Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Contribuições do caso Kraho para o estudo das redes empíricas

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    Esta apresentação trata do exercício de modelagem e análise da rede empírica de parentesco Kraho em uma ferramenta computacional. Argumenta-se que o caso da rede Kraho pode aportar contribuições para o estudo de outras redes e ajudar no avanço das relações entre antropologia e ciência da computação. A modelagem da rede Kraho incluiu, além das comumente utilizadas relações de casamento e filiação, também as relações de transmissão onomástica e amizade formal, peculiares ao caso Kraho e de outros povos indígenas. O exercício permitiu a produção de uma grande massa de dados sobre os circuitos matrimoniais, as práticas de transmissão onomástica e as relações Kraho de um modo geral. Tais dados têm a vantagem inerente da comparabilidade, já que foram produzidos através de métodos de análise com ferramentas computacionais que podem ser reproduzidos em qualquer rede. Entretanto, uma das dificuldades que se impõe é justamente selecionar dentre a enorme quantidade de dados que se pode produzir sobre qualquer rede, quais os parâmetros relevantes para a análise comparativa dessas redes. Com o caso Kraho, proponho alguns caminhos procurando levar em conta tanto conceitos gerais como a noção de cruzamento, quanto fatores específicos dos Kraho como sua terminologia de parentesco, suas práticas e discursos

    O vivo, o morto, a imagem: a presentificação do corpo ausente nas fotografias familiares do século XIX

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    O artigo parte de antigas fotografias em que aquele que posa porta, junto ou ao lado do corpo, o retrato de um ausente, supostamente um ente querido morto. Essas imagens, produzidas em um âmbito familiar e afetivo desde o advento da fotografia, provocam um vertiginoso jogo entre presença e ausência. A imagem fotográfica é colocada dentro da cena como objeto memorial, compondo uma nova dimensão espaço-temporal na qual vivos e mortos novamente se encontram. A partir dessas imagens, evocaremos a ideia de uma presentificação do corpo do morto, a restituição de uma potência de vida que se produz na relação do vivo com os restos daquele que morre. Trata-se de uma reflexão sobre o que a morte oculta e transforma em imagem, não somente como um jogo de visibilidades, mas, sobretudo, dentro de uma ideia fundamental de presença. A morte seria uma espécie de transição do visível do corpo para um outro estado de visibilidade e presença, constituído a partir da ausência do corpo original. Desde sempre, o homem lida com o desaparecimento de um corpo produzindo rituais, imagens e monumentos, rastros visíveis e tangíveis que desejam, sobretudo, evocar o efeito de alguma presença do mort

    A caminhada guarani e suas paisagens

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    Minha proposta para este seminário é (entre)tecer uma trama paisagística a partir de relatos dos Guarani-Mbya sobre a Yvy Rupa, a “plataforma terrestre”. Escolho três tempos, momentos e/ou aspectos que possam orientar nosso olhar: a criação do mundo por Nhanderu Tenonde (principal divindade do panteão Guarani), as caminhadas dos que seriam os futuros Nhanderu Mirim (aqueles que chegaram na chamada Terra sem Mal, seres humanos que se tornam imperecíveis) e a atualidade. O intuito é (re)verter o ponto de vista a respeito do espaço/território brasileiro, no caso específico do litoral sul da mata atlântica, ao vislumbrá-lo por meio das paisagens guarani, deslocando igualmente a minha posição de enunciação enquanto antropóloga ou intérprete, em direção à posição de tecedora dessas histórias. Em outras palavras, tentarei explicitar nas falas Guarani a trama que revela uma paisagem constituída de avatares míticos e incidências xamânicas, a qual tem sido sistematicamente invisibilizada pelos diversos interesses económicos que assediam, não direi somente as terras Guarani, mas a territorialidade cosmopolítica da própria Yvy Rupa, ou seja, as redes de relações queinter-ligam, de maneiras complexas, seres das mais diversas ontologias. As “falas Guarani” que queroentretecer foram produzidas no contexto de um projeto de formação de jovens pesquisadores Guaranide Santa Catarina, no marco do Inventário de Referências Culturais Guarani do IPHAN, em parceriacom o Centro de Trabalho Indigenista

    As sementes enquanto patrimônio cultural e a feira de sementes dos povos indígenas de Roraima

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    Os povos indígenas de Roraima realizam desde 2012 as Feiras de Sementes no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), através de uma parceria do Conselho Indígena de Roraima (CIR) com a Iniciativa Wazaka’ye/Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e outras instituições. A feira teve sua quarta edição em 2016 continuando a troca de sementes, de conhecimentos a elas associados, gerados pelas relações com essas sementes e com a feira. A partir do histórico das feiras aprofundaremos alguns temas como a origem das sementes, sua preservação, as plantas que são usadas em processos de cura e suas relações com as culturas indígenas. Na primeira edição da feira a artesã Iolanda Fidelis levou suas panelas de barro para expor e vender. Uns perguntavam: - o que isso tem relação com a feira de sementes? Tem a terra, o barro,que são elementos importantes para as sementes germinarem, além das panelas serem usadas no cozimento dos alimentos que vem das sementes, ou das próprias sementes enquanto alimentos. Na edição de 2014 houve concurso de cartilhas e uma turma de quinto período do curso Gestão Territorial Indígena do Instituto Insikiran de Educação Superior Indígena/Universidade Federal de Roraima escreveu informações desde como eram preservadas as sementes no passado, até seus usos e modos de transmissão de conhecimentos sobre este tema na atualidade. A partir dessas experiências construímos este texto refletindo sobre o que observamos e vivenciamos com os alunos indígenas em sala de aula, na relação com suas sementes e com a feira. Nossas discussões tomaram também como fundamento o que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN) vem trabalhando no campo do patrimônio imaterial e no registro dos sistemas agrícolas locais

    Espaços da alimentação: O desenvolvimento do comer fora de casa na cidade de São Paulo (séculos XVIII e XIX)

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    A proposta do presente trabalho é, através do enfoque da história da alimentação, se infiltrar na dinâmica social e urbana da cidade de São Paulo entre os anos de 1765 e 1828. Deve-se  ressaltar que no período em questão, São Paulo vivia um período de transformações, motivadas pelos negócios desenvolvidos em torno da produção e comercialização de gêneros agrícolas e/ou da pecuária. O constante vai e vem de pessoas nas ruas da capital da província, em finais do século XVIII acarreta o desenvolvimento de uma estrutura para atender às necessidades do contingente populacional que circulava nos espaços públicos da capital paulista. Neste contexto, o comércio de rua de alimentos se desenvolveu na cidade, trazendo possibilidade de sobrevivência para um grupo composto por negras de tabuleiros, donos de armazéns, quitandeiras que se aproveitavam do intenso fluxo diário de pessoas nas ruas para angariar sua subsistência. Neste contexto, s de um lado, o processo de dinamização do núcleo urbano acarretou uma maior fluidez social, de outro trouxe um sistema de códigos para demarcar o pertencimento a uma determinada classe social. Neste sentido, a comida podia se apresentar como um importante elemento de representação social, ajudando os indivíduos a se sentirem inseridos ou não em um determinado contexto

    Redes de Parentesco como sistemas dinâmicos

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    Redes de parentesco têm sido modeladas, desde os primeiros trabalhos pioneiros de Lewis Morgan e William Rivers, através de estruturas que se assemelham ao que, em teoria dos grafos, chamamos de grafos mistos, em que as relações de filiação são arcos direcionados, e os casamentos arestas "bidirecionadas". Outros significados podem ser dados às ligações, como sugere David Schneider em seus trabalhos a partir dos anos 70 do século passado. Isso dá origem a um modelo estático do parentesco, em que as relações surgem (por exemplo, no nascimento) e não se alteram durante a vida da pessoa. Este modelo nos parece insuficiente para capturar a riqueza do parentesco em suas manifestações empíricas nas diversas culturas existentes. Em muitas delas as relações entre os entes evoluem no tempo, e o modelo que representa o parentesco deve ser dinâmico, evoluindo também. A morte de uma pessoa faz com que a rede de parentesco se reconstrua para explicar e sustentar as novas classificações e funções dos indivíduos. Em Matemática, sistemas dinâmicos são estudados há mais de 100 anos, desde o trabalho seminal de Henri Poincaré. Essa natureza dinâmica se observa em diversos fenômenos da natureza, como a população de uma determinada espécie, o movimento do pêndulo de um relógio, o fluxo de água em um encanamento, etc. Nossa abordagem para o estudo do parentesco, como sistema dinâmico, deve ser capaz de reunir, em um mesmo plano analítico, objetos ecléticos como um conjunto de categorias semânticas nativas, um conjunto de normas e preferências matrimoniais e um conjunto de dados genealógicos empíricos de um dado povo, sem pressupor determinação entre eles

    Genealogia: tradução ou modelo?

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    Os estudos de parentesco lembram um vulcão em atividade intensa desde as primeiras erupções. Por esta razão, não deixa de ser curioso que um dos autores, cujas ideias mais produziram erupções e fluxos piroclásticos, nas últimas três décadas, tenha sido precisamente aquele que decretou sua extinção. Em uma obra de extraordinário impacto, David Schneider (1984) argumenta que parentesco é uma noção etnocêntrica, blindada com foro privilegiado por gerações e gerações de autores

    “Adeus Velho Chico, diz o povo nas margens”: há um rio no leito de morte! Reflexões sobre o mergulhar, navegar e práticas no Rio São Francisco e outras antropologias

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    Este trabalho busca ampliar o debate em torno de uma possível morte do rio São Francisco (um debate recorrente entre ambientalistas, pescadores, pesquisadores, barqueiros e comunidades ribeirinhas, especialmente no baixo são Francisco) a partir de reflexões propostas por Annemarie Mol (2012) de “the body multiple (corpo múltiplo), de Anna Tsing (2012) com o conceito de perturbação e Tim Igold (2015) com o de paisagem, com o intuito de encarar o rio como um agente que produz processos de negociação, que dialoga com outros agentes, produzindo consensos e controvérsias. Este trabalho não é só uma reflexão bibliográfica, é produzido a partir das próprias vivencias do pesquisador, enquanto um agente colaborativo e participe das práticas, dos mergulhos, da navegação, da pesca e etc., desde o seu nascimento na beira deste, e que se estendem ao longo dele. É um trabalho que pretende ser maior, com uma tese que está a caminho

    Transcomunicação instrumental e sentidos: aproximações possíveis

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    Transcomunicação instrumental (TCI) designa práticas mediadas por aparelhos eletrônicos, como rádios e gravadores, para o contato com entidades espirituais. Seus praticantes almejam contatar entes queridos falecidos, assim como fornecer uma validação técnica ao contato com os mortos. Além de encontrar-se nas fronteiras de categorias como “religião” e “ciência”, a TCI dilui demarcações como material/espiritual, visível/invisível, audível/inaudível, ao mesmo tempo que (re)estabelece conexões entre tais categorias. De forma semelhante, o estudo interdisciplinar do sensório questiona modelos de conhecimento estabelecidos ao voltar-se para as formas de percepção humana e seu papel na constituição e interpretação do mundo e do eu. O presente trabalho procura, assim, dar atenção a experiência vivida dos praticantes de TCI, e pensar por meio dos sentidos e percepções sensoriais estimuladas pelos experimentos em TCI. Para tal, o presente artigo analisa o caso do grupo de pesquisa TCI Seattle, das pesquisadoras Adriana Alonso e Simone Santos, através do seu site e página nas redes sociais. As “mídias do invisível” produzidas pelas pesquisadoras compõem um quadro de imagens e áudios que mobilizam parentes enlutados nas redes sociais em busca de notícias dos familiares

    “The video is wrong”: notas etnográficas sobre a introdução do árbitro de vídeo na Copa do Mundo televisionada

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    A Copa do Mundo é um megaevento aguardado por bilhões de torcedores ao redor do mundo e um grande fenômeno televisivo. A edição de 2018 na Rússia marcou a introdução oficial do árbitro de vídeo (ou VAR) no futebol profissional. O VAR é um produto da televisão que adentrou o campo e as regras do esporte e também é uma transformação técnica que, assim como a TV, é ecológica (POSTMAN, 1998). O árbitro de vídeo é o exemplo definitivo de quanto o arranjo ecológico-televisivo pauta o futebol. A pesquisa etnográfica que dá base a este trabalho busca explorar o impacto da introdução da nova técnica no ambiente futebolístico tanto na dimensão televisiva a partir de falas dos seus “especialistas” esportivos quanto na estrutura do VAR que contradiz a dicotomia orgânico/mecânico e estabelece novos arranjos humanos e não--humanos. Ambas dimensões modificam o esporte introduzindo novas lógicas que muitas vezes se opõem as lógicas estabelecidas, transportando seus contextos através de telas

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