Biblioteca Digital de Periódicos da UFPR (Universidade Federal do Paraná)
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Sujeitos nulos e pronominais e sua relação com traços semântico-pragmáticos do referente: um estudo baseado em testes
Apresentamos aqui o resultado de três testes que realizamos com o intuito de contrastar a influência dos traços de animacidade e de gênero semântico na realização do sujeito anafórico pronominal de 3ª pessoa do singular em português brasileiro (PB). Coelho et al. (2017) sugerem que o traço de gênero semântico (e não o de animacidade ou de especificidade, cf. Cyrino, Duarte & Kato, 2000, Duarte, 2018) seja o traço relevante para a manifestação do pronome em função de objeto direto e de sujeito. Elaboramos três testes de aceitabilidade de frases em PB em que contrastamos referentes com esses traços, [±gs] e [±a]. Os testes apresentaram limitações por não termos controlado fatores que têm relação com o fenômeno do sujeito nulo, como a relação de c-comando entre referente e sujeito anafórico (cf. Duarte, 2012, 2020, Kato & Duarte, 2014) e a conexão discursiva entre referente e sujeito anafórico (cf. Lazzari, 2020, Paredes Silva, 2003, 2007). Ainda assim, obtivemos resultados que sugerem que o traço de gênero semântico seja relevante naretomada do sujeito anafórico pronominal de 3ª pessoa em PB
A continuação: escrita e subversão em Silvina Ocampo
Este artigo explora a escrita na diegese do conto A continuação, de Silvina Ocampo, e analisa o efeito de ruptura que escrever produz na narradora-personagem no decorrer da história. O tema é trabalhado a partir do referencial teórico da teoria literária feminista e da psicanálise. Para isso, contextualizamos a obra da autora, apresentamos a discussão sobre os conceitos e, em seguida, trazemos alguns excertos do conto, que faz parte do livro A fúria e outros contos
As aventuras da Teoria Literária no Brasil da redemocratização política
Construir a memória da disciplina Teoria Literária e seus dispositivos de legitimação na universidade brasileira no período de redemocratização política entre os anos de 1986 e 2000 e o objetivo maior deste artigo. As discussões em torno do que vem a ser considerado próprio do campo literário, o problema da reflexão e aplicação do conceito de dialética, a experiência com a democraciae com os intercâmbios latino-americanos será o considerados na análise das questões identificadas como cruciais para a institucionalização da disciplina nas universidades brasileiras
MODELAGEM MATEMÁTICA DA TRANSFERÊNCIA DE MASSA NA HIDRATAÇÃO DO ARROZ
O arroz é a base da alimentação da sociedade brasileira e em grande parte da população mundial. É importante compreender as etapas do seu beneficiamento, proporcionando um processamento seguro e otimizado. A etapa de hidratação é fundamental para produção do arroz parboilizado e integral germinado. Por isso, o objetivo deste trabalho foi estudar a hidratação de grãos de arroz em casca, da variedade SCS122. O ensaio ocorreu em banho termostático, em 5 temperaturas (25, 35, 45, 55 e 65 °C) e durante 16 horas, sendo analisadas amostras a cada 15 minutos de hidratação até 3 horas, e após, a cada 1 hora até 16 horas. Para o estudo cinético foram utilizados 4 modelos matemáticos, sendo 1 fenomenológico: Modelo da Difusão baseado na segunda Lei de Fick e 3 empíricos: Peleg, Page e 1ª Ordem, a fim de avaliar os parâmetros do Processo de hidratação de arroz. Os parâmetros dos diferentes modelos ajustados (de Peleg, Page, Primeira Ordem e Difusão): k1, kp, k e Def, respectivamente, apresentaram dependência linear com o aumento da temperatura, o que resultou em aumento da taxa de absorção de água em temperaturas superiores. Os modelos de Peleg e Page descreveram bem a cinética de hidratação, com um R2 de 0,99, respectivamente, já os modelos de Difusão e Primeira Ordem descreveram com proximidade os dados experimentais, R2 de 0,91 e 0,98, respectivamente. Todos os modelos representaram as principais tendências do processo, sendo que o modelo de Peleg foi o que melhor representou a hidratação do arroz
PERSPECTIVAS DA POPULAÇÃO FRENTE AO CONSUMO DA CARNE BOVINA DRY AGED
A carne é um alimento rico em macro e micronutrientes, amplamente consumida em todo mundo em diferentes formas de processamento. Dentre esses processos, a maturação, consiste em manter a carne refrigerada em uma temperatura específica por um determinado período, promove a maciez, aroma e suculência agradável ao consumo. O objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção dos consumidores sobre o consumo de carne, especificamente da carne dry aged. Para isso, foi realizado um estudo descritivo para o levantamento de informações sobre o consumo de carne e variáveis de acordo com a carne dry aged, por meio de formulário on-line. Foram obtidos 183 respondentes, sendo a maioria jovens, do sexo feminino, com renda média de 1 a 3 salários mínimos sendo possível estabelecer o perfil de consumo e compra destes consumidores. Evidenciou-se a preferência pelo consumo de carne bovina, levando a maioria (55,19%) consumir de 3 a 4 vezes na semana e gastando em média R$ 200 a 300,00. Referente ao local de compra, a preferência (56,90%) foi em mercados e as características sensoriais consideradas mais importantes no momento da compra foram cor, sabor, suculência e maciez. Já os parâmetros para aquisição foram relevantes a questão de qualidade, preço, sanidade e o aspecto visual da carne. Verificou-se que 60,66% dos entrevistados ainda não conheciam e nunca consumiram a carne dry aged, mas relataram que gostariam de experimentar, embora possua alto valor
VIABILIDADE DE BACTÉRIAS ENCAPSULADAS EM LEITE
A microbiota intestinal humana exerce um papel importante tanto na saúde quanto na doença e a suplementação da dieta com probióticos pode assegurar o equilíbrio dessa microbiota. Kefir é uma bebida fermentada de fácil preparo e economicamente acessível, originado da ação dos grãos de Kefir que são compostos de leveduras e bactérias benéficas e uma matriz de polissacarídeos. O objetivo do trabalho foi determinar a eficiência de três encapsulantes na proteção de dois produtos contendo bactérias: kefir artesanal e probiótico comercial durante 21 dias de vida de prateleira. Os tratamentos foram o uso das seguintes soluções para encapsulamento por extrusão: T1: alginato a 1% na encapsulação de probiótico comercial (Lactobacillus rhamnosus); T2: alginato 1% + 0,5 % de amido de milho para encapsulação de probiótico comercial; T3: alginato 1% + 0,5% de goma acácia para encapsulação de probiótico comercial; T4: alginato a 1% para encapsulação de Kefir fermentado; T5: alginato a 1% + 0,5% de amido de milho para encapsulação de Kefir fermentado; T6: alginato 1% + 0,5% de goma acácia para encapsulação de Kefir fermentado. O tratamento contendo somente alginato e probiótico comercial obteve as menores contagens de lactobacilos (6,99 log10). Para acidez titulável não houve diferença significativa entre os tratamentos aos 21 dias de armazenamento (27,50º D). Com relação a composição do Kefir, destaca-se seu conteúdo de proteína e lipídeos. Todos os encapsulantes testados foram eficientes em manter viáveis as células microbianas para que possam atingir o intestino em quantidades satisfatórias
Experiências educacionais e interculturais sob a perspectiva de Protapi, um antropólogo Yine de Urubamba, Amazônia, Peru
This paper presents the research conducted by Author1 an anthropologist and leader of the Yine-Yami indigenous group in Peru, in dialogue with the work of anthropologist Peter Gow, who studied Author1 people, originally referred to as the Piro, but who now they prefer to be called by the ethnonym: Yine. The article is based on Author1 investigation, which explores the tensions that arise when indigenous communities transition from oral traditions to non-indigenous formal spaces of learning, requiring them to acquire new logics and protocols for knowledge production. In addition to drawing on insights from other Latin American indigenous intellectuals, the article highlights the importance of analyzing the perceptions of indigenous people about their educational processes, particularly in the context of contacts with non-indigenous schooling influences. We suggest that Yine schools could give more attention and value to the Gimatkalchi, also studied by Gow. We also believe that non-indigenous schools and formal education settings could learn from indigenous people and pay greater attention to their knowledge systems. Este artigo apresenta a pesquisa realizada por Alex Protapi, um antropólogo e líder do grupo indígena Yine-Yami no Peru, em diálogo com o trabalho do antropólogo Peter Gow, que estudou o povo de Protapi, originalmente referido como Piro, mas que agora preferem ser chamados pelo etnônimo Yine. O artigo é baseado na investigação de Protapi, que explora as tensões que surgem quando comunidades indígenas transitam das tradições orais para espaços formais de aprendizagem não indígenas, exigindo a aquisição de novas lógicas e protocolos para a produção de conhecimento. Além de se basear em contribuições de outros intelectuais indígenas latino-americanos, o artigo destaca a importância de analisar as percepções dos povos indígenas sobre seus processos educacionais, especialmente no contexto de contatos e influências educacionais não indígenas. Sugerimos que as escolas Yine poderiam dar mais atenção e valor ao Gimatkalchi, também estudado por Gow. Acreditamos também que as escolas e instituições de ensino formais não indígenas poderiam aprender com os povos indígenas e prestar mais atenção em seus sistemas de conhecimento.Este artículo presenta la investigación realizada por Alex Protapi, un antropólogo y líder delgrupo indígena Yine-Yami en Perú, en diálogo con el trabajo del antropólogo Peter Gow, quien estudió al pueblo de Protapi, anteriormente referido como Piro, pero que ahora prefiere ser llamado por el etnónimo Yine. El artículo se basa en la investigación de Protapi, que explora las tensiones que surgen cuando las comunidades indígenas transitan de las tradiciones orales a espacios de aprendizaje formales no indígenas, lo que les exige adquirir nuevas lógicas y protocolos para la producción de conocimiento. Además de basarse en los aportes de otros intelectuales indígenas latinoamericanos, el artículo destacala importancia de analizar las percepciones de los pueblos indígenas sobre sus procesos educativos,particularmente en el contexto de contactos con influencias escolares no indígenas. Sugerimos que las escuelas Yine podrían dar más atención y valor al Gimatkalchi, noción también estudiada por Gow. Creemos también que las escuelas no indígenas y los entornos de educación formal podrían aprender de los pueblos indígenas y prestar mayor atención a sus sistemas de conocimiento.
“Pais e filhos”: a recepção de Hegel nas filosofias francófilas no século XX
Busca-se avaliar o impacto da difusão da filosofia de Hegel na França até os anos 1950, assim como a ruptura efetuada pela geração de filósofos que ganha espaço no debate da segunda metade do século XX, com ecos na filosofia brasileira a partir deste período. Nomes como Althusser, Lacan, Foucault e Deleuze estabelecem relações próprias com a herança do filósofo suábio, oscilando da influência profunda à completa ojeriza, impactando mundialmente a discussão sobre o hegelianismo: ou tábua de salvação ou alvo preferencial num debate externo à filosofia do autor. Por fim, apresentar-se-ão alternativas a algumas críticas feitas pela geração de Maio/68, notadamente Deleuze, contra o edifício conceitual hegeliano
Caracterização marxiana da categoria trabalho: implicações na construção social e subjetiva
O trabalho é categoria central da Psicologia Social do Trabalho, e seu principal referencial teórico é Karl Marx, entretanto essa área vem se afastando do conceito original. O presente artigo objetiva discutir o conceito de trabalho em Marx caracterizando essa categoria e discutindo-a em suas implicações sociais e subjetivas através de uma revisão teórica. Para tanto, recorremos aos textos de Marx e Engels, em outros clássicos e em autores contemporâneos para analisar a realidade objetiva a luz da teoria que revisitamos aqui. Percebemos que para essa teoria o homem é um produto da sociedade, e esta é resultado do modo de produção, assim essas condicionantes impactam nos mecanismos que formam e dão suporte aos sujeitos. Entendemos que a Psicologia Social do Trabalho é o campo privilegiado de análise para esse fenômeno, uma vez que se compromete a analisar os processos de subjetivação na relação laboral