Biblioteca Digital de Periódicos da UFPR (Universidade Federal do Paraná)
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Animismo e epistemologia entre os Mbya Guarani: passos ameríndios para a ecologia da mente de Gregory Bateson
O artigo busca homenagear o antropólogo Gregory Bateson ao aproximar algumas de suas ideias do o material ameríndio, particularmente mbya guarani. O ponto de partida é a existência de duas epistemologias, segundo Bateson, uma menos correta e a outra mais. Definindo cada uma a partir de critérios dados por relações de tipo complementar e de tipo simétrico, a investigação percorre a etnografia mbya guarani pondo em relevo certos aspectos das relações deste povo com o meio ambiente do qual fazem parte, principalmente com os pássaros, com o porco-do-mato e de modo mais geral com os “donos” (que podem ser donos de animais, plantas, lugares, etc). Conclui-se, ao final, que, diversamente ao modo ocidental de se relacionar, segundo Bateson, apenas competitivamente com a natureza, os Mbya alternam entre competição e generosidade em suas relações com o meio ambiente, resultando num tensionamento não cumulativo
Governo do tempo: a circulação migratória e as fronteiras da espera
O presente artigo pretende compreender como o controle do tempo nas experiências migratórias de natureza forçada pode ser pensado como uma tecnologia biopolítica. Para isso, pretende-se resgatar o pensamento filosófico de Michel Foucault em torno da noção de governamentalidade, associando-o à análise de Benjamin Boudou sobre os limites temporais da hospitalidade, tendo como fio condutor a relação entre a regulação da circulação espacial do migrante e o problema do tempo de espera para ser acolhido. Além da distribuição espacial das populações indesejáveis em campos de retenção como estratégia para tratar dos migrantes pobres e miseráveis, propõe-se uma reflexão crítica a respeito da espera por parte dos dispositivos de segurança, cujas restrições delimitam as fronteiras de uma comunidade política e democrática
Plágio e citação: percepções de pós-graduandos em educação
Este estudo analisa a compreensão de mestrandos e doutorandos em Educação sobre o plágio, a questão do autoplágio e a capacitação pelo domínio das normas de citação, com vistas a evitar a má conduta acadêmica. O artigo, além de tratar de alguns dos aspectos convergentes na literatura internacional sobre o conceito de plágio, frisa que a discussão não se encerra com a definição de suas tipologias, comportando também temas ligados a outros comportamentos ilícitos, como a fraude, o ludibrio (Carrol, 2016) e o autoplágio (Diniz; Terra, 2014; Phyo et al., 2022). Foi adotado o método análise de conteúdo (Bardin, 2011) para o exame das 17 entrevistas realizadas com pós-graduandos e ocorreu a exploração do resultado de 123 questionários. Dessa forma, a pesquisa integra a dimensão do levantamento quantitativo ao qualitativo no processo de análise, em perspectiva descritiva e exploratória. Em conclusão: todos os pós-graduandos compreendem o que é o plágio, mas o autoplágio é uma “figura estranhada” quando associado ao plágio. Há uma régua moral e ética para a escrita do texto acadêmico, que é utilizada a partir da crença na normalização, pela via da citação, para evitar o plágio. Entretanto, tal régua se defronta com limites e desvios.
História do Queijo Colonial do Rio Grande do Sul: das cozinhas para o mercado
Os queijos tradicionais são produtos marcados pela identidade local, pois os recursos naturais e os conhecimentos envolvidos em sua elaboração são frutos da história de um território. No Rio Grande do Sul, há dois queijos tidos como tradicionais: o Queijo Serrano e o Queijo Colonial. O Queijo Colonial é produzido em diversas regiões, encontrado em diferentes tipos de varejo e muito conhecido pelos consumidores. Entretanto há poucas pesquisas sobre sua história. O objetivo desse trabalho é gerar um registro sobre a história do Queijo Colonial no estado, acompanhando as alterações no modo de fazer, seu papel nos estabelecimentos rurais ao longo do tempo, e o papel das mulheres nesse processo. A metodologia incluiu pesquisa bibliográfica e coleta de dados primários por meio de entrevistas com produtores. As regiões abrangidas foram: Serra, Quarta Colônia e Vale do Taquari. A história do Queijo Colonial inicia quando os colonos europeus conseguem adquirir bovinos, depois de estabelecer as primeiras plantações e construir casa para a família. O leite era utilizado para assegurar as necessidades básicas, o que sobrava ia para produção de queijo. As mulheres eram as principais responsáveis pela produção do queijo, feito nas cozinhas, com leite não pasteurizado, coalho e sal. A bovinocultura de leite se desenvolve a partir de 1940, quando surgem pequenas agroindústrias, e o queijo passa ser uma fonte renda importante, as mulheres, entretanto, ainda tem papel preponderante no processo. Dificuldades para legalização em pequena escala e a falta de regulamento para valorizar as potencialidades do Queijo Colonial demandam mais pesquisas
Turismo cultural de Icó-CE: diagnóstico, plano de ação e sustentabilidade do patrimônio material
O turismo é caracterizado como fenômeno social, cultural e econômico. O turismo cultural se efetivou como um elemento importante no crescimento regional contribuindo para as estratégias de desenvolvimento sustentável. Patrimônio cultural é o conjunto de manifestações culturais e se constitui no diálogo da comunidade com seu território. A cidade de Icó é um patrimônio cultural nacional tombado justificado por seu acervo material, apresentando potencialidades para promoção do desenvolvimento do turismo cultural. O objetivo deste manuscrito é realizar um diagnóstico do turismo cultural em Icó e propor um plano de ação para potencializar este segmento turístico. Metodologicamente tem uma abordagem qualitativa, de natureza básica e caráter exploratório-descritivo. Realizou-se um levantamento bibliográfico, documental, cartográfico, iconográfico, trabalhos de campo e etapas em laboratório, com elaboração de mapeamento digital. Os resultados apresentam a importância do turismo cultural, com ênfase no seu patrimônio material, de modo a contribuir com as discussões acerca do conceito, das abordagens metodológicas e de suas possíveis aplicações na construção de estratégias sustentáveis de uso do patrimônio cultural material de Icó.
SÍNTESE VERDE E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE CATALÍTICA DE NANOPARTÍCULAS DE ÓXIDO DE FERRO OBTIDAS A PARTIR DA CASCA DE ABÓBORA HÍBRIDA (TETSUKABUTO)
O presente trabalho tem como objetivo sintetizar e caracterizar nanopartículas (Np’s) de óxido de ferro a partir da casca de abóbora, subtipo cabotiá. Além disso, avalia a sua atividade catalítica na decomposição de peróxido de hidrogênio (H2O2) através da quantificação de produção volumétrica de gás oxigênio. A síntese verde para a obtenção das Np’s de óxido de ferro foi realizada por meio da metodologia de co-precipitação. Para a caracterização das Np’s foi realizada análise Microscopia Eletrônica de Transmissão (MET); por meio da análise, foi possível observar nanopartículas com formatos e tamanhos variados, que podem ser associados ao maior tempo de secagem. Por fim, a análise de atividade catalítica das Np’s em solução indicou a decomposição 95% do H2O2 exibindo alta atividade catalítica
UTILIZAÇÃO DE BAGAÇO DE MALTE COMO INGREDIENTE EM BEBIDA LÁCTEA NÃO FERMENTADA
O objetivo deste trabalho foi utilizar a farinha obtida do bagaço de malte (FBM) como ingrediente para a formulação de bebida láctea não fermentada. Para isso, produziu-se e caracterizou-se a FBM, que apresentou 5,90% de umidade, 1,87% de cinzas, 17,12% proteína bruta, 8,07% fibra bruta, 4,27% gordura total, 18,37% açúcares totais e 0,36 de atividade de água. A FBM apresentou índice de absorção de água de 3,70g/g e índice de solubilidade em água de 29,12 g/100. Foram elaboradas quatro formulações de bebidas lácteas: F1 (0% FBM, 0% goma xantana e carboximetilcelulose – CMC), F2 (4% FBM, 0% goma xantana, 0% CMC), F3 (4% FBM, 0,15% goma xantana, 0,15% CMC) e F4 (4% FBM, 0,25% goma xantana, 0,25% CMC). As bebidas com adição de FBM apresentaram maiores teores de proteínas, fibra bruta, gorduras e extrato seco total quando comparadas com a formulação padrão (F1). Não houve variação significativa (p>0,05) nos valores de pH e acidez durante o armazenamento (30 dias) para todas as formulações. A adição de FBM reduziu o efeito da sinérese nas bebidas lácteas, em todas as formulações, assim como a adição de goma xantana e CMC (p<0,05). Ao final de 30 dias de armazenamento, a formulação F4 apresentou os maiores valores de firmeza, consistência e coesividade, em função da maior adição de goma xantana e de CMC. Portanto, a utilização de FBM em bebidas lácteas não fermentadas, na concentração avaliada neste trabalho, se torna viável do ponto de vista tecnológico e nutricional
Estado e suas múltiplas determinações: as contribuições dos clássicos nas Ciências Sociais
O presente artigo tem como objetivo analisar o Estado a partir de três autores considerados clássicos nas ciências humanas, especialmente na sociologia: Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber. A relevância do artigo está em continuar os caminhos percorridos na análise do Estado a partir da contribuição destes autores indo, assim, além das ideias de uma instituição “naturalizada”, mas sim como uma instituição social que age e faz agir a sociedade na qual o mesmo emerge. A questão é plausível tendo em vista a influência que a leitura que os autores fizeram tiveram sobre as ciências humanas em geral indo do Estado para questões como poder, burocracia, moral, classes sociais, superestrutura e ideologia que está na base dos conceitos que as ciências humanas não perde de vista ao estudar este mesmo objeto. A metodologia do artigo será uma análise dos caminhos metodológicos, influências e contexto socio-político e interesses que podiam estar permeados nas pesquisas e conceituações que este autores faziam sobre o Estado. Isso será feito a partir da leitura de outros trabalhos que tomaram este tema como objeto de estudo e trabalhos que analisaram a obra e contexto das mesmas destes autores. O trabalho conclui que nas referidas obras dos autores têm diferenças, mas também similaridades na análise do Estado Moderno
A lei da continuidade na filosofia crítica
The aim of this article is to investigate the fundamental character of the principle of continuity in Kantian critical philosophy, showing that there is a constant tension between continuity and discontinuity in Kant's conception of human reason. Kant affirms that reason has many particular faculties distinct from each other in their elements and functions, while defining it at the same time as a systematically ordered whole, since there is not only an articulation, but also a transition between these faculties. This tension between continuity and discontinuity manifests itself in the critical discourse insofar as two opposing movements constantly alternate in it: analysis and synthesis.Pretende-se, neste artigo, investigar o caráter fundamental do princípio de continuidade na filosofia crítica kantiana. Atravessando os mais diversos planos de representação da razão, é ele que primeiramente garante a unidade das representações sensíveis dadas no espaço e no tempo e, por fim, possibilita uma ordenação sistemática dos conhecimentos com base nas ideias da razão. Mas tal continuidade observada nos objetos é possível somente porque a razão é, ela mesma, uma totalidade contínua. A continuidade da natureza não outra coisa senão o correlato da continuidade existente entre as faculdades que compõem a razão, tal como traçada pelo discurso da crítica.