Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Viver na espiral do silêncio: a tuberculose
Este trabalho procura conhecer os motivos por que a tuberculose é notícia em Portugal, bem como as fontes a que os jornalistas recorrem com maior frequência. Tendo como base quatro jornais diários portugueses, procuramos aqui também perceber qual a tematização prevalecente na mediatização desta doença
Uma genealogia das gravadoras indie em Portugal (1982 – 2017)
O presente artigo pretende trabalhar, dentro de um contexto social, político e histórico, a música indie portuguesa no período compreendido entre 1982 e 2017. Este intervalo temporal abrange a criação da que consideramos a primeira gravadora indie nacional, a Fundação Atlântica, até à escolha de Portugal como country focus do “Eurosonic”, uma das maiores feiras de música independente do mundo, facto considerado – pela imprensa local – ponto de viragem no indie nacional. Dentro desse recorte temporal recorremos a outro parâmetro, o de objeto, com 18 gravadoras do gênero, que entendemos serem fundamentais para a compreensão do fenômeno a ser estudado.
Através de um olhar comparativo, verificaremos como o indie no Reino Unido, inicialmente, e, depois, o americano tiveram influência e como foram reconfigurados localmente. Dentro de um prisma transdisciplinar, utilizaremos a Comunicação como ponto de partida para entender os processos que essas editoras tiveram na divulgação e na valorização do indie enquanto produto cultural nacional, combinados com as mudanças sociais, políticas e econômicas ocorridas no país dentro do período proposto
Entre paz e conflito: identidades plurais e soberanias difusas
A vontade e possibilidade de superar a conflitualidade que atravessa as sociedades humanas e que conduziu a guerras catastróficas é tema debatido desde há muito. Motivou Kant a escrever um tratado visando a paz perpétua, tal como se expressou em troca epistolar entre duas figuras cimeiras da primeira metade do século XX, Sigmund Freud e Albert Einstein, para apenas referir duas das muitas faces desse debate. Elaborados em momentos diferentes, estes contributos concretos têm a virtude de nos permitir pensar as condicionantes históricas que os balizam face a fatores estruturais que não perderam atualidade. Kant escreveu o seu tratado inspirado pela Revolução Francesa e amparado pela promessa da Razão inspiradora e redentora que o Iluminismo nascente transportava no seu ventre. Quanto a Freud e Einstein, o desafio colocado no início dos anos 1930 era o de refletir sobre as condições necessárias para evitar, sem sucesso, como se sabe, que a tragédia da I Guerra Mundial se repetisse. Em ambos os casos, são convocadas ideias e valores que permanecem relevantes para pensarmos a contemporaneidade – liberdade individual e participação cívica, vínculos políticos e ligações culturais, exercício de soberania e manifestações de fidelidade
A(s) crise(s) e a(s) identidade(s). A globalização, a perda de soberania dos Estados e a emergência dos patriotismos
A crise, que ganhou lastro com a falência da ideia de unidade e através da globalização, pontua a vida social. A sua generalização, patente na tendência para ser declinada no plural, parece tê-la “naturalizado”. Nesse contexto, qual o recorte comportamental do cidadão perante a fragmentação do tempo decorrente da incerteza, incrementada desde os anos 60 do século XX? Que identidade emerge, assim, em tempo de ruturas sociais? Da identidade definida, passou-se à identidade não tipificada, deslocada da ideia centrada em “nós” próprios, trazendo ao de cima a sua mobilidade. Nesta crise de paradigmas o plano identitário integra um processo mais
amplo de mudança que abala os quadros de referência, antes aparentemente estáveis, já que as ideias preconcebidas sobre si próprio, sobre o outro e sobre o mundo são postas em causa (Dubar, 2011).
E, muito embora a globalização relativize as influências dos Estados e a sua própria soberania, em tempo de crise emergem os apelos ao patriotismo. Foi o que aconteceu no caso português que, apesar de o país ter estado sob assistência económica externa, viu os responsáveis políticos a assumirem, transversalmente, posições com um recorte “nacional” sublinhado; o mesmo aconteceu com muitos eventos ligados ao branding, que recuperaram a ideia estado-novista de “portugalidade”, em contraciclo com a realidade
vivenciada. Philippe C. Schmitter (2013) refere-se a uma combinação de fatores que poderá levar a um neocorporativismo, especialmente em países europeus de pequena dimensão e internacionalmente vulneráveis, como é o caso de Portugal. Zygmunt Bauman (2013) realça o divórcio entre o poder e a política, com o “velho mundo” a definhar, sem que tenha nascido um outro alternativo, o que pode explicar a perspetiva de Edgar Morin (2010), que observa que a ideia de futuro é marcada pela incerteza
Memórias do salto. Da aldeia sem luz à cidade das luzes
A emigração portuguesa para França durante os anos 60 do século passado constitui um dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa. A partir de memórias autobiográficas de pessoas que partiram clandestinamente para Paris e posteriormente regressaram à sua aldeia natal, este texto aborda as motivações para a emigração, as vivências migratórias, o retorno e as consequências da migração quer em termos pessoais, quer em termos coletivos. As pessoas que entrevistei para realizar este trabalho nasceram na mesma aldeia e a sua vida foi marcada por um acontecimento comum – o salto –, embora vivido em momentos e circunstâncias diferentes. As suas memórias cruzam-se ao falarem da aldeia, antes e depois do salto, entre a ditadura e a revolução
Conhecer a intervenção humana no território e executar um futuro. Consultoria histórica da paisagem como ferramenta operativa
Temática e metodologicamente, este trabalho propõe novos desafios à discussão ambiental: o tema da intervenção positiva do fator antrópico na natureza. Sem anular teses sobre predação ambiental, calibra-se essa visão com a análise de uma realidade omissa noutros estudos: a gestão equilibrada e a compensação ecológica de recursos naturais executadas pelo agente humano. No Portugal minhoto, em conjuntura de arranque industrial de Oitocentos, o ser humano foi capaz de explorar recursos naturais em ecossistemas agro-silvo-pastoris, sem destruir sistemas de suporte de vida. A destruição antrópica não é assim uniforme no espaço e no tempo, demonstrando a análise histórica da paisagem processos de viabilidade no resgate ecológico para o futuro
Introdução ao trabalho autobiográfico
Este texto pretende fazer uma aproximação à metodologia do autoconhecimento. Utiliza-se a abordagem de vários autores na investigação sobre as diferentes etapas da vida em busca de um autodesenvolvimento. Esse autodesenvolvimento procura articular-se em função de um desenvolvimento social consciente. O pensamento e o sentido da vida interagem e permitem revelar a busca duma iniciação quotidiana que dê sentido à vida
O coeficiente humanístico
O homem, contrariando a tradição bíblica, não é feito de barro, a moldar, mas de fluxo, a acompanhar. Ao defender a presença de um “coeficiente humanista” na investigação sociológica, Znaniecki (1934) consagra-se como precursor da epistemologia do singular (Ferraroti, 1983). O sociólogo deve atender ao modo como os indivíduos traduzem na sua experiência de vida as lógicas institucionais que os envolvem. As dobras, os fluxos e os fragmentos das histórias de vida convocam a diferença e a individuação
Um regresso ao escutar: uma reflexão sobre a importância da memória e das paisagens sonoras
Entre as diferentes transformações provocadas pela Revolução Industrial, a sonora é talvez aquela de que menos damos conta. A introdução de elementos mecânicos alterou a força motriz da ação humana, mas também a sua sonoridade, o que despertou a atenção de investigadores das mais variadas áreas, interessados em analisar a forma como o Homem se relaciona com os sons que o rodeiam (Schafer, 1997, pp. 3-4). O ruído (Russolo, 2004) tornou-se num dos conceitos mais analisados, sendo usado para definir uma sociedade contemporânea de “baixa fidelidade” (Schafer, 1997, p. 272). Neste contexto, em que o ruído constitui uma manifestação da velocidade a que o mundo gira, refletimos sobre a diferença entre o ouvir e o escutar em momentos de rutura. Tendo a pandemia como pano de fundo, procuramos, através da recolha de um conjunto de testemunhos, avaliar como as paisagens sonoras podem ajudar na atribuição de novos significados ao som
Reflexão sobre as mudanças na linguagem do radiojornalismo brasileiro após a chegada da Internet
O meio rádio teve suas características ampliadas e potencializadas pela internet, possibilitando uma diferenciação de seus conteúdos por meio da agregação de vídeos, imagens, gráficos, etc. Neste contexto o radiojornalismo foi favorecido por novos recursos técnicos e de linguagem que possibilitaram uma melhor adequação do conteúdo ao público, que passou a ter mais poder de escolha. Este texto busca refletir sobre as alterações de linguagem do radiojornalismo brasileiro, comparando os perfis dos textos dos programas antes e depois do advento da Internet, baseado em uma pesquisa bibliográfica exploratória que utiliza alguns dos principais teóricos do jornalismo radiofônico e da linguística