Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Finanças e informação em São Paulo: o mercado de capitais e o circuito da informação financeira

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    O atual período da globalização é marcado por uma importância crescente da informação e pela ascensão e mundialização das finanças. A globalização financeira se impõe hoje no mundo e caracteriza mutações profundas nos territórios nacionais, na medida em que contribui para amplificar os fluxos e as influências dominantes. Dessa forma, interessa à análise geográfica, particularmente aos estudos urbanos (BÉTEILLE, 1991, p. 10). No período histórico atual há também uma mutação “revolucionária para toda a humanidade”, a revolução informacional (LOJKINE, 2002, p. 11), quando a informação emerge como elemento que organiza novos contextos socioterritoriais, e “as novas atividades produtoras de informação, agrupadas no setor quaternário da economia, são centrais à elaboração e coordenação das múltiplas redes planetárias” (SILVA, 2001, p. 6)

    Cognição e Técnica no desenvolvimento de um programa computacional em uma plataforma online

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    A ubiquidade da Internet vem suscitando interesse em várias áreas do conhecimento a respeito dos impactos da mesma sobre a cognição humana. Uma das linhas de pesquisa a este respeito volta-se para a investigação das formas como as tecnologias digitais têm propiciado a realização de atividades cognitivas por coletivos conectados pela Internet e compostos tanto por seres humanos como por artefatos técnicos. Tais desenvolvimentos apresentam grande interesse para a antropologia, já que dirigem atenção para questões clássicas da disciplina, como as relações entre a cognição humana e os contextos socioculturais onde ela opera, e também para questões atuais, como a relação entre humanos e não humanos. Este artigo busca tratar destas questões através da descrição etnográfica do processo de desenvolvimento de um programa computacional de código aberto realizado por pessoas geograficamente dispersas conectadas pela plataforma online GitHub, voltada para o suporte deste tipo de atividade

    Transformações da roça: cozinha e práticas alimentares em uma festa quilombola

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    Uma festa de aniversário na roça traz de volta antigos habitantes, que agora vivem na cidade. Esses deslocamentos e transformações reverberam nas práticas alimentares de um evento onde a comida não é a única coisa importante, mas ocupa um lugar central. Seu caráter gratuito e abundante, além de sua capacidade de reunião, tornam a cozinha e o que nela se prepara, critérios significativos para se avaliar o sucesso ou o fracasso de uma celebração. A vivência etnográfica em uma cozinha de festa campesina quilombola, mostra, dentre outras questões, as relações de poder inerentes à produção de grandes quantidades de comida. Assim, a disponibilidade e qualidade da ajuda (trabalho), os hábitos, cardápios, utensílios, origens dos alimentos, saberes e modos de preparo são negociados –principalmente - entre mulheres que saíram do campo e as que continuaram vivendo na roça, apresentando a cozinha como um ambiente de tensão que repercute, ainda, na comida que se prepara

    Sobre legumes, lazer e turismo: modos de habitar e constituir paisagens entre vazanteiros no médio Parnaíba

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    A labuta nas vazantes do médio Parnaíba, em Teresina-Piauí, começa cedo da manhã: seu Valdir pega a bicicleta e cruza a Avenida Boa Esperança em direção ao rio - na zona norte da cidade –, desce um caminho estreito, atravessa a criação de porcos do vizinho até chegar na vazante. A partir das experiências de seu Valdir e de outros agricultores com os ambientes que lhes constituem e ao mesmo tempo são constituídos por eles, discutirei formas de habitar empreendidas por estes vazanteiros em interação com a região da Avenida, enfatizando não só as vazantes e suas relações constitutivas, mas os processos de constituição das próprias residências e os conflitos com outros projetos de paisagem lá agenciados. As interações entre pessoas, casas, sementes e legumes gestados no lugar agenciam modos particulares de percepção do ambiente e configuram-no enquanto uma paisagem de vida, morada e trabalho. Estas formas de habitar têm sido alvo de políticas derequalificação urbana empreendidas pelo Programa Lagoas do Norte (Prefeitura Municipal, em parceria com o BIRD). Tal iniciativa coloca em agência devires de paisagens marcadas pelo lazer e pelo turismo, classificando, ainda, como crimes ambientais os engajamentos entre vazanteiros e vazantes. Neste cenário, o que me proponho a fazer é captar as práticas, conhecimentos e interações constituintes destes distintos tipos de paisagem, colocando em perspectiva, inclusive, as diferentes relações de força e poder implicadas nestes processos

    Cosmopolíticas do cotidiano e os coletivos de hortas urbanas comunitárias de São Paulo

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    Este trabalho é fruto do estudo em curso de uma prática que nunca se perdeu, mas que reaparece com força e imersa em novas experimentações: a agricultura urbana.  Temos como foco de estudos as “hortas urbanas comunitárias” da cidade de São Paulo, agrupamentos de voluntários que se reúnem periodicamente para criar e manter espaços de plantio de espécies vegetais e refúgio de espécies animais em meio ao concreto urbano. Situadas em locais públicos, praças, terrenos abandonados da prefeitura, canteiros em meio a grandes avenidas, as hortas de São Paulo fazem emergir discussões sobre ecologia, política, socialidade, troca de saberes; são experimentos que contemplam formas diversas de agir na, para e com a cidade.  A intenção dessa análise é apreender o movimento propiciado pela prática das hortas comunitárias em uma perspectiva de entrelaçamento entre humano e ambiente. As técnicas utilizadas e valorizadas pelas hortas urbanas paulistanas trabalham com preceitos como a agroecologia, a sintropia, a agrofloresta, as bioconstruções, a permacultura, em que o protagonismo está na interação homem/ambiente, e não no controle de um sobre o outro.  Queremos, à luz de nomes como Isabelle Stengers, Félix Guattari, Bruno Latour, Donna Haraway,pensar as hortas como coletivos humanos-não-humanos que, juntos, explodem em uma maneira de fazer política que se aproxima muito mais das noções de cosmopolítica ou política do cotidiano, trabalhando sob uma ótica mais relacional e menos acelerada, que, ao mesmo tempo, se torna uma perigosa prática de autonomia

    Entre a cozinha e o laboratório, controvérsias: algumas reflexões sobre a gastronomia, o cozinhar, os cozinheiros e as agências que os cercam

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    Esta proposta é produto de um breve estudo de caso que pretende refletir sobre as práticas,  as agências e as ações que podem estar engendradas no ato de cozinhar. Quando partimos da premissa  de que a comida é um produto da cultura, podemos inferir que tudo aquilo que a ela se liga poderia  ser também pensado enquanto tal. Contudo, o que uma produção culinária pode carregar para além  das próprias relações humanas que a tornam, histórica e cotidianamente, concretude de um exercício  de imaginação? Frente a este questionamento, temos como proposta expor, observar e analisar uma  receita culinária que, em 2010, foi preparada e apresentada em um famoso concurso internacional de  gastronomia – o Madrid Fusión –, para além de descrever e pensar parte da também afamada trajetória  do chef que a elaborou, apresentou e que, antes disso, já era internacionalmente reconhecido como o  mentor de um novo movimento nas cozinhas e na gastronomia. Estamos tratando, respectivamente,  do caviar esférico de melón, Ferran Adrià e a gastronomia tecnoemocional. Seguindo o intento de  analisar as práticas em questão por meio de suas materialidades, recorremos à Teoria Ator-Rede  (TAR) para explorarmos as associações entre as diferentes entidades que compõem o caviar esférico  de melón. Dessa forma, podemos fazer um exercício de aproximação e afastamento entre cozinheiros  e cientistas; comidas e controvérsias; gastronomia e ciência; cozinhas e redes sociotécnicas ou, até  mesmo, cozinhas e laboratórios

    O projeto Anna Eserenka: performances e intercâmbios de saberes musicais na Universidade Federal Roraima (UFRR)

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    O projeto Anna Eserenka, cadastrado no edital PROEXT2015 da UFRR, foi idealizado por jovens integrantes da banda Cruviana, criada em 2011 por alunos do Curso de Gestão Territorial Indígena, vinculado ao Instituto Insikiran, uma das primeiras instituições voltadas para o ensino superior indígena no Brasil. Contando com a participação de membros de duas comunidades situadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), e o apoio do movimento indígena e da comunidade universitária em geral, esse projeto visa realizar diversas atividades que concebem a prática musical como forma de “intercâmbio” de saberes, criando possibilidades de vivências de musicalidades indígenas e não-indígenas. O projeto envolve o levantamento das bandas compostas por indígenas no estado de Roraima, intercâmbios musicais, realizações de oficinas de construção de instrumentos, composições próprias, pesquisas bibliográficas e ainda o acompanhamento das performances da Banda Cruviana nos eventos promovidos pela UFRR e pelo movimento indígena de Roraima. Conforme o projeto, as músicas narram “histórias de povos e comunidades, traduzem a realidade dos diversos tempos, marcam identidades e lutas dos movimentos sociais indígenas”, e desde os centenários registros fonográficos de Koch-Grünberg (2006) é possível perceber a centralidade da música para os povos na região de Roraima. O objetivo deste trabalho é refletir sobre essa experiência musical concebida pelos alunos indígenas a partir da sugestão de Seeger (2015) de pensar esses intercâmbios e performances musicais como “modalidade preferencial para muitos processos sociais”, enfatizando o caráter criador e comunicacional da música nas Terras Baixas da América do Sul

    Políticas da percepção: diálogos com o Terreiro Matamba Tombenci Neto - Ilhéus/BA

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    Desde novembro de 2014, momento inaugural desta instituição, tem tido lugar na Universidade Federal do Sul da Bahia/UFSBb uma série de atividades (aulas, conferências, visitas de campo, ateliês artísticos, pesquisas, militância político-cultural etc.) que contam com a participação de mestres/mestras de tradições, artes e ofícios. Esta comunicação pretende discutir tais (des)encontros de saberes a partir de nossa experiência com a comunidade do terreiro Matamba Tombenci Neto (Ilhéus/BA). Partindo do horizonte teórico proposto por Ranciére, isto é, do entendimento de que toda estética é também uma política, pretendemos pensar a imagem técnica para além de sua suposta neutralidade – e, portanto, como imagem política. A ambição aí é dupla: por um lado, colocar em evidência um dos grandes projetos (derivado, é claro, do modo de produção de mercadorias capitalista) da indústria ao longo dos séculos XX e XXI, a anaisthesis; por outro, problematizar o papel que cumpre a universidade neste processo de anestesiamento – via pacificação e apropriação dos saberes ditos populares. Pensar assim a anaisthesis nos conduz de volta à discussão da disputa política pela emancipação dos sentidos e seus correlatos. Ora, se estivermos corretos, a universidade afigura-se, então, não somente como espaço da disputa do saber/do conhecimento, mas também como espaço de disputa pelos dispositivos de construção e reprodução das imagens (técnico-políticas). Por fim, gostaríamos de pensar a universidade como um dos espaços possíveis para ampliar a disputa (no caso das comunidades tradicionais, de guerrilha) por tais dispositivos estético-políticos

    Perspectivas híbridas entre antropologia e design de sistemas para produtos feitos a partir do tecido da floresta

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    Esta pesquisa apresenta propostas críticas de investigação para produtos feitos a partir do tecido da floresta, material composto de látex e tecido de algodão, que enforma bens industriais, como bolsas e calçados. Também conhecido como encauchado amazônico, o material consiste em uma tecnologia social desenvolvida por índios, seringueiros, ribeirinhos e quilombolas. A inserção do tecido da floresta na cadeia global de valor tem se intensificado desde meados da década de 1990, seja como matéria-prima de produtos europeus, seja como material industrializado no Brasil. Neste trabalho, que se encontra em desenvolvimento, busca-se estudar alguns produtos feitos a partir da tecnologia social do tecido da floresta. Para tanto, tem como ponto de partida o trabalho manual e informal na Amazônia até a comercialização internacional. O objetivo central é aprofundar o entendimento sobre as perspectivas tecnológicas, sociais, ambientais, criativas, políticas e econômicas, para tais produtos. Dentre os objetivos específicos, busca estudar as dinâmicas e organização de trabalho dos atores sociais na produção artesanal do tecido da floresta. A maior parte da literatura científica relacionada ao estudo do tecido da floresta está focada no desempenho desta tecnologia social, no mercado extrativista da borracha, e em estudos sociais sobre os seringueiros e índios. Assim, é oportuna uma investigação crítica sobre a sustentabilidade da rede de produção e valor dos produtos feitos deste material. A metodologia baseia-se principalmente em dois estudos de caso de acessórios franceses, uma bolsa de luxo da Hermès e um calçado casual da Veja, destacando suas relações híbridas entre os pares norte-sul, global-local, tradição-modernidade. O referencial teórico deste trabalho conjuga perspectivas diversas em antropologia, relações internacionais, design de sistemas e cadeia global de valor. A importância teórica deste estudo está na contribuiçãointerdisciplinar para reflexões sobre o desenvolvimento sustentável na Amazônia, buscando também gerar resultados práticos

    A cooperação internacional para o Clima: caso Brasil e China

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    Embora a internacionalização do debate sobre o tema das mudanças climáticas tenha ocorrido durante os anos da década de 1990, os países em desenvolvimento, também responsáveis pela crescente emissão de Gases de Efeito Estufa – GEE - na atmosfera, há pouco tempo incorporaram à dimensão climática e ambiental as políticas de transferência tecnológica. Dentre os exemplos desta modernização ecológica, o caso da cooperação em energias renováveis sino-brasileira é interessante para uma discussão. Tradicionalmente, os estudos de relações internacionais concentram-se na relação entre os Estados Nacionais, muitas vezes “silenciando” os demais atores sociais envolvidos pela cooperação. O nosso objetivo é apresentar, a partir da experiência dos participantes da cooperação, os limites da inovação tecnológica para produção de biodiesel com a rota enzimática. Para pensarmos este caso de cooperação entre sociedades contemporâneas, a metodologia de pesquisa antropológica rede social pode contribuir com este estudo sobre relações internacionais. A nossa hipótese acerca dos limites para a inovação tecnológica para o clima no Brasil considera a fragilidade das articulações entre esfera política, científica e industrial em nível local e internacional. Teoricamente, apreendemos criticamente a Teoria da Modernização Ecológica e seus limites para pensar as a importância das redes sociotécnicas nos processos de inovação tecnológica para o clima

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