Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Transformações da comunicação organizacional: novas práticas e desafios nas mídias sociais
A comunicação organizacional vem acompanhando o desenvolvimento dos meios digitais e evoluindo as suas perspectivas, juntamente com as alterações que acontecem na sociedade. Entre os instrumentos mais utilizados pela comunicação das organizações atuais, estão as mídias sociais, ferramentas cada vez mais populares, onde circulam grande parte das informações do meio digital. Os benefícios da participação das organizações nesses espaços vêm sendo amplamente discutidos. Mas, tendo em vista que essa participação não garante necessariamente resultados positivos à imagem e reputação de uma organização, é importante conhecer e refletir sobre as vulnerabilidades e desafios a que estão expostas, assim como as possíveis formas de atuação. Neste estudo, através de uma revisão de literatura e apresentação de exemplos práticos, realizamos uma breve reflexão sobre as transformações que vêm ocorrendo na comunicação organizacional no contexto digital, tendo como foco alguns dos desafios que estão sendo enfrentados pelas organizações nas mídias sociais: a perda do controle sobre as informações disseminadas, o novo perfil de público que produz e espalha conteúdo e o ambiente carregado de estímulos, trazendo dificuldades para captar a atenção e estabelecer a comunicação. Também apresentaremos novas práticas de comunicação e relacionamento que vêm sendo empregadas nesses contextos
Eu sou tu. Tu és intelecto contingente
O que o eu sou tu sugere é a importância das associações entre o eu e o tu. Há qualquer coisa de comum na medida em que o eu imita o que o tu imita, o eu pensa e vive de modo semelhante ao tu. Porém, todas as associações que o eu e o tu estabelecem são da ordem do contingente. Não estão desprovidas de passado, mas também não fogem da instabilidade propiciada pelo presente. Estão em permanente formação, subjetivação, individuação. A contingência é a tónica das associações que faz o eu ser o tu. Eu e tu participam de associações contingentes, que conduzem posteriormente a imitações, oposições e adaptações dobradas pela subjetivação e pela individuação. À luz de Tarde e da teoria do ator-rede (ANT), este texto propõe uma sociologia das associações contingentes
União Europeia e União Africana, instituições em evolução
O desafio intelectual que aqui é colocado é o de cotejar duas realidades institucionais e políticas – a União Africana e a União Europeia –, explorando afinidades e diferenças que se expressam em distintas dimensões. A saber, os atos instituidores das organizações, que determinam a sua natureza, o ritmo evolutivo e o nível integrador. Os fatores de análise que atravessam o texto permitem questionar a sustentabilidade estrutural das instituições em referência, a solidez dos seus percursos, os desafios e riscos que se lhes colocam e que se podem alinhar numa dupla estratégia – a integração das políticas em África (a Zona Livre de Comércio, a livre circulação de pessoas e bens, a criação de uma moeda única, entre outras) e os alargamentos da União Europeia (que colocam desafios aos esforços de coesão, à solidariedade intracomunitária e à própria governabilidade das instituições), alimentando tensões entre europeístas e soberanistas que abalam os alicerces fundacionais do projeto europeu.
Uma dúvida se nos pode colocar: será que a União Africana está lenta nas reformas e a Europa numa encruzilhada a meio da ponte
A monstruosidade moderna e a impossibilidade do nascimento
A tecnociência está assombrada pelos processos natais, que não a organizam, mas são constantemente introduzidos nos programas e protocolos que pretendem orientá-la. Provinda de seres nascidos, a programação do sistema técnico necessita de virtualizar o nascimento na resolução que nele é constantemente relançada. Contudo, dada a incompreensão dos estados intermédios que se apartam da geração, é uma outra forma da irresolução que assim é injetada nos processos. No antropoceno, precisaríamos de uma nova sociologia do meio monstruoso
A segunda grande vaga de desincrustação e a crise de 2007-15
O ensaio “A segunda grande vaga de desincrustação e a crise de 2007-15” procura compreender a crise financeira global de 2007-2008 que, entre 2010 e 2015, se estendeu aos países europeus do Sul e à Irlanda, como sequência de uma conjuntura que remonta sensivelmente às duas décadas finais do século XX. Sob a influência de uma leitura ampla da obra publicada, em 1944, de Karl Polanyi, A Grande Transformação (2012), designamos tal conjuntura de segunda grande vaga de desincrustação da economia relativamente à estrutura social; o mesmo é dizer, um novo processo de alargamento do controlo do sistema económico-produtivo pela economia de mercado que colocou a sociedade ainda mais heterónoma face à lógica mercantil. Trata-se de uma conjuntura em que a sociedade foi fortemente compelida a ser uma espécie de apêndice do mercado. Sob este enquadramento, são sondadas no texto certas correspondências entre correntes ideológicas e políticas, a emergência de novas forças sociais, económicas e científico-tecnológicas e o processo conhecido por globalização
“Me like you” – eu sou tu. A teoria da tripla natureza das criaturas e da natureza – notas para o presente
Apesar de a falência ambiental e civilizacional de abrangência planetária revelar desde o século passado a urgência da alteração de procedimentos que lhe estão associados e a necessidade de um questionamento ativo sobre a validade desses modelos, a situação tem continuado a agudizar-se nas últimas décadas, sem que medidas de fundo tenham sido implementadas, e sem que princípios ecológicos profundos de preservação e consciencialização tenham sido incorporados nos campos disciplinares diversos e no quotidiano. Numa perspetiva ontológica, a vida é o mínimo e o máximo denominador comum deste contexto micro e macro-cósmico. Trazer o vivo e a natureza, ao debate público, e através da arte orientar o olhar numa reflexão crítica em que eu sou tu e tu és eu, traz-nos a uma ligação maior entre todas as coisas do mundo natural de que fazemos parte
Extrodução: uma configuração emergente de escrita sociológica
Este capítulo apresenta a ideia de extrodução, uma inédita figura/atitude de escrita sociológica em rede. Consiste num texto escrito por um autor que dialoga com os primeiros autores ou editores de uma obra, não fisicamente no exterior da obra, mas no interior do seu texto. A extrodução não introduz ou apresenta a obra, mas extroduz esse texto. Um exemplo de extrodução é uma conversa escrita com uma obra, onde o autor da extrodução (isto é, o extradutor) se inclui. O extrodutor não se confunde com um revisor ou um crítico, cujo texto se pronuncia sobre uma obra já terminada/publicada. Concretamente, aqui existem dois autores-personagens de escrita: o livro (que inclui implicitamente os seus primeiros autores) e o extrodutor, o segundo autor (externo/interno), que comenta as ideias dos primeiros autores ou autores internos, eventualmente comparando-as com as suas próprias perspetivas. Nesta ótica e ética híbridas, são discutidos os seguintes conceitos: eco(socio)logia da individuação, individuação estável, transdução, pessoa pós-moderna, omni/plurimodernidades, sociedade da investigação, inter-panoptismo, cibertempo, pré/pós-livro, texto pós-seminal, hibrimédia, hibridologia, saber-dados, transcotomias, alfabeto de relações sociais, sociologia da citação, metodologia geoneológica
Carta aos que estão a chegar
As máquinas estão a desaparecer. E como elas eram confiáveis, sempre próximas, trabalhando à medida do nosso desejo. No século XIX, Marx descobriu uma inimizade com elas que era nova, como se elas se estivessem a revoltar. Mais certa é a atitude de Clarice Lispector que lhes fez um dos últimos elogios, agradecendo à sua máquina de escrever por “correr bem e correr suavemente”: “o ruído baixo do teclado acompanha diretamente a solidão de quem escreve” (Lispector, 2013, pp. 69-70). Caso se revoltassem teriam justificação, dado o papel de escravos que lhes está destinado
Onde aterrar? Como nos podemos orientar na “política”?
Este ensaio propõe relacionar três fenómenos como sintomas da mesma situação histórica: a globalização, as desigualdades por esta provocadas e a mutação climática. Mas este último fenómeno – a mutação climática – coloca-nos um desafio sem precedentes: onde aterrar? Agora, se não há planeta, terra, solo ou território que possa abrigar o mundo da globalização para o qual todos os países pretendiam aceder, então ninguém tem, como dizem, um “sou eu” garantido. Assim, cada um de nós se depara com a seguinte pergunta: “devemos alimentar sonhos de fuga ou procurar um território habitável para nós e para os nossos filhos?”. Por outras palavras, ou negamos a existência do problema ou procuramos onde aterrar. Isso é o que atualmente nos divide, muito mais do que nos juntarmos à direita ou à esquerda
Uma Europa com amos: Notas críticas de história de uma economia política
Partindo de algumas notas de história da economia política, focadas em ideias, interesses e instituições, argumenta-se que a integração europeia tem uma natureza neoliberal crescentemente vincada e analisam-se algumas das suas implicações de política económica. O neoliberalismo não é um slogan, mas sim um poderoso feixe de ideias,com uma prática teórica centrada na identificação das melhores escalas para promover um determinado tipo de capitalismo, crescentemente expurgado de concessões coletivistas. O europeísmo, a ideologia de que as melhores soluções políticas estão hoje na escala das instituições europeias, tem, particularmente entre os sectores socialistas, de se confrontar com alguns padrões gerados pela integração. Argumenta-se que o caso português pode, neste contexto, oferecer algumas indicações sobre as possibilidades e limites das várias escalas de atuação política