Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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As doenças oncológicas e o peso do cidadão comum na esfera mediática
Este trabalho debruça-se sobre o papel das fontes de informação no jornalismo de saúde, com foco nas doenças oncológicas. Os dados agregados a partir de uma análise de quatro jornais generalistas por um período de cinco anos servem de ponto de partida para pensar a noticiabilidade das doenças oncológicas em Portugal. Neste capítulo abordamos de forma particular o papel das fontes de informação
Diabetes: a (falta de) prevenção promovida pelos media
O estudo aqui apresentado procurou compreender como é feita a mediatização da diabetes por quatro jornais diários portugueses (Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Correio da Manhã) entre os anos 2013 e 2017, resultando num corpus de 114 textos. Os dados foram agrupados de forma a podermos analisar os lugares mediatizados, as fontes de informação, e os motivos de noticiabilidade. A nível conceptual, estudamos a intervenção dos jornalistas na promoção da saúde e prevenção da doença, e a falta de diversidade temática no jornalismo de saúde
Doenças oftalmológicas: uma mediatização em prol da saúde dos olhos
As doenças oftalmológicas atingem mais de 200 mil portugueses. As causas, os tratamentos e a promoção de políticas públicas que possam garantir o cuidado dos pacientes são temas que precisam de ser divulgados pelos media. Este trabalho analisa notícias sobre as doenças oftalmológicas publicadas nos jornais Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Correio da Manhã ao longo da primeira década do século XXI. Salientam-se neste estudo as investigações académicas desenvolvidas neste âmbito, bem como situações de alarme e risco
Política de comunicação: veneno ou remédio? Um olhar sob a perspetiva da comunicação organizacional
Vivemos em um mundo aparelhado, onde as organizações têm relação plural com as atividades do cotidiano. Como organismos vivos, as organizações se comunicam e desenvolvem ações baseadas em filosofias e políticas, que vão orientar seus relacionamentos. Os padrões de comunicação das organizações têm implicações diretas na construção da sua imagem diante de seus públicos. Um instrumento que apoia e direciona a produção do sentido no contexto de uma organização é a política de comunicação organizacional, que pode ser caracterizada como a formalização ou a sistematização das possibilidades das suas ações de comunicação. Entendemos ainda que as composições de significado no contexto de uma organização, atualmente, têm como um de seus principais objetivos a colaboração para a construção de uma imagem com sentido para os seus públicos. Estas construções, totalmente atravessadas por aparelhagem tecnológica, buscam um troféu: a atenção do internauta. A política de comunicação organizacional pode ser um importante instrumento para isso, pois vivemos a era da economia da atenção. Com a liberdade permitida pela proposta de um ensaio, recorremos a conceitos e a relações entre conceitos (Almeida & Pinto, 1972) para elucubrar sobre a real utilidade de uma política de comunicação organizacional. Será um remédio para resolver os problemas de comunicação? Ou será um veneno, que vai tirar a criatividade dos processos comunicacionais de uma organização? Certamente, é importante refletirmos sobre o fato de que as práticas simbólicas organizacionais podem ser direcionadas e que sempre haverá vantagens e desvantagens a partir dos discursos da organização
Uma reflexão fotoetnográfica sobre as identidades culturais da caatinga brasileira
Vamos nos deter sobre as escolhas metodológicas do projeto do Doutoramento FCT em Estudos da Comunicacão: Tecnologia, Cultura e Sociedade, intitulado “‘De papel crepom e prata’: uma reflexão fotoetnográfica sobre as identidades culturais da caatinga brasileira”. Justificamos a fotoetnografia como método primordial eleito para conduzir o processo investigativo num espaço em que predomina a caatinga – único bioma genuinamente brasileiro –, o qual é habitado por indivíduos que produzem, culturalmente, suas existências. A imersão nas comunidade para o registro, a construção e a leitura das narrativas fotoetnográficas pelos caatingueiros e caatingueiras, será fundamental para, através da imagem, poder se pensar sobre as dinâmicas das identidades culturais existentes aí. Faremos, também, uma discussão sobre a pós-modernidade, conceito adotado para contextualizar o bioma e seus habitantes, de forma a apresentar as razões pelas quais optamos por esta categoria analítica: de um lado, as considerações do Jürgen Habermas e de Jean-François Lyotard do outro. Respectivamente, posturas de contestação e de aceitação da pós-modernidade como terminologia apropriada para se pensar a contemporaneidade. Damos conta, ainda, do estágio atual em que se encontra este processo de pesquisa, com o objetivo de a compartilhar e esperar contribuições para o desenvolvimento da investigação e de ratificar a importância de trazer para a academia, espaço de legitimação de conhecimento e de saber, discussões como esta que pretende, pelo viés dos Estudos Culturais, falar de contextos – espaços e indivíduos – que se apresentam esquecidos ou subalternizados por uma cultura oficial
A Constituição Federal de 1988 nas charges do Correio Braziliense
O artigo analisa as charges publicadas no jornal Correio Braziliense sobre a promulgação da Constituição Federal de 1988. Utilizando como metodologia a análise crítica da narrativa, tal como proposta por Motta (2013), o objetivo é investigar os significados e efeitos de sentido produzidos e compreender como essas narrativas interpretaram esse acontecimento histórico. Como resultado, o trabalho mostra que as charges fornecem elementos importantes para compreendermos os bastidores, as representações, posições e ideias durante o processo histórico de redemocratização e elaboração do novo texto constitucional brasileiro. Por meio da análise crítica da narrativa percebe-se que, embora a primeira charge do Correio Braziliense represente a Constituição como um símbolo maior de esperança pela busca de um Estado democrático de direito e uma nova chance de transformação, com o desenrolar dos fatos e os novos episódios, a Constituição de 1988 nas páginas do Correio Braziliense também começou a ganhar traços que permitissem o questionamento de sua obediência, bem como sua funcionalidade e futuro. Incertezas se o Estado seria realmente capaz de cumprir com as promessas constitucionais. O artigo também aponta que as charges vão muito além do humor ao evidenciarem as manobras políticas da época. Elas têm o papel de informar e vão se apoiar sempre em uma narrativa maior, que são as notícias diárias
O impacto dos media na vida da pessoa com deficiência visual
No fim do século XX, o desenvolvimento acelerado dos novos conhecimentos e das tecnologias da informação levou o mundo a uma nova era da comunicação, por meio da internet. Sabe-se que atualmente a interatividade com a internet modifica a sociedade a cada dia. Provocadas por essa constatação, percebe-se que a transformação e apropriação dos media modificaram, também, a forma dos deficientes visuais se relacionarem e comunicarem com a realidade. O presente trabalho quer analisar brevemente o conceito atribuído à midiatização digital, assumindo como contexto teórico, a transformação do paradigma sociocultural na história da pessoa com deficiência visual. Além disso, tem como objetivo não só aferir a importância da midiatização nas transformações sociais e culturais para a pessoa com deficiência visual, bem como tentar compreender e responder à pergunta: de que modo o uso cotidiano dos media impacta a pessoa com deficiência visual? Para tanto, em um primeiro momento discute-se o tema midiatização e a pessoa com deficiência visual, a partir de conceitos como paradigmas comunicacionais no contexto dos media sociais na cultura científica-tecnológica; em um segundo momento, por meio da pesquisa empírica, buscar-se-á compreender como os media afetam a vida da pessoa com deficiência visual
A morte na pós-modernidade: um fenómeno real na era digital
Nenhuma época e nenhuma sociedade ficou alheia à questão da morte. E cada uma trouxe uma resposta específica para vivenciá-la ou rejeitá-la, enfrentá-la ou contorná-la, esquecê-la ou vencê-la, superá-la ou incorporá-la. As sociedades primitivas e tradicionais tentaram apaziguá-la por meio dos rituais; o cristianismo e a modernidade secularizada tentaram ultrapassá-la ao inventar paraísos celestes e terrestres. A vivência do momento presente, à semelhança do carpe diem dos Antigos deixou o lugar às projeções de futuros jubilosos, que implicam necessariamente uma denegação dos prazeres da vida. Para a religião cristã, tratava-se de superar a finitude da existência pela crença no além, enquanto que para as religiões secularizadas, também chamadas de políticas de salvação, tratava-se de construir um mundo perfeito, alcançável para todos os seres humanos de boa vontade, num futuro mais ou menos próximo. A pós-modernidade, por sua vez, reconhece o carácter inelutável da morte, a tragicidade da vida, o carácter místico do instante presente. Não pretende superar a morte, mas incorporá-la novamente na vida. O recurso às redes sociais representa para muitos internautas uma forma de domesticação da morte, um retorno para uma estrutura antropológica intemporal que é a comunidade. As redes representam outras tantas formas de socialização pelas quais os indivíduos lutam contra o irremediável. Mostraremos, assim, que experienciar a morte na nossa contemporaneidade é, de facto, inseparável da maneira como experienciamos as novas tecnologias