição colaborativa, uso, reuso e remix. A partir de um olhar alargado sobre as implicações éticas e legais das ações dos utilizadores nos usos e reusos que fazem dos objetos digitais, propõe-se os seguintes objetivos: apresentar as competências infocomunicacionais e delinear a mobilização da competência ética e de direito de autor. A metodologia adotada centra-se na literatura produzida no campo da Ciência da Informação, da Biblioteconomia, do Direito e Ética. Possui caráter bibliográfico e documental. Conclui-se que o entendimento sobre os aspectos das competências infocomunicacionais e competência ética e de direito de autor tornam-se uma condição sine qua non para o desenvolvimento de uma consciência autoral e permitem aos utilizadores um verdadeiro exercício analítico, crítico e ético em sua atuação na web
Da semi-periferia da língua portuguesa à comunicação da ciência em português. Nota introdutória
Uma “Mesquita” (lugar de culto) no Alentejo – invisibilidades na cidade
O atual fenómeno migratório que ocorre na Europa está a transformar a realidade multicultural das sociedades contemporâneas e o território português não é exceção. Portugal foi, ao longo da sua história, um país de saída de gente que se habituou a interagir, adaptar, reconfigurar e assumir identidades múltiplas. As crianças portuguesas ou luso-descendentes assumiram “modelações culturais” do “outro”, recombinando-as com as dos progenitores e, em muitos casos, da escola portuguesa que haviam abandonado, para acompanhar os pais. Havia também, em Portugal, experiências de retorno de casais portugueses emigrantes, com filhos em idade escolar, embora fossem residuais. Mais difícil, porque menos banal, foi a partir dos anos 80 do século XX, lidar com situações de multiculturalidade nas escolas portuguesas por via da transformação de Portugal num país acolhedor de imigrantes e, desafio maior ainda, transformá-las em situações de interculturalidade. Isto é, tratar cada escola como um território e cada um deles como território multi e intercultural.
Tem sido um caminho que se vai fazendo de avanços e de recuos, de construção da identidade do “outro” e sobre a(s) identidade(s) do(s) outro(s). A escola tem um papel fundamental na integração dos alunos de origem imigrante e de minorias étnicas e das suas famílias. A ideia de que a escola deve alargar-se á comunidade, saindo dos seus muros não é nova mas, nem por isso é de fácil concretização – veja-se, por exemplo a participação familiar dos imigrantes e minorias étnicas nos órgãos representantes das escolas e agrupamentos, o grau de participação em atividades desenhadas e propostas pelas escolas, etc.
Para conhecer o território de Beja do ponto de vista da imigração, é forçoso olhar para as escolas: quantos são os alunos não portugueses neste ano letivo; qual a sua origem; quais as faixas etárias em que se inserem; há quanto tempo frequentam o ensino português; quais as dificuldades pelas quais passam; quais as maiores facilidades com as quais se depararam; como se sentem face à escola e à turma; como se relacionam com toda a comunidade escolar (colegas, docentes, funcionários não docentes); como percecionam os materiais didáticos com os quais têm que trabalhar diariamente, entre outras, são questões que se impõem.
Este levantamento, também ele envolto em dificuldades, está a ser feito desde 2015 e assume-se como um trabalho nunca terminado, já que estamos a trabalhar com dados absolutamente volúveis e difíceis de conseguir (dependem da decisão de resposta de direções de agrupamentos de escolas, de declarações de professores, crianças e famílias). A metodologia usada é ancorada em trabalho de campo, pressupondo, pontualmente, situações de observação participante, complementando a recolha de dados feitos através de inquérito por questionário dirigido às direções de agrupamentos de escolas. Opta-se igualmente, por aplicar entrevistas a docentes, diretores/as de agrupamentos de escolas e famílias de crianças pertencentes a grupos étnicos minoritários e/ou imigrantes e respetivas famílias
O enfoque sobre inovação, riscos e impactos ELSI na retórica das políticas de nanotecnologia
As políticas de ciência, tecnologia e inovação (PCTI) para as nanotecnologias na maioria dos países priorizam a inovação para o setor produtivo com limitada abordagem sobre impactos nos modelos de desenvolvimento. No entanto, os dois blocos globais de influência normativa sobre o modelo de PCTI, Estados Unidos e Europa, contemplaram nas políticas alguma dimensão à preocupação com riscos ao meio ambiente e saúde [EHS] e impactos éticos, legais e sociais [ELSI]. Além disso, embora com enfoques diferentes, há dimensões sobre desenvolvimento de Pesquisa e Inovação Responsável [do inglês Responsible Research and Innovation – RRI]. A RRI é discutida em enfoques teóricos e promovida por organismos globais. A União Europeia lançou um projeto no âmbito dos programas quadro, o Horizon 2020, que aponta que o desenvolvimento da RRI se baseia em valores socialmente desejados, incluindo sustentabilidade, ética, aceitação pública e participação nas decisões de CT&I. A RRI consiste em uma forma de atores interessados (stakeholders) se tornarem mutuamente responsivos na antecipação dos resultados de inovação e pesquisa a considerar os grandes desafios globais (Schomberg, 2013). No entanto, questões sobre riscos, impactos e participação pública – aspectos da RRI – ainda não constaram na transferência de modelo da PCTI dos países desenvolvidos para o Brasil, na América Latina, e Portugal, mesmo que este último esteja situado na Europa. No Brasil, a PCTI de nanotecnologia teve restrito enfoque sobre riscos, sendo mais escassa na abordagem dos impactos ELSI, apresentando o início de uma tardia governança englobando questões relacionadas com a RRI na segunda década da política. Já em Portugal há lacuna entre a implementação do enfoque a riscos normativa e a RRI na prática em laboratórios. Portanto, analisamos a PCTI nos contextos de Portugal e do Brasil sob este enfoque da prioridade à inovação e o limitado alcance da efetividade da RRI.
Diante disto, a) comparamos diferentes abordagens sobre riscos, impactos ELSI e RRI na Europa e Estados Unidos; e b) verificamos como Brasil e Portugal adotaram traços destes enfoques.
A metodologia inclui a revisão de literatura sobre a abordagem discursiva de políticas públicas. Na análise de argumentos, a análise de conteúdo examina os enfoques, realizando-se uma classificação retórica sobre trechos fundamentais de documentos das políticas.
Destaca-se que no Brasil e em Portugal, de formas específicas, foram enfocados restritos públicos na formulação das políticas e pouca prioridade a elementos que pudessem promover outros tipos de inovação visando a RRI. Nesses países, a perspectiva sobre risco prepondera o caráter tecnoeconômico possibilitador da inovação em detrimento de um conceito de inovação que alie a precaução ao desenvolvimento da nanotecnologia
La educación intercultural en la formación inicial del profesorado: la voz de los docentes universitarios
La universidad es un espacio privilegiado para la formación intercultural de los futuros profesionales de la educación, un escenario donde aproximarse a modelos teóricos y estrategias prácticas útiles y efectivas, para cultivar en los jóvenes estudiantes de los grados universitarios de educación el deseo de conocer y desarrollar la interculturalidad en su futuro quehacer docente. La interculturalidad debe ser un elemento clave en el desarrollo de competencias profesionales que ayuden a los próximos docentes a comprender la relevancia de la diversidad cultural como eje de sus prácticas didácticas. Así, tener en cuenta la diversidad cultural en el aula universitaria será una oportunidad de aprendizaje, muy valiosa para afrontar en su futuro profesional la necesidad de dar respuesta efectiva y de calidad a las situaciones de diversidad cultural y social que existan en sus realidades más cercanas.
La formación intercultural en la universidad es una necesidad y una esperanza. Una necesidad, en la medida en que debemos responder a las realidades sociales y educativas complejas donde el elemento cultural diverso es absolutamente real y emergente. Y, una esperanza, porque mientras eduquemos para el respeto y en la promoción de la interculturalidad, estaremos formando a docentes que sembrarán en las nuevas generaciones las semillas de la paz y de la solidaridad y, por ende, valores positivos tan necesarios y fundamentales para la humanidad. Por todo ello, en este trabajo, vamos a exponer los resultados de la parte cualitativa del proceso investigador llevado a cabo en el contexto de la Facultad de Ciencias de la Educación de la Universidad de Málaga durante los años 2015, 2016 y 2017. Utilizando una metodología eminentemente cualitativa, se empleó entrevistas en profundidad a profesorado que imparte docencia en distintos grados universitarios de Ciencias de la Educación: educación primaria, educación infantil, educación social y pedagogía. En total, se realizaron 22 entrevistas y se desarrolló un proceso de categorización emergente a la luz de elementos temáticos y semánticos. Para ello se utilizó el programa informático Nudist-Vivo, versión 8.0. Los resultados ponen de relieve la necesidad de potenciar planes de formación en el contexto universitario que abarquen los distintos enfoques culturales vehiculados a través del paradigma intercultural, de esta forma se les da cabida a los cambios socioculturales dados en la actualidad y reflejados en la universidad como espejo de nuestra sociedad, siempre en proceso de construcción y renovación constante. En este sentido, para el profesorado universitario se ha desarrollado un exceso de academicismo en materia de interculturalidad, siendo un hándicap porque no influye positivamente en la creación de espacios de debate y de intercambio intercultural en las aulas universitarias, al no poder generar experiencias y emociones compartidas. Intentar formar actitudes y valores interculturales, sin experienciarlos como algo incoherente con la generación de estructuras de pensamiento y, por tanto, de comportamientos cívicos de forma significativa