Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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A (Re)Organização da Comunicação Interna a Partir de Processos Participativos
A pandemia COVID-19 trouxe muitas mudanças em nossas vidas e também nas organizações. A partir do regime de trabalho remoto, com o confinamento, embaralhamos definitivamente o público e o privado em nossas casas, as escolhas passaram a não estar somente em benefício de alguns, mas a nível de toda a sociedade, e tivemos que lidar com informações globalmente dispersas entre os múltiplos atores. Nesse cenário, que foi interconectado por dispositivos tecnológicos, as relações participativas nas organizações mostraram-se essenciais. Neste estudo, fazemos uma revisão histórica e conceitual da comunicação interna e problematizamo-la nas organizações contemporâneas, a partir da premissa de que qualquer processo comunicacional necessita de equilíbrio pela participação. Entendendo a participação como uma efetiva redistribuição de poder, propomos uma (re)organização da comunicação interna que permita a construção de espaços sociais, interativos, de partilha, de responsabilidades, de planeamentos e tomada de decisões. Assim, a comunicação interna é percebida no estudo como uma construção simbólica de significados, envolvendo todos os colaboradores, em todos os níveis, por meio da criação de um ambiente de trabalho como um espaço social, integrativo. Ressalta-se ainda que é preciso que profissionais de comunicação reconheçam sua capacidade e responsabilidade de funcionar como agentes de mudança nos locais de trabalho, observem as estruturas e experiências proporcionadas pelas novas tecnologias de comunicação e ajudem a criar um ambiente organizacional que proporcione a participação dos colaboradores de forma ativa
De Chegada de um Trem à Estação ao Leão Virtual de Chengdu: A Vertigem Tecnológica e o Aumento da Voltagem Sensorial
Dois eventos audiovisuais separados por 125 anos. Um entrou para a história como o dia das primeiras exibições cinematográficas. O outro, não se sabe quantas vezes ocorreu e não tem relevância e importância histórica alguma. Além de coincidentemente os dois terem a duração de um pouco mais de 1 minuto, não há mais características ou elementos que os assemelhem. Um é em preto e branco, mudo e produzido com um cinematógrafo. O outro é digital, tridimensional, produzido com computadores. Mas, ainda assim, provocaram reações parecidas em quem assistiu. O presente artigo esboçará um paralelo entre uma das primeiras experiências cinematográficas dos irmãos Lumière, em 1895, com uma peça audiovisual veiculada num espaço público, na cidade de Chengdu, na China, em 2020. A proposta é menos uma análise gramatical da linguagem audiovisual de cada um e mais um debate teórico, a fim de se pensar, a partir de suas características, como a intensidade dos estímulos sensoriais vem aumentando desde o período de aparecimento dos modernos meios de comunicação de massa até ao presente pós-moderno dos meios digitais interativos. A fim de tornar o debate mais objetivo, o conduziremos a partir das seguintes dimensões: velocidade, sensações e espaço-tempo. Para, enfim, interpretá-lo à luz da figura do trágico em oposição à figura do dramático, acompanhando teorizações sobre as novas sensibilidades pós-modernas, ao identificar o predomínio do regime melancólico em contraponto ao regime moderno apolíneo
Educação na Era da Pós-Verdade: Como Lidar Com Esta Realidade?
A desinformação, as fake news, as meias verdades e o cenário denominado “pós-verdade” em que nos encontramos influenciam vários campos e dinâmicas sociais. Um desses territórios é o contexto da educação, em que importa compreender as implicações desta era de informação turbulenta e de ascensão de ferramentas tecnológicas que fomentam estados de desinformação. A atual conjuntura tem reflexos nas interações em sala de aula e é necessário perceber de que forma isso acontece e que ferramentas e/ou métodos poderão ser usados para mitigar efeitos, nomeadamente via mudanças nas práticas pedagógicas. Portanto, este artigo apresenta uma revisão de literatura desenvolvida com o objetivo de começar a perceber as implicações e formas de lidar com a realidade da era da pós-verdade no contexto educacional. Além disso, foram incluídos autores-chave em temas essenciais nesse panorama, como a educação, que permitiram também uma compreensão da necessidade de trabalho a longo prazo neste combate. A literatura sugere, por exemplo, a necessidade de formação contínua dos professores, necessidade de aumentar a capacidade de pesquisa dos estudantes e a importância de criar debates em sala de aula, tendo em vista que uma das características da pós-verdade é a dificuldade do diálogo plural
A Agenda 2030 e Suas Potencialidades Para a Cultura
A Agenda 2030 foi apresentada pela Organização das Nações Unidas em 2015. Dentre os respetivos 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável (ODS) contidos na mesma, ganha peculiar reconhecimento a Meta 11.4, pois trata a cultura com especificidade. Para debater o papel da cultura no contexto desses ODS, este trabalho visa examinar essa agenda com vista a outras duas cartas: a dos indicadores para a cultura, publicada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2019, e a dos indicadores para Portugal (Instituto Nacional de Estatística, 2018). Voga-se analisar essas relações com o propósito de responder à questão: qual a relevância dessa agenda no âmbito das definições das políticas culturais em Portugal, quando se põe em foco os próximos 10 anos? Justifica-se esse conhecimento, pois os ODS podem enquadrar-se como uma ferramenta de apoio na esfera dos planos e das decisões estratégicas voltadas para o âmbito da cultura. Para analisar esses documentos, os recursos semióticos e, mais precisamente, os da análise do discurso foram princípios relevantes para as considerações previstas aqui tratadas. Ao que se refere ao campo teórico, as inferências foram respaldadas a partir do conceito de complexidade defendido por Edgar Morin (1977/1997)