Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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A ecologia espiritual é também uma individuação
A partir do livro Eu sou tu. Experiências ecocríticas, tratamos o tema à luz da crise ecológica, dando visibilidade a duas correntes da ética ambiental ecocêntrica – a ecologia profunda e a ecologia espiritual – que se cruzam na ecosofia, um caminho pessoal para tentar percecionar e sentir a realidade mais profunda que emerge da teia da vida e que tudo liga. Essa procura implica uma dupla rutura epistemológica, para incluir a transdisciplinaridade e uma narrativa mais em consonância com a realidade da vida, assim como potenciar o florescimento das ligações empáticas entre seres humanos e não-humanas e a natureza. Trata-se de alargar as fronteiras do indivíduo, para incluir o todo, que também o é, sem, contudo, perder a sua própria singularidade. Quando a perceção e a experiência ecosófica forem límpidas e profundas, é natural que haja uma identificação do indivíduo com a natureza. Nesse momento é mais fácil passar a respeitá-la e cuidar dela, porque a sua proteção integra a proteção do indivíduo
Repensar a ecologia no urbanismo contemporâneo
Repensar a ecologia no urbanismo é assunto de extrema pertinência. No urbano, sou mais tu do que aquilo que se pode pensar. A cidade que se desurbaniza das antigas formas de urbanidade, submetida a um mundo crescentemente homogeneizado provocado pela globalização e sua retórica, deve questionar a sua própria lógica de organização social e urbana do espaço. Se o urbanismo influencia os modos de vida, e se, ao mesmo tempo, é reconhecida a importância do espaço na estruturação das interações sociais (agir sobre o espaço é, simultaneamente, agir sobre a sociedade), as preocupações com a melhoria do ambiente urbano devem ser capazes de ensaiar estratégias de mudança e de desenvolvimento que tenham em conta a criação de um protagonismo real por parte das coletividades territoriais, das suas organizações e dos seus atores
Ganhar forma – uma palavra sobre Simondon
Este texto discorre sobre a noção de forma em Gilbert Simondon enquanto forma em continuação, em contraste com a ideia de uma oposição matéria bruta/forma pura. A continuação, a fluidez, o líquido, marcam o nosso tempo e obrigam a rever os conceitos mais clássicos à luz da ideia de identidades
A quantas anda nossa escuta? (possíveis trilhas sonoras para sentipensar-nos)
Este escrito busca apresentar indagações em torno das dinâmicas artísticas, culturais, sociais, educacionais e políticas no Brasil, mas também em alguns outros países de Abya Yala. Contemplam-se, a partir de projetos de extensão, reflexões sobre possíveis pontos de escuta. Propõe-se um diálogo entre as artes sonoras – a música em particular – e nossas atuações como mediadoras/es, educadoras/es, investigadoras/es. O propósito: contribuir para a formulação de possíveis agendas de trabalho
Afetos e criações sonoras coletivas durante a pandemia: formas de escutas de si e do outro
Este artigo aborda o processo de aprendizagem e criação sonora coletiva e remota do álbum duplo Pandemix. Este processo ocorreu durante a pandemia desencadeada pela COVID-19 dentro do projeto de extensão SONatório, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, localizada na cidade de Cachoeira, Estado da Bahia, no Brasil. A criação do álbum sonoro partiu de nossos afetos, incertezas, medos, angústias e sonhos durante o período de isolamento social. Procurámos nos manter unidos realizando esse processo criativo que teve uma duração de quatro meses (abril a julho de 2020). Durante o processo criativo, cada um abordava como sua escuta estava relacionada ao que estava criando. Percebemos logo que a pandemia moldava nossas criações, algumas faixas mais oníricas, outras distópicas. Nesse processo, escutávamos e comentávamos os materiais sonoros de cada um. Esse lugar de escuta também se tornou um lugar de afeto e acolhimento, uma prática do cuidado a partir da criação sonora
Mediatização do VIH/Sida em Portugal: “um problema dos outros”
Dentro do conjunto de responsabilidades que o jornalismo acarreta, informar corretamente a sociedade é um dos seus principais objetivos. Este trabalho desenvolve-se em torno da relevância das fontes de informação e dos motivos de noticiabilidade no momento de redação de artigos de saúde sobre VIH/Sida. Num conjunto vasto de temas, a saúde representa uma área complexa e de grande relevo, tanto para quem produz conteúdos acerca dela, como para quem os consome. As dificuldades, os erros, e as conquistas por parte dos jornalistas a respeito da mediatização do VIH/Sida merecem ser analisados aprofundada e criticamente. Desta forma, após uma análise intensiva em torno da mediatização por parte de quatro jornais generalistas entre 2013 e 2017, é possível perceber as formas e a evolução da noticiabilidade dos jornais portugueses quanto a esta doença